Muitas guerras começam por erros de comunicação. Fala-se uma coisa, mas o interlocutor entende outra e a guerra começa, mas em muitos casos por não saber o real significado das palavras.

A palavra feminismo causa isso, já senti muita vergonha alheia por várias pessoas aparentemente informadas e com boa cultura se posicionarem falando as maiores besteiras em relação ao significado.

Também já fui aconselhada a não me posicionar como feminista porque isso poderia atrapalhar meus projetos com boicote de clientes e anunciantes. Seria engraçado se fosse uma piada, mas isso é real, é o reflexo da falta de saber o sentido da palavra e por isso de uma mediocridade gigante. Toda vez que acontece isso, eu respiro fundo e explico, a maioria entende, se liberta do preconceito e muitos dizem “sou feminista”.

Então, vou fazer o mesmo aqui e explicar. Deixo claro que sou feminista sim e espero que você leitor(a) também seja, ou pelo menos passe a ser após entender a definição correta caso ainda não saiba. Homens podem ser feministas? Sim, porque ser feminista é algo independente do seu gênero, é uma causa que você abraça.

Feminismo é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos  e condições entre mulheres e homens, e luta contra a violência de gênero. Surgiu após a Revolução Francesa  que tinha como lema a “Igualdade, Liberdade e Fraternidade”, se fortaleceu na Inglaterra, durante o século XIX, e depois nos Estados Unidos, no começo do século XX.

Já a definição de machismo no dicionário é: opinião ou atitudes que discriminam ou recusam a ideia de igualdade dos direitos entre homens e mulheres. Característica, comportamento ou particularidade de macho; macheza. Demonstração exagerada de valentia. Excesso de orgulho do masculino; expressão intensa de virilidade; macheza.

A realidade é que uma pessoa machista (uma mulher também pode ser machista), é uma opressora que acredita que a mulher não deve ter os mesmos direitos de um homem ou ainda enxerga a mulher de forma inferior em diversos aspectos, ou seja, é um preconceito. O homem domina e a mulher é dominada.

Existe também o femismo, que poucos conhecem e por isso a confusão com a palavra feminismo. O femismo nada mais é do que o contrário do machismo. O femismo prega a superioridade da mulher sobre os homem. Pessoas femistas tem geralmente atitudes agressivas em relação aos homens, com constantes comentários que os desavorizam ou humilham. É preconceito também.

Bom, meu caro leitor, eu luto contra o machismo no meu dia a dia, não sou femista, sou feminista e acredito no lema da Revolução Francesa, Igualdade, Liberdade e Fraternidade como o único caminho que podemos trilhar para uma verdadeira revolução e evolução em nossas sociedades.

Faz sentido para você? Se sim, me de sua mão e vem comigo nessa jornada.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, fundadora do Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

E cabeças pensantes demais e afiliados à hipocrisia, fazem com estupidez as cabeças rolarem, entre o curso da reta, do rumo, da seta e da poesia.

E quando cabeças se envergam diante de letras melodiosas, e as fazem sucumbir nas malhas odiosas, saiam da frente que a pipoca estoura e cada um imerge eletricamente tirando seu abadá durante o frenesi da intolerante discórdia.

E nem é preciso pular em delirante carnaval, que as avenidas diplomáti…camente perfeitas e corretas abolem o abalo da sintonia fatídica e começam a construir, os reencontros vorazes de poetas que nos fazem relembrar, questionar e tratar em súmulas com um “VAR” desenfreado nas pautas bem ritmadas e assimétricas, de acordo em acordes do pleito cênico inquisitivo.

E seguindo a narrativa carnavalesca, vejo-me inquirida sobre a proposta que me implele a responder.

Não, eu nunca fiquei pensando e raciocinando sobre o que cantava durante a alegria do carnaval. E não me machucavam os encontros silábicos da poesia, que hoje se descabelam ao rimar para não cair na rompante demagogia. Ontem, naqueles momentos os olhos febris em sonetos descomplicados, regiam a banda na mesma praça com as negas malucas trazendo no colo o filho bastardo.

