Vamos ser realistas: Fazer com que a corrupção desapareça do Brasil (e da Terra) em uma única eleição é uma ilusão. Quem pensa assim talvez seja infantil demais para entender a complexidade do problema, e saber que há um trabalho intenso de expurgo, eleição a eleição dos velhos caciques e seus herdeiros, que, parceiros de uma mídia conivente, perpetuam as barbáries morais que vivemos.

Vamos ser realistas: Boa parte dos candidatos (principalmente no legislativo) é oportunista. Boa parte mas não todos, por isso há uma solução. Perceba: daqueles ditos “representantes dos revoltados da sociedade apartidária”, maioria saiu candidato em partidos corruptos, como se fosse um teatro armado. Porém, há caminhos de se livrar dessa corja de sacanas: pesquisar, ler, buscar informações verdadeiras para seu voto. Depois da eleição, cobrar e ficar em cima. Sempre foi esse caminho, mas buscamos atalho porque? Pura preguiça e certa visão mágica de que não somos capazes de dominar o processo e mudança. Discurso não faz governo. Discurso fácil menos ainda. É preciso que tomemos atitudes constantes de vigilância.

Vamos ser realistas: Violência não é, senão, falta de investimento em escola e oportunidades econômicas para o povo. Esse papo de que “armar população resolve” é coisa de quem apoia uma indústria bélica americana, que vê riscos de o congresso de lá limitar o acesso da população as armas frente a casos bizarros de “gente de bem” desequilibrada causar mortes gratuitas. Essa industria bélica pode perder mercado interno a uma canetada. Aconteceu o mesmo com a Monsanto, quando a Europa proibiu substâncias tóxicas de seus produtos. Eles vieram a nós e convenceram a bancada ruralista a liberar os mesmos produtos por aqui. Um povo despreparado armado só vai fazer com que bandidos, que detém a vantagem do efeito surpresa, atirar primeiro e roubar depois. Além de fornecer armas mais que de graça a bandidagem, que entrará nas casas dos cidadãos para roubá-las, ao invés de pagar propina a uma cadeia de policiais corruptos nas fronteiras. Sem contar os valentões de plantão…

Vamos ser realistas: A economia não está tão ruim assim e a solução grita aos olhos. Todos nós temos o que resolver se tivéssemos mais dinheiro em mãos. Seja a compra ou a reforma da casa, concerto de algum bem, aquisições de bens e serviços que são postergados, cuidados pessoais e com a saúde etc. Todo mundo tem uma pendência que depende de grana. E isso é um enorme mercado contido, aguardando por uma economia revisada, que faça o dinheiro circular para a mão de quem deveria: o povo.

Época de crise é assim, os donos da grana realizam lucros de seus investimentos e concentram a renda, fornecendo o discurso do medo para cooptar o povo. Mas isso também é, de certa forma burro. Uma economia ativa geraria lucratividade constante e sustentável a qualquer companhia. Lucro gera arrecadação, arrecadação gera mais investimentos e assim por diante, o ciclo torna-se virtuoso. O nome disso é desenvolvimentismo e consiste em uma política econômica que foque não na proteção dos investimentos especulativos (o tal do mercado), mas na produção e circulação dos bens que faltam para atender nossa demanda contida. Fabrica-se, vende-se, gera-se empregos e arrecadação, ponto. Todos sabem disso no fundo. Temos um medo falso que nos faz acreditar em contos de fadas dos megainvestidores, que são minoria.

O tal “mercado” não vota senão por proteger seus lucros. Veja, mercados de armas, de seguros, de escolas, de planos de saúde, tudo o que o estado deveria fornecer por direito constitucional é cooptado por velhos coronéis que associam-se a políticos, a fim de sucatear tais serviços públicos, gerando mais mercado aos coronéis. Esse mecanismo exclui os mais necessitados de uma vida melhor, mais produtiva e mais digna, gerando o caos social que vivemos. Por isso o “mercado’ tem seus candidatos, que fingem ser do povo. Esses barões, quando a “água bater na bunda”, pegarão seus jatinhos rumo ao exterior, olhando a desgraça pela janela. Não são compatriotas, entende?

