TERCEIRO CAPÍTULO

Entre minutos e outros a senhora pequena ao meu lado falava sem parar e eu sabia que aquele discurso iria nos acompanhar. Então me livrei de meus argumentos filosóficos sobre Respeito e Coragem, e dei atenção única para ela, que falou sobre sua vida sem constrangimento. Falou de sua doença, dos filhos e de sua trajetória pela vida. O seu filho mais velho bêbado em potencial, alcoólatra, e pasmem era aquele que eu mesma havia observado colocando-a no ônibus. A senhora tinha alguns hematomas nos braços e pasmem eles foram providenciados pelo espancamento deste filho de apenas 58 aninhos! Quase um idoso? Penso eu! Difícil de acreditar que aquele senhor que a colocou dentro do ônibus com tanto carinho, dando conotações ao motorista, para que ele cuidasse de sua mamãe durante a viagem! Por favor, não a perca de vista de forma alguma! Sabem que eu não percebi nenhuma rudeza nesse comportamento! Mas… seriam devaneios? Devaneios Maternos?

QUARTO CAPÍTULO

Ah! E a filha mais velha que gritou com ela e muito alto os seus berros que ela ficou tão rouca, e sem voz! Ao que a senhora profetizou: Tomara que seja para sempre! OPA! Praga de mãe pega?? Ah! Continuando, ela precisou vender o sítio, lá no PARANÁ, um lindo Estado Brasileiro, isto porque nenhum dos filhos quis semear e plantar, produzir após o falecimento do bêbado marido! (Via-se que o alcoolismo era característica de família.) Conversa vai… conversa vem… Estávamos na Rodovia dos Bandeirantes, o sol maravilhoso após muitíssimos dias de chuva, temporais, acidentes e isso estava acontecendo com horários prescritos pela NATUREZA, nos mostrando com esse forte barulho, a sua CORAGEM em defender os seus direitos adquiridos. Observação: A NATUREZA É BELA! E a senhora encantada com a mata ao redor, ela comentava dos bichos, das flores que deveriam ser encontrados bem ali ao lado da estrada, que beleza que era a natureza, a senhora vibrava! Ela me confessou que nunca havia viajado por aquela Rodovia, a estrada realmente era muito boa, agora ela poderia dizer aos amigos eu viajei pela BANDEIRANTES!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Ela era dessas pessoas confusas. Confusas e centradas. Coisas dúbias em uma só pessoa e talvez isso fosse o que a tornava mais interessante.

André era apaixonado por ela, dizia isso. Ela gostava dele, já foi também apaixonada, mas hoje já não mais. A paixão secou, como água da torneira da sua cozinha por culpa do encanamento do vizinho. A pia ficou com as coisas para lavar, sujas, mas não tem o que fazer, até a água voltar.

Jantou o macarrão de ontem, frio, nunca gostou de comer comida requentada. Hoje só queria ficar só, e estava… André, estava por ai e ela nem ai, não ligou, apesar do dia merecer uma comemoração especial.  Dia dos namorados. Ela hoje não liga para datas, na adolescência sim, mas hoje, tantos anos depois da adolescência não mais.

Depois do jantar, mais um prato, copo, garfo e faca para a pia suja, ela olhou tudo aquilo com desgosto e sem ao certo saber o que fazer para resolver. Terá que resolver com o tal vizinho.

E por falar em vizinho se não fosse tão esquisito seria interessante. Era interessante, mas era esquisito. Quantos anos tinha? Acho que era um pouco mais novo que ela e sempre a olhava quando estavam no elevador.

Resolveu tomar banho, colocar seu perfume favorito. Usava seu perfume até para dormir sozinha. Era para ela. Amava aquele cheiro. Tentou dormir cedo, mas seu relógio biológico não ajudava para isso. Foi para a sala, ligou a TV, a TV sempre dava sono, mas nada. Foi para internet e ali despertou de vez, com ele, aquele que agora fazia ela sorrir, gargalhar. Ela só observava o que ele postava e quantas eram as que respondiam para ele. Muitas…

Ele era história antiga. História dela com ele. Dele com ela. Cada um pelo seu olhar. Seguiam suas vidas separadamente. Ela lembrou da música da adolescência “no balanço das horas tudo pode mudar”, cantava com a amiga da escola em um dia 12 de junho de muitos anos atrás. Ela lembrou e confusa que era pediu para o “Papai do Céu”, sim, ela ainda se referia a ELE como “Papai do céu”, pediu com fervor, pedir com amor e com um certa dose de dor.