E mulatas cadenciavam nos quadris, o rebolado de bundas com carnes reais e Sargentelli é que o diga.

E assim, passei em fases diversas, até chegar no século XX e ter que mudar a trajetória de um gato de dona Chi ca ca, e de um briga de casal debaixo de uma sacada os famigerados cravo e a rosa, e claro que muitas outras poesias, de muitos outros poetas que nos cercam e nos embalaram em palcos, telas, e por aí vamos.

Seguindo essa viagem quando alguns mestres seguem provocando as mentes, e se construindo nas pendências e alegorias pessoais.

Vivemos em estado de trio elétrico…

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Quando recebi o convite da Adriana para escrever para a campanha de Novembro Azul do Belas Urbanas, primeira coisa que me veio foi o dilema que afeta muitos homens: A fragilidade de nossa masculinidade diante de qualquer ameaça simbólica que nos coloque em risco de nos aproximar do que é feminino.

A mulher se cuida. E vive estatisticamente mais porque se cuida. Ela cuida de si e de todos em busca de pistas sobre tudo que nos tira a qualidade e a plenitude da vida, ao ponto de esmagar seu seio numa mamografia em busca de vestígios de câncer de mama, ou se expor e ser invadida friamente num exame de Papanicolau ou num Ultrassom Intramarginal. Ela reclama? Não. Muitas dizem que é incômodo, mas não se esquivam, não se acovardam. Elas vivem!

Nós, másculos, fugimos de um dedo. Fugirmos em direção a nossa morte, preconizada por um sofrimento abissal, que não é só nosso, mas de filhos, pais, amigos, mulher e todos os que nos rodeiam. Preferimos fingir arminha com dedos em uma brincadeiras da infância, mas fugimos dos dedos que nos são ferramentas de vida na fase adulta.

Morremos por covardia de enfrentar uma situação que nos parece uma guerra do ego, da vergonha. E encampamos essa guerra sabendo que podemos perder de forma vergonhosa. Se mulheres fossem generais, talvez nosso plantel seria bem mais honroso, mais viril (câncer de próstata, se não mata, brocha). Elas sim sabem o que é a batalha de ser quem são, sangrando mensalmente uma batalha que gera, nutre e mantém a vida.  

O novembro é azul, não roxo de vergonha. E que fosse das cores do arco-íris, pouco importa. Cuide da sua vida e ria de si mesmo, sabendo que forte é aquele que luta contra si mesmo, seus medos, suas vergonhas, suas fragilidades. Forte é aquele que se mantém vivo. Forte é aquele que apoia outro homem a ter 20 segundos com um dedo apontado para as suas costas (ou regiões mais baixas) e sobrevive. 20 segundos ou menos.

Campeão, sendo direto contigo: antes um dedo apontado para seu cu que uma tampa de caixão para tua cara. Sei que não é fácil, também estou evoluindo nessa saga. Mas como homem, peço a você: Seja mais homem, mas homem de verdade, cuide-se. A distância entre a vida e a morte é de apenas um dedo de coragem. 

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.


Tantas vidas são perdidas pelo preconceito masculino em relação ao exame de toque da próstata !

Isso acontece pois quando começam a ter sintomas que algo vai mal, e decidem ou são obrigados a ir ao médico; o tumor está muito grave e não tem como tratar.

A vida é o nosso bem mais precioso e devemos cuidar dela sob todos os aspectos! A correria do dia dia não pode ser usada como desculpa: depois eu vou!

Alguns se permitem somente o exame de sangue:
[O PSA, conhecido por Antígeno Prostático Específico, é uma enzima produzida pelas células da próstata cujo aumento da concentração pode indicar alterações na próstata, como prostatite, hipertrofia benigna da próstata ou câncer de próstata, por exemplo].
O limite para o PSA é de 5,0 ng/ml.
E o meu resultado desse ano foi 0,6 – muito, mas muito mais que excelente.
E com relação a próstata está tudo bem.