O povo é quem deveria vota por si. Mas acaba votando por medo em candidatos que não representam a si, acreditando que um mercado em crise, o prejudicará. Um papo furado, que circula em propaganda e noticiário incansavelmente, convencendo os incautos. Quando o povo perde o medo, olha para a realidade e decide com base nela, entende sempre o que é melhor para si e para a nação. É dever de cada um de nós recobrar a consciência e, com coragem, pensar de forma independente.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

E por falar em eleições, NÃO PENSE NA COR BRANCA!

Qual foi a primeira cor que lhe veio à mente, assim que terminou de ler a frase acima?

Pois é, nossa mente processa informações sensoriais com uma lógica diferente do nosso raciocínio. Nós generalizamos, distorcemos e eliminamos fragmentos das nossas experiências, de maneira a tornar nossa interação com o mundo mais dinâmica, eficiente e simples. Na maioria das vezes, essas aparentes falhas na percepção nos são úteis, pois nos permitem dirigir carros diferentes, sem precisarmos aprender tudo de novo, nos ajudam a encontrar soluções, inventando alternativas, e nos ajudam a lidar com o excesso de informações,
focando no que é essencial. Mas há situações peculiares, nas quais essas falhas podem ser fatais.

Suponha que você diga a uma criança: “—Não mexa no telefone!” O que ela registrará na mente é: “MEXA” e “TELEFONE” (as palavras “não” e “no” são eliminadas por não caracterizarem uma ação, nem um sujeito ou objeto, e perdem relevância na mente). Às vezes, ela nem havia notado o telefone próximo, mas a sua ordem dispara a sua atenção exatamente para aquilo que você NÃO quer que ela faça, tal qual quando você leu o título deste texto! O problema é que, a partir da percepção, a criança passa a se focar exatamente no
“telefone” e, se houver qualquer coisa interessante nele, ela irá mexer. E não adianta você chamar o telefone de “caixinha”, porque a criança associará a “caixinha” ao “telefone” do mesmo jeito.

A solução?

Simples! Estimule o foco naquilo que você realmente deseja que aconteça, uma ação alternativa. Por exemplo, se a criança gosta muito de brincar com jogos, basta dizer: “—Vá brincar com seus jogos!” Pronto! As palavras assimiladas pela criança serão “BRINCAR” e “JOGOS” —ela talvez nem note que o telefone está por perto. Mas o que isso tem a ver com as eleições?

Observe o movimento contra o candidato líder nas pesquisas de intenção de voto. A atenção dos eleitores naturalmente se voltará para “ELE”, enquanto que o “não” perde sua relevância cognitiva —o candidato pode ser o “telefone” que não havia sido notado pela “criança”, o eleitor, a qual pode agora achar o “telefone” interessante. Além disso, tentar influenciar pessoas pela crítica ácida só faz aumentar sua resistência e ainda pode levar os indecisos a questionar a credibilidade e a superficialidade dos argumentos dos manifestantes, pois os indícios de má conduta e caráter são facilmente verificáveis nos principais adversários também (ainda que em menor evidência). Lembre-se que somos uma sociedade patriarcal e sensível, tendendo a ser solidária a aparentes vítimas (mesmo que sejam vítimas só na aparência).

O fato é que as pessoas não se movem para “entrar em situações certas”, mas sim para “sair de situações desconfortáveis”. Compramos uma casa para sair do desconforto do aluguel, compramos um carro novo, porque o velho já não nos conforta, votamos em um novo candidato para sair do desconforto da situação atual ou votamos no velho para evitar um possível desconforto futuro. Ao agredir alguém, você gera desconforto para essa pessoa e para quem com ela se identifique e o maior desejo dela será sair dessa situação. Fazer o que você “não QUER QUE ELA FAÇA” pode ser a melhor forma dela se livrar do desconforto que você lhe causou.

Você quer mais inimigos ou mais pessoas trabalhando para um bem comum?

Cássio C. Nogueira – Belo Urbano, psicanalista, coaching, marqueteiro, curioso, maluco com CRM, apaixonado pela vida e na potência máxima, sempre!

Como você vota? Eu digo: vota por impulso e influência alheia. Explico.

