Busco ser compreensivo, entender o inexplicável, sorrir do meu choro, aceitar o inaceitável;
Busco ser tranquilo no meio da gritaria, calar a agressividade, falar auto com euforia, nos cantos da cidade;
Busco ser amante das artes, sorrir para belas esculturas, fazer cara de paisagem.
Busco ser colecionador de verdades que nunca poderão ser provadas, certezas incertas sonhadas na alvorada;

Há sim, eu busco não ser o homem, que não entende nada, que não lê nada, que não ouve nada;
Busco ser a bússola mesmo sem saber o caminho, a resposta para perguntas que não sei interpretar, a calma para quem deseja amar;
Busco ser senso, bom senso, incenso, nervoso, poluído e denso, temperado, insosso, sonolento, sóbrio, embriagado, pulguento;
Busco ser rotina sem limitação, controle de expressão, ontologia, serenidade vazia, muitas vezes solidão;

Busco ser o sorriso de quem chorou, o abraço de quem partiu, a tristeza de quem ficou;
Dentro ou fora eu busco me encontrar, me entender, me interpretar, busco saber para depois falar;
Mas agora eu busco não chorar, ser forte, aceitar, busco compreender que eu não consigo mudar;
Estou buscando existir, ser, permanecer e depois tranquilamente desaparecer.

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração e com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo

Para saber o que é paciência: Construa uma casa.
Para saber o que é amor incondicional: Tenha filhos.
Para saber sobre o tempo: Observe o seu envelhecimento.
Para um casamento duradouro: Potencialize sua aceitação e seu altruísmo.
Para resolver todos os problemas: O dia seguinte.
Para saber o que é dor e angústia? Basta perder quem amamos.
Para perdoar de verdade: Só ficando sem memória.
E se você quer sentir que é verdadeiramente amado e lindo? Conviva com as crianças.
Para não ter medo de nada: Sugiro a fé.
Para saber o que é saudade: ́Vislumbre a longa estrada que te separa dos seus amores.
Para alcançar a alegria: Curta o sonho que antecede a conquista porque na verdade é tudo uma ilusão passageira.

Viver é seguir um caminho sem volta a espreita do que virá e sabendo que misteriosamente haverá um fim.

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

Sentia enjoos.

Vivia enjoada, na estrada, na curva, no carro, no balanço, na rede…

Sempre foi assim, mas, mas, mas…

As vezes repetia as frases porque o enjoo batia no seu cérebro

e as palavras rodavam na sua boca

Aprendeu o equilíbrio fora do eixo.

Um equilíbrio desequilibrado,

fora da linha reta.

mas, mas, mas, vivia enjoada.

Torta, bamba,

com um nó na garganta

no labirinto

com medo de encontrar o Minotauro

ou talvez

medo maior

de descobrir

que o Minotauro era ela

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

Desperto do sonho

Mantenho as sombras

Qualifico o drama

Arrebento a cama

Alimento d’alma

Resoluta chama

Santo imbróglio

Dantes fluentes

Jeito indecente

Sombras cabais

Desvios astrais

Vampiros calientes

Postos apostas

Intensos reais

Assombrações temporais

Figuras as conduzem

Para mentes e

Corpos orgânicos

Medos tão reais

Vultos esfomeados canibais

Suspiros revelam eunucos

Acorda em cio os temporais

Assombrações lúdicas

Esferas animais!

(e não é loucura da joaninha)

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

“Me conta agora como hei de partir…” e seguir em frente, a começar uma nova etapa, a realizar, sozinha, um sonho que era nosso.

Como não ter mais você para me dizer “calma, a gente resolve”?

Como gargalhar?

Como falar sobre os livros que líamos?

Como planejar as férias na praia sem você?

Como ver filmes em silêncio?

Como repartir a dor que hoje eu sinto?

Os medos que reluto em enfrentar?

As verdades que não me atrevo a dizer ?

Os sonhos que não tenho com quem compartilhar?

Como?

Você se foi sem me ensinar…..

Ruth Leekning – Bela Urbana, enfermeira alegremente aposentada, apaixonada por sons e sensações que dão paz e que ama cozinhar.  Acredita que amor e física quântica combinados são a resposta para a vida plena.

Sobre o tempo que transforma e o brilho inesperado de alguém que já caminhou;
Seus gestos e sua maturidade encanta quem ainda está no início do caminho;
O brilho que envolve, a educação que fala mais que qualquer carinho;
Olhar para todas estas formas nos fazem pensar em “por que não?”;

De sua parte, ele vê, a juventude que brilha em um pulsar que não pode ser contido;
O sorriso e o brilho no olhar de alguém que está repleto de esperança, sem medo das derrotas do caminho;
Entendendo que se tomar esta juventude ele tenha até condições de se sentir mais jovem, e se entrega a este sentimento.

