O mês de agosto chegou anunciando mudanças. Trouxe para mim, além do vento, uma carga de energia pulsante sobre minha cabeça e meu corpo. Tudo era muito denso e ao mesmo tempo ecos de pedidos de socorro soavam em meus ouvidos. Logo eu, que me vejo assim em fragmentos e tantas vezes recorro ao escudo da coragem, sou agora destinatária de alguém que pede a mim um alívio, um refúgio.

Uma missão.

Pois bem, como nada é por acaso nesta vida, estava agora diante do apelo de alguém especial. Sabe o que é não ter e ter que ter pra dar? Eu achava que não tinha nada e quando vi, eu era um tudo que faria um bem. Eu era colo, eu era escuta, eu era um leito suave e cheiroso.

O que posso fazer? Por que eu? Não cabe respostas, apenas gratidão por esse momento ímpar que vivi naquele dia. Difícil explicar a sensação mágica que tomou conta de mim.

Mas minha missão não terminaria ali. Outros alguéns, cada um ocupando um lugar na minha régua de afetos, cruzaram meu caminho. Mais uma vez eu pude entregar e receber sem nada pedir.

Quando imaginei que tivesse terminado, doado de mim todo o esperado e  desprendido minha energia mais pura, eis que aparece Pedro (nome fictício), trazido pelo vento de uma fria noite de agosto. Um cuidador de carros com uma história nada simples.

Pedro, um cara jovem, negro, trinta e poucos anos se aproxima e pede 10 reais como recompensa por ter olhado o carro, enquanto eu me divertia tentando me livrar da carga de uma pesada semana. Como não tinha um centavo, começamos a bater um papo. E foi ali que novamente aquela energia retornou e me vi diante de um novo apelo.

Pedro começou sua história, nada simples, dizendo ter 5 filhos. – Todos homens! (falou isso com um certo orgulho!) e de três mulheres diferentes! Com um ar de indignação ele logo soltou: – Duas dessas mulheres estão na justiça brigando por pensão. Como eu faço? Você precisa ver como o mais novo é “parrudinho”!, disse Pedro com um sorriso entre os dentes.

Pedro não tinha emprego. Pedro não terminou o segundo grau. Pedro, além de pai de 5 filhos ficou 15 anos preso na Penitenciária de Presidente Venceslau. Motivo: tráfico e assalto a banco. Não posso negar que nesse momento me bateu uma vontade louca de sair correndo. Medo! Estava conversando com alguém que oferecia riscos?

Mas Pedro tinha uma necessidade enorme em contar sua vida e esperava desesperadamente por conselhos positivos. Dava pra sentir em seus olhos. Ele ouvia cada palavra minha com atenção… respirava, pensava, concordava, às vezes desistia logo em seguida dizendo que não daria certo e que seu fim era voltar pra aquele lugar obscuro e sem perspectiva de vida.

Pedro dizia: – Sabe esse negócio de celular com whatsApp? Eu não sei o que é isso!!! Eu usava o celular para arrumar mulher quando tava trancado! Por isso tenho 5 filhos hoje!

A conversa com Pedro durou uns 15 minutos. Um tempo incompreensível.

E quando terminou, sem me cobrar os 10 reais, Pedro, o cara jovem, negro, de trinta e poucos anos, que passou 15 anos trancado, olha nos meus olhos e diz:

– Olha aí, obrigado pela conversa viu! Eu nunca tive um papo assim com ninguém. Nem com meus “parças” lá do bairro.

E foi assim que os 15 anos trancados de Pedro me soaram como 15 longos minutos de gratidão.

E gratidão pelo quê?

Pelo encontro com alguém que o vento frio de Agosto me trouxe.

Cris Saad – Bela Urbana, professora universitária, publicitária, fã do vento, da lua e do acaso. Apaixonada por música e dança, enfim apaixonada pela liberdade, pela loucura do movimento e o gozo do encontro.

