Há beleza no não criado
Uma beleza que não se vê
Mesmo que não acredite no belo
Ainda é belo o que não se crê
O fato ainda não feito
O beijo ainda não dado
O desejo ainda não realizado
TODA a sua vontade e potência
Colocado no vasto vazio não preenchido
A Linguagem do Vazio
Mas ao mesmo tempo
E nem sempre no mesmo momento
Há destruição e tragédia
Onde antes havia nada
No local onde sorria a fada
Soa o chicote e finda-se a comédia
E ali a beleza ainda esta
Seja na flor não pisoteada
Ou no sorriso grande e cruel
Na inocência retirada
Ali ainda haverá quem acredite no céu

A beleza é completa por si só
Mesmo em meio ao horror
Acreditam no horror do vazio
E ao mesmo tempo na força do amor
Os mortais tolos
Os imortais senis
Mesmo aqueles que ninguém diz
Entre aqueles que pensam pouco
Naqueles que pensam no além mais
Os letrados e os não doutores
Sempre haverá os que buscam ser feliz
Existe a beleza no sofrimento
Nas marcas e nos gritos de agonia
O capataz que não pensa
Ao estalar o chicote
A força daquele que aguenta
E o sussurro de “quero mais”
O belo ainda ali existe
As vezes não observado
E muitas vezes jamais notado
Mas perpétuo no jamais.

Ainda leremos em livros o que ouso chamar de Brasi-fascismo. Um fascismo a brasileira, sem uma ideologia definida, fascismo de covardes do cotidiano que negam que são fascistas, só porque o fascismo “é coisa de italiano, de alemão, tá certo?”.

Primeiro vamos entender o fascismo em uma explicação pretensiosamente simples. Fascismo é uma forma de agir que, com base em uma ideologia fixa de estado forte e autoritário, calçado em uma propaganda incessante, se apoia no medo construído por discurso e em um personagem feito como “inimigo”, justifica ideias e atos inconcebíveis em um estado de coisas comum como o preconceito, o ódio, a violência e até a morte. Imagine a Alemanha de Hitler, temos medo da miséria que vivemos, colocamos a culpa nos comunistas e judeus e matamos 6 milhões de pessoas, sendo judeus, comunistas ou não. Lhe parece absurdo, não é?

Aqui no país, com medo das misérias que vivemos no passado, colocamos a culpa nos comunistas – ou petistas, negros, homossexuais etc. – estamos vendo pessoas sendo mortas, violentadas, ofendidas, excluídas ao mesmo tempo que um líder simbólico candidato ao cargo mor insinua que o problema não é dele e que são atos isolados. Tudo patrocinado por uma propaganda oculta em mensagens anônimas que nos chegam digitalmente, mas fortalece um lado na disputa eleitoral. Numa situação de normalidade, tais atos seriam crimes, e um líder de fato condenaria e pediria punição exemplar. Sei que alguns de vocês discordam de mim agora, me chamando de petista e negando ser fascista. Pois bem. É agora inicia minha explicação.

Esse Brasi-fascismo, é um tipo de fascismo praticado com base na autoverdade individual, explico: quem o pratica, o faz convencido de que é o melhor caminho agir e justifica negando que tenha sido influenciado por ideias que lhe chegam a partir de grupos sociais do qual faz parte: um grupo de WhatsApp, de Facebook, Instagram e outros. Esses grupos, que muitas vezes são habitados por familiares e não por partidários do neofascismo se retroalimentando em ódios e oposições a inimigos que não conhecem, baseados em um medo que, de fato é superestimado, mas paralisa. Nesse caso, agir de forma odiosa, compartilhar comportamento e conteúdo odioso lhe parece uma forma de se defender desse mal, o que legítima suas posições e escolhas.

Escolhas e posições legitimadas ela colabora com a violência, mas quando confrontada com os absurdos que defende, nega e cria um caminhão de argumentos particulares para não admitir que é de fato um fascista, afinal, não faz parte de um grupo formal que defende o fascismo, com uma ideologia definida e defendida, mas de um grupo de WhatsApp da família que compartilha o mesmo medo, o mesmo ódio e o mesmo comportamento absurdo de odiar quem nem se conhece. Simplesmente porque se auto-afirmam entre si sem fazer uma análise de tal ato. Justificam mais absurdamente do que agem, para evitar a vergonha inevitável de suas ações diante de uma ameaça inexistente, afinal “fascismo é coisa de italiano, tá ok?”.

E se pensa que entre a esquerda não há também esse tipo de comportamento, se engana. O mais triste é ver pessoas que defendem os direitos humanos dizendo que tem que encher de porrada esses fascistas aí. Oi?