Ambos se esqueceram que o tempo não perdoa, que ele continuará seu caminho e ela também;
Que ele sentirá, com passar do tempo, maior cansaço que ela, e ela por sua vez, se sentirá mais jovem do que nunca e eles sentirão que estão em momentos diferentes;
Entregues ainda pelo carinho inicial, tentarão, em vão, ignorar a força do tempo, mas logo ele se sentará para olhar o brilho de sua jovem seguir em frente.

Distante, ainda com dor no coração, ela irá entender que o melhor é caminhar ao lado e não à frente.
O coração se alegrará em encontrar alguém que esteja em seu mesmo tempo e construirá novas recordações.
Ele irá sorrir com suas memórias, e entenderá que foi bom, que realmente não era possível.

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração e com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo.

Foi no caixa do banco que o vi pela primeira vez. Eu bancária, ele cliente. Bem vestido, muito bonito e sorridente.

Sempre com elogios e brincadeiras. Eu apenas sorria mas desconfiava do assédio, até porque ele movimentava muito dinheiro e eu caixa de banco.

Um dia me deu um cheque para depósito e o preenchimento do valor era um convite para um chopp após o expediente. Fiquei muito surpresa e aceitei de pronto…

Poucos restaurantes próximos e ele escolheu o mais sofisticado e me levou para a parte de cima, mais reservada. Ali teve início uma torta história de amor.

Eram sempre almoços intermináveis ou happy hours, esquecíamos de tudo. Ele um cara culto, falando poesia, cantando bossa nova. Era pura diversão.

Dele sabia que morava no Rio e trabalhava em Niterói, sócio de uma Empresa de seguranca. Eu, morava com uma colega de trabalho e tinha uma vida bem animada. Todos os finais de semana ia pra Búzios onde alugava casa com amigos.

Os nossos encontros eram em motéis e eu não estava muito interessada em mudar nada.

Em um final de semana eu em Búzios, na praia, recebo sua visita inesperada. Sábado de manhã, ele de roupa social, sapatos em plena geriba me procurando, detalhe, não lhe dei endereçoo. Entendi como uma prova de paixão. Fomos pra casa, nos misturamos entre areia, sal, suor e tesão. Almoçamos e ele foi embora. Simples assim. Eu apaixonada, me sentindo especial.

O tempo foi mostrando o quanto era sedutor. Rosas, livros, discos. Me enchia de mimos e de paixão. Até que um dia ele me comunica que vivia uma história verdadeira e por força das circunstâncias, estava prestes a se casar. Sábado seguinte.

Me senti rejeitada, tola, ingênua. Passei o dia inteiro chorando. Ele se casou com namorada da vida toda, filha do dono da empresa. Ele manteria a sua posição social e seguia a vida.

Como pouco tínhamos, pouco ficou. Levei bastante tempo para me reerguer, mas tinha Búzios , era só agito, foi mais fácil seguir o caminho.

Estranhei quando se passaram um, dois, três meses e nunca mais o vi. A conta permanecia lá e eu achava que ele sempre iria entrar pela porta com aquele lindo sorriso que já tanto me fazia falta.

O reencontro se deu em uma rua próxima ao banco e veio junto um grande susto. Ele com o rosto deformado. Me contou que sofrera um grave acidente e ficara um mês em coma. E tinha mais uma novidade, iria ser papai. A vida seguiu, ele não fazia mais parte de mim.

Casei, tive filhos, me separei, casei de novo, filho de novo. Divórcio de novo. Agora sozinha vida reconstruída, bela casa em um lindo lugar um pouco distante do centro urbano. Em algum momento entrei no Facebook para acompanhar a vida da filha que se mudara para a Europa. E assim foi.

Em uma noite recebi uma solicitação de amizade e lá estava ele. JP, trinta anos depois. Morava na França e estava vindo ao Brasil em breve, queria me ver. Comecamos a trocar e-mails infinitos, divertidos. Toda noite era a hora de ficar no computador e esquecer da vida. Meus filhos desconfiaram dessa mudanca, mas ficaram felizes em me ver mantendo amizade com alguém, já que vivia exclusivamente para eles.

JP me chamava atenção para minha escrita, falou que eu escrevia bem e que deveria me empenhar nisso. Eu estava satisfeita, escrevia pra mim. Procurei saber mais de sua vida e soube que já se casara nove vezes, sim, nove vezes. Fazia doutorado na França, já morava há quase dez anos e se aposentara por invalidez após um acidente doméstico. Tinha pouco e vivia bem, diferente do menino rico que conheci.