 

Quando os irmãos lumière apresentaram ao mundo o cinema em 1895 muitos apostaram que seria uma brisa passageira, porém, os quadros em movimento povoaram o imaginário das pessoas. E aí está!

As pessoas: esse universo no qual a psicanálise embarca há tempos tentando entender você, eu, tu e eles. Com a chegada da televisão não foi diferente, o que mudou foi somente a forma e a linguagem, ainda que, pessoalmente, eu prefira a tela de projeção, tudo bem dinâmico e associado fizeram de novelas e hoje séries um verdadeiro vício pelo próximo capítulo ou episódio. Tudo por uma história bem contada, um enredo, uma trama, um roteiro adaptado para a vida.

As pipocas só aumentaram seu consumo e o consumo só aumentou mais fãs. Hoje com as mídias sociais, podemos ser mais belos, mais magros, inteligentes e interessantes, quase sem defeitos, orbitando uns aos olhos do outro.

Contatos, relações, profundas ou não, é bom lembrar que tudo fica fascinante quando você acha que domina seu perfil, mas aí está de novo. Por que? Porque todos só querem mesmo ser amados e aceitos ainda que de forma virtual ou “cinematográfica”. Fazendo uma ponte com um dos musicais mais lindos que vi por essa tempos, “la la land”, acho que na trama deliciosamente bem dirigida você mergulha em universos paralelos onde afetos e horizontes ainda que divergentes contam sobre um amor e um encontro quase juvenil que desabrocham em música, dança e interpretação das boas, é bom que se diga, e emoções projetadas. E aí está novamente! É delicioso!

Os dois lados da mesma moeda: um mundo dinâmico, fantasioso e colorido mas que acompanham os indivíduos e sua trajetória pessoal onde um não existe sem o outro. Um verdadeiro encontro entre a tela e o espectador que também dançam juntos mas que terminam sozinhos quando as luzes acendem.

Vivamos com sabedoria esses tempos líquidos e que acima de tudo a gente se divirta pelo preço do ingresso, da pipoca e da companhia.

Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.

A 1ª vez que recebi os Parabéns pelo Dia da Mulher foi em 1980 e eu, com 16 anos, perguntei por que haveria um dia da mulher. Com o tempo, é claro que fui estou descobrindo, mas aquela pergunta me instigou quando eu ainda me questionava o que era ser feminista.

Recentemente, fui buscar nas redes sociais, os motivos que levam algumas pessoas, homens e mulheres a lutar contra o feminismo e deparei-me com uma ala radical, cujos comentários de teor violento, precisei engolir, assustada, para tentar entender o que pensam: feminista é mulher feia, frustrada, gorda, com pelo no sovaco e falta de rola, que não merece nem ser estuprada! Normalmente saio da conversa quando a palavra “feminazi” entra na discussão. Mas digo que foi uma pesquisa interessante. É uma sociedade machista que não está aberta ao diálogo.

Essa era a ala radical, existe também o machismo velado, tipo “mulher deve lutar pelos seus direitos, desde que não interfira com os afazeres do lar”, ou “para que tanto mimimi?”

Estamos em março de 2017 e as pessoas ainda se espantam quando falo sobre a luta das mulheres para coisas tão simples como ter direito a votar, trabalhar, receber salário, o direito de estudar, de viver, não ser morta ou limitada pelo companheiro que se julga dono. Mulheres qualificadas ainda perdem a vaga por serem “mães”, ganham menos que seus colegas homens e justifica-se que faltam mais, produzem menos e não são boas no que fazem. Elas sofrem assédio! No emprego, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé…   Moral ou sexual. Levante a mão a mulher que não passou por isso, incluindo sua mãe, avó e filha.

Hoje me defino como Feminista sim! E quem não é, está mal informado! Homens e mulheres feministas são nada mais que pessoas que respeitam o outro ser como seu igual. Feminismo é entender que todos tem os mesmos direitos e deveres, capacidades e limites. É respeito pela pessoa, independente do gênero, cor ou credo.