Quem tem caso de qualquer tipo de câncer na FAMÍLIA deve redobrar o cuidado.

Para estimular o exame de próstata são criados comerciais divertidos e não contentes os sarristas (zoadores) fazem paródias de músicas.

E aproveitando o gancho seguem duas piadas, mas sem esquecer que câncer de próstata pode matar!

Um amigo me contou que queria fazer o exame diariamente e o médico após muita negociação conseguiu alterar para uma vez por mês.
Sua reação foi dizer: -Ai que raiva!

E esta é clássica;
Durante o exame o urologista perguntou a outro amigo meu:
-Fulano de tal está sentindo alguma coisa?
-Sim. Sinto que te amo Doctor!

Eduardo Gozales Domingo – Belo Urbano. Formado em Educação Física. Atuou com voleibol em todas faixas etárias, recreativamente e competitivamente. Há 14 anos atua como Corretor de Imóveis em construção, ama o que faz, pois ente que é facilitador para as pessoas realizarem o sonho da casa própria. É fiel as amizades, de bom coração e fanático por esportes e música.

Nunca fiz exame da próstata o do TOQUE ATRAVÉS DO RETO, confesso por machismo mesmo; bienalmente faço uma investigação ampla do meu aparelho urinário, porém esses dias estava sentindo que minha bexiga sempre estava cheia, resolvi juntar a fome com a vontade de comer e já fazer logo tudo, mas lembrei: E O BENDITO EXAME DO TOQUE? Resolvi tomar coragem e passei uma semana me preparando psicologicamente após marcar a consulta, no dia do exame, de manhã, dei uma geral a mais no “ÁS DE COPAS” durante o banho e até forcei pra chamar o Ari Barroso pra não fazer feio diante do médico.

Chegando na clínica havia a opção de esperar lá fora, aproveitei e fui ver os passarinhos pra ver se me encorajava ou ainda me distraía ante ao que estava por vir. Com meia hora me chamaram, o doutor era alto devia ter mais de 1,90m MÃOS GRANDES e tinha olhinhos azuis que se destacavam por causa da máscara, aproveitei tirei o foco da mão dele e coloquei nos olhinhos azuis até pra ver se rolava “UM CLIMA” para que eu ficasse mais a vontade. Expliquei sobre as dores e ainda falei que aproveitaria pra fazer a AMPLA INVESTIGAÇÃO do trato urinário, ele fez perguntas sobre alimentação, idade, hábitos físicos, hereditariedade, acho que ele estava também procurando um clima mais amigável para poder fazer a invasão de domicílio, após uns cinco minutos de conversa, eu já resignado tomei coragem e larguei a frase constrangedora:

– Doutor eu nunca fiz o exame do toque e hoje QUERO FAZER! Ele olhou pra mim, deu uma pausa…. e disse:

– Eu já prescrevi exame de sangue, urina, ultrassonografia dos RINS, BEXIGA, PRÓSTATA e o mais importante o PSA , então você não precisa fazer o exame do TOQUE sem falar que é recomendado após os 50 anos.

Eu pensei : F.D.P! que ingrato! e eu passei uma semana de tormento, lavei a Firofa caprichadamente, deslizei o moreno pra ficar tudo em ORDEM e o ele me emplaca com uma dessas?

Perguntei: – Tem certeza?

Ele: – SIM, estão aqui as requisições traga-me os resultados e a gente se fala, passar bem. Saí do consultório entristecido… tanta concentração, contemplação de passarinhos, desvio de foco, e dias de angústia em vão….

