Lendo vários posts do Dia dos Pais fiquei pensando…

Quantas recordações de quando eu era professora na educação infantil… isso no mínimo há 12 anos atrás.

Eram rodas de conversas, brincadeiras de faz de conta, onde as crianças relatavam o que faziam com seus pais! Sempre um momento muito especial e delicado e eu, claro, amava cada história ali compartilhada e respeitava aquele universo.

Entre as diversas histórias, tem uma muito especial e que nos instiga a pensar sobre a paternidade.

Eu tinha uma aluna de 03 anos, muito falante que contava tudo que fazia com seu pai, brincadeiras de casinha e boneca, passeios de bike, contação de histórias, etc.

Me lembro de uma manhã quando ela chegou na escola toda enfeitada de laços de fitas rosas e me falou: – Olha como estou linda Deni, hoje foi o meu o meu pai que me arrumou e eu arrumei ele, coloquei a gravata e o tic-tac no cabelo dele, ele está lindo também, não é Deni?

Nesse momento, levantei os olhos para ver o pai e me deparei com a cena relatada. O pai todo seguro com o tic-tac na cabeça e agindo com naturalidade, falou: – Oi Deni, tudo bem?

Claro, que embora a cena fosse muito divertida, naquele momento entrei na brincadeira, respondi ao pai e em seguida, olhei para a filha e falei: – Realmente, seu pai está muito bonito.

Eu e o pai nos olhamos, demos uma risada com os olhos e tudo seguiu normalmente.

Esse PAI era incrível! Participava, cuidava e brincava. Assumia suas obrigações e necessidades dentro de um sistema familiar, com funções estabelecidas e acordadas com sua esposa.

Hoje, observo o comportamento de muitos pais em relação aos filhos e percebo cada vez que assumem a paternidade responsável e eu, como professora de crianças (que fui) fico muito entusiasmada e esperançosa na construção de uma sociedade melhor. Afinal, com a paternidade responsiva toda a sociedade ganha, mas principalmente a criança, uma vez que impacta positivamente no seu desenvolvimento, deixando-a segura e feliz para explorar o mundo.

Deixo aqui o meu desejo, para que todos os pais vivam a experiência da paternidade de forma plena, não economize no afeto… abrace, beije, esteja presente, dê broncas, converse, demonstre o quanto você ama e quanto é parceiro de seu filho(a)!

Denilze Riciardelli – Bela Urbana, mãe da Lila e Duda, duas pets… ontem professora da infância, hoje empreendedora no ideal de uma sociedade melhor para todos, especialmente para as crianças.

“Anunciaram que você morreu,

Meus olhos, meus ouvidos testemunham:

A alma profunda, não.

Por isso não sinto agora a sua falta.

Sei bem que ela virá

(Pela força persuasiva do tempo).

Virá súbito um dia,

Inadvertida para os demais…

Mas agora não sinto a sua falta.

(É sempre assim quando o ausente

Partiu sem se despedir:

Você não se despediu.)

Você não morreu: ausentou-se.

Direi: Faz tempo que ele não escreve.

Irei a São Paulo: você não virá ao meu hotel.

Imaginarei: Está na chacrinha de São Roque.

Saberei que não, você ausentou-se. Para outra vida?

A vida é uma só. A sua continua

Na vida que você viveu.

Por isso não sinto agora a sua falta.”

(Trechos do poema -A Mario de Andrade Ausente, Manuel Bandeira).

Letícia, minha menina querida!

          Tarde de primavera que ameaça chover,

Ao olhar para o céu vejo nuvens escuras carregadas querendo despencar.

Sabe, Lê, o céu desde pequena me inquieta…

Acreditava que com uma escada gigante, como aquela de bombeiros, alcançaria o seu topo, tocaria nas nuvens e finalmente descobriria quem lá habitava:

Seriam os anjos? São Pedro? As pessoas que quando morrem vão para o céu? Só os bons conseguem uma vaguinha? Se tivermos muito pecado não vamos para lá?