Feminismo não é oposto de machismo, visto que machismo visa a opressão, enquanto o feminismo visa igualdade.

Ainda causa estranheza quando uma mulher está em um cargo de liderança ou quando desempenha uma função considerada masculina, como no mundo corporativo, na publicidade, na política, no taxi, caminhão, construção, no desenho, ou tantas outras áreas.

Eu, hoje, estou entre as “Mulheres Cartunistas”, “Mulheres desenhistas” mais conceituadas no Brasil. Muito feliz! Mas fico me perguntando quando eu e minhas colegas de traço seremos “cartunistas”, “desenhistas”, “quadrinistas” do seleto mundo do cartum, sem referência a gênero.

Como diz minha irmã Åsa: “Torço para que um dia não haja mais necessidade de existir um dia para lembrar as pessoas que mulheres são gente.”

Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

Talvez o leitor possa me achar meio maluco, no final até ter certeza disso, mas como cantava Adriana Calcanhoto, “eu não gosto do bom gosto e eu não gosto do bom senso”.

Mas, eu tinha um hábito até uns 10 anos atrás: todo fim de ano eu listava em um gráfico meus anos de 1979 até aqui. 1979 era o início porque foi quando entrei pra quinta série e começou minha puberdade.

Depois eu dava notas para cada ano… e com muita paciência fazia um gráfico. Bom, nesse fim de 2016 resolvi fazer isso… de 79 à 2016. Para cada ano me perguntei o que ele tinha de diferente para ter sido tão bom, e os anos ruins o que tinha acontecido para terem sido ruins.

Então percebi um padrão…. Temos períodos bons na vida quando nos JOGAMOS em algum projeto ainda que o mesmo possa falhar, a questão não é se vai ou não dar certo, a questão é se jogar, parar de ficar na teoria.

Hoje existe uma “moda” em várias esferas onde as pessoas costumam dizer: “Deus está no controle” ou  “Deus está no comando”. Creio que devemos sim colocar a espiritualidade em nossas decisões, mas, não querendo ser religioso,  mas apenas um observador…. veja a tempestade no mar onde os discípulos de Jesus estão apavorados e Jesus aparece sem cerimônias andando sobre as águas e ainda manda não terem medo!!!

Mas só um deles teve a petulância de dizer que se ele fosse mesmo Jesus desse a ordem para ir até ele…!!! Vejam: SE JOGAR!!!! E Pedro foi… O único  a andar sobre as águas!!!! Bom, afundou na metade mas isso é outro assunto. A questão, querido  leitor, é analisar sua vida e lembrar que no fim do ano você fez planos, pensou em mudanças, mas,  está paradinho no barco ou resolveu pular?

Tome decisões, faça, tente, mesmo com cautela,  mas tente. Ficar parado não resolve nada. Existe um mau hoje em dia que é planejar demais.

Como vivemos com medo de tantas coisas acabamos analisando tudo. De sexta evitar shopping por causa do “rolezinho”, supermercado ficamos observando quantas coisas tem no carrinho da frente para saber que caixa escolher, ao chegar no semáforo tentamos observar qual carro tem alguém lerdo para pararmos atrás de outro que parece mais rápido…. e assim 2016 já passou e estamos quase no carnaval de 2017, olhando pra fora, tentando administrar o tempo, tentando ver se alguém está se saindo melhor e porque “cargas dágua”, como dizia minha avó, essas pessoas estão se saindo bem.

Se você for mais cauteloso use técnicas. Eu gosto das usadas no filme “Quarto de guerra”. Devemos ter estratégias para tomar decisões. Mas não fique muito tempo pois a hora é agora.

Se jogue, com segurança, com certeza, com fé, mas lembre-se que a primeira vez que andamos de bicicleta ou demos as primeiras braçadas na piscina não sabíamos se íamos conseguir. Apenas TENTAMOS. Claro que você deve analisar prós e contras, mas não fique tempo demais olhando a velocidade dos carros ou as filas no supermercado. Faça a sua vida acontecer, apenas se jogue… .