É notório que a maioria das pessoas vota não por estudar as opções que se apresentam a fundo, mas decidem por influência do que chamamos de opinião pública. A opinião pública é como óculos escuros: uma ideia geral que norteia nossa visão, pautando o que gostamos e o que não gostamos. 

Opinião pública é de fato um pré-conceito estabelecido através das informações que recebemos no dia a dia, seja da propaganda, entretenimento, noticiário e influenciadores, guiando nossa percepção de mundo. O poder da opinião pública, como massificação das preferências faz mover montanhas literalmente.

Mas quem a constrói? Os meios de comunicação. E há de se perceber muito fácil a partir de como algumas ideias parecem mais aceitáveis que outras, por mais que pareçam, a uma mínima reflexão, sem nexo. Exemplo: o Brasil é o país do samba. Todos temos essa impressão, mas sabemos que o Brasil tem diversos ritmos particularmente nossos e até mais ricos sonoramente que o samba. Porque ele nos representa? Alguém convencionou, outros repetiram e hoje, nos parece comum. Isso é opinião pública, simplificadamente.

Portanto, comunicadores de diversos meios e contextos tentam influenciar a opinião pública nesses tempos de eleição. Opinativos de jornal, publicidade, meios digitais, relatórios financeiros, noticiário, apresentadores, artistas e diversas vozes potentes da sociedade tentam dizer o que você deve pensar. E você, na maioria dos casos concorda cegamente, simplesmente porque a pessoa tem credibilidade. Você cai de gaiato no truque da opinião pública. Decidimos por impulso e influência alheia e isso não e democrático. 

É a ditadura de uma opinião pública que gera comportamento que não é controlado facilmente por nós, mas por meios de comunicação e propaganda. Quem controla esses agentes, seja por meio da publicidade, da influência política ou ideológica, detém o poder de decidir, de fato, quem estará no governo ou não. É na comunicação social, com sua voz uníssona e hipnotizante, o embate maior do poder em tempos de eleição. E isso não é democrático.

E se te contar que os proprietários da maioria desses meios de comunicação, que geram opinião pública são deputados, senadores e outros políticos ou pessoas fortemente ligada a eles? Até emissoras evangélicas, católicas, ditas “santas” tem deputados para defender sua concessão pública, fazendo conchavos estranhos e negociatas espúrias. Um fisiologismo sem fim, num poder pouco vigiado como o legislativo. Entende que há nesse caso um mecanismo nada democrático?

Então, o que é ser livre para uma escolha realmente democrática? É não ouvir nada e ninguém, pesquisar sobre tudo e decidir de forma racional e planejada, por uma condição mais favorável para todos. É quebrar criticamente a opinião pública forjada e imposta a nós e criar uma opinião independente e realista, sem influências alheias. É trilhar o caminho mais difícil sim, mas não compactuar com o efeito manada da comunicação nunca. 

Quem vota é você, e não quem você da ouvidos. Pense nisso.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

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Escolhi não ir ontem a nenhuma passeata. Sim, é bonito ver as ruas tomadas, cheias de pessoas que protestam, sim é bonito ver, mas… mas como aprendi que temos que questionar tudo, faço cada vez mais perguntas e se não encontro às respostas que me convençam a fazer algo, opto por não fazer e por isso optei por não ir.

Meus motivos? Acho muita ingenuidade não ver que existem grupos que financiam a divulgação desse movimento. A estratégia de comunicação foi muito bem feita, posso falar com propriedade disso, pois esse é o meu negócio, trabalho com estratégias de comunicação. Ainda nessa questão, tudo custa, nada é de graça, criar vídeos custam, colocar carros de som nas passeatas custam, bonecos infláveis gigantes custam. Então, eu penso aqui com meus botões, não acredito que “ninguém” faça isso sem nenhum interesse. Pois é, eu que sempre fui tão idealista, não acredito mais, é uma pena, mas foi isso mesmo que esses políticos e partidos me roubaram, a ingenuidade de crer que isso vai mudar.

Outro ponto que embasou minha decisão é porque não preciso provar nada para ninguém. Faço meu trabalho no dia a dia, pago minhas contas honestamente, sempre trabalhei e tudo na minha vida veio do resultado dele. Então, não preciso provar nada para ninguém e nem sair bem na foto do facebook dizendo que sou engajada e estive lá.

