Somos nós dentro do nosso trabalho, a melhor parte dele.

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A ideia, a mensagem, a imagem, a pincelada, tudo dentro de um trabalho de arte “é o artista em si”. Essa é a mágica, o poder da reprodução pela arte.

Seja ela qual for, pintura, poesia, literatura, música, interpretação, enfim em todas elas o que está ali é o artista, é inegável, e precisa estar.

Todo artista é um carente no mundo e precisa se reproduzir mil vezes, precisa estar em mil lugares e situações, precisa participar da sua alma quando você vê, lê ou ouve alguma boa arte.

A verdadeira arte, aquela que o artista está encrustrado nela é a que te emociona, é a que te faz chorar.

E faz porque você sente a alma dele ali exposta e anexada. Basta percebê-la com sensibilidade, com o coração aberto.

A arte é a que conversa com você, o artista está nela, falando e participando, se apaixonando por você e vice-versa.

A arte verdadeira é aquela repleta do artista vivo, é lá onde mora sua alma, pra sempre.

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Um amigo postou no Facebook que um policial tinha enquadrado ele por estar com um “back” e ainda disse a ele que dinheiro pra trocar as lentes dos óculos não tinha, mas pra maconha tinha (como se o dinheiro desse meu amigo fosse do tal “poliça” e não dele).

Infelizmente são esses tipos de pouco cérebro que votam no retrógrado, careta, ignorante, infeliz, homofóbico, atrasado e burro do BOZOnaro e querem a ditadura e os militares de volta!

Os mesmos dizem que maconha é o início do vício nas drogas, o que é uma grande ignorância, uma grande falta de percepção e discernimento!

Qualquer vício vem da ignorância, da falta de educação, da falta de cultura.

No interior por exemplo, naquelas cidades pequenas onde nada tem pra fazer nos finais de semana, os adolescentes se viciam em bebidas, quase todos! É impressionante!

O álcool é bem pior que a maconha por exemplo, enfim, sou a favor da liberação da maconha. Sou a favor da educação num país onde gente de faculdade confunde “esta” com “está”, “fica” com “ficar” (onde nunca usam o “S” no final), etc…

E esse meu Brasil, cada dia mais andando para trás!

Obs.: Eu não uso maconha mas usaria se gostasse, não vejo problema algum. Bebo Jack Daniel’s desde jovem e nunca fiquei bêbado.

Ensinamento do meu falecido pai. “Bebidas são feitas pra se apreciar, nunca pra embebedar” dizia ele.

É isso!

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

“Maria Joana” – acrílico sobre tela, 1,00m x 0,80m – 2018 – by Mauro Soares

Não existe arte sem total liberdade!

Sempre fiz muitos desenhos e pinturas eróticas, e até os meus 40 anos de vida eu achava que poderia ousar até chegar na beira do precipício, e se passasse dele cairia no pornográfico, o que eu evitava.

Uma burrice!!!

Foi quando ganhei um livro de uma amiga da maior editora de arte do mundo chamada Taschen.

Era um livro lindo, de capa dura prata que dentro continha fotos incríveis, com layouts, cores e luzes fantásticas. E era de fotos pornográficas!

Foi então que percebi minha ignorância! Arte não pode ter censura nem limites! Tudo pode ser arte, desde que bem feito!

Este livro virou minha Bíblia das artes.

E vejo em nossos dias vídeos de gente criticando algumas mostras onde estão expostas pinturas e desenhos pornográficos.

Hoje mesmo vi um desses vídeos onde um vereador estarrecido criticava e dizia: “que absurdo, isto não é arte”! E pela voz percebi a figura daquele cidadão careta, ignorante e retrógrado.

Como alguém pode se dar ao luxo de dizer o que é ou não arte?!?

Vou precisar de vários textos pra falar sobre essa HIPOCRISIA DO SER HUMANO. Onde tudo pode desde que seja feito entre 4 paredes. Um absurdo!

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Eu “tô tentando” ser feliz, eu “tô tentando” te fazer feliz. – Kid Abelha

Gosto desta letra de música, ela é simples e me empolga também por isso, amo a simplicidade, amo “tentar” sempre. Passei meus 63 anos de vida “tentando” e morrerei “tentando”.

Isso é o grande barato da vida, “tentar sempre”, sem parar!

Tentar tudo! Eternamente! Amo muito tudo isso, com ou sem Big Mac. Nada nessa vida deve parar no que se sabe porque o que se sabe já se sabe! Parece idiota isso, quase uma frase “Dilmêsca”, mas é a pura realidade. Me excita tentar, buscar o novo, o inusitado. Amo loucuras mil! Infinitas novidades, odeio a mesmice, a caretice, as regras imbecis da sociedade que impõe tudo a você, não a mim. Nunca!

A cada tela, a cada pintura um novo desafio, nunca sei se conseguirei, e vou “tentando” a cada passo, a cada projeto de vida, a cada mudança, a cada novo amor, a cada desafio, e eles são constantes, como um vício do “tentar”.

Me dê milhares de doses desse “tentar”.

Uma louca “tentação”!

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Mudar não faz de você uma outra pessoa, apenas aumentam as novas e boas possibilidades. Sempre me mudei embora pareça sempre a mesma pessoa.

