Estamos velhos, amigo.
Aquele nosso amor antigo
Dorme o sono bom do passado,
Perdeu a memória
E não se lembra mais de nós.
Aquele amor dos tempos idos
Não mais nos reconhece
E nem nós o reconhecemos mais.
Ainda assim lhe convido:
Caminha um pouco comigo, amigo.
Vamos dar as mãos e rir um pouco,
Desempoeirar algumas boas lembranças
E levar a saudade mansa
Pra tomar um pouquinho de sol…

Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?

 

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Revirando os meus guardados, achei esse texto. Tão antigo e tão atual…

“Não espere retorno.” Ouvi isso várias vezes, de tantas pessoas e em situações tão diferentes. Fazer as coisas, por menores que sejam, sem esperar nada em troca.

Hein?  Como? Será mesmo possível?

Fazer um bom trabalho sem lá no fundo esperar um “muito bem”?

Entendo fazer uma boa ação sem esperar retorno,  mas pelo muito obrigado, sim eu espero… e às vezes sentada.

Reciprocidade…. a tal reciprocidade. Difícil né?  Às vezes a gente só precisa de um sorriso para nos fazer seguir fazendo o que achamos certo.

Ainda não aprendi a ser tão desprendida. Às vezes me falta coragem. Às vezes a falta da  tal reciprocidade machuca, faz soar o tom da indiferença e até traz o sentimento de me sentir usada.

Mas a carruagem passa, os cães ladram… a gente acorda no dia seguinte pensando em novamente ajudar,  fazer o que acha correto, amar sem fim. Mesmo que o sorriso e o muito obrigado não venham…

E a gente faz tudo de novo. E segue esperando. Sou boba. Só pode ser. Mas acho que prefiro essa “bobeira” ingênua a sentir que apenas assisti a vida…

Não que espere gratidão eterna das pessoas, pois acho que esse tipo de sentimento aprisiona. Mas um obrigado sincero não mata ninguém. Mas tem que ser sincero e não protocolar. Será que isso é pedir demais num mundo onde as pessoas se olham cada vez menos nos olhos?

Fico pensando se esse desapego realmente existe. Conheço pessoas que dizem que conseguem não depositar expectativas em nada ou ninguém… e pior, que não ligam. Será?  Acho que em algum momento, nem que por uma fração de segundo, essas pessoas se sentem assim… desestimuladas… não é possível. Ou é?

Dizem que se aprende esse desprendimento todo com o tempo… uns por filosofia, outros pela religião e outros ainda pelas “lambadas” da vida. E você? Já está praticando ou conseguindo não esperar nada de ninguém?

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Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

sexta

O que tem a sexta-feira tem de tão especial?

A esperança de um ótimo final de semana. E o que é um ótimo final de semana? Não fazer nada, dormir até tarde, ver filmes, ir a um churrasco, encontrar amigos, namorar, paquerar, se embelezar e mais um monte de coisas que o fato de não ter hora marcada para nada nos permite.

Sexta-feira é o quase lá de tudo isso. Tem sextas que o dia passa corrido e quando nos damos conta já são 6h e, ufa, é hora de ir para o happy! Mas tem sexta que o dia passa arrastado, pura preguiça; a nossa gasolina, essa energia, acabou um pouco antes do fim do expediente e a vontade é que acabe logo o dia, porque não rende mais nada e o dia vira só procrastinação. Por que sexta encanta tanto? Porque a maioria trabalha por trabalhar. Trabalha para ganhar dinheiro e pagar as contas, só que muitas vezes a conta não fecha. E corpo cansa, assim como a cabeça, e não sabemos nem dizer qual cansa mais e onde começa essa canseira toda.

Mas aí, eis que existe a sexta para nos libertar dessa dor, do que não se faz com amor. Porque quando se faz com amor; segunda, terça, quarta, quinta e a própria sexta são mais leves e divertidas e isso torna todos os dias da semana especiais e não só a sexta. Mesmo quando o dinheiro é curto, porque o amor traz esperança; com amor o trabalho é bem-feito e a chance de reconhecimento é muito maior.

Sim, reconhecimento, é isso que todos queremos, em qualquer dia, mês ou ano. Todo mundo quer ser mesmo reconhecido como alguém especial, com características próprias que façam a diferença em qualquer ambiente, na vida profissional ou pessoal.

Ser reconhecido colore o dia, mas e nós? O quanto nós reconhecemos e valorizamos quem está à nossa volta? Somos o peso na vida de quem está do nosso lado ou colocamos as pessoas para cima? Somos a chata segunda ou a doce sexta? Na opinião da maioria é assim, segunda é chato, sexta muito bom.

Mas a questão é, final de semana bem-vivido e divertido é uma delícia, porque saímos da rotina e a rotina, meu caro, é dura, mesmo quando se ama o seu trabalho. Ela tem todas as obrigações da semana e isso gera ansiedade, por tantas e tantas obrigações a fazer.

Com essa ansiedade à flor da pele, esse esgotamento físico e mental à tona, entram os salvadores da pátria que nos prometem o paraíso: “trabalhe menos, ganhe mais, acompanhe seus filhos, veja seus pais, saia com aos amigos, namore, tenha dinheiro, não tenha stress etc”. São ilusionistas, alguns até têm boas intenções, mas muitos não. Você está lá como a próxima vítima, vampiros da sua conta bancária que te prometem o reino dos céus aqui na Terra, estão em várias profissões que teoricamente estão aí para te ajudar, mas a que preço?

Então, desculpe a dureza das palavras, aproveite seu final de semana o máximo que puder, mas aproveite também a limitação da segunda, a corrida da terça, a entrega da quarta, o imprevisto da quinta e o happy, porque não, da sexta.

A felicidade não está do lado, simplesmente porque não existe salvador da pátria, pessoa perfeita, duendes, coelhinho da páscoa, fadas, príncipes e princesas encantadas. A felicidade está dentro de você, todos os dias, e não só na sexta.

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa 🙂