Pediu que tudo fosse para o lugar certo. Que a água voltasse. Que a comida nunca faltasse. E que a alma dela encontrasse a dele frente a frente. Cara a cara. Corpo a corpo. Olhos nos olhos. Que pudesse ser seu nAMORado. Que esse tempo, esse das horas da música,  que enfim, chegasse para eles. Coragem.

Pegou no sono. Sonhou com merda. Sim, merda. Não estranhem, isso é um sonho que trás sorte. Presságio bom. É o que dizem…

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

Vivemos a era dos relacionamentos voláteis. Aqueles que “evaporam” ao menor sinal de cansaço, chateações ou dos velhos problemas do cotidiano que afetam a todos nós. Afinal, o “mercado” está tão fácil que é muito mais simples largar o “avatar (vulgo parceiro(a))” atual e procurar um novo que preencha perfeitamente nosso formulário interno dos “requisitos” perfeitos para termos a famosa “harmonia”.

Só que essa perfeição mágica (e ilusória) esperada em relacionamentos não faz parte de um mundo cada vez mais contaminado por egos, egoísmos e, de novo, volatilidade sem limites.

Como crianças, trocamos de “brinquedo” sempre que enjoamos do antigo. Iniciamos (ou pensamos que) um novo ciclo, sem rumo, sem direção. O resultado degenerativo de tudo isso se mostra no “vazio” que vemos em nossos meios sociais onde o jogo da conquista pelo próximo “avatar” é muito mais prazeroso do que manter a “antiguidade” que já temos em nossas vidas.

Hoje o certo (e visto com bom olhos) é desistir e não consertar como era na época dos nossos pais. Trocar é fácil, ficar é ridículo. Isso é cool! E, dessa forma, com cabeças (e mentes) superficiais nos vangloriamos de termos novos “avatares” aos quilos espalhados por nossas vidas. Agora estamos chafundando no próprio lodo que criamos em uma sociedade massacrada, estressada e depressiva.

Um viva a modernidade que nada resolveu e que nada criou de concreto.Ainda somos marionetes controladas por nossas vontades voláteis e ilusórias. Uma hora iremos acordar, só que o tempo… (como dizia Cazuza), “ o tempo não para…”

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Luis Fernando – Belo Urbano, jornalista que trabalha com projetos digitais desde 2000. estudante iniciante de budismo tibetano há quatro anos, o que ampliou seu olhar sobre a vida e seus desdobramentos 

Comecei a pensar nesse tema ao observar como os homens querem a atenção das mulheres para seus assuntos, mas não prestam atenção no que as mulheres querem dizer.

É comum ver piadinhas, memes, cartoons mostrando as mulheres falando sem parar e os homens entediados, sem prestar atenção ou batendo o carro, ou a mulher com a boca calada pelo cinto de segurança, enquanto o homem dirige tranquilo.

O que tenho observado é que há um conflito entre os assuntos de interesse do homem e da mulher. Muitos homens gostam de contar para a mulher seus novos projetos, seu dia no trabalho, sua discussão no trânsito. Enquanto outros, por considerarem seus assuntos somente interessantes para homens só conversam com os amigos do futebol, do trabalho, do bar. A mulher gosta de dividir seus assuntos com o parceiro, mas normalmente não encontra interesse da parte dele.

Mulheres gostam de falar sobre relacionamentos, comportamento. Quando comentam sobre o trabalho, geralmente falam sobre as atitudes do chefe ou dos colegas. Quando expõe seus projetos, levam em conta a parte humana da coisa. Para os homens, mais práticos, não interessa saber esses “detalhes”.

Os assuntos das mulheres que optaram por tomar conta do lar e das crianças, são ainda menos interessantes para eles. A nova receita de bolo, como as crianças se comportaram, tudo lhes parece tão chato!

A questão é que esse desinteresse gera uma distância tão triste entre um casal, uma falta de diálogo, que, acredito eu, tem causado muitas separações de casais.

Aquela pessoa que, um dia foi o centro dos seus interesses, de repente se torna alguém com quem você não quer conversar.

Para manter a chama do casamento ou do relacionamento acesa, não é preciso só sexo, mas é preciso saber ouvir, ter interesse no outro, compreender suas carências, suas necessidades e dificuldades. Temos dois ouvidos e só uma boca, por isso, temos que aprender a ouvir.

Filipa Mourato de Jesus –  Bela Urbana, 43 anos, a espera do terceiro filho, ex bancária concursada, atual mãe em tempo integral, larguei tudo em busca de fazer o que amo, quero ser confeiteira!

