No final do ano passado, antes do Natal, recebemos dois casais de amigos em casa. Naquela ocasião não me lembro de nenhuma notícia falando sobre o coronavírus.

Mal sabíamos que 3 meses depois, sentiríamos muita falta de momentos “simples” como esses. O assunto do momento era um tal vídeo do canal Porta dos Fundos, que tinha como enredo um Jesus Gay. Após o almoço, o tema do polêmico vídeo voltou à tona e alguém perguntou: vocês assistiram? Não? Então, vamos assistir. E assim o fizemos. Aqui cabe um parêntesis: não vou entrar no mérito se o vídeo é isso ou aquilo, se gostei ou não gostei ou se é certo ou errado. A reflexão que proponho aqui é outra. Qual o valor que damos às coisas que realmente importam?  Qual o grau de importância que damos à nossa família e as coisas mais simples, que não têm valor material? Mas o que tudo isso tem a ver com o tal vídeo de Jesus? Eu explico: ao terminar de assistir o vídeo e mediante a polêmica instalada naquele momento (que era grande), eu brinquei com um dos amigos e disse: “imagine só – Jesus lá de cima, vendo tudo isso e pensando – é serio que vocês estão se digladiando por causa de um vídeo que me retratam como gay?” Voltando à nossa reflexão: qual o grau de importância que Jesus, do alto de sua inteligência superior, daria para um fato desses? Por coerência, a resposta é muito simples: muito provavelmente não daria a menor importância, porque ele está muito acima de tudo isso. Mas e nós? Qual a importância que damos para aquilo que realmente tem valor: as coisas mais simples, como um abraço, um almoço entre amigos ou um passeio de bicicleta na chuva? E de repente, não mais que de repente, fomos obrigados a nos olhar uns para os outros. Mas olhar de verdade (olho no olho mesmo). Conviver de verdade. Se preocupar de verdade. E como uma criança que é colocada de castigo, fomos compulsoriamente convocados: terráqueos, parem e pensem no que vocês estão fazendo.

Ok, estamos todos pensando. Que possamos aprender a lição. Será?

Vinícius Eugenio – Belo Urbano48 anos, publicitário, redator, atua com criação há mais de 25 anos, mas sem dúvida, a sua melhor criação, feita em dupla com a Leila, foi a Valentina. Espirituoso, prático e pragmático, gosta tudo de preto no branco, até por isso, é corintiano razoavelmente apaixonado. Saudosista confesso, colecionador de objetos antigos e admirador nato de Fuscas antigos. 

Eu começo o dia lendo notícias ruins nos sites, na TV e logo em seguida, parto para minha energia diária…o site Só Notícia Boa…, lá mostra o lado bom de tudo, inclusive sobre este assunto e aí as informações ficam balanceadas…mas meu coração prefere terminar o momento de atualização “com notícias positivas…o dia fica bem melhor”!

Mas, estou em casa e a minha realidade é o que realmente importa.

Minha mãe de 83 anos em casa, filhos sem aula em casa e…de repente o WhatsApp toca. Era minha manicure confirmando o horário de amanhã.

Pensamento 1- Meu Deus, eu não posso ir, não posso fazer isso com minha mãe…será que seria perigoso pra ela? Será que eu seria culpada se eu passasse algo para ela? E meus irmãos? E minha família?

Pensamento 2- Puxa, como sou egoísta, eu é quem poderia levar o vírus pra minha manicure, afinal, ela tem uma mãe acamada e corre mais riscos do que a minha… Ela seria culpada por trabalhar? E o dinheiro dela no fim do mês? E se alguém da família dela pegasse de mim?

Pensamento 3- Nossa, será que preciso mesmo correr este risco? Eu não sei se tenho alguma coisa que ainda não apareceu.

Pensamento 4- E meus clientes? Vai aparecer minhas unhas sem fazer nas reuniões online?

Foi assim minha tarde, uma mistura de sentimentos…às vezes egoísta, às vezes com medo… e foi aí que o amor e a gentileza falou mais alto…

Comecei a pegar os ovos, a manteiga, o leite, a canela, a noz moscada, a ameixa, a farinha de trigo….misturei tudo…, mas achei ainda faltava alguma coisa especial…coloquei então castanhas e mel, que nem tinha na receita. Dei um toque final com fermento em pó, muito amor e bons pensamentos…

Em seguida, untei a forma e coloquei tudo lá dentro. Com o tempo, o cheiro foi se espalhando pela casa toda e todos perguntando que eu estava fazendo e a resposta foi… estava fazendo quarentena, cuidando da família (fiz dois) e fazendo gentileza!