Sim , eu sou engajada em várias questões, hoje em especial, me interesso muito em divulgar e trazer questionamentos do universo feminino. Feminista? Sim sou, apesar de que muitos, ainda hoje, não sabem e não entendem o que é ser isso, mas se tem uma causa hoje que abraço em primeiro plano é essa e o blog Belas Urbanas veio para isso.

Deixo claro aqui que não sou a favor do PT, mas também não sou do PSDB e dos outros. Se a campanha para irmos para as ruas fosse algo para mudarmos todos os nossos políticos e sistemas de governança que hoje imperam, eu estaria disposta a participar e talvez fosse algo que me motivasse como um fio de esperança nesse mar de lama, mas como de fato o único objetivo é tirar a Dilma da Presidência da República sem propostas concretas, com um claro entendimento do cronograma de ações, isso não me convence.

Ontem no facebook vi que alguns amigos foram agredidos porque se posicionaram dizendo que não iriam e explicando seus motivos. Até de bundão vi um ser xingado. Lamentável.

Pense que se posicionar contra a maioria não é fácil, é um ato de coragem e honestidade perante suas crenças. Não alardear notícias falsas é pensar sobre o que estamos fazendo. Saber sobre o que estamos protestando e para onde vai isso é sinal de maturidade e responsabilidade.

Eu não preciso de fotos na passeata para dizer que faço a coisa certa, porque eu sei que faço. Porque eu sei o que é estar à frente de um negócio há mais de 20 anos e pagar suas contas em dia e não entrar em empréstimos, já tendo passado por diversos planos econômicos. Eu sei o quanto dói ver empresas que crescem porque corrompem e são corrompidas e ver a sua perder concorrências porque aquilo ali já estava comprado. E triste meu caro, dói muito. Sigo em frente mesmo assim e o meu caminho escolho viver o que aprendi ser o certo. A minha parte eu faço, mas me enoja ver pessoas “tão corretas” gritando contra a corrupção, mas que no seu dia a dia, corrompem, fazem parte de esquemas, dão aquele medonho “jeitinho brasileiro” para resolver seus problemas. Ah, por favor, quer mudança? Comece no seu dia a dia, no seu micro universo. De o exemplo que cobra dos governantes. Menos hipocrisia.

Não quero ser injusta, não foram todos que participaram que agem assim, claro que não, tem muitas pessoas que foram e que de fato acreditam que esse movimento pode trazer mudanças e que no dia a dia fazem seu trabalho corretamente, pessoas do bem. Só coloco a questão de estarmos atentos para não sermos manipulados. Ir por ir não leva para lugar nenhum.

Estou cansada daquela velha máxima “não fiz por mal”. Não fez?  Mas fez mal. Qual é o impacto de não saber e fazer mal? Não fez porque não pensou? Minha reflexão: se esforce para saber o que faz para que um dia não venha com essa “não fiz por mal”. Pense antes de agir.

Está cansado e quer saber como mudar? Estude como funciona os mecanismos de votos, essa é a forma democrática que temos para mudar algo. Não concorda? Comece um movimento para mudar isso? Como? Entenda como dentro da lei isso pode ser mudado e faça dentro da lei. Cobre que a lei seja cumprida. Você terá trabalho, se engajar de fato e buscar soluções demanda tempo e da trabalho, mas se é algo que acredita e acha que vale a pena, vá fundo.

Chega de sermos tão emocionais, chega de tanto carnaval sem carnaval. É lindo ver as ruas cheias, mas é triste saber que muito de tudo isso é para sair bem na foto, para fazer parte. Sim, nós precisamos fazer PARTE, mas de uma parte mais justa e honesta com direitos e deveres para todos.

Chega de sermos uma sociedade de coitadinhos. Chega de sermos o pais do futuro. Tancredo morreu, era a salvação? Ulisses também. Collor caiu e já voltou. A salvação de uma nação não está em ninguém sozinho essa é a questão. Cai um rei de paus, entra outro e não muda nada. Isso sim é que tem que ser mudado, essa estrutura.

Agora volto ao meu trabalho é o que melhor posso fazer pelo Brasil e por mesma nesse momento.

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)