Nesses últimos dias do ano fiz algo bem diferente, resolvi apostar na loteria. Estava no Shopping com meus filhos e fui pra lotérica, minha filha estranhou. Sim, é de estranhar mesmo, porque eu nunca aposto ou jogo em nada.

Enquanto estávamos na fila conversamos sobre o valor do prêmio, eu disse que se ganhasse iria gastar com compromissos, meu filho me interrompeu na hora e disse, não, se você ganhar nós vamos viajar todos juntos, você vai ficar com uma reserva e vai ficar mais tranquila.

Eu sorri e disse, você está certo, não posso achar que vim aqui só pra trabalhar. A vida não é só trabalho. Ela é trabalho sim, mas é diversão também. Ela é construir, mas é também descansar. A vida é hoje, não da pra deixar todos os sonhos para amanhã. Bom senso sempre, mas bom senso não quer dizer se privar de tudo que você gosta no presente, esperando um futuro que nunca chega.

Esse ano foi um ano conturbado, um ano em geral difícil em vários aspectos para a maioria das pessoas aqui no Brasil, eu estou nessa maioria. Mas por mais difícil que seja um ano, ele não se faz somente de problemas. Se faz de aprendizados, se faz de persistência, de faz de generosidade, se faz de mãos dadas. Você já pensou em quantas mãos você segurou esse ano? Já pensou em todos que abraçou durante o ano? Já pensou se você mais agradeceu ou se lamentou?

Estou pensando no que não fiz e queria ter feito. Estou pensando nos imprevistos que me tiraram o sono. Estou pensando nas pessoas que estiveram do meu lado, muitas dessas pessoas já estão por muito tempo. Estou pensando se fui generosa e ajudei como fui ajudada. Estou pensando o quanto cresci e quanto ainda tenho para crescer.

Estou pensando nos caminhos que andei, nas paisagens que apreciei, nas fotos que tirei, nas músicas que ouvi, nos pratos que comi, nos livros que li, filmes que assisti. Nos beijos que dei, nas risadas que dei e junto com quem, gargalhadas e nos choros também.

Penso que o tempo vai passando e vamos tendo cada vez mais claro e certo o que fato importa. Importa ter saúde antes de tudo.

Então, minha grande reflexão desse ano é viver um dia de cada vez, sem fazer planos para um futuro tão distante. VIVER sem radicalismos, um pouco da cigarra e um pouco da formiga.

Então, vamos em frente, de cara limpa e coração aberto para 2018.

PS.: Não ganhei na loteria…mas aprendi a lição do ano. E você qual foi sua lição desse ano?

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :).