Fomos nos contactando até o nosso possível encontro que se deu três meses após nosso primeiro contato. Veio a minha casa. Rosto envelhecido e ainda muito bonito. Chegou me chamou no portão e quando entrou eu fui rápido para abraçá-lo, ele estranho, frio, sem jeito não correspondeu. Essa atitude me colocou os pés no chão, era o que tinha.

Saímos para almocar na praia e retornamos a casa. Ali a seu lado não sabia mais quem ele era. Meus filhos tinham saído e ofereci que ficasse, tinha quarto sobrando. E assim foi. Eu realmente esperava uma explosão no reencontro: beijos calientes, transas saudosas. Nada disso. Estranho, foi dormir. Cada um no seu quarto e mais tarde ele bate a minha porta, diz não ter sono, se pode ficar. Puxou uma cadeira, colocou ao lado da cama e ficou fazendo carinho em meus cabelos e eu dormi.

Já não sabia mais quem ele era. Foi embora, disse que voltaria. Eu realmente achava que tinha algo a mais. Depois percebi que talvez estivesse velha na visão dele. Ele acabara de se separar de uma mulher da idade de minha filha. Era isso. Já não interessava mais.

Continuamos nos falando até uns dias antes do seu retorno a França. Eu Andava as voltas com crises de pânico, ansiedade que me assolavam em plena menopausa. Mesmo assim enfrentei ônibus, barca, ônibus de novo e fui ao Rio encontrá-lo.

Casa bonita, bela cozinha e ele fazendo um ótimo Jantar para me receber. Tarde da noite e a cena se repetiu; eu deitada no sofá, ele puxou uma cadeira e fez carinho nos meus cabelos. Dormimos lado a lado, eu com vontade de socar ele… o que era aquilo?

Pela manhã, outro cenário, nos deitamos lado a Lldo num quarto escritório e ali o seduzi. Foi intenso, inesquecivel enquanto era ali. Resolvi voltar pra casa, ele se ofereceu para me levar e ficou, um, dois, três dias. No terceiro dia eu me preparando para dormir pedi um beijo de boa noite, apaixonada que estava, meio carente. Ele se levantou, surtou, disse tinha feito tudo por mim e ia embora porque eu estava cobrando algo a ele.

Foi a minha hora de surtar. Ele havia comentado a respeito de sequelas do acidente. Tomava remédios, não bebia.
Eu presenciei o descompasso e aceitei. É isso. Vá, boa noite, boa viagem. Antes de ir ele me disse que não se via morando ali naquela casa, naquele lugar, com aquela vida. Talvez tivesse lido os meus pensamentos.

JP voltou e era o mesmo de trinta anos atrás, agora com sequelas. E a vida seguiu.

Viajei, conheci outros paises, morei em outros lugares, mas nunca perdemos contato. Numa dessas viagens, me chamou para conhecer Toulouse onde morava e passar uma semana com ele. Gostei do convite pois nada conhecia da França. Lá fui eu. Ele morava num quarto e sala num ótimo lugar. Foi me buscar no aeroporto e foi muito afetuoso. Preparou o jantar, comprou cerveja para mim, me deu seu quarto para dormir.

Passeamos bastante, me levou a lugares incriveis. Nossa relação agora era de amigos. Não mais romances. Em um desses passeios, na volta deixamos o carro longe e eu reclamei que iríamos andar muito. Ele surtou de novo, começou a falar alto dizendo que tinha me levado a ótimos lugares e eu só reclamava. Eu tentava entender aonde tinha errado e me desculpava o tempo todo. Me dei conta que estava pelas belas ruas de uma linda cidade francesa discutindo nem sabia por que. Estava triste. Nada entendi.

Quis ir embora na hora, faltavam dois dias ainda. Ele pegou a bike e seguiu caminho de casa, eu resolvi sentar em uma linda praça e olhar a vida. Nada me importava, ninguém iria tirar a minha paz. Ali fiquei, comprei uma cerveja sentei num banco e só. Pensei, tenho apenas a mala no apartamento. Na bolsa dinheiro e documentos, dane-se vou dormir em qualquer lugar.

Vinte minutos depois, volta ele de bike: – Senta aqui mulher. Não, obrigada. Vamos embora! Me esforçei para ser adulta, sentei na bike e fui. Voltei para o apartamento que tinha arrumado, cuidado para nós e dormi.

No dia seguinte resolvi andar sozinha pela cidade enfrentar o medo de não falar francês e consegui, comprar presente para a neta, trocar dinheiro, livre. Voltei para o apartamento e nada tinha acontecido. O meu louco, amado e velho amigo ali estava de camiseta velha e cueca velha, detalhe, comprei uma cueca nova e lhe dei de presente.