Afinal, o que acontece neste lugar?

Sabia que “… o céu ficava em cima do chão. O céu que continua. Em cima do céu há mais céu. E depois do céu do céu há mais céu. E depois de depois do céu do céu nenhum planeta, nenhum cometa, nenhum meteorito. Só o céu e céu e céu sem fim nem infinito”.(Arnaldo Antunes).

Nessa tarde que sento ao computador para escrever a você carregada de céu, retornam a minha memória fragmentos de um outro dia que percebi que como a mim, o céu, também te provocava um desassossego.

 Você, Lelê, sentada no colo de sua avó bem próxima à janela olhando para o alto. Olha para sua vó Luiza e pergunta:

“O vô Agapito está no céu?” No seu rostinho paira muitas dúvidas, algo estranho povoa seus pensamentos,

 Silêncio! “Ah! Minha filha, o seu avô está no céu!”

 Letícia pára, olha se perguntando, estranhando um pouco quem sabe,

Afinal, o céu sempre parece tão distante de nós e seu avô é uma figura tão presente no seu dia-a-dia:

nas diversas histórias que contamos a respeito de seus gostos e manias quando nos reunimos;

nas situações diárias que faz com que muitas vezes entre nós imaginemos como ele agiria, o que diria;

nas fotografias das nossas viagens para o sítio na Bahia que emitem sinais fortes, poderosos de sua presença;

nas coisas velhas, de um outro tempo que guardam o seu jeitinho;

nas perguntas que muitas vezes lançamos querendo ainda suas respostas;

nas idas ao cemitério para colorir seu jazigo e ali você corre de um lado para outro, menina travessa, trazendo água para encher os vasos com flores de cores fortes e vibrantes, suas preferidas!

Saiba que seu avô adorava comprar tecidos e vasos de flores alaranjados, roxos, lilases, amarelados, compondo uma “dinâmica botânica de cores!” (Zélia Duncan). Agora quem sabe, me dou conta das suas preferências nas minhas, nas cores que colorem minhas roupas, meus colares!

Nas lembranças das tardes de sábado que saíamos eu, seu pai, sua avó e seu avô, andando pelas ruas do centro de São Paulo, da Consolação a Sete de Abril, de lá até a 24 de Maio, atravessando o Vale do Anhangabaú, de mãos dadas, caminhando e ouvindo as lembranças do tempo quando chegou nessa cidade e como se encantou pelo letreiro iluminado do Hotel Jaraguá que trazia as últimas notícias. E hoje seu pai, Alexandre, caminha com você por essas mesmas ruas, contando às histórias que ouviu e quem sabe, inventando tantas outras…

Então, algo parece não combinar…Tão perto e ao mesmo tão longe?!Tão longe e ao mesmo tempo tão perto!? É possível?

Depois de um tempo, Lê responde: “O céu está tão longe, mas o meu avô está bem perto, né vó!?”

Sorrisos emocionados inundam a tarde. E de fato, como diz o poeta a sua vida, a do vô Agapito, continua na nossa vida. Por isso, quem sabe nos pareça tão perto! Acho que a sua sensação é similar a do poeta, seu avô apenas ausentou-se! Mesmo não o conhecendo você tem uma familiaridade com ele que não permite tamanha distância.

E a partir dessa lembrança que resolvi contar para você um pouco mais sobre o vô Agapito,

Nome esquisito, ao longo dos anos escutei as mais diferentes versões sobre seu nome, lembro-me com nitidez dele soletrando seu nome A-GA-PI-TO, muitas vezes ao telefone,

Para as pessoas que não entendiam quando ouviam o que ele dizia, soava estrangeiro.        

E de fato é estrangeiro, seu nome era uma homenagem a São Agapito, santo italiano que sua bisavó retirou de um calendário.

E quem sabe, todo migrante quando chega a essa cidade sente-se um pouco estrangeiro.