Quando criança sempre fui magro, os amigos daquela época podem confirmar, morava na Aeronáutica em Santana, São Paulo, chegava a escola e todos os dias tinha futebol ou algum tipo de brincadeira, até esconde esconde com bola, foi uma infância maravilhosa. Eu não era magro, eu era muito magro.
Na adolescência mudamos para uma casa, mudei de escola e não tinha amigos, a casa era muito boa, mas ficava em uma rua íngreme, sem a segurança que existia na anterior. Tinha poucos amigos e quando voltava do colégio ficava na maior parte do tempo na TV, sempre comendo alguma coisa.
Por um tempo treinei handebol no Banespa, mas naquele momento a obesidade já demonstrava seus primeiros sinais.
Quando completei 18 anos, perdi meu pai e tive uma fase difícil em minha vida, havia acabado de entrar em engenharia e não consegui suportar o trote da Mauá Engenharia, nunca falei nesse assunto, grande parte em decorrência da obesidade.
Passados mais alguns anos me casei e retornei aos estudos, trabalhei em uma construtora por um longo período, me formei em administração, fiz estágio na Sabesp, passei no concurso da Sabesp e arrumei um emprego na Abril, decidi pela Abril.
Na árvore fiz muitos amigos, sofri preconceito devido ao estágio avançado de obesidade, mas sempre procurei ajudar as pessoas e fazer novas amizades. Muitos amigos sempre me incentivaram pela redução bariátrica, mas eu sempre protelava. Depois de 20 anos de empresa sofri meu primeiro acidente rompendo o quadríceps da perna direita, com 216 kilos. Fiquei 43 dias internado. Retornei ao trabalho após 4 meses com 202 kilos. Cinco meses depois nova queda dentro da empresa e 40% de rompimento do joelho esquerdo, porém após essa queda já não conseguia subir escadas escadas e convivia com fortes remédios para para suportar as dores. Almoçava dentro do carro, pois o refeitório tinha escadas e na Van que levava ao Shopping eu não conseguia subir.
Somente no dia 30/12 o joelho esquerdo rompeu totalmente e fui novamente operado, mais 35 dias de internação. Nesse momento aceitei que não poderia mais ser obeso mórbido e providenciei todo o processo da cirurgia bariatrica, realizada em Abril de 2017. Já perdi 59.1 kilos. Porém minha recuperação do joelho esquerdo e do fortalecimento das pernas vem apresentando problemas. Hoje existe um risco de romper novamente o quadriceps esquerdo. Tive condromalacea e o joelho já saiu 9 vezes do lugar. Decidi fazer um tratamento no centro de reabilitação do Sírio Libanês, tenho que agarrar essa chance e evitar esse rompimento, caso ele ocorra não poderei mais andar.

Estou contando tudo isso para que meus amigos vejam os perigos da obesidade e evitem a todo custo que isso ocorra em suas vidas, de seus familiares e de seus filhos.

Por recomendação médica não posso subir nenhum degrau, devo andar somente com muletas e fazer o tratamento de fortalecimento com urgência.

CUIDEM DE SEUS FILHOS!!!

EVITEM A OBESIDADE !!!

Ainda nesse mês completo 52 anos de vida!

Silvio Lavras – Belo Urbano, administrador de empresas, trabalha na Editora Abril há 22 anos (mas por causa da obesidade está há um ano afastado do trabalho), palmeirense, adora viajar. Antes da redução bariatrica gostava de pizzas e churrascos, hoje se alimenta de tudo, porém em quantidade mínima. Casado há 31 anos com Claudia Lavras, não tem filhos.

Sempre ouvi dizer que não adianta dar o peixe, se você quer ajudar tem que ensinar a pescar.

Acreditei nessa máxima por muito tempo, mas hoje, acredito que cada caso tem suas diferenças e portanto não existe verdade absoluta.

Outro dia aconteceu um fato interessante comigo. Há muitos anos não dou esmolas no semáforo, mas outro dia, logo cedo, parada em um, dei para uma mulher R$ 0,50, a moeda que estava disponível no painel do meu carro. Ela me agradeceu. O farol abriu e sai pensando na vida, em mim, na mulher. Não era o valor pequeno, era o ato, era minha atitude. Era a mudança da minha atitude.

Não dou esmolas em semáforos porque há muitos anos conversei com uma assistente social que trabalhava com crianças, adolescentes e moradores de rua e ela me explicou como essas ajudas não ajudavam, principalmente as crianças. A questão  dita foi que no caso das crianças, por pena, as pessoas tendem a comprar mais coisas que os pequenos vendem ou mesmo dar dinheiro e isso incentiva que eles fiquem na rua ao invés de estarem na escola, muitas vezes por opção dos pais. Enfim, ouvi atentamente toda a explicação daquela profissional e nunca mais dei nada em semáforos até esse outro dia.

Por que dei? Dei porque nos últimos tempos, descobri que tem horas que as pessoas precisam de colo, precisam literalmente de ajuda. Ajuda para as necessidades básicas: comida e saúde. Eu sei que os meus R$ 0,50 não são nada e não a tiram da miséria, mas me tiram da miséria de achar que toda regra é totalmente verdadeira e absoluta. É só quem ensina a pescar que está certo? Não, definitivamente não.