Aliás, com sua licença, preciso me jogar… depois te conto se deu certo!!!!

“O medo bateu na porta, a fé foi atender, e não havia ninguém” Martin Luther King.

Renato B Sampaio – Belo Urbano, publicitário, cristão e um questionador da vida, sempre em busca da verdade. Signo de áries, fã de Jazz, Blues e Música gospel.

E hoje faz um ano que fiz meu BC (para quem não sabe; BC é Big Chop, significa “grande corte”).
Há um ano atrás, antes de me dar a louca e ir com minha irmã num salão de cabelo afro em Campinas, eu estava passando por transição. Transição esta que não era só da fase de deixar a raiz crespa e o restante com química; era de sentir a mudança me arrebatar por inteira de pouquinho em pouquinho.
Passei pela fase da terrível “duas texturas” com escova e chapinha, pois não queria dar o braço a torcer molhando o cabelo na tentativa de encontrar uma ondulação. Não, eu queria era passar pela fase despercebida dos olhares e arrebentar tudo que eu podia quando estivesse livre da química. Como foi dia 03/10/2015.
Não tive muito apoio na minha fase de transição capilar. Pra falar a verdade mais escutei uns “não faça isso”, “irá se arrepender”, “tá tão bonita assim” do que o que eu mais queria; incentivo e apoio.
Eu não tinha ideia de como era o meu cabelo natural e tão pouco meus familiares. Eles mais se lembravam de quando eu usava relaxamento, então me diziam que meu cabelo parecia com o de Fulana e Beutrana, pois acreditavam que todos os crespos eram iguais.
Após o corte me vi em uma experiência diferente, vida diferente. Em que nada do que as pessoas falavam ou eu me imaginava se concretizou; vi-me com 2 dedos de cabelo crespo, aos quais não conseguia enxergar nem se puxasse e que não formava um cachinho sequer por mais de dois dias por conta da minha falta de cuidado durante a transição, além de ter uma textura que nunca vi na cabeça de nenhuma outra pessoa.
Não vi só minha aparência “Maria João” como ouvi me chamarem nesta época; encontrei-me mulher negra de verdade. Fui sensações, sentimentos e prazeres. Fui descoberta, aceitação e felicidade.
Senti o vento bater em meu pescoço, o cabelo desembaraçar facilmente com os dedos, os fios crescerem rapidamente com o cuidado que dediquei, o amor florescer sobre o volume indomável, o conforto com o frizz desabrochar, o cabelo em mim ornar, o aparelho retirar, o meu sorriso começar a aceitar, a visão se tornar turva e logo os óculos eu ter de obrigatoriamente usar.
Tudo em um ano. Em um ano encontrei-me e resolvi me libertar; usar as roupas das quais eu sempre quis usar, responder aos comentários que eu achava desconfortáveis, me portar da maneira a qual eu me sentia mais confortável e me livrar de amarras construídas por malicias alheias e neuroses com o igual princípio das amarras.

Finalmente estou conseguindo me sentir eu mesma. Finalmente estou conseguindo agir como eu realmente sou e me sentindo bem por isso. Finalmente descobri que a forma de se ter felicidade não é tentando seguir um padrão que os outros gostam, mas um que só eu consiga me sentir bem e alcançar. Finalmente descobri que a felicidade para comigo mesma não é uma coisa distante.. E finalmente descobri como é bom o amor próprio que vivia dizendo para o próximo ter. Finalmente sinto prazer em ser eu mesma.

Obrigada a todos que me apoiaram e àqueles que não o fizeram; muito obrigada também, me fizeram refletir e descobrir muito mais coisas do que eu podia acreditar poder descobrir sobre mim mesma.

