Sempre teve um tom de dificuldade

Até porque sempre fomos tão diferentes e com ideias tão distantes

Se uma era o vermelho,  a outra tinha que preferir os azuis

Distâncias de dedos e até dos enfrentamentos, cada um deles

Enfim, fui crescendo e te busquei quase a vida inteira. A vida inteira te busquei

Há pouco te vi cada vez mais longe,

através das grades do portão…

Quase um ano inteiro assim.  Que loucura!

Foi como não te encontrar mais nem nos meus próprios medos

Um dia desses fui te ver com uma máscara toda colorida, era tão visível

E foi o dia em que você menos me viu ou mais me viu tão nua

Foi o dia em que a lágrima escorreu

Escorreu pela falta, pela insensatez do momento

Escorreu pela vida que insiste em passar tão estranha

E algumas vezes tão violenta

Escorreu em tom de saudade, mesmo.

Siomara Carlson – Bela urbana. Arte Educadora e Assistente Social. Pós-graduada em Arteterapia e Políticas Públicas. Ama cachorros, poesia e chocolate. @poesia.de.si





Muitas vezes pessoas protelam afazeres
Não pense você que tratam-se de atividades complicadas e que exigem muito esforço.
Quase sempre não!
Embora simples, não o fazem em função da preguiça.
Uma preguiça que invade, domina e paralisa.

E quando saem da imobilidade?
Quando a água bate na bunda.
Aí se mexem!
Muitas vezes esperam até o último minuto
E complexificam a própria vida.

preguiça, ah a preguiça!
Cativeiro ou redenção!?

Claudia Chebabi Andrade – Bela Urbana, pedagoga, bacharel em direito, especialista e psicopedagogia e gestão de projetos. Do signo de touro, caçula da família. Marca registrada: Sorriso largo e verdadeiro sempre 

Cores, ó cores!
Onde estais?
Revela-nos se és real
Se na noite não a vemos
Oculta na penumbra
Mistério calado ao luar
É noite…

…e num giro vem o dia
Tu te mostras ao raiar
Arco colorindo os céus
Vidas cintilando tons
Cores que vem e vão
Paleta multicor no caos a criar
Partículas luminosas ao ar
Eis o espectro em nosso olhar

Mas, um eclipse nos cega
Uma sombra a nos ofuscar
Pois se não és a luz mesma
…nem os átomos
…nem as coisas
…nem nada

Se transparente tornares
Poderias revelar
O que brilha dentro de tudo
Secretamente a irradiar
Em silêncio
Para além da noite-e-dia
Vibração a nos suscitar
A espera de outra Luz
Um novo arco-íris
Para nos guiar

Espectro invisível
Que os olhos não podem ver
Cores que não podem expressar
Se não descolorir
Ascendendo
E do centro iluminar
Dentro do fogo
Fundindo-se
Incandescendo-se
Tornando-se fagulha
No coração solar

Williams Delabona – Belo urbano, artista plástico, empresário, se divide em suas múltiplas atividades, administrar a escola Criativa www.escolacriativa.com e seu trabalho como artista plástico www.williamsdelabona.com . Gosta de animais, vive perto da natureza e acredita que tudo está interligado, o micro e o macro universo. Sua paixão? Tem várias, mas viajar está entre as primeiras.
Quadro – @williamsdelabonart

Quero que acorde ao meu lado.
Não quero só o despertar físico, manhã de amores,
Mas o acordar para um novo jeito de olhar o mundo.
Quero que acorde comigo a vontade por arco-íris,
E por mar e por pores do sol.
Quero acordar com você o desejo de seguir em frente
E de desfazer as teias que nos prendem a mente,
E de viver sem buscar tantos porquês.
Quero acordar com você essa busca pelo que é novo e pelo que é infinito,
Lado a lado, desadormecer o que faz sentido,
Ensolarar nossos caminhos e nossas intersecções.
Quero você para acordar comigo o raiar de novos dias
E não deixar jamais que o coração durma demais.
Quero que acorde ao meu lado
No amanhecer de um abraço sem fim,
Despertar o que há de mais lindo em você
E o que há de mais intenso em mim…

Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos? @poetesebrasil

Não julguemos aqueles que aparentemente são frágeis.
Talvez, um dia, eles possam fazer você sorrir.