Os jeans, os tênis, as camisetas, os cabelos compridos sempre permaneceram em mim, apenas com caras, jeitos, designers e cores diferentes.

No meu trabalho, na minha vida mudei sempre, passei por mil fases, por mil coisas, por mil ideias… Permaneço um “artista mutante”! Quando se muda, apenas se acrescenta, se somam coisas inusitadas as experiências realizadas.

Depois de 20 anos pintando, criei minha técnica exclusiva de camadas de riscos. Embora já há mais de 20 anos com a mesma técnica a cada tela ela se altera discretamente, a pincelada muda, a cabeça muda, as cores e ideias mudam, as formas mudam, os pensamentos mudam, os temas mudam, os pincéis mudam, as tintas, tudo muda a cada segundo.

É preciso saber perceber…

…e poucos percebem, talvez porque não mudem o jeito de olhar as coisas.

É preciso se perceber, sempre!

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

 

Mutante

Você sabe que é arte de verdade quando a mesma, a cada dia fica diferente, você à vê de outra maneira, de outro jeito, de outro ângulo, te diz coisas novas o tempo todo.

A verdadeira arte não envelhece, ela muda a cada sol, a cada luz, a cada momento. Você a enxerga sempre com outros olhos, é aí que mora a mágica da criação.

“Nada muda, apenas se modifica mesmo sem se modificar”

É preciso se atentar aos milhares de detalhes que a vida e a arte te oferecem o tempo todo, porque as duas andam juntas, lado a lado, uma não fica sem a outra, nunca!

“Seu olhar faz parte da minha arte”

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Fui publicitário, diretor de arte e criação por 46 anos e há 4 deixei a profissão pra me dedicar exclusivamente para a pintura, o que desde meus 13 anos eu já fazia profissionalmente, paralelo ao meu trabalho na publicidade e propaganda.

Sentia que deixaria toda a cobrança dos tais clientes e agências. Cobranças essas de temas, layouts, ideias, criação, etc,… Ledo engano! Nas artes também existe isso, e muito, e sempre vem dos leigos ou dos “entendidos em arte”, que de arte mesmo não entendem nada! Sempre tem aquele “metido a marchand” que vem dizendo: “pinta isso, pinta aquilo, etc, etc, porque vende e tals…”. Um saco!

A diferença é que na pintura faço o que eu quero, não dependo das agências e seus clientes, dependo apenas de mim. Colecionadores de arte, se gostam da pintura, do tema ou da técnica eles compram mesmo, sem se importar com o resto. Já vi muitas vezes acontecer comigo, e acho incrível tudo isso. Na publicidade é uma doidera, um desespero, um stresse imenso, prazos, cobranças de todo tipo…arghhh.

Claro que trabalhando com pinturas minhas tenho sempre a pressão das vendas “e tals”, não tenho salário, dependo muitas vezes de marchands que são em sua maioria uma piada, dependo de galerias e suas altíssimas comissões sobre as vendas, etc, mas no fundo tudo é mais tranquilo. Você faz sua hora, seu dia, sua semana…bebe seu Jack na hora que quer!

Tenho minhas neuroses, lógico, mas também faço meus horários, minha logística pessoal.

Pintura é igual sexo, você não pode determinar que vai ou não pintar. Existe todo um entrosamento entre você e a tela. Você chega olha pra ela, ela olha pra você e mesmo estando no meio de uma pintura depende dos dois naquele momento. Se a tela olhar pra você naquele dia e sentir que não vai rolar, não insista, porque o sexo será uma porcaria, ou melhor, vai estragar todo um trabalho.

Normalmente quando isso acontece saio e vou fazer outra coisa. Deixo pra continuar em outro dia quando eu e a tela estivermos na mesma vibe.

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Fico aqui pensando se não seria melhor não saber desenhar ou não saber pintar.

Talvez eu ficasse mais livre pra desenhar e pintar, talvez eu criasse mais, igual uma criança, sem dogmas, sem preconceitos, sem frescuras, sem direção, sem um rumo determinado, desenharia e pronto.

Pintaria sem estilo, sem técnica, sem certo ou errado, como Miró fazia. Ou será que ele fazia isso mesmo?

Ou ele já estava também preso a um estilo seu?

Vida, sempre uma incógnita…

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

Lembro de minha tia Ada dizendo sobre minha infância, basicamente quando eu nem andava e já trazia traços da arte comigo.

Dizia ela que me colocava no chão, bem em cima de um pequeno tapete onde pudesse me olhar enquanto costurava, e com um lápis nas mãos eu passava horas desenhando pelo chão, em volta do tal tapete. Na verdade na volta toda…

Hoje ainda misturo tintas ajoelhado em cima de uma pequena almofada que fica guardada embaixo da bancada feita com cadeiras respingadas e com muitos potes coloridos em cima.

Quase um oratório, onde se concentrar, pensar e misturar tintas vira quase uma reza, uma oração ao Deus da criação eterna.

E sigo meu caminho pelos chãos dessa vida, sempre ligado neles e em minha criação, meus pensamentos e ideias, sempre focado num futuro que não chega e nunca deverá chegar pois o que importa e sempre importou pra mim é percorrer e nunca chegar.

“Quem chega para, e parar não tem a menor graça”

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.