Não quero estimular crianças na mendicância e nem seus cuidadores nesse abuso, por isso continuo a negar esmolas para eles, mas isso também pode mudar se por algum outro motivo  um dia eu achar que devo agir de outro modo. Com adultos, já penso diferente, se eu achar que devo dar, vou dar como fiz, sem culpa, sem julgamento com o outro e comigo mesma.

No dia que fiz isso, coincidentemente, recebi horas depois, o texto postado ontem “O rapaz do farol”. Muito estranho, porque é um assunto que nunca foi colocado em pauta com ninguém que escreve no blog,  e cá entre nós, um assunto pouco discutido na mídia, mas estranhamente o texto veio para mim no mesmo dia que dei a tal esmola. Me fez pensar. Mais uma vez me fez pensar.

As vezes não existe tempo para ensinar a pescar, tem horas que é urgente dar o peixe. Tem horas que só precisamos receber esse peixe. Só isso. O resto fica para depois.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos www.3bis.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

 

 

Fui convidado a escrever para o “Belas Urbanas” depois de uma troca de constatações e relatos que eu e um grupo de amigos compartilhamos pelo Whatszapp. Achamos o assunto pertinente e atual, portanto parto daqui este relato.

Escrevo aqui hoje sobre uma preocupação minha e de grande parcela da população e da sociedade urbana mundial – a obesidade e suas consequências.

Viajei com minha família para Orlando/EUA em julho/16 com objetivo de conhecer, em família, os parques temáticos e um pouco da cultura norte-americana. Já tinha viajado para o mesmo destino em 1995 e em 1997. Mas em relação a esta última viagem, muita coisa mudou, muita coisa me assustou. Falo isso sobre a questão “corporal”, objeto de estudo da minha profissão, que é o corpo e o movimento humano na perspectiva do Educador Físico (profissão esta que abraço com carinho há 27 anos).

Quando estive nas primeiras vezes nos EUA, já tinha ficado extremamente chocado com a quantidade de obesos que encontrei por lá. Não era a maioria, mas sim pessoas distintas, um ou outro membro de uma mesma família, que apresentava essa, digamos, diferença corporal. Mas já eram muitos.

Em todos os lugares por onde passei – parques, centros comerciais, dia a dia – me surpreendeu aqueles corpos bem acima do peso que consideramos como ideal (ainda que consideremos como “ideal” uns quilinhos a mais nesse parâmetro). Eram corpos, desculpem a expressão, monstruosos. Vi pessoas já demonstrando sérias dificuldades em realizar movimentos simples, como o caminhar. Percebi, em suas grossas pernas, marcas arroxeadas e algumas feridas provocadas por problemas circulatórios e, possivelmente, causado pelo entupimento de veias e também pelo diabetes. Percebi em suas posturas, cansaço fácil e dificuldade em respirar.

Mas voltemos para 2016. A propagação midiática agora, da busca de uma qualidade de vida, é toda baseada no “saudável” – alimentos light, diet, sem gordura trans, facilidade de acesso a programas de atividade física, nova geração de profissionais de saúde atentos à questão – enfim, parecia que eu iria observar mudanças ao chegar lá.

E o que encontrei nos EUA, mais especificamente em Orlando, nos mesmos parques, centros de comerciais e no dia a dia, após esse tempo? Uma nova e aterrorizante constatação: agora várias pessoas de uma mesma família estão acima do peso e extremamente obesas. Já não andam com dificuldade…porque não andam mais. Como assim? Andam de carrinhos elétricos, motorizados. Nos parques você tem que desviar dos carrinhos de bebês e dos carrinhos motorizados dos adultos. Até adolescentes utilizam esse meio de transporte. Comida? Continuam se alimentado aos montes. Atividades físicas cotidianas e exercícios? Faz-me rir…

Fiquei pensando naquele velho ditado: “em terra de cego quem tem um olho só é rei”. Permita-me modificá-lo para “em terra de caminhantes, quem der o primeiro passo será…SAUDÁVEL”.