Pode ser que enquanto você esteja lendo este texto, ainda tenha sobrado um pedacinho de bolo no salão da Paula…

Mas se quiser a receitas, me liga…a gente aproveita, bate um papo, você passa o tempo e minha quarentena em casa ficará ainda mais divertida!

Agora, sem unha bonita, mas com muita consciência e muita gentileza!

Roberta Corsi – Bela Urbana, coordenadora do Movimento Gentileza Sim que tem como objetivo “unir pessoas que acreditam na gentileza” e incansavelmente positiva, para conhecer o movimento acesse https://www.facebook.com/movimentogentilezasim 

De repente parei pra pensar e me deparei com algo inusitado… A força e o poder do medo!

Foram algumas notícias incertas, alguns dias de algo mais concreto, e pronto! O caos se instaurou, o pânico tomou conta e a tragédia aconteceu.

Fico me perguntando o porquê de alguns seres humanos terem tanto medo de adoecer e morrer, mas não se importam com o sofrimento e morte alheios.

Ao mesmo tempo, tantos outros são dedicados, disponíveis, capazes de uma doação íntegra, com atos ininterruptos de dedicação. E aí fica a questão… O que determina esse comportamento? O que é realmente transformador e faz com que atitudes estúpidas de uns sejam inversamente proporcionais à grandeza da empatia e entrega de outros?

Neste caso agora, o tal “invisível a olho nu”, que tanto estrago tem causado, imagino que mudou comportamentos porque vem apavorando a sensação de finitude gerada.

A vulnerabilidade escondida atrás dos muros da soberba, da ambição, do poder, de repente vem à tona e transforma todos igualmente em seres frágeis.

A capacidade de afetar um mundo gerou um sentimento igualitário… o pânico! E através desse medo incontrolável, a busca por sobrevivência se tornou o denominador comum.

Mas as evidências ainda mostram as diferenças. O sistema deixa de amparar uma classe, isso é injusto! E mortes continuam a acontecer… Os motivos são diversos, tão graves quanto esse. E o que efetivamente está sendo feito?

Também passada a pandemia, algo irá mudar?

Os olhares serão mais generosos? A mão poderá ser estendida para tirar alguém do chão? O abraço será um gesto que salva vidas? Poderemos nos aproximar e nos sentirmos seguros, amparados?

Será utopia?

Mais que isso, é o desejo genuíno de que ocorram mudanças. Mudanças de almas…

Passou da hora de ressignificarmos os olhares, os apertos de mãos, os abraços, os beijos, os valores, as prioridades… enfim, a vida!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Faltou sinceridade…

Faltou vontade …

Faltou disponibilidade…

Faltou verdade.

Será que ninguém te contou, menina, que palavras ditas sem pensar podem machucar?

Que um não te quero mais pode doer bem menos do que um eu te amo por impulso?

Ah, menina, menina. Para que me induzir a te esperar se já sabia que nunca seria minha?

Para que me fazer e me ver chorar, se não entendia esse sentimento?

Pegou minha mão, menina, num momento difícil e de medo. Soltou ela com rapidez quando o momento se fez pouco mais leve.

Preferiu fugir da conversa com este que um dia jurou ser o amor da sua vida.

Transformou em sonho e em lembrança, o que dizia ser tão real, menina. Fugiu, fugiu e segue fugindo, menina… de mim, de você e de quem ouse se aproximar…

Se por um lado, faltou sinceridade…

Faltou vontade …

Faltou disponibilidade…

Faltou verdade.

Por aqui menina, faltou coragem. Faltou entender a mensagem. Faltou parar com a bobagem. Faltou ir à luta e seguir viagem.

Mas a pergunta que fica é: quem nunca se enganou e culpou o outro por criar uma personagem?


Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

É com você, mulher, que levanta todos os dias em busca da sobrevivência…

Que cuida, cuida e cuida…

Preocupa-se com tudo e com todos e dá conta de múltiplas tarefas.

É com você, mulher, que ergue a cabeça, mira objetivos e busca conquistas, não desistindo ao primeiro obstáculo.

É com você, mulher com M maiúsculo, que falo… saiba que seu valor é único e especial!

