Você já experimentou se nutrir do que lhe faz bem? Natação, meditação, pompoarismo, pilates, poledance, dança do ventre, sapateado e tudo mais que desejar, já ousou?

Arriscou ler, ler, ler e se der tempo, ler de novo? Já experimentou se conhecer em profundidade? Já apostou em estabelecer relações de afeto protetivas?

Encontrar amigos… com que frequência você faz isso? Acordar e trabalhar no que se acredita, acha possível? Já sentiu o cheiro e a temperatura de grama molhada?

Quando está no trânsito, tem coragem de cantar e dançar? Brindou a existência de gatos (ou cachorros, rsss) brincando com eles? Escutou o silêncio da noite e ficou em paz e em gratidão por estar com quem ama?

Obviedade?

Então porque não experimenta?

Claudia Chebabi Andrade – Bela Urbana, pedagoga, bacharel em direito, especialista e psicopedagogia e gestão de projetos. Do signo de touro, mãe e caçula da família. Marca registrada: Sorriso largo e verdadeiro sempre 🙂 

 

Jogamos desde que nascemos,  aprendemos cedo a arte da conquista com choros e manhas. As tentativas, erros e acertos de conseguir o que queríamos determinou a nossa capacidade de jogar.

Jogamos com olhares, com palavras, com gestos, com silêncio e, a cada fase de nossa vida o jogo fica mais acirrado, por vezes injusto e desleal.

Isso tudo acontece pelo simples fato de que nossa cultura favorece um aprender de que o único jogo a ser jogado é o do individualismo.

Podemos comparar esse jogo com o pingue – pongue,  onde um jogador sempre devolve a bolinha pro outro da pior forma possível,  pois a intenção é ganhar sempre.

Acredito que o verdadeiro jogo seria como o frescobol, onde um jogador sempre devolve a bola pro outro da melhor forma possível para que ele possa fazer o mesmo, transformando um jogo numa parceria.

O nome desse “jogo” seria, de fato, humanidade!

Pois,  “Olho por olho, dente por dente”, acabaremos todos cegos e desdentados.

Jorge Luis de Souza – Belo Urbano, artista plástico, pedagogo e empresário. Como todo bom leonino é muito dedicado a tudo que faz. Não resiste a um chocolate. Ama escrever e ama sua família.

Em tempos de tanta incerteza política, econômica e principalmente social parece difícil acreditar em espírito natalino, mas aí está. Ele vem chegando e com ele todo aquele frenesi que uns acreditam e outros lamentam.

Outro Natal. Outro balanço.

Outro ano que entra de fininho junto às receitas trocadas.

Natal pressupõe perdas e ganhos de ambos lados de taças. A vida é isso. Um Brinde!

Lembranças que revivem sabores e texturas. A ceia farta de comida, mas que não esconde a falta alguém. A toalha manchada daquele tinto que seu tio contando a mesma piada deixou derramar. Aquele encontro respeitoso ou aquele abraço caloroso. Orações. Cheiros. Afetos. Choro. Riso.  Significante ou não aqui estamos de novo e ele chegou. É Natal mesmo. Acenda as luzes, porque a graça é um pouco essa. Fiat Lux!

Natal não tem a ver com magia ou o presente dado e recebido, trocas e filas. O Natal tem a ver com você mesmo e é por isso, talvez, que o balanço é difícil. Às vezes dá e as vezes não dá.

É fácil gostar do Natal. O difícil é estar realmente nele porque acho que somos uma louca mistura de emoções e porque resultamos cada qual de uma longínqua caminhada até aqui.

Que nesse Natal a gente possa desfrutar de uma paz. Paz que chega delicada, vem pequena e tímida, às vezes aparece quando ninguém esta olhando, no conforto do seu fim de dia ou na música que embala futuros sonhos.

Que a gente se redima de erros velhos e babacas e que a taça de todos esteja cheia para brindar junto ao peru grande ou pequeno, porque sim, estar junto também faz parte. É Natal.

Que a paz esteja conosco. E que ela Cresça.

Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.

 

“Não deixe alguém ferir duas vezes seu coração”.
Deixe sim
Duas
Três
Quantas vezes forem necessárias
Pois, o carma é de quem fere
A paz é de quem suporta
E quem suporta
Se torna forte
E faz do seu coração
Uma oração
Que acalenta a alma
E diz que amou
Até onde o coração suportou
E perceberá
Que, de tão forte que ele se tornou
Ele novamente se apaixonará
Por outro coração
Tão forte como ele
E, então
Entenderá
Que o sofrimento
Era, de fato
Aprendizagem

Jorge Luis de Souza – Belo Urbano, artista plástico, pedagogo e empresário. Como todo bom leonino é muito dedicado a tudo que faz. Não resiste a um chocolate. Ama escrever e ama sua família.