Pense nisso, afinal, já os gregos ensinavam que pensar é a base de toda solução para impasses.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Foto de Cristian Newman 

Quer ganhar o coração de alguém?

É mais fácil do que você pensa. Escute a pessoa.

Sem julgar, sem palpitar, sem dar conselhos. Só escute, esse é o segredo.

É claro que você não pode ficar como uma múmia, é claro que não pode ficar fingindo que escuta e pensando em outras coisas, e mais do que isso, esse escutar tem que ser leve, como um doce prazer ou então, com aquele sentimento de cuidado com alguém que você quer proteger.

Pense duas coisas, se você quer ganhar o coração de alguém e consegue de verdade, sem peso algum, escutá-lo/a, é porque esse alguém já ganhou seu coração. Simples assim.

Agora, se esse escutar não é assim, esquece esse coração, na verdade, esquece o corpão que tem esse coração, porque no fundo é só isso que está te interessando e pode ter certeza, isso é muito pouco.

Em tempos de Natal o melhor é saber onde é amor, seja ele do jeito que for.

Entendeu consulentes? Espero que sim.

Ah, ia esquecendo, para escutar precisa perguntar 😉

Até a próxima.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube: Madame Zoraide dicas e conselhos www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉

 

 

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“Penso, logo existo” já dizia Descartes.

Existimos e sempre pensamos? Essa é a questão. Infelizmente a resposta é não. Fazemos muitas coisas no automático, sem nos aprofundar nas questões. Somos rasos muitas vezes, por preguiça, por pressa e pela falta de entendimento que é preciso pensar para acertar.

Acertar na resposta, acertar na tarefa, acertar na opinião. Independente da opinião, quando digo acertar é ter opiniões mais amplas sobre o que falar e para isso é preciso pensar, se aprofundar nos temas.

Estamos vivendo a geração – independente da idade cronólogica – do curtir e compartilhar, muitas vezes compartilharmos sem ler, muitas vezes fazemos parte de uma moda – só porque está na moda – sem realmente gostar ou se interessar por aquilo. Geração medíocre a que não pensa e se não pensa, como existe?

Existe no automático, no CtrlC CtrlV, existe para estar na moda, seja da passeata, seja dos livros de pintar para adultos. Cada um é livre ou pelo menos deveria ser, livre para escolher onde andar, o que comer, o que usar, mas a partir do momento que deixamos de questionar e pensar, perdemos nossa liberdade e nos tornamos fantoches.

É mais fácil ser um boneco manipulado do que um ser pensante. É mais fácil fazer o que está na moda e que todos fazem, independente de se gostar ou não, afinal, se todos fazem isso deve ser bom, isso é ”in”, depois é só tirar umas fotinhos e colocar no instagram e no facebook e ver quantos “likes” receberá. Aliás, os ”likes” são a cereja desse bolo amargo. Existem pessoas que já estão viciados em “likes”, mas esse assunto eu deixo para outro dia.

Somos cada vez mais acessados, é um bombardeio de informações por todos os lados, especialmente pelas redes sociais e whatsapp; apitos e barulhinhos que nos chamam a todo momento e tiram nossa atenção. Como se aprofundar em algo sendo solicitado a todo tempo? Você já se perguntou se todas essas solicitações contribuem naquele momento para algo positivo para você? Ok, é uma piadinha legal, ok, é uma foto engraçada, ok, é um vídeo  emotivo. Vamos ser sinceros é muita coisa e muita coisa para coisa nenhuma, que gera ansiedade de dar conta de tudo, inclusive da piada, e no final, nessa roda viva, deixamos de pensar e usamos o automático.

Qual seria a solução? A solução é individual, cada um que encontre sua saída, não quero me colocar como autoridade na solução,  não sou e não a tenho.

O que tenho claro é que devo pensar, escolho assuntos que me são pertinentes e me me aprofundo nesses temas,  escolho levantar bandeiras, mas escolho estudar melhor essas bandeiras antes de fazer estardalhaços. Escolho voltar a fazer uma atividade porque isso me dá prazer e não porque está na moda. Uma coisa de cada vez, talvez esse seja um caminho. Afinal, não sou marionete e nem pretendo ser.

Fecho esse texto com o link da música do Pink Floyd  – Another Brick In The Wall,  para ouvir e pensar.

http://letras.mus.br/pink-floyd/64541/

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde é a responsável pela autoria de todas as histórias do projeto. Publicitária, empresária, poeta e contadora de histórias. Divide seu tempo entre sua agência  Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, suas poesias, histórias e as diversas funções que toda mãe tem com seus filhos.