2017 foi um ano de MUITAS mudanças na minha vida! Entre as diversas mudanças, a que as pessoas mais comentam são os vários quilos que eu emagreci!! Estou impressionada e confesso, bastante surpresa e até mesmo chocada sobre como isso impacta a forma como algumas pessoas me vêem!! Ouvi diversos comentários sobre a “minha nova aparência” (será que mudei tanto assim?). Todos comentários “positivos”! No começo, ficava até feliz: quem não gosta de se sentir magra e “bonita”, de caber em qualquer roupa e ter o armário quadruplicado de opções? rs… mas, com o tempo, a alegria foi se tornando surpresa e ultimamente se transformou em espanto! E na última semana virou indignação total ao ouvir, de pessoas diferentes, em situações diferentes, comentários como:

1. Nossa! Você é uma outra pessoa! muito melhor!

2. Agora você pode até voltar a trabalhar no mundo corporativo!

3. “Agora” você vai “até” arrumar um namorado! E a máxima dessa semana: “você “merece” até um marido novo!”

Oi? Como assim? Será que as pessoas achavam mesmo que estavam me elogiando ou me dando um reforço positivo ao fazerem esses comentários? Uma mulher se torna uma “pessoa melhor” porque emagreceu? Porque a aparência atual está mais de acordo com o padrão estético socialmente aceitável?

Meu QI melhorou ou minhas habilidades profissionais aumentaram porque eu emagreci? Isso acontece com as pessoas que emagrecem? Elas se tornam mais capazes profissionalmente?

E só quem é magrinha merece namorado e marido novo? Desde quando a capacidade de amar e ser amado tem a ver com o peso da pessoa?

Então…. apesar dos quilos a menos (12, no espaço de 9 meses) informo que continuo a mesmíssima pessoa: mãe babona, cozinheira apaixonada (logo eu, que adorava dizer que cozinheiras magras não são de confiança! rs), ainda perco a chave do carro e o celular todos os dias, adoro viajar, amo vinho, odeio injustiça, coentro e pimentão, etc, etc, etc… tudo igualzinho como era antes! Continuo solteira (porque ser magra não faz aparecer nenhum príncipe encantado!! rs) e morando e trabalhando no meio do mato!

Nada mudou! Simplesmente porque minha essência, que não é medida em gramas ou quilos, continua exatamente a mesma!

Katia Reis – Bela Urbana, arquiteta, empresária, cozinheira, mãe babona, adora viajar, ama vinho, escrever e receber amigos

Olhinhos grandes. Ela tinha. Os olhos bem grandes mesmo sendo pequenininha. Era arteira. Os olhos grandes brilhavam quando viam brigadeiros, pudim, sorvete, chocolate. A boca salivava, as mãos escondidas escorregavam para perto dos doces. A casa era pequena, mas aos olhos dela era grande, chique e cheirava doce.

A mãe e a vó eram doceiras, tiravam o sustento do dia a dia dos doces. Ela tinha razão, a casa cheirava baunilha misturada com açúcar. Não era só uma sensação, era real.

Se pudesse teria sentido só o doce da vida, mas sabemos que isso é sonho, e não o que vende na padaria.

Sentiu sabores amargos, outros salgados como mar, que brotavam dos olhos grandes com a lágrima que caia. Gostava desse sabor, que a acalmava quando se dirigia para boca e ia virando brincadeira.

Simples como todos os melhores sabores, assim que ela sempre foi e assim como tinha sido sua Vó e sua mãe, talvez a sua filha também seguisse nessa linha, mas o que ela hoje sabia, é que a filha tinha a mesma mão. Mão para doce.

Seus olhos continuam grandes. Grandes para doces, mas a balança implora que se controle, assim como seu médico quando leva os exames de sangue. Ela, continua arteira e sua resposta vem com uma bomba. De chocolate. Não é o esperado, ela sabe, mas com a frase feita que uma amiga sempre dizia “de amarga já basta a vida”, ela não se continha e comia.

Memórias afetivas e coração quente, é assim que ela vai enfrentando os dissabores da vida e assim, seus olhos continuam grandes e brilhantes.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza. Entre uma fruta e um doce, prefere a fruta. Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :).

 

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Fui convidado a escrever para o “Belas Urbanas” depois de uma troca de constatações e relatos que eu e um grupo de amigos compartilhamos pelo Whatszapp. Achamos o assunto pertinente e atual, portanto parto daqui este relato.

Escrevo aqui hoje sobre uma preocupação minha e de grande parcela da população e da sociedade urbana mundial – a obesidade e suas consequências.

Viajei com minha família para Orlando/EUA em julho/16 com objetivo de conhecer, em família, os parques temáticos e um pouco da cultura norte-americana. Já tinha viajado para o mesmo destino em 1995 e em 1997. Mas em relação a esta última viagem, muita coisa mudou, muita coisa me assustou. Falo isso sobre a questão “corporal”, objeto de estudo da minha profissão, que é o corpo e o movimento humano na perspectiva do Educador Físico (profissão esta que abraço com carinho há 27 anos).

Quando estive nas primeiras vezes nos EUA, já tinha ficado extremamente chocado com a quantidade de obesos que encontrei por lá. Não era a maioria, mas sim pessoas distintas, um ou outro membro de uma mesma família, que apresentava essa, digamos, diferença corporal. Mas já eram muitos.

Em todos os lugares por onde passei – parques, centros comerciais, dia a dia – me surpreendeu aqueles corpos bem acima do peso que consideramos como ideal (ainda que consideremos como “ideal” uns quilinhos a mais nesse parâmetro). Eram corpos, desculpem a expressão, monstruosos. Vi pessoas já demonstrando sérias dificuldades em realizar movimentos simples, como o caminhar. Percebi, em suas grossas pernas, marcas arroxeadas e algumas feridas provocadas por problemas circulatórios e, possivelmente, causado pelo entupimento de veias e também pelo diabetes. Percebi em suas posturas, cansaço fácil e dificuldade em respirar.

Mas voltemos para 2016. A propagação midiática agora, da busca de uma qualidade de vida, é toda baseada no “saudável” – alimentos light, diet, sem gordura trans, facilidade de acesso a programas de atividade física, nova geração de profissionais de saúde atentos à questão – enfim, parecia que eu iria observar mudanças ao chegar lá.

E o que encontrei nos EUA, mais especificamente em Orlando, nos mesmos parques, centros de comerciais e no dia a dia, após esse tempo? Uma nova e aterrorizante constatação: agora várias pessoas de uma mesma família estão acima do peso e extremamente obesas. Já não andam com dificuldade…porque não andam mais. Como assim? Andam de carrinhos elétricos, motorizados. Nos parques você tem que desviar dos carrinhos de bebês e dos carrinhos motorizados dos adultos. Até adolescentes utilizam esse meio de transporte. Comida? Continuam se alimentado aos montes. Atividades físicas cotidianas e exercícios? Faz-me rir…

Fiquei pensando naquele velho ditado: “em terra de cego quem tem um olho só é rei”. Permita-me modificá-lo para “em terra de caminhantes, quem der o primeiro passo será…SAUDÁVEL”.

Maurício Maia – Belo Urbano – educador fisíco, ama a família, gosta de uma boa caipirinha e um happy hour com os amigos, principalmente os da infância… 😉