O beijo surgiu
Num dia de frio
Dia norte e sul
Anil, azul, a mil
Carinho de céu
A dois em um
Um, dois, fugiu

Nosso encontro
Nasceu inusitado
Cresceu remediando
Trajetos errados
Seja eterno
Enquanto dure
Mais que o tempo
De uma vida
Ao teu lado!


Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.


A peça tinha 57, mas aparentava 67

A peça estava maltratada, malcuidada

A peça tentava ficar loira, era vulgar

A peça tinha voz estridente e vocabulário chulo

A peça dizia que nem como puta velha servia mais

A peça estava só

mas só, tinha o cachorro

de latido estridente, chato, bem chato, como…

a peça.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 
Foto: @gilguzzo @ofotografico
 






Ta gorda tem culpa

Culpa aos 20, 30, 40, 50, 60, 70 anos

nos 80 será que ainda tem?

Muito alta

Muito magra

Morena

tem cacho

Negra

Baixa

tem culpa sempre

Namora mais novo tem culpa

Separou tem culpa

Não casou tem culpa

Não tem filhos tem culpa

É gay tem culpa

Tem filho e acha que não sabe educar tem culpa

É ré de si mesma

marcha ré, assim que se sente

É a culpa…

Chega

Desculpa

A tal da culpa que vive em você

 


Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 
Foto: @gilguzzo @ofotografico
 

Irão nos interceptar, estudar e captar nosso silêncio.
Serão estrategicamente contraditórios para nós derrotar.
Mudarão suas táticas para nos confundir, cooptar.
Sem perceber, saberemos ser flexíveis, surpreendentes,
Alterando nossa rota, sempre opostas as rotas deles.

Onde não estão, estaremos.
Onde estiverem, estaremos.
Onde são queridos, seremos amados.
Onde são temidos, seremos força.
Onde são confusos, somos simples e óbvios.
Onde são óbvios, seremos poesia.

Eles serão ardilosos e nós seremos nós:
Seremos jovens e rápidos, espertos e sorridentes.
Seremos o que nos caberá ser a cada momento,
Pragmáticos no agir, firmes no querer.
Sangraremos, cairemos e sofreremos na alma,
Mas não em vão, se o fizermos por nós,
nosso bem, o bem de todos.
Pois faremos.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

A hora é de fazer diferente, fazer junto e fazer melhor:
Se controlam pela crise: nos enxergamos que não há crise.
Se controlam pelo medo, mostraremos coragem inabalável.
Se governam para poucos, somo a grande união dos pequenos.
Se governam com o ódio, mostraremos amor e partilha.
Se governam pelo dinheiro, seremos os valores impagáveis.
Se governam com elites, mostraremos os dons da plebe rude.

Se usam linguagem truncada, confusa, exagerada e má,
falaremos de forma simples como o povo fala e entende.
Se fecham a cara, abrimos o sorriso maroto.
Se são ignorantes, somos um rincão de sapiência.
Onde gritam, sussurramos com afagos.
Se estão em uma bolha, estaremos em todo ar.
Se prezam pelo império, seremos a cidadela fortificada.

Pois se tudo que querem é poder e dinheiro,
Queremos uns aos outros, a felicidade.
Queremos mais e melhor, como nunca na história!

E sabemos, não precisamos deles para tal,
Pois entre nós teremos tudo que precisamos.
Se precisam do arrocho, temos a partilha abundante.
Onde criam inimigos, vemos amigos, vemos os iguais.
Se dão respostas duras, faremos cada vez mais perguntas
E perguntando, saberemos que suas respostas divergem
E divergindo, racharão, cairão, abrirão espaço para quem as responda.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

 

 

 

Ele trata todos bem.

Sempre alegre,

Sempre de bem.

Mesmo solitário,

Segue solidário.

Esse é o Zé.

Que não tem nada de mané.

Pensa, com a nega se casar,

Não para dominar.

Mas família fazer.

Tenta ser justo,

Preza pela verdade.

Junta os amigos

Na humildade.

Com dignidade.

Escreve uns lances,

Pinta umas cores,

Faz um som

E espanta as dores.

Espalha sorriso.

Mesmo com um passado triste.

Com uma mãe doente,

Com um pai velho,

Um irmão distante.

O Zé segue enfrente, doce.