Imigrante nordestino, semi-analfabeto, saído de um vilarejo chamado São Felipe, aproximadamente 250 quilômetros de Salvador, que veio para São Paulo há 45 anos pela busca e pelo sonho de alcançar condições melhores de vida. E que nas suas práticas cotidianas, criou múltiplas táticas de sobrevivência, especialmente na arte de obedecer, lutar e driblar em meio a situações mais adversas para garantir a mim e aos seus tios (Aguinaldo, Antônio Carlos, Arinaldo) e ao seu pai, Alexandre, possibilidade de fazer uma história diferente: para seu avô uma história diferente começaria por garantir o acesso e permanência dos filhos na escola.

Era seu avô, que toda manhã levava-nos, eu e um dos seus tios até o ponto de ônibus, já morávamos no Centro e íamos até a Freguesia do Ó, estudar num colégio particular, de freiras.

Ainda estava escuro quando saíamos de casa, de mãos dadas, a passos largos e quando chegava no ponto seu avô, sempre tirava do seu bolso um punhado de balas.

Balas: essa guloseima feita de açúcar ou essência de frutas, leite para adoçar nosso trajeto.

Esse homem de poucas letras e de poucas palavras, mas de muita sensibilidade adorava deixar bilhetinhos nas datas especiais, tais como, aniversário, Natal, junto com seus presentinhos … aonde escrevia pouco, mas não deixava de dizer que nos amava. Isso me lembra um poema que gosto muito, da Adélia Prado, que diz assim: “…Minha mãe acha estudo/ A coisa mais fina do mundo./Não é/ A coisa mais fina do mundo é o sentimento./Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou comigo:/ “Coitado, até essa hora no serviço pesado.”/Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente./Nem falou em amor. Essa palavra de luxo.”

Sua avó guarda como relíquia alguns postais enviados por seu avô de quando ainda namoravam, coloridos e assim escritos: “… Ofereço A minha queridinha Luiza França com amor. Hagapito Santos”.

Sabe Lê, nesses cartões seu avô escreve seu nome de duas maneiras, algumas vezes com H outras sem; a mesma confusão, que muitas pessoas faziam quando escreviam seu nome. (Risos emocionados de saudades!).

Seu avô tinha dificuldades com o mundo das palavras, ou melhor, quem sabe “corrompesse o silêncio das palavras, não gostava de palavra acostumada” como bem diz, Manuel de Barros. Porém, tinha muita facilidade com o mundo dos números. Mais ou menos na sua idade, era ele que me ajudava a fazer as listas intermináveis de problemas de matemática. Aí, não havia dificuldade de compreensão e sim, muitas facilidades! Nunca precisou de calculadoras, no supermercado fazia de “cabeça” as contas e me espantava ao ver que o valor calculado estava muito próximo do que foi gasto: seu avô era o nosso “homem que calculava.”

Das balas aos números, dos números as letras, das letras aos livros…

Uma grande paixão de seu avô que também se tornou minha: nunca deixou de comprar as enciclopédias (Conhecer, Trópico, Os Bichos…), dicionários, gramáticas, as revistas, os jornais e quando nasci comprou a Coleção de Monteiro Lobato: sem dúvida era a forma de trazer para dentro de casa a cultura letrada que ele tanto admirava, mas não teve a oportunidade de usufruir e que sempre ocuparam lugar de destaque na estante e ele dizia: “Não é só para ver, é para tocar, pesquisar!” Usufruíamos do seu desejo, mexíamos por ele…

Quando seu avô morreu, descobrimos um fato revelador remexendo nos seus arquivos pessoais, organizados nas noites de domingo quando eu ficava por perto para ganhar papéis para brincar e para ajudá-lo a rasgar o que não servia.

Nos deparamos com uma preciosidade: uma pequena hemeroteca, sabe o que é isso?

É a sessão da biblioteca onde estão jornais e revistas. Seu avô organizou a sua guardando artigos de jornais e revistas que narravam os estudos sobre a diabete (vovô era diabético a mais de vinte anos) sonhava que os avanços da medicina propiciassem a tão esperada cura e o abandono da insulina. Montou sua pequena hemeroteca sem nunca ter entrado em uma biblioteca!