Dia seguinte me levou ao aeroporto nos despedimos em um forte abraço. Hoje falamos pouco, mas temos muito amor um pelo outro. Ele se tornou um velho príncipe solitário e eu continuo aquela menina do caixa do banco esperando receber outro convite em um cheque!

Maria Nazareth Dias Coelho – Bela Urbana. Jornalista de formação. Mãe e avó. É chef de cozinha e faz diários, escreve crônicas. Divide seu tempo morando um pouco no Brasil e na Escócia. Viaja pra outros lugares quando consigo e sempre com pouca grana e caminhar e limpar os lugares e uma das suas missões.

Então o sol se pôs, e tudo está ao seu favor;
O clima, o vinho, o macarrão , o chocolate e o bom papo
A música e as ondas na televisão são apenas tempero para o que é bom
As histórias contadas, as gargalhadas altas, com moderado tempero, contam o que representa o momento

Não é noite de sábado e nem tão pouco sextou, é noite de terça, mas tem vinho, música e amor
É legal pra caramba, a conversa flui, e quando nos damos conta, já são pra lá das dez

Hora de tirar a mesa e lavar a louça, um sabor bom no coração que indica que tudo foi perfeito
Que tudo é perfeito com você ao meu lado
E se fosse sexta, já estaria com sono, mas você também entende

Não quero desejar nada para ninguém, mas se conseguir desejar o bem, quero que sinta o que vem de dentro, através de um alguém tão especial que vai transformar tudo ao seu redor
Transformar seus hábitos e emoções, seus sorrisos e canções, vai te fazer feliz pra valer
Ai, você louco pelo vinho, inebriado pela música, paralisado pelo tempo vai pensar ”eu estou feliz porque você existe na minha vida! Obrigado“

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração e com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo

Pergunta o curioso: quem és tu?
Responde aquela que foi inquerida:
Sou uma MULHER SEMIÓTICA!
A que vens?
A ter a percepção do mundo atual,
O que há para comunicar,
O que devemos deliberar,
Pontos de vista a conversar.
É fácil assim ser mulher semiótica?
Antes fosse!
Vivemos no mundo da “presentação”,
Esse “tipo” requer atenção,
Sem julgar, ofereço minha empatia
Ao outro por detrás da simpatia,
Pode enganar-te à revelia.
Nossa, mulher semiótica! Pensei que fosse fácil!
Estudo o mundo por meio dos sinais,
Interpreto quetais, imaginando o que pensais,
Das avenças e desavenças intergeracionais.
Perguntei quem tu és
Para homenageá-la, nobre mulher,
Afinal, 365 dias são dedicados,
Uma atenção dos que estão ao seu lado,
Porém, por tradição, o faço hoje: seu dia.
Agradeço meu caro curioso,
Mas, infelizmente, alimentamos
Aqueles que amamos,
Nos envolvemos até o pescoço
E do mundo podemos receber o osso.
Mas não se trata de reclamos,
Lamurias ou desenganos,
Ser mulher semiótica
É entender, com nossa ótica,
Que apenas amamos,
Sem esperar nada em troca.

L.C. Bocatto– Belo Urbano. Diretor do Instituto IFEM – Instituto da Família Empresária. Criador da Ferramenta de Análise Científica Individual e Familiar. Formações – Mestre em Comunicação e Mercado, MBA em Controladoria, Contador, Psicanalista Terapeuta com foco em famílias e indivíduo com problemas Econômicos (perda de riquezas) e Financeiros (saldos negativos de caixa)

Madrugada magra de estrelas
Bar afogado em delírios
Tu
Te divertes entre tranquilos perigos
Homens atenciosos que te oferecem álcool
E colo

Uma amiga pergunta:
Por onde anda
Quem o vê?

Então
Te lembrarás de mim
E eu
Estarei longe demais
De teus prolixos teoremas sobre a felicidade
Das verdades devastadoras que nos constrangiam
Ditas com tanta delicadeza
E boa educação

O brilho do teu olho
Não mais alcançará o brilho
Do meu olho
E naturalmente mudarás de assunto

Eu – que te amo tanto a ti –
Tu – que me amas dissimuladamente –
Viveremos um no futuro do outro
(Vestígios de minhas pegadas no teu corpo
Teu sorriso abandonado no meu coração)

Algo de mim te alegrará
Jeito de ti me acompanhará
Cúmplices sentimentos diante de cada espanto:
a criança pobre que vende lágrimas
a madrugada deslumbrando-se em segredos
este país ausente de Deus

Eduardo Lapinha – Belo Urbano, poeta, letrista, Agente Fiscal de Rendas e ex-geologo é um aquariano com ascendente em Peixes que já sonhou muito. Hoje, fala menos, ouve mais e tem na literatura seu paraíso artificial.