Tem dias que não queremos que acabem. Dias que sorrimos à toa, a tudo. Dias assim são especiais.  Ah, se as pessoas soubessem o que torna um dia especial estariam mais abertas para as pequenas coisas que nos atropelam na rotina. No bom senso da razão achariam piegas, mas querem saber? Que se dane, é piegas, sim, e ela, a moça chamada Juli, sabia e adorou.

O dia já começou com alterações, ela não gostava, metódica, qualquer mudança na agenda a incomodava. É óbvio que se irritou primeiro, ficou mal-humorada, mas foi só abrir seu e-mail que foi atropelada por uma surpresa, lá estava o motivo do seu sorriso do dia inteiro.

Sabe aquela sensação de flutuar, em que os olhos brilham muito? Sabe aquela vontade de continuar a conversa, mas com calma, sem pressa, saboreando? Então… mas ali, naquele momento, não dava, então preferiu só curtir aquela sensação de quero mais, bem devagarinho, como aquele doce que você tanto deseja, como o mais gostoso dos pastéis – aquele que vende na feira.

Juli perdeu a hora do almoço, não sentiu fome, aquela sensação a libertava e preenchia. Lidou com os afazeres do trabalho, como sempre fazia. Não foi definitivamente o dia mais produtivo, não foi rápida, nem queria. Guardou só para ela aquela sensação de uma forma pensadamente egoísta, apesar de nada ser egoísta, ela era de dividir tudo, comida, dinheiro, roupas, joias, bolsas, sapatos, palavras, mas nesse dia não, guardou aquilo só para si, a sete chaves no seu coração.

Coração que pulava e pulsava cheio de vida e de vontades. Aquela sensação era só dela, não queria compartilhar e ser julgada, talvez condenada. Chega, a vida já é dura na rotina, nas asperezas das dificuldades e problemas. Receber e sentir aquilo àquela altura era um presente maravilhoso.

Mesmo sabendo que ia passar porque é efêmera essa sensação, naquele momento, fazia a vida ser claramente entendida, aquilo era o verdadeiro sentido de tudo e estava ali, naquele sentimento, sem palavras para explicar.

Piegas? Não importa, ela estava feliz.

Comeu bem mais tarde, um lanchinho no jantar, ouviu sua música do momento preferida, mandou – sem culpa e “numa boa” – um que se dane para um cliente chato do seu trabalho e no mais desejou amor para todos, até para os desafetos.

Com todo seu coração, desejou só amor para todos, porque nesse dia de sorrisos ela amava, a sensação, apesar de conhecida, era novamente nova e era tão grande e boa que podia acolher e abraçar o mundo.

Foi dormir com esse sorriso e pensou: “Ainda sou uma garotinha”, como diz a música, mesmo faltando só um mês para sua aposentadoria.

Não fez planos, dormiu feliz, dormiu bem.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

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Acho que não sou exceção nesse universo feminino, não sou diferente de ninguém, não sou especial a ponto de ser caso único. Mas, às vezes, acho que colocar no papel (ou na atmosfera digital) faz bem.

Sou como tantas outras da minha geração… A chamada geração Y. Optei (será?) por não casar, não ter filhos (sonho que ainda tenho recorrentemente) e focar no trabalho. Fiz essas escolhas de maneira quase automática. Ou melhor, costumo querer acreditar que as fiz. Pois, assim como muitos da minha geração, tenho o desejo e a falsa sensação de que tenho algum controle sobre coisas que me acontecem. Mas juro que chego a ter certeza em momentos, que não escolhi nada, que a vida me levou a isso e eu acatei e convivo com isso no meu melhor.

Sou extremamente realizada na minha vida de jornalista. Trabalho com dois extremos, política e assessoria de imprensa coorportativa, vivo em cada uma dessas pontas sensações divergentes. O mundo coorporativo ainda me intriga com algumas regras, que às vezes me passam desapercebidas. O mundo da política me lembra, que apesar dos mais de 10 anos nele, ainda sou um bebê.

São tão diferentes entre si. Distâncias gigantescas e outras tão sutis. A roupa que vou usar, a seriedade que tenho que passar, os gritos que tenho que dar, porque, apesar de estarmos em 2016, eu ainda sou vista como uma menina e o que uma menina poderia acrescentar num mundo de “macacos velhos”? Daí, o grito. Absurdo, mas assim eu fui galgando espaço num mundo tão masculino. Hoje grito menos, mas me lembro diariamente do quanto já fiquei rouca.