Então, minha menina, posso dizer que dele herdei a paixão pelos livros, pelas revistas e a mania de guardar artigos e suplementos de jornais que sempre acredito que um dia vou usar e não é que às vezes acabo usando mesmo!?! E, agora escrevendo para você dou-me conta o que fez com que anos mais tarde eu optasse por ser bolsista na Unicamp do Arquivo Edgard Leuroth, no IFCH. Trabalhava com recortes de jornais da década de 20 sobre a origem da Coluna Prestes e a vida de Miguel Costa, já ouviu falar sobre isso?

É uma parte muito importante da nossa história e qualquer hora conto um pouco para você.

Mas, nessa época uniam-se muitas vontades da sua tia: a primeira era a tentativa de me aproximar da História, afinal, era minha primeira opção no vestibular da Unicamp e outra para mexer, vasculhar, organizar documentos antigos, as marcas de meu pai em mim!

Lelê, num dia há vida. Vovô seguia um dia após o outro, sonhando apenas com a vida que se estendia a sua frente, com a chegada da tão desejada aposentadoria, depois de anos, muitos anos de árduo trabalho, fazendo muito serão para garantir a sobrevivência de sua família. Com a aposentadoria desejava retornar para sua terra, apesar da paixão pela cidade aonde criou seus filhos, sentia-se aqui, um pouco estrangeiro e sonhava retornar para o seu sítio, para cultivar a terra, reencontrar suas raízes, suas marcas. Porém, a vida nos aprontou uma surpresa, de repente aconteceu sua morte.

Mas, a vida tem nos ensinado que vovô ausentou-se e o que “a memória amou fica eterno”(Adélia Prado).

Direi: Faz tempo que não andamos de mãos dadas.

Irei ao centro da cidade: E na volta pararei em frente ao letreiro do Hotel Jaraguá.

Imaginarei: Está no sítio consertando a cerca e lá vem ele caminhando a passos largos, assoviando e anunciando sua chegada.

Um abraço apertado, com amor.

Tia Déia.

Andreia dos Santos de Jesus – Bela Urbana. Paulistana, pedagoga formada pela Faculdade de Educação da Unicamp. Uma mulher negra que escolheu a escola como morada. É nesse terreiro que honra meus ancestrais, travando batalhas e criando possibilidades poéticas de reexistir. È a orgulhosa Mãe de Marina, a menina que veio do mar, e que traz na sua pele a cor da mestiçagem brasileira.

Já escrevo para o blog há um tempo, mas ultimamente ando meio sumida…

Minha cabeça anda a mil, meu corpo em velocidade negativa…pelo menos é assim que me sinto.

Todos os dias levanto com um monte de ideias, mas o foco, cadê?

Não é assim como se eu não estivesse sendo produtiva… faço todos meus deveres normalmente, não estou deixando de entregar nada daquilo que é necessário, mas é isso, o necessário e pronto.

Parece que entrei no modo sobrevivência e não consigo sair dele.

Está estranho, desconfortável e ao mesmo tempo como se não fosse eu… parece que estou vivendo num tempo apartado do tempo… Será que dá para entender?

Minhas emoções andam à flor da pele.

A paciência… ah, a paciência se esvaiu pelos dedos.

Ando travando uma guerra nem tão santa entre a vontade de tacar um foda-se e a consciência de que todos, ou quase, estão vivendo no limite e por tanto é necessário segurar minha onda.

Não sei você, caro leitor, mas tenho tido muito mais oscilações de humor que o normal… quero muito acreditar que vamos tirar uma lição disso tudo, mas no momento tá bem difícil.

O que me resta é viver um dia de cada vez na esperança que a tempestade que se fez dentro de mim passe e dê lugar a um belo arco-íris.

Adriana Rebouças – Bela Urbana, formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos. Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante EnRaizAr em São José do Campos – SP.