Maurício Maia – Belo Urbano – educador fisíco, ama a família, gosta de uma boa caipirinha e um happy hour com os amigos, principalmente os da infância… 😉

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O que dizer de uma rotina maluca, com diversas atribulações e responsabilidades profissionais, filho, marido, casa pra cuidar e some-se a tudo isto, dores na cervical  mais precisamente com uma Hérnia de disco que atingia diariamente minha musculatura, causando dores no pescoço, na base do crânio e dores de cabeça absurdas!

Contar essa experiência parece uma coisa meio catastrófica, mas quando o você encontra algo que te faça parar bruscamente é  que você pensa porque que não percebi ou tratei com mais seriedade os sinais que meu corpo vinha dando! Pois bem, até que um dia, daqueles corridos na marginal Tietê de São Paulo, guiando o meu carro sozinha o meu corpo e meu cérebro resolvem que não queriam mais “brincar” deste jeito. Uma crise de pânico me acometeu…. queria sair correndo e largar o carro no meio da avenida, os olhos já  não enxergavam a marginal, o coração em total aceleração, uma tremedeira que você não comanda mais os seus movimentos, enfim a tal sensação de morte. Podemos falar em coincidência, mas prefiro acreditar que nossos protetores nunca nos abandonam e de repente a CET estava rebocando um carro e interditou a “marginalzinha” e foi neste instante como último fôlego que consegui atravessar o carro em direção a um posto de gasolina. E ali fiquei!

Eu queria que chamassem os bombeiros, mas o posto não podia ficar com o meu carro. Foi então que consegui relatar para o meu marido, que imediatamente saiu de Campinas para me buscar em um posto na marginal, pois eu não conseguia dizer em que altura estava. O Meu Amado foi a SP o tempo inteiro conversando e me acalmando e me dizendo o que estava acontecendo. Até que ele chegasse,  tratou de acionar minha mãe…. e só mães fazem isto…. ela veio ao meu encontro entrando em todos os postos Shell que encontrou na marginal (pois o nome do posto foi a única informação que conseguia enxergar) e fez com que o posto ficasse com meu carro! Ela levou para casa dela e esperamos marido chegar com já com o Rivotril e me tirar da crise!

Posso dizer que tudo foi muito forte e intenso, nunca havia tomado uma medicação desta, mas a situação exigia. Hoje, com uma mudança radical no meu estilo de vida, exercícios físicos terapia e ainda uma pequena dose de medicação específica posso dizer que estou bem e longe de passar por algo semelhante a esta experiência.

Portanto, se posso dar um toque em vocês meninas, é fiquem atentas aos sinais dos seu corpo…. cansaço excessivo, tonturas constantes, dores de toda ordem, estresse, falta de paciência, agitação… enfim…. tratem-se, cuidem-se, nada melhor do que nos sentirmos equilibradas e com saúde!!! Tenho percebido com algumas pessoas que converso que muitas já passaram por isto, mas não contam…. Acho que devemos falar sobre o assunto pois os alertas nos deixam atentas. Eu confesso que não tinha a menor ideia o que meu corpo estava dizendo e que a crise de pânico poderia ser uma consequência. Hoje refeita, com muito amor e apoio da minha família, com minhas orações, posso olhar e dizer que tudo passou, mas que acima de tudo, a cura está em nós mesmas, nas mudanças de atitudes, prioridades e claro focar em NOSSO bem-estar, em nossa saúde física e mental …. em nossa real felicidade!

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Lucia – Bela Urbana, mais de 40, aqui somente Lucia, só seu nome, sem sobrenome, mas poderia ser Maria, Ana, Clara, Fabiana, Renata, Camila, Tatiana, Juliana, Alessandra, Sonia, Sandra, Raquel, Regina, enfim…tantas. O depoimento é real e serve de alerta para os sinais que antecedem uma crise e para percebermos que a vida deve ser mais leve no dia a dia.