Marisabel Cruz– Bela Urbana, recém-formada do Ensino Médio e Técnico em Meio Ambiente. Apaixonada por biologia e línguas. Gosta de rock, MPB e ama livros. É a caçula; tem 17 anos e anseia por um mundo com mais liberdade e desprendimento. Signo de touro com ascendente em sagitário, leva no celular seu mapa astral aonde quer que vá. Deleita-se com apresentações de novas culturas e crenças em sua vida, estando sempre em busca de novos conceitos e pontos de vista.

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Acordei com sono ou era um sonho? Meio da madrugada, pelada, quarto escuro, meus olhos não abriam, uma confusão, que sensação horrível essa de querer abrir os olhos e não conseguir.

Só tive forças pra empurrar o braço até o criado mudo e pegar o copo com água. Não estava gelada, mas mesmo assim, a garganta seca pedia água. Sentei, bebi aquele copo inteiro em um único gole. De madrugada faz frio, me enrolei com o edredom.

– Chuchu cadê você? Eu falei baixinho? Chuchu…

Que horas são? Porque tenho essa confusão mental, sempre quando acordo no meio da noite? O que era mesmo que estava sonhando…. Ah lembro, eu voava, voava sobre os carros. Delícia! Adoro sonhar que estou voando, mas tinham pessoas que achavam que eu era um pássaro. Eu um pássaro? Que estranho isso. Começaram a me jogar pedras, várias pessoas jogando pedras. Estilingues… Adultos jogando estilingues, em um pássaro… Que coisa feia! E o pássaro em questão era eu. Uma andorinha. Querem acabar com as andorinhas, esse era o plano. Não vão, pensava eu no corpo da andorinha. Lá embaixo, aquelas pessoas com seus estilingues, rindo, barulhentas, jogando pedras nas andorinhas que agora estavam do meu lado. Voamos. Voamos. Voamos. Que delícia! Que sensação boa! Os estilingues para trás… e nós as andorinhas, juntas, ao som do vento, no calor do sol, nas alturas, brincando, voando, dando rasantes.

Ufa!! Eita sonho bom! Meu lado caipira com esse “eita” não me deixa. Meus olhos conseguiram por fim, abrir de vez.

– Chuchu cadê você? Desta vez falei mais forte, a voz saiu.

– Fome…

– Sei, foi atacar a geladeira de novo.

Ele sempre dava dessas. Eu cúmplice, sabia de tudo.

– Ainda é bem cedo, só 2 horas da manhã… vamos dormir mais um pouco, amanhã levantamos cedo.

Nos abraçamos. Abraço quente. Pele com pele. De conchinha não temos frio e deixamos o edredom de lado. Boa noite!

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br , 3bis Promoções e Eventos www.3bis.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

 

 

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Mudanças acontecem na vida das pessoas. Muitas são procuradas, buscadas, desejadas, outras vem sem pedir licença e temos que nos adaptar, e um fato é certo: toda mudança gera estresse, estresse esse causado pela necessidade de adaptação a uma nova realidade.

Quer coisa melhor que um filho há muito desejado? Mas…. gera estresse. Tudo, absolutamente tudo, muda com esse acontecimento. E pra sempre! Horários, hábitos, sono, etc. É delicioso, mas a adaptação gera uma série de dificuldades.

E passamos por isso a vida toda e nos adaptamos sempre, desde as coisas mais simples até as mais impactantes. Todos nós invariavelmente passaremos por mudanças.

E aí vem o curioso… Tem gente que recomeça uma nova vida  com energia e disposição mesmo após mudanças radicais, como uma guerra, uma catástrofe e tem gente que reclama até da mudança do tempo!

A diferença entre essas pessoas é que enquanto umas escolhem se adaptar e voltarem a ser felizes o mais rápido possível, as outras… bem, preferem reclamar, porque a felicidade depende do clima, da vizinhança, do barulho, da estrada, enfim, do outro.

E é aí que eu quero chegar: A OPÇÃO É SUA!