P.S : Há três anos atrás fui a um médico fazer a mesma investigação urológica mas NEM PENSAR em dedo na CUÍCA, falei com o médico expliquei tudo e antes de terminar minha explanação ele já foi logo falando que iria fazer o exame do toque, eu me recusei, ele insistiu mas eu me fiz de desentendido e NÃO FIZ o exame, e ainda pensei que cara mais INTRO-METIDO!

Agora estou pensando, teria eu perdido o CLIMA IDEAL?

Hugo Vidal – Belo Urbano, é jornalista, ator e diretor há 29 anos, gosta muito de descobrir novas paisagens rodando com sua moto, aliás uma de suas paixões é o motociclimo. 

Quando a gente é criança não entende muito o que se passa na cabeça dos adultos mas fazemos um esforço danado para sermos iguais.

Quando pequena, infelizmente, tive um grande exemplo de adulto muito influente que me dizia ser muito mais legal e bonito ter o cabelo liso, olhos claros e pele alva.

Eu o idolatrava e logo passei a acreditar ser o ideal de beleza.

Quantas noites passei em claro com medo de estragar a chapinha e torcendo pra não chover no dia seguinte. Suor? Nem pensar!

Achava que tinha nascido na cor errada.

Descobri que era ‘morena’ no colégio.

Sabe a história da menina preta que vive à sombra da amiga branca?

Então…

Mesmo que ninguém assumisse era palpável o preconceito. Certa vez na escola sortearam duas vezes quem seria a noiva da festa junina, uma vez meu nome foi o primeiro à sair mas ninguém concordou porque eu não atendia os padrões. Em tempo, pois até o meu par me abandonou no dia da festa por estar com vergonha.

Antigamente nem todos assumiam sua beleza natural, hoje existe o movimento que nos fortaleceu.

Lá atrás houve muita noite de choro e frustração antes de toda essa voz preta ecoar.

Estávamos entalados, entendem?
(… pausa e um café).

Na adolescência a única mais escurinha numa certa escola.

Era proibido dizer negra. Negra não, morena. Moreninha.

E o que dizer de um ser de luz (falha) que teve a ousadia de dizer que eu deveria ter vergonha de dizer e assumir a identidade negra uma vez que eu era “queimada de sol”?

Hahaha a ignorância ainda me assusta.

Precisa dizer a preferência dos empregadores?

– Adoramos seu currículo realmente, bastante, mas ainda não se encaixa no nosso perfil.

Ao voltar na loja coincidentemente era sempre a clarinha de cabelo liso e coque-vovó quem estava ocupando a vaga.

Uma vez ouvi e nunca mais esqueci “quando se nasce preto é preciso ser duas vezes melhor” e sem problemas eu consigo mil vezes mais.

Estamos rodeados de racistas, desde a mídia até o seu vizinho.

No dia que eu realmente descobri que era negra bati de frente com uma colega de trabalho que me confrontou ao dizer “você nem escura é, você é morena. Não negra, negro é só quem já parece um carvão”.

Talvez aquele dia foi um dos raros em que senti tanto ódio à ponto de ficar mal o resto do dia.

Eu já tinha aprendido me amar muito, aceitar cada cabelinho crespo na minha cabeça, mas à partir daquele dia algo mudou.

Vocês sabem, nós mulheres pretas sempre ouvimos mais cedo ou mais tarde a famosa frase “neguinha metida essa daí” e talvez sejamos mesmo porque depois daquela patifaria toda eu me fortaleci.

Carreguei meu black power de argumento, ajeitei com o garfo e estou sendo feliz até hoje.

Feliz e preta.

Brincadeiras à parte, é péssimo saber que infelizmente uma geração todinha está crescendo e vai passar por isso. É lastimável criar um filho dando todas as orientações de como se proteger de alguém que deveria estar protegendo ele em caso de um enquadro.

O povo preto não está mais para brincadeiras e nem tolerando conversas banais.

Avante uma nação inteira e mista!

