Marta já era uma adulta completa e responsável quando se tornou mãe e apesar da expectativa em torno da chegada da primeira filha se sentia preparada e informada para lidar com as novidades em torno do nascimento e enfrentar a amamentação, no fundo ela achava que não teria grandes problemas em amamentar afinal de contas sua mãe tinha feito essa tarefa com tanta desenvoltura como se orgulhava de dizer e além disso tinha tido muito leite e Marta tinha sido amamentada até os dois anos; sua filha chegou e assim que a trouxeram para ser amamentada pela primeira vez seu tio, quase um pai para ela estava no quarto nesse momento, Marta se sentiu totalmente envergonhada, desajeitada e totalmente insegura, suas mamas doíam, teve uma sensação de estranhamento pois não era um homem a tocar seus mamilos, era uma criança, pela primeira vez em sua vida sentiria aquele toque e ele despertaria outros sentimentos, repentinamente sentiu um misto de emoções: medo de não conseguir alimentar a filha, medo de sentir dor e sentiu, ao mesmo tempo tinha lido tanto sobre aquilo tudo e queria demonstrar a todos que tudo era muito normal e que se sentia super segura para amamentar sua filha, a última coisa que queria naquele momento era ter a presença do tio ali, se sentia inadequada e não teve coragem de pedir para ter privacidade e ali na frente do marido, do tio, da tia, da enfermeira deixou-se despir e até hoje se arrepende disso, ela não precisava tentar agradar ninguém e nem provar nada a ninguém e no auge dos hormônios pós-parto mostrou a mama para seu tio e apesar de dizer a si mesma que “tudo bem” é isso que as mães fazem se sentiu morrer por dentro, se violentou, ficou tão tensa que não conseguiu absorver a beleza da primeira vez que alimentou sua filha, a memória que ela tem daquele primeiro momento foi: “Meu Deus mostrei meu seio para meu tio”, era muito estranho, foi também quando ela experimentou alguém sugando seu peito e não era sexo, mais estranho ainda. Conflitos das mamas.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

Os peidos pedem perdão

Os peitos pedem apertão

Os pelos saem por obrigação

Todos dizem não

Todos levam safanão.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)