Todos nós possivelmente conhecemos ou tivemos contato com uma mulher que já vivenciou violência doméstica ou viveu um relacionamento abusivo.

Esse tema que tem sido cada dia mais evidenciado em nossa sociedade é realidade há muitos anos e felizmente tem despertado uma voz para o combate contra esse tipo de experiência vivido dentro de muitos de nossos lares.

Um relacionamento abusivo é capaz de deixar marcas irreversíveis não só para a vítima, mas também nos filhos e familiares que muitas vezes convivem com este cenário.

Mas e quando a vítima está no nosso ambiente de trabalho?

Quando a vítima é a nossa colega de trabalho que todos os dias se senta ao nosso lado e compartilha as tarefas da empresa?
Quando a vítima é o seu liderado e você precisa que ele produza e dê resultados?
Qual o papel da empresa diante desse problema?

Ainda ouvimos muito “Que os problemas de casa ficam do lado de fora quando se chega na empresa e os da empresa não se levam para casa”.

Esse famoso jargão utilizado muitas vezes por chefes e profissionais é uma realidade totalmente ilusória quando falamos de pessoas.

É impossível deixar nossos pensamentos e esquecer nossos problemas num simples passo de mágico ao bater o nosso ponto e voltarmos a vida quando encerramos o nosso expediente.

Quando se vive um relacionamento abusivo, nenhuma mulher simplesmente deixará de lembrar da violência que sofreu e passar todo o período de sua carga horária sem pensar no que a espera ao retornar para casa no final do seu expediente.

Uma organização é feita de pessoas, pessoas que possuem seu gênero, classe social, crenças. Pessoas que tem sentimentos, que sofrem, que possuem seus problemas pessoais fora do ambiente de trabalho.

É extremamente importante que as empresas despertem um olhar humanizado para cada um de seus colaboradores e se conscientizem que investir e olhar para seu capital humano (pessoas) é essencial e possibilita inúmeros retornos positivos para a organização.

Ainda são poucas as empresas que olham para o que acontece fora do ambiente de trabalho com seus colaboradores, principalmente quando o assunto se refere-se à violência contra as mulheres.

Uma pesquisa realizada pela Talenses Group, em parceria com a Rota VCM e o Movimento Mulher 360 (MM360), identificou que 68% das companhias acreditam que esse é um problema que deve ser encaminhado internamente, entretanto, a mesma porcentagem não possui políticas e ações para apoiar funcionárias vítimas de violência doméstica.

Tanto o RH, quanto os gestores precisam estar preparados e saber como agir nessas situações e o apoio é fundamental na ajuda ao colaborador.

É preciso iniciar um processo de mudança de cultura na empresa.

O primeiro passo é conscientizar gestores e líderes a se preocupar e olhar para cada colaborador com cuidado e verificar a possibilidade de sinais de abuso que suas colaboradoras possam estar sofrendo.
Nem sempre a queda na produtividade estará relacionada a desmotivação profissional e é possível que esse comportamento indique que o colaborador possa estar passando por problemas pessoais que tem interferido na sua vida profissional.

As empresas precisam iniciar um processo de sensibilização e treinamento das lideranças e equipe sobre o tema para que as vítimas se sintam seguras e possam buscar apoio e auxílio na própria empresa sem críticas ou julgamentos.

Não apenas o RH, mas as lideranças precisam estar preparadas e dispostas a olhar para o seu colaborador como um ser humano e transmitir a eles que podem encontrar na empresa e na sua liderança apoio e compreensão em relação as questões que não ocorrem apenas no ambiente de trabalho.

O colaborador precisa encontrar na liderança não só apenas um orientador em relação as atividades desempenhadas e saber que além da espera de resultados ele também pode encontrar na empresa um ambiente de apoio e compreensão nas suas questões humanas.

No caso do assédio além dos conflitos internos que a colaboradora enfrenta como o medo do agressor, existe a vergonha que muitas vezes a impede de falar sobre o assunto.
Em muitos casos pode até ocorrer que a vítima deixe o trabalho por medo do julgamento ou vergonha o que pode piorar ainda mais a sua situação.

É preciso muito cuidado ao tratar desse tema e a empresa tem que estar preparada para dar apoio psicológico para sua colaboradora, além de orientações ao que ela pode e deve fazer orientando sobre leis e criando políticas internas para acompanhamento dessa colaboradora.

É extremamente importante que a colaboradora se sinta segura e amparada pela empresa de forma a entender que embora a situação que ela vive não esteja ligada ao profissional e sim sua vida pessoal a empresa se preocupa e ela pode contar com o seu apoio.

Precisamos desmitificar a ideia de que “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, principalmente quando falamos de violência e abuso contra a mulher.

Em uma sociedade que cada dia mais busca sua igualdade e direitos, onde falamos de empatia e olhar para o próximo é impossível não se ter uma visão cada vez mais humanizada dentro do ambiente corporativo.

Precisamos entender que cada colaborador é um bem extremamente valioso que deve ser cuidado e valorizado e que todo investimento pessoal é fundamental para o sucesso de toda organização.

Aline Pestana – Bela Urbana. Gerente Administrativa, com atuação na área financeira e Recursos Humanos. Mãe, esposa, cristã, de um coração enorme e sempre aberta a ouvir e ajudar o próximo. Tem como paixão decorar festas e organizar eventos. Não desperdiça uma oportunidade de viajar com a família e acredita que exemplo, momentos e lembranças é o que de mais valioso podemos deixar aos nossos filhos.

Dizem que tem pessoas que tem foco no problema e tem outras que tem foco na solução. Penso que tem horas que o que falta mesmo é o foco.

Se falta o foco tudo desfoca. É preciso lentes novas para ver nítido. É preciso descobrir o grau. Não adianta qualquer lente.

O grau do problema. O grau da miopia. O grau seja lá do que for.

Saber ajuda a resolver. Saber ajuda a encontrar o foco.

Depois que achar o foco, aí sim, você decide: Foco no problema ou foco na solução?

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza. Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

 

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O tédio entedia

o dia que não ia

Pra frente do tédio

que era forte como um prédio

 

O tédio entediamente

Fica no ar o sentido

Sem ninguém entender

O tédio do dia

 

O tédio de uma aula

O tédio do ar

O tédio das pessoas

O tédio sem parar.

 

O tédio vai acabando

Nas linhas do verso

Depois de entediar você

Com linhas tediosas salvei-me do tédio

Resolva o seu

O meu acaba aqui!

jeff

Jeff Keese –  Arquiteto, produtor de exposições de arte, e durante 7 anos foi consultor do mapa das artes de São Paulo.