Acredito em um mundo inteiro de paz e harmonia entre raças, sem hierarquias entre etnias, mas para isso precisamos acordar, nos unir, apoiar o que de fato é certo, beber muita água, cuidar das plantas e fogo nos racistas!

Ainda vamos fazer ecoar no universo o nosso grito de resistência!

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

Este texto é sobre a vergonha em relação a um sentimento. Aconteceu comigo. Não estive na pele de outra pessoa, mas quando tudo acabou, senti vergonha de estar na minha pele. Queria muito ser um indivíduo melhor e, como faz muitos anos desde que ocorreu esse fato, penso que me tornei diferente do que eu era. Na verdade, quero acreditar que me tornei uma pessoa melhor.
Já repeti essa minha história para alguns amigos e para algumas turmas de alunos e eu a repito como uma forma de redenção: para me lembrar, quase todos os dias, de quem não quero ser. Para repensar o que me levou a ter medo. Para esmiuçar onde o racismo habitou em mim. Só procurando essa raiz, lá no fundo da minha formação enquanto indivíduo, é que pude extirpá-la com sucesso de dentro de mim.
Estudei em escolas públicas e sempre tive amigos pretos.
Dou aulas em escolas públicas e particulares e sempre tive alunos pretos.
Sempre me pensei como alguém que vê gente e não cor de pele.
Sempre me vi como alguém que, acima de tudo, respeita o outro.
Mas se hoje me sei assim, houve um dia um caminho para que eu me tornasse assim.
E ele começou naquela tarde, naquela agência de banco, em um domingo perdido na distância – mas não em meu coração. Foi lá que conheci a racista que habitou em mim. E foi lá que também comecei a deixá-la para trás. Pela força da vergonha que senti.
Eu estava sozinha na agência, era um domingo de sol, daqueles bem preguiçosos. Eu ia viajar no dia seguinte e, por isso, fui sacar algum dinheiro. Eu ocupava um dos caixas eletrônicos e os outros caixas, logicamente, estavam vazios. Eram, ao todo, seis.
Escuto, de repente, conversas atrás de mim quando a porta de entrada do banco se abre e quatro homens entram. Quatro homens que se conheciam. Quatro homens pretos. E a despeito de todos os outros caixas vazios, eles se posicionam atrás de mim. E lá permanecem.
Meu coração disparou. Desconfiança no grau máximo. Ninguém na rua. Domingo de sol e eu “presa” em um banco com quatro homens pretos parados atrás de mim sem existir nenhum motivo aparente para isso.
Pensei – “vou ser assaltada”. Enquanto isso, o caixa cuspia meu dinheiro.
Respirei fundo – “vamos ao que quer que seja, preciso sair daqui.”
Ao me virar, eu me deparo com um sorriso cheio de dentes. Quatro sorrisos cheios de dentes, na verdade. O homem mais velho, alto e forte, fala com uma voz suave em que só senti humildade. Ele me diz: “moça, você pode ajudar a gente?”
Pensa num coração apertado de vergonha.
“Claro” – foi a minha resposta. “No que eu posso ajudar?”
Ele então se aproxima e me explica que, apesar dos outros rapazes serem mais novos, eram todos “sem noção”, “tontos mesmo” e que se ele não depositasse o dinheiro para a patroa – quase o salário dele todo – era capaz dela vir da Bahia e dar cabo dele.
Mais um sorriso para me explicar que não podia deixar os meninos dele desamparados enquanto trabalhava tão longe de casa. E se eu podia fazer o depósito para todos eles, que também tinham patroas bravas e meninos esperando pelo dinheiro em um Estado distante.
Pensa numa pessoa que fez quatro depósitos com um coração mortificado de vergonha.
No final, um “muito obrigado, moça, e que Deus a abençoe”!
Sai da agência pensando: e se eles fossem quatro caras brancos, eu sentiria medo? Eu realmente não sei o que sentiria, afinal, homens e mulheres travam uma luta antiga e amarga de violência, mas sei exatamente o que fiz: um pré-julgamento de quatro caras pretos que entraram em uma agência, numa tarde de sol, num domingo qualquer.
E não há, desde o ocorrido, um dia em que não tenha vergonha do que senti.
E não há um dia em que eu não combata, a fundo, essa racista que eu fui, uma pessoa que, em algum momento, por mínimo que fosse, julgou alguém pela cor da sua pele.