Foto Adriana: Taine Cardoso Fotografia

Você já parou pra conversar com você hoje?

Bem, se não, tire um momento para isso!

Já parou para pensar em ti alguns anos atrás? Os seus sonhos, seus anseios?

Reparou que você se tornou aquilo que queria, ou a vida te levou algum outro lugar?

Não ganhamos manual de instrução para ser adulto, mas tua criança interior está contente com o adulto de hoje? Você já abraçou essa criança e permitiu que ela sorrisse? Ou chorasse mesmo?

Talvez não nos damos conta de quanto somos fascinantes, pois estamos tão preocupados vivendo nossas vidas que não acreditamos na capacidade que temos.

Se você também se sente assim, pare, pense um pouco, você é incrível só por estar vivo nesse 2021, não se cobre tanto, permita-se, porque no fim é só o que importa.

E aí você é feliz?

Ana Luíza Machado – Bela Urbana. Designer de formação, criativa na alma, guiada pela alegria, cidadã de mundo bonito.

Fui convidada a escrever um texto… pandemia, um ano depois.

Me estranhei com a dor muda, com o sofrimento silenciado, com a sensação de impotência e desesperança com que me deparei, ao tentar trazer em palavras minha vivência de agora.

Tantas perdas, tantas relações estremecidas, tantos momentos perdidos, tanta instabilidade material.

A principio estávamos lutando, sendo fortes, praticando resiliência frente a um inimigo imensamente maior que nós, contra o qual tínhamos poucas armas e nenhum conhecimento.

Agora estamos nos relacionando com um inimigo conhecido, antigo, com a manifestação da ignorância nos inúmeros erros de gestão. Erros que significam vidas. Erros que significam vazios. Erros que significam também nossa falta de capacidade de reagir enquanto povo brasileiro de forma organizada e assertiva.

Palavras de motivação e reflexões sobre como cada um pode lidar melhor com os fatos já não cabem mais.

Precisamos de palavras de misericórdia. Precisamos de compaixão ativa.

Precisamos transmutar essa dor muda em ação pelos mais necessitados.

Precisamos colocar nossos recursos internos e externos à disposição, para socorrer os que estão ficando pelo caminho. Para oferecer o pão, mas também a alma e o coração.

Direcionar nossa energia de indignação, dor e medo em ações de
corpo, fala e mente, na escala que nos for possível.

Etienne Janiake – Bela Urbana, psicóloga, professora de Yoga e meditação, mãe, se encanta pelo florescimento humano e pelo cultivo de relações mais lúcidas e compassivas. Nas horas vagas adora dançar e desenhar mandalas.

DOR

Quando falamos em dor pensamos em algo que machuca, mas a dor as vezes cura, fortalece e faz você perceber que aquilo que estava te trazendo tristeza pode ser o começo de uma mudança, pois aquilo mexe, bagunça e até dilacera dependendo da sua intensidade. Hoje foi o início de uma nova era, pois toda essa dor enraizada por um motivo que muitos tentam negar quando acontece, parece que dói na alma e que alguns deixam essa dor se transformar em doença, vou fazer todo esse mal virar amor, pois quem gosta cuida e não machuca.

Só tenho que dizer que é com seu desprezo que vou esquecer o que no fundo não teve significado nenhum para você.

Giovanna Finatti Domingo – Bela Urbana, é bem tímida, não consegue às vezes se expressar bem em palavras, mas a escrita a fez evoluir muito. Amo animais e não vive sem o seu cachorro, o Flocks.

No final do ano passado, antes do Natal, recebemos dois casais de amigos em casa. Naquela ocasião não me lembro de nenhuma notícia falando sobre o coronavírus.