Quer reclamar, reclame, mas a chuva não vai deixar de cair, o vento não vai parar de soprar, o vizinho continuará a tocar funk, a estrada continuará poeirenta. OK, vizinho tocando funk é forçar a amizade… tem que reclamar mesmo!

Mas… Eu escolho ser feliz. Me adaptar e seguir em frente. Minha primeira grande mudança foi aos 4 anos de idade e desde essa época, mudança é a única coisa constante na minha vida! Tão constante que muito tempo parada me faz buscar o que mudar!

Mesmo com 18 anos de empresa, dentro dela mudei de área tantas vezes que parece que foram empresas diferentes. E cada mudança dessas me traz novos desafios e principalmente, aprendizados! Adoro aprender coisas novas, então, a cada mudança, voluntária ou não, sempre busco nela o aprendizado que vai me trazer.

Eu opto por aprender! E você, o que a palavra mudança provoca em você?

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Tove Dahlström – Belas Urbana, é mãe, avó, namorada, ex-mulher, ex-namorada, sogra, e administradora de empresas que atua como coordenadora de marketing numa empresa de embalagens. Finlandesa, morando no Brasil desde criança, é uma menina Dahlström… o que dispensa maiores explicações. Na profissão, tem paixão pelo mundo das embalagens e dos cosméticos, e além da curiosidade sobre mercado, tendencias de consumo, etc., enfrenta os desafios mais clichês do mundo corporativo, mas só quem está passando entende.

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Vou começar contando um flagrante da vida real. Há alguns anos, um belo sábado, depois de ter trabalhado a semana inteira, e acordando com a casa suja e desarrumada de uma semana sem cuidados, olhei para o companheiro de jornada, que na época estava desocupado, dei uma resmungada e comecei a faxinar. Reclamei sim, porque não acho justo. E ouço a pérola:

– Não tenho culpa se desde que o mundo é mundo, as mulheres cuidam disso…

Respiro fundo… (Senhor, dai me paciência, porque se der força, eu bato!!).

– Amigo, desde que o mundo é mundo, os MAIS APTOS saem pra caçar e colocar comida na mesa, e os MENOS APTOS, ficam na caverna, mantendo-a limpa, livre de pragas e aquecida!! Não tenho culpa se as aptidões necessárias hoje são diferentes e quem sai pra caçar sou eu. Portanto, ajude a manter essa caverna em ordem, por favor!!!!

Essa história me leva aos rótulos, que são tantos que encaramos no nosso dia a dia, e nesse caso especificamente, o que é ‘de menina’ e o que ‘é de menino’. E como isso vira feminismo e machismo. E como precisamos nos apegar a grupos de códigos préestabelecidos, ou melhor, preconceitos!

E quantas vezes me peguei pensando: E SE TODOS NÓS NOS TRATÁSSEMOS SIMPLESMENTE COMO PESSOAS??? E se a regra fosse o PESSOALISMO?

Nem mulher, nem homem, nem jovem, adulto ou velho, nem chefe ou subordinado, nem alto ou baixo, nem gordo ou magro, nem branco ou negro, nem budista, católico, umbandista ou qualquer outra das milhares de religiões que existem no mundo. E a história das gerações então? Baby boomers, X, Y, millenials… dos rótulos criados pelos serumaninhos, esse só não é pior que o de gêneros.

Porque temos tanta dificuldade em ver simplesmente uma pessoa, em sua individualidade, com suas características tão singulares, quando nos encontramos com alguém?

A resposta vem das cavernas… o mais apto é o mais forte, e consegue impor suas vontades, suas regras. Nem que seja à força… E algumas pessoas sentem certo conforto em serem vítimas! Afinal, algumas pessoas preferem responsabilizar os outros por suas mazelas, do que assumir as rédeas da própria vida.

Na religião, se não houver o domínio dos sacerdotes, como domar o rebanho? A resposta está em acreditar e incentivar o bem dentro de cada pessoa!