Não acredite quando ouvir um não que te feche a porta. Não desanime quando te disserem que teu lugar é algum que você não queira estar. Não se cale frente à necessidade de denunciar um golpe covarde e frio contra seu corpo e sua alma!

Não perca o que de mais precioso existe: sua essência… Você! Lute, insista, persista, enfrente e acredite que seu dia, o Dia da Mulher, deve ser comemorado diariamente, onde o respeito seja a palavra de ordem. A você, mulher, só o melhor da vida!


Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Quando fazemos o bem, com um simples gesto, um carinho ou mesmo uma ajuda ao próximo, uma energia boa vem ao nosso encontro.

É automático. Efeito imediato. Por isso: “colhemos o que plantamos” e “somos o que pensamos”. Atraímos tudo o que for bom e do bem.

Quem ainda não sabe disso, sofre à toa porque é muito simples e não custa caro.

Essa é a verdadeira felicidade. Não existe outra. A felicidade do amor! Tudo o mais é material e ilusório.

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, 53 anos, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

Eu estive presa a rótulos que me fizeram engolir à seco.
Eu estive à deriva demais, vulnerável demais. Me olhando no espelho e não me vendo.
Perdi as contas de quantas vezes achei que não seria capaz, as vezes que me calei.
Estive enclausurada este tempo todo ansiando por liberdade.
Agarrada a estereótipos que me colocavam, dando certeza a todos.
Mas eu mudei.
Não há mais nada que se possa fazer no fundo do poço à não ser tomar impulso para voar mais alto.
Estou aqui e agora já não há mais o que dizer pra mim.
Aquela menina que se calava e cedia, deu lugar pra essa mulher decidida ficar.
E há quem diga que no final do dia, sem maquiagem, roupa surrada e com o prato na mão não somos tudo isso e nem adianta negar.
Pra opinião desnecessária eu digo que o que basta é no final do dia, depois de toda correria eu ainda me achar gostosa e linda sem precisar me importar.

Eu não preciso que me digam.
Eu sei e isso basta.

 

 

 

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

Ele trata todos bem.

Sempre alegre,

Sempre de bem.

Mesmo solitário,

Segue solidário.

Esse é o Zé.

Que não tem nada de mané.

Pensa, com a nega se casar,

Não para dominar.

Mas família fazer.

Tenta ser justo,

Preza pela verdade.

Junta os amigos

Na humildade.

Com dignidade.

Escreve uns lances,

Pinta umas cores,

Faz um som

E espanta as dores.

Espalha sorriso.

Mesmo com um passado triste.

Com uma mãe doente,

Com um pai velho,

Um irmão distante.

O Zé segue enfrente, doce.

Trata bem as mulheres,

Cumprimenta os camaradas,

Respeita a criançada,

É solicito como velhos.

Grita pelo time, futebol.

Ama sua gente.

Gosta de ser bom,

De graça assim por ser.

Nunca reclama e acredita

Que o amanhã pode melhorar.

Mas tem que se cuidar…

Pois sabe que tem gente

Que não gosta dele,

Que tem medo dele,

Que tem inveja dele,

Que acha ele meio viado.

Se isso ofensa fosse…

Boca mole,

Vida dura.

Água fria,

Um balde de amargura?

E o Zé segue, na sua.

Segue e acredita na bondade,

Convicto, firme assim.

Do ser humano que vê,

Algo de bom pode vir.

O Zé é homem forte. Espero assim.

Mas tantos outros Zés,

Se perdem nas agruras.

Das calunias alheias, no dia-a-dia.

Que vagam pelas ruas.

Escolhem a carranca à alegria.

Mais um Zé amargo, triste,

que larga seus ideais, se um dia teve.

Deixando pela eternidade

um mundo mais cinza. É escolha?

De Zé para Zé contagia, escolha!

Somos apenas o Zé que queremos ser.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Foto abertura: Pierrick VAN-TROOST

Eu chego a pensar, às vezes, que a expectativa é algo ruim.

Se ela não é alcançada, ficamos frustrados.

Se é alcançada, ok… Ficou como esperávamos.

Ela precisa ser superada para termos a surpresa da conquista inesperada.

Mas isso é raro, porque incrivelmente temos uma imensa capacidade de criar enormes expectativas.

 

Assim, fazer o exercício de não criar expectativas traz um certo conforto.

Nunca nos frustramos.

Como se diz: “do jeito que vier, tá no lucro.”

