Gabriel tem 7 anos e pediu para falar comigo por chamada de vídeo.

O pai dele, Miro, enviou uma mensagem pedindo permissão e eu aceitei, claro.

O Gabriel foi meu paciente há alguns anos, quando eu ainda clinicava. Nós tínhamos um bom vínculo e no momento da alta, apesar do orgulho pelo êxito, foi difícil para nós dois.

Mas, crianças superam rápido e, em geral, nem se lembram do período de terapia. O que é muito compreensível, já que o processo terapêutico envolve a dor e a transformação.

Eu não os vi mais. Esporadicamente, recebia alguma mensagem da família, em datas especiais.

No ano passado, a mãe do Gabriel faleceu em um acidente de carro. Eu estava viajando. Enviei apenas uma mensagem solidária e nenhum novo contato foi feito.

Hoje à tarde o telefone tocou.

Era o Gabriel e eu atendi sem saber muito bem o que seria este reencontro (remoto).

Ele me olhou sorrindo. Meus cabelos, curtos e brancos, eram novidade para ele, assim como seu rostinho alongado e seu sorriso banguela eram para mim.

Depois de me contar sobre várias peripécias deste tempo de quarentena, ele mandou uma pergunta direta:

– Daniela, quantos anos você tem?

Eu sorri e respondi: – 49. Em silêncio eu vi os olhinhos dele crescerem e emendei a pergunta: Você acha muito?

Ele disse que não, o silêncio aumentou e ele tomou a palavra, sem interrupção:

– Um dia, eu pedi para mamãe para ir ao parquinho do condomínio e ela não deixou. Quis saber “Por que não?” e ela respondeu: – Você tem a idade de entender. Eu tinha 6 anos e ela 32. Ontem, eu perguntei para o papai o que era idade de entender e ele disse assim: – Sei lá, quando a gente entende, acaba!

Novo silêncio. Daqueles que atordoam.

Eu senti uma lágrima barraqueira querendo empurrar as outras. Congelei. Pela tela vi que Miro também abaixou a cabeça.

Ele não tinha como saber da conversa do Gabriel com a mãe…

Eu fiz menção de que iria falar, mas, vendo o clima tenso, o menino mesmo disse:

– Relaxa. A gente sempre tem a idade de entender, né?

– Né? – foi tudo que saiu da minha boca, numa síntese do momento que eu aprendi uma baita lição.

Essa frase não sai de mim nem por um segundo – “Idade de entender”.

Conversamos por mais vinte ou trinta minutos, sobre muitas coisas, rimos, matamos a saudade e nos despedimos.

Pai e filho são acompanhados por profissionais e eu digo isso apenas para que se poupem dos julgamentos. Não há nada no relato que mereça um apontamento porque diz respeito à vida deles e à relações humanas construídas dia após dia.

O que me motiva a compartilhar a história é a constatação de que a gente cresce mesmo é por dentro.

Dany Cais – Bela Urbana, fonoaudióloga por formação, comunicóloga por vocação e gentóloga por paixão. Colecionadora de histórias, experimenta a vida cultivando hábitos simples, flores e amigos. 

OBS.: Os nomes citados no texto são fictícios para preservar as identidades.

Não dá para falar de racismo porque minha pele é branca. O privilégio me encontrou antes que eu soubesse o que isso significa.

Não dá para falar, mas ele existe e é maior do que meus olhos alcançam, muito mais violento do que minha compaixão dá conta.

Não vou escrever com métrica, nem estética, nem cronologia. Vou deixar vir à tona minha lembrança do mundo, das misturas de dentro e fora de mim.

Quando eu era bem pequena, imaginava que um dia eu seria negra, que era só questão de tempo para minha pele colorir e brilhar, como a da Tereza, amiga da minha mãe, que chegava em nossa casa e preenchia a sala de cor, com sua risada escandalosa.

Eu olhava no espelho, mas o dia não chegava. O branco não saía de mim…

Ainda menina, eu escolhi minha madrinha, uma mulher negra, linda, de olhos grandes, sorriso rasgado que me deixava fascinada. Ainda hoje eu admiro a força da minha Alice.

Minhas bonecas preferidas eram pretas e isso parecia estranho, não era comum.

O mundo do negro tinha que parecer excêntrico, pequeno, oculto.

Aos poucos, fui me deparando com a realidade bruta.

Na cidade onde nasci e cresci, havia um clube para brancos e outro para negros. Mesmo sem entender, eu nunca contrariei, nem questionei, nem protestei. Obedeci e segui a ignorância.

Não posso falar em racismo sem me enxergar como alguém que o perpetuou por inércia.

Já adulta, num estágio da faculdade em Campinas, soube de um garoto de 10 anos, filho de uma professora, que perguntou para mãe por que pobres eram pretos. Só de ouvir a hipótese levantada por esse menino senti meu peito apertar. E, mesmo depois de todos os argumentos da mãe sobre igualdade e justiça social, ele concluiu que o discurso não correspondia, pois na escola ele não via crianças negras. Ele só as via no sinal, na rua. Por vários dias, esse diálogo que eu não presenciei, ficou na minha cabeça.