Mal sabíamos que 3 meses depois, sentiríamos muita falta de momentos “simples” como esses. O assunto do momento era um tal vídeo do canal Porta dos Fundos, que tinha como enredo um Jesus Gay. Após o almoço, o tema do polêmico vídeo voltou à tona e alguém perguntou: vocês assistiram? Não? Então, vamos assistir. E assim o fizemos. Aqui cabe um parêntesis: não vou entrar no mérito se o vídeo é isso ou aquilo, se gostei ou não gostei ou se é certo ou errado. A reflexão que proponho aqui é outra. Qual o valor que damos às coisas que realmente importam?  Qual o grau de importância que damos à nossa família e as coisas mais simples, que não têm valor material? Mas o que tudo isso tem a ver com o tal vídeo de Jesus? Eu explico: ao terminar de assistir o vídeo e mediante a polêmica instalada naquele momento (que era grande), eu brinquei com um dos amigos e disse: “imagine só – Jesus lá de cima, vendo tudo isso e pensando – é serio que vocês estão se digladiando por causa de um vídeo que me retratam como gay?” Voltando à nossa reflexão: qual o grau de importância que Jesus, do alto de sua inteligência superior, daria para um fato desses? Por coerência, a resposta é muito simples: muito provavelmente não daria a menor importância, porque ele está muito acima de tudo isso. Mas e nós? Qual a importância que damos para aquilo que realmente tem valor: as coisas mais simples, como um abraço, um almoço entre amigos ou um passeio de bicicleta na chuva? E de repente, não mais que de repente, fomos obrigados a nos olhar uns para os outros. Mas olhar de verdade (olho no olho mesmo). Conviver de verdade. Se preocupar de verdade. E como uma criança que é colocada de castigo, fomos compulsoriamente convocados: terráqueos, parem e pensem no que vocês estão fazendo.

Ok, estamos todos pensando. Que possamos aprender a lição. Será?

Vinícius Eugenio – Belo Urbano48 anos, publicitário, redator, atua com criação há mais de 25 anos, mas sem dúvida, a sua melhor criação, feita em dupla com a Leila, foi a Valentina. Espirituoso, prático e pragmático, gosta tudo de preto no branco, até por isso, é corintiano razoavelmente apaixonado. Saudosista confesso, colecionador de objetos antigos e admirador nato de Fuscas antigos. 

Eu começo o dia lendo notícias ruins nos sites, na TV e logo em seguida, parto para minha energia diária…o site Só Notícia Boa…, lá mostra o lado bom de tudo, inclusive sobre este assunto e aí as informações ficam balanceadas…mas meu coração prefere terminar o momento de atualização “com notícias positivas…o dia fica bem melhor”!

Mas, estou em casa e a minha realidade é o que realmente importa.

Minha mãe de 83 anos em casa, filhos sem aula em casa e…de repente o WhatsApp toca. Era minha manicure confirmando o horário de amanhã.

Pensamento 1- Meu Deus, eu não posso ir, não posso fazer isso com minha mãe…será que seria perigoso pra ela? Será que eu seria culpada se eu passasse algo para ela? E meus irmãos? E minha família?

Pensamento 2- Puxa, como sou egoísta, eu é quem poderia levar o vírus pra minha manicure, afinal, ela tem uma mãe acamada e corre mais riscos do que a minha… Ela seria culpada por trabalhar? E o dinheiro dela no fim do mês? E se alguém da família dela pegasse de mim?

Pensamento 3- Nossa, será que preciso mesmo correr este risco? Eu não sei se tenho alguma coisa que ainda não apareceu.

Pensamento 4- E meus clientes? Vai aparecer minhas unhas sem fazer nas reuniões online?

Foi assim minha tarde, uma mistura de sentimentos…às vezes egoísta, às vezes com medo… e foi aí que o amor e a gentileza falou mais alto…

Comecei a pegar os ovos, a manteiga, o leite, a canela, a noz moscada, a ameixa, a farinha de trigo….misturei tudo…, mas achei ainda faltava alguma coisa especial…coloquei então castanhas e mel, que nem tinha na receita. Dei um toque final com fermento em pó, muito amor e bons pensamentos…

Em seguida, untei a forma e coloquei tudo lá dentro. Com o tempo, o cheiro foi se espalhando pela casa toda e todos perguntando que eu estava fazendo e a resposta foi… estava fazendo quarentena, cuidando da família (fiz dois) e fazendo gentileza!