 

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Ela e somente ela entendeu o significado daquilo tudo… lágrimas escorrendo pelo rosto e um sorriso esquisito nos lábios… fez um birote nos cabelos, amarrou – os com um nó, subiu no salto, batom vermelho nos lábios… Se olhou rapidamente no espelho… sorriu novamente esquisito: essa sou eu se desescondendo de mim… sim a palavra é essa mesma: desescondendo…

Olhou para o céu… Não estava o calor que tanto ama, mas Oxalá não chovia. Fez sua oração em silêncio.

Conferiu de novo o espelho e achou que tudo ok com o que viu… mas esses olhos vermelhos não combinam.

Ligou o som nas alturas e saiu dançando sozinha. Sem se importar com os vizinhos ou com os curiosos na rua…ficou exausta de tanto dançar… desceu do salto, tirou o batom, chacoalhou o cabelo… botou o pijama… olhou para o espelho… e dessa vez não viu um sorriso esquisito.

Viu somente e tão somente a ela. E há quanto tempo isso não acontecia. E há quanto tempo ela não se pertencia.

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Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

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Como curar dores de amores mal vividos, não correspondidos ou incompreendidos? Será que é possível?

Pensando sobre amores, dores e comidas a primeira coisa que me veio à cabeça foram imagens das “mocinhas” da telona afogando suas mágoas num delicioso pote de sorvete…será?! Me lembro também, de quando era adolescente (faz só um tempinho, hein?! Rsrs) e que sempre pensava: “se algum dia eu tiver uma desilusão, resolvo com sorvete “… nunca tirei a prova.

Hoje, na idade adulta, já tendo passado por milhares de desilusões fui levada novamente a pensar sobre isso. Será que existe algum tipo de comida que preencha àquele vazio deixado pela pessoa amada? Que transforme desilusão em alegria? Que nos dê um conforto num momento de dor?

Realmente não tenho a resposta para isso. O que acho, é que uma comidinha gostosa, preparada com carinho, sempre vai trazer , se não alegria, pelo menos prazer. Um pote de pipocas, para quem gosta, pode ser um momento de esquecimento ou um encontro consigo.

O importante é se permitir desfrutar dos pequenos prazeres. E aí, pensando nas minhas próprias desilusões, me veio uma saudade imensa daquilo que não volta mais. O que eu faço com essa saudade? Tem dias que faço graça, tem dias que faço caipirinha…hoje, fiz brigadeiro! Gourmet! Rsrsrsrs

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Adriana Rebouças – Bela Urbana, formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante chama EnRaizAr e fica dentro de um espaço de yoga e terapias que se chama Manipura em São José do Campos – SP.

shutterstock_8176741 Conversa definitiva

Oi, tudo bem com você?

(silêncio)

Acho que sim, não dizem que quem cala consente? Então entendo que tá tudo bem.

Voltando àquele assunto de ontem, eu já disse que essa textura me arranha, eu sei que você vai dizer que eu já disse isso, mas você ainda não fez nada, continua tudo igual, foi por isso que voltei no assunto e quero saber se você pensou, se refletiu, se pode mudar… sei lá, poxa, me fale alto.

(silêncio).

Continua sem dizer nada, imóvel, podia pelo menos argumentar, discordar que fosse, dizer qualquer coisa, mas não, fica aí com essa cara.

Não adianta, assim vai rachar, não vale ter somente cimentos e tijolos, no meu corpo tem sangue que corre nas veias, meu coração acelera, minha voz embarga, berro, falo baixo também, mas não deixo os anos me endurecerem como você.

Porra, fala alguma coisa… NADA, sempre NADA.

Imóvel, é assim que sempre fica, que é.

Continua aí com essa textura ridícula. Me agride, é fato, mas é fato também que te agride mais, um dia talvez você compreenda, mas pode ser tarde demais.

Acho que não irá compreender nunca, é mais seu estilo. Não vai falar nada?

(silêncio)

É, tô vendo que não tem conversa mesmo, é melhor eu seguir meu rumo, mas eu gostaria de dizer só mais uma coisinha.

Essa cor de gelo é deprimente, não lhe cai bem, não é atraente, sempre achei tão difícil te dizer isso, mas agora é hora, pelo menos você fica com a verdade.

Sim, essa é a minha verdade, o meu ponto de vista. Faça o que quiser com a informação, mas, se bem te conheço e acho que sim, nada fará com essa informação, continuará cor de gelo, que saudades tenho quando era amarelo vibrante.

Adeus.

Depois dessa conversa eu vou, alguém já tinha me dito que parede não responde e que também não corresponde.

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde é a responsável pela autoria de todas as histórias do projeto. Publicitária, empresária, poeta e contadora de histórias. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing www.modo.com.br, suas poesias, histórias e as diversas funções que toda mãe tem com seus filhos. Adora boas conversas 🙂