Natalia kuhl – Bela Urbana. professora, leitora entusiasta de diversos tipos de escrita, amante de músicas – nem sempre clássicas. Falante e com memória seletiva. Raivosa diante da injustiça e amiga de coração aberto. Escrevo muito para mim mesma e canto no chuveiro.

Como responder quando ouvimos esse parecer de uma pessoa? E quando essa pessoa tem entre 02 anos, 02 anos e meio de idade de vida?

E que vivência vital nessa idade ela tem, para entender que a Palavra significa o nosso Pensamento Interno?

Bem vamos lá, fato verídico em que participei no caminhar de Educadora Preta que sou, por uma questão da Melanina, que a Genética impostou!

Simples assim.

Estávamos na hora do lanchinho, saímos da sala fomos hiegenizar, e depois direto para a cozinha e eis que a Tia Dagil a da Limpeza, uma bela preta se encontrava terminando de varrer o ambiente acolhedor. Nos sentamos no corredor para esperar seu término, creio que nós todos estávamos com muita fome…

E naqueles segundos esperados, um dos aluninhos com “muita” fome… se expressou impacientemente e num tom bem alto questionou a demora com essa frase limpa e transparente:

– Anda logo “NEGUINHA ENCARDIDA!”

A Tia Dagil a da Limpeza uma bela preta olhou para mim, a Tia Jô da Sala preta também e se estatelou esperando o meu proceder.

E eu com rapidez intervi perguntando ao menino branco rico e mal-educado, sem antes me abaixar para ficar a altura e olhando nos olhos dele:

– Ahammmm porque ela é NEGUINHA ENCARDIDA?

E ele respondeu com a afirmação imitada de algum adulto familiar:

Essa Tia é preta e pobre… Meu pai que falou!

Eu não me contive naquele momento, pois a Tia Dagil derramou suas lágrimas e insistentemente me olhava pedindo “SOS” Tia Jô!

Pensei em segundos, e o quê será que EU SOU para essa tão nobre família?

Quantas vontades eu Tia Jô tive, e vocês nem imaginam, foram tantas vontades… que vocês nem imaginam o quanto fiquei uma PRETA BRAVA!

Não com o meu aluninho tão jovenzinho, nem pensar sobre…

Ele simplesmente deu seu recadinho… Aliás a criança entende ao pé da letra.

Simples assim.

Em segundos para sentir o EGO das PRETAS Serviçais, ou seja, Eu a Tia Jô e a Tia Dagil, temos um… RECADINHO para SEU PAPAI:

Olha, diz para seu papai, que a Tia Jô e a Tia Dagil conhecem também… “BRANQUINHA ENCARDIDA”

Até hoje não sei se ele deu o recado…

Era anos 80!

E observando a #telapreta peguei-me chorando ao re… lembrar que após tantos anos estamos na mesma, engatinhando para a Transformação do preconceito racial!

Mas, se ele deu ou não deu, temos visto até hoje os resultados de Educação Familiar. Nós PRETOS seguimos e a MELANINA não vai estancar, para alegria de muitos preconceituosos.

PS: Importante que saibam por mim… O papai branco e rico, NÃO veio falar comigo!

E o aluninho continuou vindo para o colo e braços pretos e aconchego, da Tia Jô e da Tia Dagil (nome fictício) e continuou se servindo da Limpeza feita pela “NEGUINHA…

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.