Na família, se o mais velho não impuser as regras e os limites, como fazer a família andar na linha? A resposta está na missão de criar pessoas boas!

No trabalho, se não houver chefe e subordinado, como fazer com que cada um cumpra suas tarefas e atinjam os objetivos da organização? A resposta está em como motivar as pessoas!

Mas ainda assim, mesmo que a hierarquia seja em algum momento necessária, e de modo geral as pessoas precisem de uma liderança, a opressão, a imposição, o domínio, ou mesmo a doutrinação, não deveriam acontecer. Acontecem quando os interesses não estão nas pessoas, e sim na ganância, nos bens, e no próprio sentimento de domínio.

Mas certamente não aconteceriam se em nossas interações com os outros, em qualquer meio, víssemos o que elas são em sua essência. Pessoas… como eu e como você!

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Tove Dahlström – Belas Urbana, é mãe, avó, namorada, ex-mulher, ex-namorada, sogra, e administradora de empresas que atua como coordenadora de marketing numa empresa de embalagens. Finlandesa, morando no Brasil desde criança, é uma menina Dahlström… o que dispensa maiores explicações. Na profissão, tem paixão pelo mundo das embalagens e dos cosméticos, e além da curiosidade sobre mercado, tendencias de consumo, etc., enfrenta os desafios mais clichês do mundo corporativo, mas só quem está passando entende.

 

 

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Gosto de doce

brigadeiro,

beijinho,

pudim

e

pessoas

 

Deliciosamente DOCE

DO

CE.

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :) .