Mas isso cria um distanciamento.

E no fim, o desinteresse.

 

E o que é que nos move a seguir tentando, lutando, batalhando e enfrentando?

A maldita expectativa.

Noemia Watanabe – Bela Urbana, mãe da Larissa e química por formação. Há tempos não trabalha mais com química e hoje começa aos poucos se encantar com a alquimia da culinária. Dedica-se às relações comerciais em meios empresariais, mas sonha um dia atuar diretamente com público. Não é escritora nem filósofa. Apenas gosta de contemplar os surpreendentes caminhos da vida.

 

Essa semana aconteceu algo que me fez pensar sobre ser professor… me deparei com uma foto com algumas professoras que me deram aula na adolescência, alguns daqueles rostos me causaram tristes lembranças… professor deveria ser aquele que acolhe e ensina seus alunos a lutarem em meio a suas dificuldades. Eu era essa aluna com dificuldades de aprendizagem, mas nem sempre no meu caminho escolar encontrei professores com essas preocupações. Infelizmente foram professores que se alegravam em trabalhar com alunos ditos inteligentes, aqueles que nem precisam do professor para aprender. Então questiono, qual a importância desse professor? Professor deveria se alegrar em ensinar independente a quem! Como um médico que cura o doente… mas estar nas mãos de um professor que não se sensibiliza com a necessidade de seu aluno é doloroso, causa danos e muitas vezes podem ser permanentes. Um professor deve sempre ser lembrado que terá em mãos seres humanos em formação, daí tamanha responsabilidade dessa profissão, que é linda!
Mas nesse mesmo caminho tortuoso apareceram outros professores maravilhosos que me entenderam e me levaram a escolher ser professora, e de forma inconsciente naquele momento ( mas consciente mais tarde), escolhi essa profissão exatamente para levar o meu olhar e minha sofrida experiência, para ajudar aqueles pequenos que encontrei em meu caminho com dificuldades muito parecidas com as que tive.
O magistério foi uma escolha que mudou minha vida escolar, me reaprendi, tive professores de olhares sensíveis que me ensinaram a superar-me e a mudar a minha história. Me superei quando fui fazer pedagogia na Unicamp, encontrei novos desafios e novos professores mas nesse momento eu já era outra pessoa, bem mais forte e acreditando em mim, isso era o fruto dos professores competentes que encontrei nessa caminhada!
Quando me tornei professora, já muito diferente e mais madura daquela adolescente que deixou para trás aqueles professores opressores, voltei para trabalhar na mesma escola da adolescência, nesse momento me redefini enquanto pessoa, pois encontrei um novo lugar, de olhar sensível ao aluno e pude colocar o meu amor ali!
O olhar sensível do professor é uma das ferramentas mais importantes para exercer essa profissão. É esse olhar que percebe a dificuldade, que busca caminhos para instrumentalizar o aluno, para que ele possa se superar.
Enfim, esse emaranhado de sentimentos me fez constatar algo que já sabia, o quanto o professor é importante na vida de seus alunos, e quanto ser sensível às dificuldades deles é urgente!
Veja bem, após 30 anos, ao ver a foto com algumas pessoas q me ignoraram nas minhas necessidades (sim é forte dizer isso, mas é verdadeiramente doído) senti indignação!!!!
E então me lembrei de uma reportagem que dizia que somente 2,4% dos jovens hoje escolhem ser professor, eu reflito, diante dos diversos motivos óbvios (falta de reconhecimento, salários baixos, condições de trabalho ruins etc) para os jovens não escolherem essa profissão, também devemos incluir a possível experiência de se depararem com a falta de sensibilidade de alguns professores que não deveriam estar onde estão! Essa falta de identificação com esse profissional também afasta os jovens dessa escolha.
No meu caso consegui usar a experiência negativa para buscar uma mudança para melhor, mas imagino que muitos que desistiram de seus sonhos tenham tido professores insensíveis que colaboraram com o fracasso escolar!

Viviani Raimundo Viégas Barreira –  Bela Urbana, psicopedagoga. Muitos alunos passaram em seu caminho, foram 20 anos de magistério e mais alguns de professora de seus filhos. Sempre teve como objetivo encorajar na dificuldade., buscou ao longo da trajetória o olhar sensível. Hoje é mãe em tempo integral de João Vitor e Milena, continua se sensibilizando e encorajando-os a enfrentarem os obstáculos.