Não julguemos aqueles que estão distantes de você.
Talvez estejam passando por algum momento difícil.

Não julguemos aqueles que não respondem às nossas perguntas.
Talvez estejam esquecidos ou muito ocupados.

Não julguemos aqueles que demonstram amizade porém nunca estão por perto para lhe ajudar nas horas difíceis.
Eles podem estar vivendo novas experiências e, de repente, aparecem para compartilhar vivências.

Seguimos diferentes caminhos e diferentes histórias.
Contudo, basta ser verdadeiro.

Marianne Kachan – Bela Urbana. Formada em artes, apaixonada pela sua filha, sua família, paisagismo, animais, novas culturas, poesias e gastronomia.

Havia um homem conhecido por ser um assassino
E um pistoleiro
Seu esforço em matar seu alvo era feroz
E sua mira, nada menos do que impecável.
Ele atirava sem mirar,
Acertava sem tentar,
Matava sem chorar.
Pistoleiro ele era e jamais iria por isso se perdoar.
Não importava onde estivesse,
Não importava o que houvesse
Seu único ímpeto era matar.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

A criança briga no andar de baixo

Você está no seu sofá

comendo pipoca

no ar condicionado

vendo a nova série

A mata pega fogo

mas você já fechou a janela

Na sua sala o cheiro do queimado não chega

Você come pipoca

Você vê o filme

A briga de trânsito na rua perto não te interfere

Não sente que o problema é seu

Da uma espiada rápida pelo insta

a piada racista, gordofóbica, machista…

Tanto faz, não é com você.

Na sua sala tá tudo bem

Melhor rir e compartilhar

Que dia é hoje?

Dia de ninguém estragar o seu dia

Dia de pipoca

Na sala

Tanto faz a bomba que cai

Tanto faz a floresta que queima

Tanto faz a criança que chora

Tanto faz a loucura alheia

Tanto faz a falta de grana do vizinho

Meritocracia afinal!

No final

tanto… mas tanto faz

O que importa mesmo é a pipoca no sofá.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Foto Adriana: @gilguzzo_photography

Emergente classe média!
Que por falta de empatia
Afirma ser especialista
Do que vive nem um dia
Adora reunir-se em bando
Praticando misantropia.

Focada em manter status
Não quer ser merecedora
Do sofrimento miserável
Daquela ralé trabalhadora
Quem pede pão, leva selfie
Ou tiro da metralhadora.

Quando descobrirás
Que o fino é ser gentil?
Nada mais média Z que
Um público classe A.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Amar é tão doce que deveria ser o açúcar,

o quase pedaço de dedo entre as sobremesas. Um olhar

que não se deita sem demorar no arranhar as costas.

Vira promessa quando não promete nada. E te acompanha.

O nu no ranger dos seios ao menor sinal de boca.

Eu que te amei tão vagabunda, tão sutil e tão louca

que bebia o mel das próprias roupas, das que são expostas.

Amar é como não precisar do ar e nele se recompor afogado.

Ligeira faca de palavras. Um céu limpo e o teu olhar.

Que olhar…que tanto gesto e vontade do meu sexo, você dizia

aos todos cantos de qualquer sala, até escura.

E te amei amando, te amei morrendo dentro e tanto e tanto

que pude comer os peitos, de roupas, de camas, de rua.

Amar…que droga é essa? No instante em que me jurou ficar

eu soube que te perderia.

Siomara Carlson – Bela urbana. Arte Educadora e Assistente Social. Pós-graduada em Arteterapia e Políticas Públicas. Ama cachorros, poesia e chocolate. @poesia.de.si