No trabalho as relações são as mais bem definidas. As funções, obrigações e interesses de cada um estão pré-estabelecidos e essa simbiose de interesses precisa ser saudável. Nem empregados nem empregadores estão prestando favores uns aos outros. É necessário que essa interdependência seja óbvia. Abusos e excessos de qualquer uma das partes prejudicam direta e instantaneamente a saúde da empresa. Empresa esta, que provê todos interesses de cada parte. Sejam eles financeiros, profissionais, ou qualquer tipo de crescimento esperado.

Na família o laço é eterno. Talvez seja o plano onde se cometam alguns abusos, por haver um vínculo compulsório e indestrutível. Às vezes não há simbiose, às vezes nem existem interesses em comum. De toda forma, acredito eu, que por algum motivo fomos inseridos em nossos contextos familiares. E na maior parte das vezes é na relação entre pais e filhos que a criança tem o primeiro contato com a construção de um relacionamento. Portanto as promessas feitas nunca deveriam ser descumpridas. Sejam elas de gratificações, sejam elas de punições. Pois é nessa fase da vida que se aprende o valor do respeito e da palavra.

A amizade é a mais singela de todas as relações, pois é onde não há uma simbiose. É onde não existem interesses. É onde se desenvolve a capacidade do bem querer por alguém que você não tem vínculos nem obrigações. São pessoas que se divertem juntas, compartilham bons momentos, trocam experiências e conhecimentos, dividem alegrias e tristezas. O sentimento genuíno da amizade é altruísta pois é absolutamente desinteressado. É, portanto, um vínculo extremamente raro.

O amor romântico? Sim ele existe. Existe entre pessoas que antes do “I love you”, são capazes de dizer “I see you”. O I love you é egoísta. Refere-se aos próprios sentimentos.  O I see you demonstra a capacidade de enxergar as necessidades do outro. Esse tipo de relacionamento não é desinteressado. As trocas são necessárias. A espiritualidade e os objetivos de vida precisam ser compatíveis. Deve haver sintonia na maneira de enxergar o mundo e os relacionamentos. E quais são os interesses? Ah… são os mais carnais e mundanos que existem. 

Mas seja qual for o tipo de relacionamento, eles são sagrados. E podem se quebrar.

Uma vez quebrados, partem-se em muitos pedaços que podem até ser colados, podem até voltar às suas formas. Mas as marcas serão eternas.  

Noemia Watanabe – Bela Urbana, mãe da Larissa e química por formação. Há tempos não trabalha mais com química e hoje começa aos poucos se encantar com a alquimia da culinária. Dedica-se às relações comerciais em meios empresariais, mas sonha um dia atuar diretamente com público. Não é escritora nem filósofa. Apenas gosta de contemplar os surpreendentes caminhos da vida.

Jogamos desde que nascemos,  aprendemos cedo a arte da conquista com choros e manhas. As tentativas, erros e acertos de conseguir o que queríamos determinou a nossa capacidade de jogar.

Jogamos com olhares, com palavras, com gestos, com silêncio e, a cada fase de nossa vida o jogo fica mais acirrado, por vezes injusto e desleal.

Isso tudo acontece pelo simples fato de que nossa cultura favorece um aprender de que o único jogo a ser jogado é o do individualismo.

Podemos comparar esse jogo com o pingue – pongue,  onde um jogador sempre devolve a bolinha pro outro da pior forma possível,  pois a intenção é ganhar sempre.

Acredito que o verdadeiro jogo seria como o frescobol, onde um jogador sempre devolve a bola pro outro da melhor forma possível para que ele possa fazer o mesmo, transformando um jogo numa parceria.

O nome desse “jogo” seria, de fato, humanidade!

Pois,  “Olho por olho, dente por dente”, acabaremos todos cegos e desdentados.

Jorge Luis de Souza – Belo Urbano, artista plástico, pedagogo e empresário. Como todo bom leonino é muito dedicado a tudo que faz. Não resiste a um chocolate. Ama escrever e ama sua família.

Quando os irmãos lumière apresentaram ao mundo o cinema em 1895 muitos apostaram que seria uma brisa passageira, porém, os quadros em movimento povoaram o imaginário das pessoas. E aí está!

As pessoas: esse universo no qual a psicanálise embarca há tempos tentando entender você, eu, tu e eles. Com a chegada da televisão não foi diferente, o que mudou foi somente a forma e a linguagem, ainda que, pessoalmente, eu prefira a tela de projeção, tudo bem dinâmico e associado fizeram de novelas e hoje séries um verdadeiro vício pelo próximo capítulo ou episódio. Tudo por uma história bem contada, um enredo, uma trama, um roteiro adaptado para a vida.

As pipocas só aumentaram seu consumo e o consumo só aumentou mais fãs. Hoje com as mídias sociais, podemos ser mais belos, mais magros, inteligentes e interessantes, quase sem defeitos, orbitando uns aos olhos do outro.

Contatos, relações, profundas ou não, é bom lembrar que tudo fica fascinante quando você acha que domina seu perfil, mas aí está de novo. Por que? Porque todos só querem mesmo ser amados e aceitos ainda que de forma virtual ou “cinematográfica”. Fazendo uma ponte com um dos musicais mais lindos que vi por essa tempos, “la la land”, acho que na trama deliciosamente bem dirigida você mergulha em universos paralelos onde afetos e horizontes ainda que divergentes contam sobre um amor e um encontro quase juvenil que desabrocham em música, dança e interpretação das boas, é bom que se diga, e emoções projetadas. E aí está novamente! É delicioso!

Os dois lados da mesma moeda: um mundo dinâmico, fantasioso e colorido mas que acompanham os indivíduos e sua trajetória pessoal onde um não existe sem o outro. Um verdadeiro encontro entre a tela e o espectador que também dançam juntos mas que terminam sozinhos quando as luzes acendem.

Vivamos com sabedoria esses tempos líquidos e que acima de tudo a gente se divirta pelo preço do ingresso, da pipoca e da companhia.

Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.