E ela Maria Getúlia, cochilou certa de que a Igualdade Social a faria vencer a máquina digital! E, sem vergonha de ser feliz colocou seu dedo no prumo, em riste, na ponta do terrível iceberg documentado em Cabos eleitorais, Senhas territoriais e  personalizados nas Zonas em Seções comportamentais.

Assim se via diante do Sistema saudado para a eclosão final da famigerada e da fama gerada pelo VOTO Feminino, seu nome santo Maria composto pelo nome Getúlia lhe dizia!

Sobre a capacidade de vigília que depende da mente em equilíbrio nesta situação de conflito entre o eu devo, quero, posso e sou Livre para manifestar!

E o agora acontece e ela sabe que existe um evento aos berros em prontidão por meio de uma mídia vultosa, que a tem chamuscado com um alvoroço de questões sobre seu sim e seu não. Sábio Fevereiro/1932 em que o Presidente da República Getúlio Vargas assina um mandato sobre o Direito de VOTO das Mulheres, e a Constituição se engrandeceu, porém, olhos machistas não o reconhece até hoje!

Ops! Ela, a intensa Maria Getúlia pensou neste ZONEAR comprometimento com o Estado afim de que seu VOTO a nada se subordinasse ou caísse em tentação, e como dizia sua falecida mãe:

Minha filha, a palavra ZONA tem muitas explicações supra temáticas e tem uma delas que nos reverencia e nos coloca em igualdade neste tambor de diferenças conceituadas, pela nefasta hipocrisia… O DIREITO DE VOTO!

Ahhhh! Mamãe!

Porém até hoje neste virtualizado Século XXI, a visão deste colóquio entre a URNA X Mulher é colocado como uma situação pândega ou até mesmo esdrúxula, com o perfil assentado e preconceituoso de que a mulher não pensa sobre Política, e para muitos pensamentos nós mulheres nem precisamos pensar em POLÍTICA!

Mesmo tendo em suas mãos o estereotipado “santinho”.

E Maria Getúlia, sabe com Consciência de que vive em um País Democrático e que o Voto é Secreto, e que nesta ZONA ela deve e pode frequentar como Direito de querer estar diante da Urna colocando sua personalidade ZONEADA, em total Liberdade de ação, afinal!

Acordem Getúlias em Marias para pleitearmos novos rumos!

Eles pensam que estamos cochilando.

Bom dia!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Um amigo postou no Facebook que um policial tinha enquadrado ele por estar com um “back” e ainda disse a ele que dinheiro pra trocar as lentes dos óculos não tinha, mas pra maconha tinha (como se o dinheiro desse meu amigo fosse do tal “poliça” e não dele).

Infelizmente são esses tipos de pouco cérebro que votam no retrógrado, careta, ignorante, infeliz, homofóbico, atrasado e burro do BOZOnaro e querem a ditadura e os militares de volta!

Os mesmos dizem que maconha é o início do vício nas drogas, o que é uma grande ignorância, uma grande falta de percepção e discernimento!

Qualquer vício vem da ignorância, da falta de educação, da falta de cultura.

No interior por exemplo, naquelas cidades pequenas onde nada tem pra fazer nos finais de semana, os adolescentes se viciam em bebidas, quase todos! É impressionante!

O álcool é bem pior que a maconha por exemplo, enfim, sou a favor da liberação da maconha. Sou a favor da educação num país onde gente de faculdade confunde “esta” com “está”, “fica” com “ficar” (onde nunca usam o “S” no final), etc…

E esse meu Brasil, cada dia mais andando para trás!

Obs.: Eu não uso maconha mas usaria se gostasse, não vejo problema algum. Bebo Jack Daniel’s desde jovem e nunca fiquei bêbado.

Ensinamento do meu falecido pai. “Bebidas são feitas pra se apreciar, nunca pra embebedar” dizia ele.

É isso!

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

“Maria Joana” – acrílico sobre tela, 1,00m x 0,80m – 2018 – by Mauro Soares