Trata bem as mulheres,

Cumprimenta os camaradas,

Respeita a criançada,

É solicito como velhos.

Grita pelo time, futebol.

Ama sua gente.

Gosta de ser bom,

De graça assim por ser.

Nunca reclama e acredita

Que o amanhã pode melhorar.

Mas tem que se cuidar…

Pois sabe que tem gente

Que não gosta dele,

Que tem medo dele,

Que tem inveja dele,

Que acha ele meio viado.

Se isso ofensa fosse…

Boca mole,

Vida dura.

Água fria,

Um balde de amargura?

E o Zé segue, na sua.

Segue e acredita na bondade,

Convicto, firme assim.

Do ser humano que vê,

Algo de bom pode vir.

O Zé é homem forte. Espero assim.

Mas tantos outros Zés,

Se perdem nas agruras.

Das calunias alheias, no dia-a-dia.

Que vagam pelas ruas.

Escolhem a carranca à alegria.

Mais um Zé amargo, triste,

que larga seus ideais, se um dia teve.

Deixando pela eternidade

um mundo mais cinza. É escolha?

De Zé para Zé contagia, escolha!

Somos apenas o Zé que queremos ser.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Foto abertura: Pierrick VAN-TROOST

Metal corria em suas veias a cada passo que lhe era dado.
Dado a ele por seu deus,
mesmo que não tivesse fé em nenhum.
Correr era o que fazia
enquanto sangue de ferro carbono se condensava em aço frio.
Cada passo era mais difícil,
cada respiração era mais ofegante do que a outra.
Ele odiava o que estava por vir.
A sua frente,
seu alvo,
seu objetivo.
Uma criança,
um menino com mais medo no olhar
do que a pena que ele sentia pelo pequeno garotinho.
Um passo,
uma mira seguida de um tiro.
Errei, o homem metal pensou.
Mas era um pensamento de esperança.
Pois no momento em que o chumbo foi lançado,
em uma explosão pequena com fagulhas de fogo e fumaça,
o destino do garoto foi selado.
Passos cambaleantes,
mais um garoto caído.
Era o fim.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

Torce

mas não o nariz

Torce a roupa

Torce junto

Torce

Que vai dar certo

Torce

mas não distorce

Torce

Dedos cruzados

Figas

Pensamento positivo

e depois  finalmente

Tece

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

 

 

Na ladeira, lá no morro
a lavadeira carrega o balde.
E, na descida ou subida, que não falte
mão de obra a servir.

Que importa se à porta
há tanto serviço assim?

Só não pode construir um futuro de verdade.

O sol que arde,
queimando a pele.
O ferro esquenta
e o suor desce
Mas em pé, ela luta
e, na labuta, não esmorece.

Faz uma prece,
pedindo aos anjos
que a protejam
nesse trabalho sem fim.

E sobe morro…
E desce morro…
Carrega o fardo
que é tão árduo

Para a mulher que não se entrega,
Para ela, não há regra
nem mistério que a desacate.
E o cão que late,
tentando detê-la,
quando desce a ladeira.

Mas lá está ela,
acendendo a vela,
rezando para os santos,
pedindo forças,
acalentando seus filhos,
mantendo-se firme.

Ela…um ser de fibra
que, talvez, viva todos os seus dias,
fazendo o mesmo até o fim.

O importante é que crê
em um novo alvorecer
de outra vida
de outra forma
de outro tempo
de outra magia,
mas de compreensão…
um outro mundo
longe da dor, com certeza,
um mundo de amor!

Solange Cristina Marchioni – Bela Urbana, especialista em língua portuguesa, neurolinguista, revisora, musicista e poetisa. Entende que a vida é desafiadora e surpreendente… que a dor vem de cenas urbanas tristes, como moradores de rua, crianças e animais abandonados. Acredita que a esperança e o amor vêm junto para resgatar tanta dor. A poesia fala por ela e fica muito feliz se, com os poemas, puder tocar os corações endurecidos.

Poesia do livro: Prosas, Sonhos e Rosas

Ipê roxo
amarelo
Ipê amarelo
estrada longa
verde mata
Atlântica
Colorida paisagem
fique assim
verde selvagem
reggae nativo
lirio branco
solta o som
amizade
Povo bom
da peste
da ribeira
contraste
sonhar:
Deixa o menino jogar.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico