Somos uma CASA… “CASA PRÓPRIA”

Somos a IMOBILIÁRIA… “SEM SOCIEDADE”

Somos os MÓVEIS… “PERSONALIZADOS”

Somos o CHAVEIRO… “SEGREDOS ÚNICOS”

Somos o RESPONSÁVEL… “PELOS CUIDADOS”

Somos as PLACAS DE SINALIZAÇÕES/SEMÁFORO… “USO OBRIGATÓRIO”

Somos o SEGURANÇA… “AUTORIDADE”

Portanto, nós não devemos nos esquecer de que todos nós somos o PROPRIETÁRIO nesse INVESTIMENTO PESSOAL…Temos que ter atenção aos INVASORES ditos SEM TERRA… E também não oferecer o USUCAPIÃO…

O uso natural da PALAVRA NÃO temos que aprender… Esta ATITUDE não significa EGOÍSMO, e sim RESPEITO por nós mesmos. E também temos que usar as nossas PLACAS de SINALIZAÇÕES sem sofrer mesmo… E não precisamos nos mostrar BONZINHOS e muito menos SERVIS quando sentirmos PERIGOS.                                                                    

Somos a “ÚNICA ESPÉCIE” que PODE se dar ao “LUXO e ao LIXO”… E também “SE LIXAR” pelos acontecimentos dentro de nossa CASA… Pensem nisso, pois a ANALOGIA pode ajudar e muito sobre o nosso ENTENDIMENTO, é quando usamos a nossa INTELIGÊNCIA MENTAL com intensidade. 

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

A Tal era a vizinha da minha bisavó.

Eu era uma menininha de 05 anos.

A bisavó era pequenininha mas era maior que eu.

Era véspera de Natal e todos se reuniam na casa da bisa. A vó, o vô, as tias avós, as tias, tios, primos de primeiro e segundo grau, embora eu nem soubesse o que era isso e a Tal.

A noite era de festa, música, cores e muitos sabores. Eu toda bonitinha, lacinho, sapatilha e roupinha rosa. A Tal, parecia uma árvore de Natal, saia curtinha, sapato salto, cabelão, muitas pulseiras e batom vermelho.

A casa ficava em festa. O piano era tocado, de mãos em mãos, as vezes a quatro mãos.

A Tal estava sempre comendo.

Nós crianças brincávamos, corríamos de um lado para outro, dando voltas na árvore da frente, mas vira e mexe dávamos de cara, ou melhor, nas pernas da Tal.

Quando o relógio batia 23h45 íamos todos para a sala como a bisa queria. Dávamos as mãos e rezávamos. Eu não entendia muito toda aquela reza, mas sentia que aquilo era importante e ficava quietinha, meus primos eram bagunceiros e não paravam deixando minha tias enlouquecidas.

Aquele ano eu vi a Tal chorando naquela hora, ela abaixou a cabeça e as lágrimas caíam. Eu tão pequena, vi quando as lágrimas pingaram no tapete. Não era para ninguém ver, mas eu vi tudo, inclusive que só eu vi. A Tal viu que eu vi. Nossos olhares se fixaram  por segundos como se fossem uma eternidade.

Papai Noel chegou com seu HOHOHO e quebrou esse olhar ou qualquer coisa que viesse a seguir. Suadão, nunca vi Papai Noel com tanto calor. Cadê o tio Zé? Diziam que ele tinha medo e por isso sempre sumia nessa hora, as crianças corriam para achar o Tio medroso, mas Papai Noel mais rápido começava a chamar o nome das crianças para dar os presentes e todos voltavam correndo.

Que bagunça. Que alegria, a Tal ajudava Papai Noel e entregar os presentes e quando o saco ficou vazio, ele saiu sem o trenó, andando pela porta da frente. Eu fui escondida ver como ele ia embora e para minha surpresa, vi Papai Noel beijando a Tal.

Descobri. Ela era namorada do Papai Noel. Sai correndo, eufórica, para contar o maior segredo de todos os tempos, mas a Tal me impediu e pediu que eu não contasse para ninguém porque segredos de Natal nunca podem ser revelados. Etc e TAL.

Fiquei quieta, mas feliz porque o segredo do Papai Noel só eu sabia. Que noite feliz!

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto: @gilguzzo @ofotografico

 

 

 

 

 

Quer ganhar o coração de alguém?

É mais fácil do que você pensa. Escute a pessoa.

Sem julgar, sem palpitar, sem dar conselhos. Só escute, esse é o segredo.

É claro que você não pode ficar como uma múmia, é claro que não pode ficar fingindo que escuta e pensando em outras coisas, e mais do que isso, esse escutar tem que ser leve, como um doce prazer ou então, com aquele sentimento de cuidado com alguém que você quer proteger.

Pense duas coisas, se você quer ganhar o coração de alguém e consegue de verdade, sem peso algum, escutá-lo/a, é porque esse alguém já ganhou seu coração. Simples assim.

Agora, se esse escutar não é assim, esquece esse coração, na verdade, esquece o corpão que tem esse coração, porque no fundo é só isso que está te interessando e pode ter certeza, isso é muito pouco.

Em tempos de Natal o melhor é saber onde é amor, seja ele do jeito que for.

Entendeu consulentes? Espero que sim.

Ah, ia esquecendo, para escutar precisa perguntar 😉

Até a próxima.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube: Madame Zoraide dicas e conselhos www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉

 

 

Navegue-me.

Nem todos meus mares são bravios.

Veleje-me.

Não receie as minhas ventanias.

Mergulhe sem medo,

Nem todas minhas águas são frias.

Não tema minhas tempestades,

Pois sou também mar manso,

Baía.

Descubra-me.

Meu mundo, tão novo

Guarda velhos segredos,

Águas amigas, inspiração.

Sim, há em mim oceanos infindos,

Mergulhos, os mais lindos,

Mistérios e imensidão…

Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?

*esta poesia foi selecionada para o Prêmio São Francisco Xavier de Literatura e será publicada na Antologia SFX 2017

 

 

 

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Alberto era um homem alto, magro e beirava os quarenta e tantos anos. Quarenta e tantos porque já havia passado dos quarenta e cinco, como ele mesmo disse numa festa de fim de ano do banco. Era um homem discreto, de poucas palavras e vida social praticamente inexistente. Seu contato com o mundo exterior quase que se resumia ao trajeto que fazia diariamente de casa para o banco e do banco pra casa. Tarefa que ele exercia com a obstinação de um monge e um olhar perdido de felicidade que pairava entre as seis estações que separavam seus dois grandes amores. Marieta, com quem era casado há 25 anos e o banco, com quem era casado há 21 anos. Alberto nunca reclamava de nada, a não ser da dificuldade de achar sapato número 46. Ele era muito alto e tinha um pé enorme. Fato que o incomodava muito e que talvez tenha moldado a sua personalidade discreta, quase invisível. Um homem de quase dois metros de altura e feio assim chama a atenção demais. Nesse caso o melhor a fazer é ficar calado para não aumentar o estardalhaço da minha presença. Foi exatamente isso que ele me respondeu um dia que perguntei a ele porque ele era tão quieto. Mas havia algo mais do que isso. Parecia que ele carregava um peso maior. Tudo bem, o sujeito pode ter vergonha da altura, da feiúra, mas nenhum sorriso é tão triste à toa. E isso eu era testemunha. Nunca vi alegria em seu olhar. Decidi investigar. Coloquei em prática o curso de detetive a distância que havia feito. Primeira lição: siga o investigado com descrição. Foi isso que fiz. Todos os dias, às seis da tarde, ele saía do banco e eu ia atrás. Descia a ladeira Porto Geral e entrava na estação São Bento. Pegava o trem no sentido do Tucuruvi e eu atrás, discretíssimo. Descia na estação Santana e caminhava até a sua casa. Entrava, fechava a porta e a partir daquele momento era uma incógnita. Por vezes eu fiquei até tarde esperando gritos, briga, tiros ou que fosse. E nada. Nada acontecia. Não é possível, eu pensava. Tem alguma coisa errada nisso. Como pode um sujeito que teoricamente tem um bom casamento, um bom emprego, uma vida pacata, ter tanta tristeza estampada no rosto? Não era cabível que fosse só por causa da sua altura e de sua suposta feiúra. Mas eu estava longe de desistir. Cada dia que passava minha curiosidade aumentava mais e mais. Agora já era questão de honra. Iria, custe o que custar, descobrir o que se passava com Alberto. Comecei convidá-lo pra almoçar todos os dias. Quem sabe a intimidade o faria revelar algum segredo. Nada. Absolutamente nada. Ele falava da Marieta, do trabalho e até de futebol, sempre com comedimento. Mas revelações? Nenhuma. Ele era impenetrável. Mas um dia minha busca teve um lampejo de luz no fim do túnel. Num dos nossos almoços, ele estava sentado de costas pra rua. Tudo transcorria normalmente, como todos os dias, até que um sujeito desconhecido passou pela porta do restaurante e ao ver um amigo, entrou e logo disse: Rapaz, quase morri hoje. Um carro quase passou em cima de mim. Se eu tivesse meio metro pro lado, tinha sido atropelado. Naquele instante, querendo romper o silêncio habitual, surgiu a primeira grande pista. O rosto de Alberto ruborizou e seus olhos encheram-se de uma tristeza ímpar. Algo naquelas palavras aparentemente sem importância, pelo menos pra ele, o colocava em contato com alguma coisa amarga. Era como se tivesse trazido à tona alguma lembrança do passado. Tive o ímpeto de perguntar, mas achei melhor me conter. Alberto estava num momento sublime. Sem dizer nenhuma palavra, levantou-se e saiu desnorteado pela Rua Boa Vista de volta ao banco. Daquele momento até o final do expediente, o silêncio de Alberto chegava a arrepiar. A hora não passava. Estava ansioso demais em segui-lo. Seria o grande momento. Me enchi de expectativas e fantasias. As seis em ponto tomei meu rumo atrás dele. O que será que havia naquela frase? O que seria motivo suficiente pra tanta tristeza? Pra detonar o ar sombrio daquela tarde? As palavras seriam a chave pra o que eu tanto procurava? Eu estava zonzo. Quanto mais eu tentava juntar os cacos mínimos, menos fazia sentido aquilo. Eu já não sabia se fazia sentido eu querer achar sentido naquilo tudo. Mas era tarde. Estava envolvido e queria ir até o fim. Fiz o meu trajeto discreto como todos os dias. Quando cheguei a casa dele resolvi ir adiante. Depois que ele entrou, pulei o muro em silêncio. Fui até a janela e sem pestanejar estiquei o pescoço e olhei pro lado de dentro. Mais do que ver, senti. Mais do que sorrir pela descoberta, chorei. Mais do que ficar extasiado, fiquei estarrecido. Pela janela, contemplei um homem de quase dois metros de altura, sentado no degrau da escada, chorando copiosamente e conversando com uma foto em um porta-retrato. As palavras escorriam quentes pelos meus ouvidos. Marieta  – dizia ele -, que vida poderíamos ter tido. Jantares românticos, passeios no fim da tarde no jardim da luz, noites de amor. Cinema, teatro, filhos. Juntos, não fazer nada, sentados no banquinho do quintal a escolher estrelas e dar a cada uma o nome de um sonho. Sonhos não realizados, sonhos vãos, sonhos com cheiro de morte. Naquele dia faríamos um ano de casados. Era um domingo abafado de calor. Saímos de mãos dadas, distraídos pelo amor e pelo picolé, que de tanto calor, derretia e escorria por entre os dedos. Lembro-me como se fosse hoje. Você com um sorriso de menina, lambendo os dedos sem querer desperdiçar nada. Você adorava picolé de chocolate. Eu de abacaxi. Caminhávamos ao local do nosso primeiro beijo. Ao passar ao lado das obras da nova estação do metrô, vi uma árvore. Uma sobrevivente da natureza perdida naquele emaranhado de concreto a se enraizar sob nós. Afastei-me de você por um instante e fui buscar aquela flor perdida num galho mais alto. Quando virei, vi o chão sumir sob seus pés. Um acidente, foi o que disseram. Junto com você, mais três pessoas foram engolidas pela cratera que se abriu. Atônito e agarrado a árvore, vi o mundo desabar sobre a minha cabeça. Chorei, desesperei. Quis morrer. Todos os dias me lamento. Poderia ter ido com você escolher de perto as estrelas. Meio metro. Foi a distância que nos separou. E eu só queria te dar uma flor. Desejo todos os dias te encontrar de novo. Há mais de 20 anos anseio por alguma tragédia. Não tenho coragem de me suicidar. Mas hoje, especialmente hoje, tudo me veio a mente de um jeito arrebatador. Como eu queria ser aquele desconhecido, como eu queria estar a meio metro dele na frente daquele carro. Como eu queria uma vez mais ouvir tua voz. – Por um instante Alberto calou-se. Apenas chorou. E eu com a garganta seca, quase sem respirar, fiquei paralisado. Aquele era o motivo da sua tristeza. Uma tristeza que ele alimentava diariamente durante anos. Para todos do banco, Alberto era muito bem casado. Sim, era muito bem casado com suas lembranças e uma vida inteira de tristeza. Esse era o ponto. Esse era o segredo. De repente Alberto levantou-se, enxugou as lágrimas, colocou o porta retrato em cima do piano e saiu. Mais que depressa o segui. Ele foi até a estação e entrou no trem como se estivesse indo ao banco. Ele passou pela estação São Bento e não desceu. Eu resolvi descer na Sé e ele se foi. Tomei o trem sentido Paraíso. Era quase meia noite. No silêncio do vagão quase vazio em enchia de pensamentos contraditórios. Estava satisfeito com a descoberta, mas tinha um nó na garganta difícil de desatar. Tentei imaginar pra onde teria ido Alberto aquela hora. Não importa. Fosse onde fosse ele tinha suas razões. Tinha o direito de estar só. De ir ao encontro de Marieta se assim o quisesse. Ao chegar em casa, desmaiei de sono e cansaço.

No dia seguinte, Alberto não foi trabalhar.

12084821_872243929489874_2008663406_o (2) Gil Guzzo 2

Gil Guzzo – Belo Urbano, é autor, ator e diretor. Em teatro, participou de diversos festivais, entre eles, o Theater der Welt na Alemanha. Como diretor, foi premiado com o espetáculo Viandeiros, no 7º Fetacam. Vencedor do prêmio para produção de curta metragem do edital da Cinemateca Catarinense, por dois anos consecutivos (2011 e 2012), com os filmes Água Mornas e Taí…ó. Uma aventura na Lagoa, respectivamente. Em 15 anos como profissional, atuou em 16 peças, 3 longas-metragens, 6 novelas e mais de 70 filmes publicitários. Em 2014 finalizou seu quinto texto teatral e o primeiro livro de contos. É fundador e diretor artístico do Teatro do Desequilíbrio – Núcleo de Pesquisa e Produção Teatral Contemporânea e é Coordenador de Produção Cultural e Design do Senac Santa Catarina. E o melhor de tudo: é o pai da Bia e do Antônio.