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As pessoas estão caprichando na missão de serem chatas. E o mundo ta precisando URGENTE de mais amor!
Não sou de ficar escrevendo o que penso. Mas esses dias ando lendo cada coisa, que não resisti… Ta faltando amor no mundo mesmo.
As pessoas amam incondicionalmente seus familiares, as pessoas próximas, amigos, mas na hora que alguém expõe uma opinião contrária da sua, pronto, já xinga a pessoa, diz que ela não sabe o que está falando, aponta mil e um argumentos pra diminuir a razão da pessoa em pensar sobre aquilo, trata com grosseria o tema que não lhe agrada… É tão difícil assim respeitar as opiniões contrárias a sua?
As pessoas estão condicionadas a dizer a frase: “com tanta coisa mais importante acontecendo no mundo e dão atenção a isso”. Mas quem define o que é mais importante? Pergunta pra mãe do cantor morto se a discussão sobre a ideologia de gênero dentro das escolas é mais importante do que o que ela está passando, pergunta pra um jovem gay que foi espancado e humilhado se proibição do foie gras em SP é mais importante do que o desespero dele. Pergunta pra pessoa que está quase morrendo na fila de um hospital público se a redução da maioridade penal é mais importante do que o problema da saúde. Tudo que causa dor, nos seres humanos, nos animais, tudo que causa revolta, descontentamento, TUDO é importante! Pra alguns mais e pra alguns menos. Mas quem é você pra dizer o que é mais importante para o mundo inteiro e por que todos precisam concordar com a sua escala de importância?
A mídia cansa mesmo… Mas ela vende o que pra ela é mais lucrativo, infelizmente. Se você tivesse uma loja, iria vender só produtos que a maioria não compra? Se você passa em frente a uma loja que só vende produtos que você não usa, você não entra nela, certo? Mas também não vai xingar e humilhar todos que estão lá dentro comprando só porque eles usam o produto…. Com a mídia, assim como com os estilos musicais por exemplo, é a mesma coisa viu? Se você não curte é só mudar, não ver, não entrar “nessa loja”. Não precisa humilhar quem está lá dentro.
A morte de um cantor que muitos dizem que nem conheciam, está causando revolta nas pessoas porque a mídia só fala disso. Sério que só porque você não curte sertanejo tanto faz se um jovem de 29 anos morreu? Ele podia ser rockeiro, pagodeiro, MUDO, mas era um jovem que morreu num acidente terrível, e que tem pessoas sofrendo com isso. Você não precisa sofrer se não quiser, mas seria bom respeitar. Pra que tanta amargura? Só porque ele cantava sertanejo? Só porque a mídia quer falar sobre isso porque é isso que dá audiência? Só porque as pessoas que gostavam dele estão dando audiência à mídia? Na boa, ele não planejou morrer só pra virar Trending Topics, a notícia do momento. Não precisa menosprezar o fato de que ele perdeu a vida.
Por que não olhar pelo lado útil dessa repercussão toda? Além de falarem da morte dele, a mídia também está mostrando o que ajudou a causar a desgraça. O uso do cinto de segurança no banco traseiro também virou notícia numa dessa. Eu mesma raramente colocava o cinto no banco traseiro, embora várias vezes já me orientaram que era tão importante quanto o da frente. Mas ao ver que alguém da minha idade morreu por não usar o cinto (entre outras razões talvez) eu passei a usar.
Logo em seguida veio a “modinha” de colocar foto colorida. E junto vieram pedras de todos os lados de pessoas que se sentem superiores a ponto de julgar que se trata de um assunto menos importante. Alguns vieram postando imagens de crianças desnutridas com os dizeres “o dia que as pessoas se unirem por essa causa, eu to dentro”. Eu também estarei com certeza! (Mas não precisa esperar alguém te chamar pra você lutar por essa causa também tá?). Eu já acho que seria mais sensato um meme dizendo “o dia que o mundo se unir para QUALQUER causa que faça o bem a QUALQUER ser, eu estarei dentro”. Outras vieram postando foto de Jesus, listrada de cinza, dizendo “perdoe, eles não sabem o que estão fazendo”… Sim sabemos, estamos comemorando o fato de que em mais um lugar no mundo estão deixando pessoas se amarem em paz!
Aí vêm os “superiores” dizendo que isso de ficar postando apoio a essa causa só agora é ridículo, porque no Brasil desde 2013, os cartórios de todo país estão impedidos de recusar a celebração de casamentos civis homoafetivos, graças à Resolução n175 do CNJ e que na época ninguém fez homenagem alguma. Bom, eu não tinha conhecimento disso e muitas pessoas que também não tinham agora tem! Graças a essa “modinha”. Que bom, minha fotinha colorida vale pra comemorar retroativamente a vitória no Brasil também!
Um tempo atrás a “modinha” era virar balde de gelo na cabeça. Nossa, quantas pessoas eu vi vindo aqui no face esculachar quem fez isso, dizendo que a pessoa só queria aparecer, que era uma modinha ridícula, que muitas nem sabiam o real motivo daquela campanha… Ta, muitas nem sabiam mesmo, mas várias pessoas fazendo aquilo (sabendo ou não o motivo, querendo ou não somente aparecer) fez com que milhares de pessoas que, como eu desconheciam o ELA, passassem a entender o que é essa doença, que faltam investimentos para estudos que buscam a cura. Essa “modinha” fez muita gente se solidarizar com quem sofre dessa doença, seja por doação, oração, sei lá. Mas fez as pessoas conhecerem esse problema!
Tem muita gente se achando demais e respeitando de menos.
Mais amor, por favor! O mundo já está cheio de desgraças e desavenças.
Se você não concorda ou não quer apoiar algo, não precisa se doer tanto, você não é obrigado a isso. Mas deixa quem quer se manifestar em paz. As pessoas não são babacas, ignorantes, ou sei lá do que mais o que estão sendo xingados, só porque apoiam ideias contrárias as suas.
Bom, essa é a MINHA opinião, não precisa concordar se não quiser ok?

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Patrícia Mota – Pós graduada em Gestão de Marketing, Publicitária há 8 anos e também Designer de Interiores nas horas vagas, formada pela Arquitec. Observadora ao extremo, curiosa na medida e a quatro semanas de receber seu melhor título: “mãe da Sarah”.