Pode ser que enquanto você esteja lendo este texto, ainda tenha sobrado um pedacinho de bolo no salão da Paula…

Mas se quiser a receitas, me liga…a gente aproveita, bate um papo, você passa o tempo e minha quarentena em casa ficará ainda mais divertida!

Agora, sem unha bonita, mas com muita consciência e muita gentileza!

Roberta Corsi – Bela Urbana, coordenadora do Movimento Gentileza Sim que tem como objetivo “unir pessoas que acreditam na gentileza” e incansavelmente positiva, para conhecer o movimento acesse https://www.facebook.com/movimentogentilezasim 

De repente parei pra pensar e me deparei com algo inusitado… A força e o poder do medo!

Foram algumas notícias incertas, alguns dias de algo mais concreto, e pronto! O caos se instaurou, o pânico tomou conta e a tragédia aconteceu.

Fico me perguntando o porquê de alguns seres humanos terem tanto medo de adoecer e morrer, mas não se importam com o sofrimento e morte alheios.

Ao mesmo tempo, tantos outros são dedicados, disponíveis, capazes de uma doação íntegra, com atos ininterruptos de dedicação. E aí fica a questão… O que determina esse comportamento? O que é realmente transformador e faz com que atitudes estúpidas de uns sejam inversamente proporcionais à grandeza da empatia e entrega de outros?

Neste caso agora, o tal “invisível a olho nu”, que tanto estrago tem causado, imagino que mudou comportamentos porque vem apavorando a sensação de finitude gerada.

A vulnerabilidade escondida atrás dos muros da soberba, da ambição, do poder, de repente vem à tona e transforma todos igualmente em seres frágeis.

A capacidade de afetar um mundo gerou um sentimento igualitário… o pânico! E através desse medo incontrolável, a busca por sobrevivência se tornou o denominador comum.

Mas as evidências ainda mostram as diferenças. O sistema deixa de amparar uma classe, isso é injusto! E mortes continuam a acontecer… Os motivos são diversos, tão graves quanto esse. E o que efetivamente está sendo feito?

Também passada a pandemia, algo irá mudar?

Os olhares serão mais generosos? A mão poderá ser estendida para tirar alguém do chão? O abraço será um gesto que salva vidas? Poderemos nos aproximar e nos sentirmos seguros, amparados?

Será utopia?

Mais que isso, é o desejo genuíno de que ocorram mudanças. Mudanças de almas…

Passou da hora de ressignificarmos os olhares, os apertos de mãos, os abraços, os beijos, os valores, as prioridades… enfim, a vida!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Faltou sinceridade…

Faltou vontade …

Faltou disponibilidade…

Faltou verdade.

Será que ninguém te contou, menina, que palavras ditas sem pensar podem machucar?

Que um não te quero mais pode doer bem menos do que um eu te amo por impulso?

Ah, menina, menina. Para que me induzir a te esperar se já sabia que nunca seria minha?

Para que me fazer e me ver chorar, se não entendia esse sentimento?

Pegou minha mão, menina, num momento difícil e de medo. Soltou ela com rapidez quando o momento se fez pouco mais leve.

Preferiu fugir da conversa com este que um dia jurou ser o amor da sua vida.

Transformou em sonho e em lembrança, o que dizia ser tão real, menina. Fugiu, fugiu e segue fugindo, menina… de mim, de você e de quem ouse se aproximar…

Se por um lado, faltou sinceridade…

Faltou vontade …

Faltou disponibilidade…

Faltou verdade.

Por aqui menina, faltou coragem. Faltou entender a mensagem. Faltou parar com a bobagem. Faltou ir à luta e seguir viagem.

Mas a pergunta que fica é: quem nunca se enganou e culpou o outro por criar uma personagem?


Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!