Fora isso, ainda quero ser a melhor amiga, a melhor irmã, a melhor filha, a melhor tia, a melhor namorada. Mas às vezes não consigo nem me organizar para dizer um “alô” para quem eu amo. Coloco a culpa no trabalho, mas não aceito de coração quando essa desculpa vem pelo outro lado, pelo “sumiço” dos outros.

Sofro com crises de sincericídio, de ciúme, de consciência. Mas que mulher não é assim? Me pergunto isso todos os dias. Sou geminiana e brinco comigo mesma: quem está aqui hoje é a gêmea má ou a boa? Surto… às vezes internamente, às vezes para o mundo ouvir.

Choro em propagandas de margarina, mas escolhi minha profissão ao ver uma matéria na TV de uma guerra. Queria estar ali no meio do bombardeio. Loucura? Não sei. Nunca fui para a guerra. Não a da TV. Mas tenho a sensação de viver em uma constantemente. Guerra para ser aceita (quem precisa disso? Eu juro que eu), para ser ouvida, para manter o respeito que conquistei, para não faltar no pilates, para amar em paz… Talvez guerra seja uma palavra forte. Troquemos por desafios. As palavras insistem em me ludibriar, por mais que eu trabalhe com elas.

Fico imaginando nos desafios que a geração das minhas avós teve que passar, nos da minha mãe, nos que virão para a minha sobrinha (quem sabe minha filha…) O mundo está girando e não dá para querer pará-lo com as mãos. Só não sei se corro a favor ou contra. E você, corre como? Ou simplesmente acompanha o movimento?

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Marina Prado – Bela Urbana recém chegada. Jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

 

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Tem gente que traz alegria

Uma paz

Uma conversa que não quer acabar

Tem gente que é gente

Parecida com a gente

Essa gente que dá bom dia musical

Me despe a alma

Tem conexão no olhar

A gente sabe sem precisar dizer

Essa gente é gente especial

Coisa estranha essa gente

Por ser tão gente como a gente

12308453_10205306926782378_7964104893761853478_n foto Dri para perfil

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa 🙂

 

 

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Na semana passada fui ao banco. Estava cheio, eu sentada na espera para ser atendida,quando começou uma gritaria.

Todos se entreolharam, mas só identificamos de onde vinha quando um rapaz com seus 20 e poucos anos se aproximou para sentar nas cadeiras e a guarda do banco veio logo em seguida. Ambos estavam discutindo. Berravam alto um com o outro, três segundos de silêncio e lá começava um de novo a reclamar e o outro a retrucar.

Palavrões, ofensas desnecessárias a parentes, a idade, a verbalização de todos os preconceitos possíveis e a inteligência de cada um. Bobeiras e agressividades na ponta das línguas afiadas.

Lá estava eu, na linha de fogo dos dois, o rapaz se sentou um pouco atrás de mim e a guarda ficou na minha frente. Enquanto discutia  percebi que ela tinha uma arma na cintura e onde sua mão se aproximava, isso me chamou a atenção, como me chamou a atenção o descontrole de ambos.

Não estava aguentando presenciar aquilo e nada fazer, queria dizer: Parem com isso, parecem crianças brigando, vocês são adultos. Não disse. A guarda saiu e voltou com seu supervisor, ainda gritando e dizendo que seguiu o procedimento, que estava certa e o rapaz por sua vez, garantido que ela abusava do seu poder em travar a porta, pois é cliente antigo do banco e todos o conhecem.

Um intervalo maior que dois minutos na discussão e ai entro eu. Perguntei para o rapaz se ela tinha ofendido ele primeiro. Ele nervoso que estava, me disse o que tinha acontecido, sem responder a questão. Disse que foi depositar um dinheiro da empresa que trabalha e que o dinheiro estava na bolsa, que sempre faz isso e que todos os guardas o conhecem e que ela não abriu de propósito. Ele alegou que não podia deixar a bolsa onde ela pedia pois já foi assaltado e não queria correr o risco novamente.

Bom, lá vou eu me meter no assunto. Sintomas misturados, meio de mãe, meio de movimento gentileza sim, meio de quero um mundo melhor, meio de chega de não fazer nada, enfim, disse para o rapaz, com toda a calma do mundo, que eu entendia o nervoso dele, mas que ele deveria respirar fundo e tentar manter o controle e resolver a situação de outra forma, porque entrou em ofensas pessoais que nada tinham haver com o assunto e que quando isso ocorre ele perde a razão também. Outra moça que estava ao lado, entrou na conversa e me apoiou no que dizia, inclusive dizendo que ele poderia até ser processado. Eu ainda disse que ele deveria explicar o caso para o gerente e pedir para resolver o assunto de outra forma, visto que ele sempre tem que fazer esses depósitos. Ele nos ouviu  bem.

Lá fui eu para o caixa ser atendida. Perguntei se a guarda era nova na profissão. O caixa me disse que não, mas que era nova no banco. Achei a guarda totalmente sem autocontrole, afinal ela é uma profissional e usa uma arma. Uma pessoa sem controle que usa uma arma é algo assustador. Um perigo.

Não conformada ainda, quando sai do caixa, lá vou eu de novo me dirigir ao moço. Peço licença para dar mais um conselho e digo: Tomo a liberdade de te dar mais um conselho, com a melhor das intenções. Faça as pazes com a guarda, você se sentirá muito melhor e isso nunca mais ocorrerá. Ele me olhou com uma cara de não sei o que, surpreso, acho que essa é a melhor definição para a expressão dele, não disse nem que sim nem que não, mas pela sua expressão pensou a respeito, ou pensou na maluca a sua frente que dava esse conselho. As pessoas a sua volta também me olhavam, em um misto de curiosidade e surpresos também. Desejei ainda que o resto da tarde dele fosse ótima e fui embora.

Fui embora com a sensação de ter feito o que tinha que fazer, fui embora em paz por não ter sido omissa com algo que vi. Fui embora sabendo que poderia levar um presta atenção e até também ser ofendida, mas na hora, confesso que nem pensei nisso. Fiz o que meu coração mandava.

Minha conclusão é que quando estamos fora de um conflito conseguimos enxergar com uma perfeita clareza certas situações e com essa isenção de sentimentos conseguimos agir da melhor forma e em paz. No meio do furação fica difícil achar a solução, mas se estamos de fora e vemos o furação, podemos sim e devemos fazer alguma coisa.

Penso ainda, que a vida pode ser mais leve e que esses contratempos não merecem que a pressão sanguínea seja aumentada, que as pessoas infartem, há problemas mais reais e que todos teremos que enfrentar, esses de fato, não são problemas e não devem jamais nos roubar a paz. Ainda penso que os guardas e todos os profissionais que estão armados por ai, merecem treinamentos constantes em vários aspectos. Pessoas armadas sem controle são um perigo. Os empregadores não deveriam sucatear tanto esses profissionais.

Por menos problemas desnecessários e que sempre alguém tenha que mantenha a calma, inclusive comigo para me ajudar a sair do meio do furação, se por acaso em algum momento eu for parar por lá.

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde é a responsável pela autoria de todas os contos e poesias. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência  Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos.

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As pessoas estão caprichando na missão de serem chatas. E o mundo ta precisando URGENTE de mais amor!
Não sou de ficar escrevendo o que penso. Mas esses dias ando lendo cada coisa, que não resisti… Ta faltando amor no mundo mesmo.
As pessoas amam incondicionalmente seus familiares, as pessoas próximas, amigos, mas na hora que alguém expõe uma opinião contrária da sua, pronto, já xinga a pessoa, diz que ela não sabe o que está falando, aponta mil e um argumentos pra diminuir a razão da pessoa em pensar sobre aquilo, trata com grosseria o tema que não lhe agrada… É tão difícil assim respeitar as opiniões contrárias a sua?
As pessoas estão condicionadas a dizer a frase: “com tanta coisa mais importante acontecendo no mundo e dão atenção a isso”. Mas quem define o que é mais importante? Pergunta pra mãe do cantor morto se a discussão sobre a ideologia de gênero dentro das escolas é mais importante do que o que ela está passando, pergunta pra um jovem gay que foi espancado e humilhado se proibição do foie gras em SP é mais importante do que o desespero dele. Pergunta pra pessoa que está quase morrendo na fila de um hospital público se a redução da maioridade penal é mais importante do que o problema da saúde. Tudo que causa dor, nos seres humanos, nos animais, tudo que causa revolta, descontentamento, TUDO é importante! Pra alguns mais e pra alguns menos. Mas quem é você pra dizer o que é mais importante para o mundo inteiro e por que todos precisam concordar com a sua escala de importância?
A mídia cansa mesmo… Mas ela vende o que pra ela é mais lucrativo, infelizmente. Se você tivesse uma loja, iria vender só produtos que a maioria não compra? Se você passa em frente a uma loja que só vende produtos que você não usa, você não entra nela, certo? Mas também não vai xingar e humilhar todos que estão lá dentro comprando só porque eles usam o produto…. Com a mídia, assim como com os estilos musicais por exemplo, é a mesma coisa viu? Se você não curte é só mudar, não ver, não entrar “nessa loja”. Não precisa humilhar quem está lá dentro.
A morte de um cantor que muitos dizem que nem conheciam, está causando revolta nas pessoas porque a mídia só fala disso. Sério que só porque você não curte sertanejo tanto faz se um jovem de 29 anos morreu? Ele podia ser rockeiro, pagodeiro, MUDO, mas era um jovem que morreu num acidente terrível, e que tem pessoas sofrendo com isso. Você não precisa sofrer se não quiser, mas seria bom respeitar. Pra que tanta amargura? Só porque ele cantava sertanejo? Só porque a mídia quer falar sobre isso porque é isso que dá audiência? Só porque as pessoas que gostavam dele estão dando audiência à mídia? Na boa, ele não planejou morrer só pra virar Trending Topics, a notícia do momento. Não precisa menosprezar o fato de que ele perdeu a vida.
Por que não olhar pelo lado útil dessa repercussão toda? Além de falarem da morte dele, a mídia também está mostrando o que ajudou a causar a desgraça. O uso do cinto de segurança no banco traseiro também virou notícia numa dessa. Eu mesma raramente colocava o cinto no banco traseiro, embora várias vezes já me orientaram que era tão importante quanto o da frente. Mas ao ver que alguém da minha idade morreu por não usar o cinto (entre outras razões talvez) eu passei a usar.
Logo em seguida veio a “modinha” de colocar foto colorida. E junto vieram pedras de todos os lados de pessoas que se sentem superiores a ponto de julgar que se trata de um assunto menos importante. Alguns vieram postando imagens de crianças desnutridas com os dizeres “o dia que as pessoas se unirem por essa causa, eu to dentro”. Eu também estarei com certeza! (Mas não precisa esperar alguém te chamar pra você lutar por essa causa também tá?). Eu já acho que seria mais sensato um meme dizendo “o dia que o mundo se unir para QUALQUER causa que faça o bem a QUALQUER ser, eu estarei dentro”. Outras vieram postando foto de Jesus, listrada de cinza, dizendo “perdoe, eles não sabem o que estão fazendo”… Sim sabemos, estamos comemorando o fato de que em mais um lugar no mundo estão deixando pessoas se amarem em paz!
Aí vêm os “superiores” dizendo que isso de ficar postando apoio a essa causa só agora é ridículo, porque no Brasil desde 2013, os cartórios de todo país estão impedidos de recusar a celebração de casamentos civis homoafetivos, graças à Resolução n175 do CNJ e que na época ninguém fez homenagem alguma. Bom, eu não tinha conhecimento disso e muitas pessoas que também não tinham agora tem! Graças a essa “modinha”. Que bom, minha fotinha colorida vale pra comemorar retroativamente a vitória no Brasil também!
Um tempo atrás a “modinha” era virar balde de gelo na cabeça. Nossa, quantas pessoas eu vi vindo aqui no face esculachar quem fez isso, dizendo que a pessoa só queria aparecer, que era uma modinha ridícula, que muitas nem sabiam o real motivo daquela campanha… Ta, muitas nem sabiam mesmo, mas várias pessoas fazendo aquilo (sabendo ou não o motivo, querendo ou não somente aparecer) fez com que milhares de pessoas que, como eu desconheciam o ELA, passassem a entender o que é essa doença, que faltam investimentos para estudos que buscam a cura. Essa “modinha” fez muita gente se solidarizar com quem sofre dessa doença, seja por doação, oração, sei lá. Mas fez as pessoas conhecerem esse problema!
Tem muita gente se achando demais e respeitando de menos.
Mais amor, por favor! O mundo já está cheio de desgraças e desavenças.
Se você não concorda ou não quer apoiar algo, não precisa se doer tanto, você não é obrigado a isso. Mas deixa quem quer se manifestar em paz. As pessoas não são babacas, ignorantes, ou sei lá do que mais o que estão sendo xingados, só porque apoiam ideias contrárias as suas.
Bom, essa é a MINHA opinião, não precisa concordar se não quiser ok?

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Patrícia Mota – Pós graduada em Gestão de Marketing, Publicitária há 8 anos e também Designer de Interiores nas horas vagas, formada pela Arquitec. Observadora ao extremo, curiosa na medida e a quatro semanas de receber seu melhor título: “mãe da Sarah”.