Eu estudei em escola pública e na minha sala havia diversidade de etnias e de classes. Talvez, na idade dele eu não tivesse essa preocupação. Mas, a realidade estava ali e eu não vi, não soube ver, não quis ver, não aprendi a ver… Só segui.

Por fim, me lembrei de um dia que eu estava no shopping com meu filho. Nessa época ele tinha pouco menos de 3 anos e uma espontaneidade que só as crianças têm. Ele apontou para um homem e disse em voz audível que ele parecia um brigadeiro. Eu gelei dos pés a cabeça e, antes que eu formulasse um pedido de desculpas, os dois já estavam abraçados. Nunca vou me esquecer de suas palavras: “foi a coisa mais gostosa que alguém disse sobre mim”. Já se passaram mais de 20 anos e eu ainda me emociono.

Fato é que reconhecer uma injustiça não me coloca em uma posição confortável, pelo contrário, exige a responsabilidade do posicionamento e da ação. Ter amizade e afeto por negros, tratá-los com educação e respeito, ainda é muito pouco diante dos séculos de crueldade que distorceram suas identidades, disseminando a discriminação, mantendo os maus tratos, a violência, a injúria e, com isso, dificultando suas vidas e atrasando suas
histórias.

O que vem acontecendo não é diferente do que já ocorria antes.

Por mais que eu não me sinta à vontade para tomar essa causa e falar como se eu pudesse sentir essa dor, pois seria ingênuo ou leviano, eu posso ouvir, quero aprender e devo sim levantar minha voz ao menor sinal de preconceito.

Posso ser antirracista – sou e serei. Minha pele não vai colorir, em sinal de transformação, mas minha consciência pode aprender a brilhar e o meu coração a agir.

Dany Cais – Bela Urbana, fonoaudióloga por formação, comunicóloga por vocação e gentóloga por paixão. Colecionadora de histórias, experimenta a vida cultivando hábitos simples, flores e amigos. 

Ele chegou!
Mesmo sem convid ar. Deu até falta de ar!

Trouxe medo. Trouxe angústia. Trouxe morte e preocupação…

Mudou a vida, a rotina.

Deu e tirou o trabalho.

Ele fez ficar em casa quem podia e quem não queria. 

Fez pai e mãe cuidarem de filho, filho cuidar dos pais.

Fez a gente se isolar. 

Fez a limpeza viralizar.

A máscara. Veio pra ficar.

Fez das varandas barzinhos e do quintal academia. 

O abraço virou fantasia…o beijo, desejo. A saudade, o maior sentimento. 

Ele chegou de repente. Ninguém se preparou para recebê-lo. 

Trouxe meme, clip e tiktok. Trouxe choro e riso. Trouxe home office e comemorações virtuais. 

Ele valorizou a LIVE e fez a VIDA valer muito mais. 

Fez a madame cozinhar e o empregado salvar. 

Trouxe mais dificuldade mas também solidariedade. 

Tirou crianças das escolas para aprender *o principal* em casa.

Ele tirou o padre da Igreja e o pastor do culto…mas a fé?Ah, a fé… A fé reinou. Predominou.  

Ele chegou e viralizou e não se importou com rico ou pobre. Preto ou branco. Europeu ou asiático.

Na verdade ele quer é tirar o fôlego de todos! 

Mas a ciência logo descobrirá um jeito de fazê-lo ir embora. 

Nossa Senhora!

E chegará o dia de, com vida, convidá-lo para ir embora. Pra nunca mais voltar. E tudo voltar ao seu devido lugar. 

Mas… como toda visita… alguma coisa ele nos deixou.

Saudades…nunca, mas todas as  descobertas do que nós seres humano somos capaz! 

Então… CONVIDO você a escrever sua nova história. 

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “



O ser humano cria uma corrida entre nações, entre empresas, entre institutos e pesquisas. Entre pessoas que não sabem que competem. Nosso paradigma é da competição. A competição por quem publica primeiro, inventa primeiro, vende primeiro, pensa primeiro, twita primeiro. Evoluímos com isso?

No início da nossa história, enfrentamos animais maiores, tempestades gigantescas e grande carestia. Era preciso nos mover de local em local atrás de sobrevivência. Muita energia para pouco resultado. Hoje temos conforto do delivery, conversamos a longas distâncias sem sair do lugar. Acumulamos energia em gordura e nossos inimigos são microscópicos, não os vemos. Apenas somos abatidos nessa competição pelo que não ganhamos, um tal mercado é quem lucra. Evoluímos afinal?

Acredito que se mandamos câmeras filmar astros distantes, ao passo que nosso olhar consegue detectar partículas sub-subatômicas para compreendê-las, porque não propor um paradigma oposto ao da competição, do lucro, da corrida pela dianteira? Porque não deixar fruir novos pensamentos que nos tornem mais unidos, solidários e colaborativos?

Ideias nos prendem conservando paradigmas de séculos atrás em áreas da ciência fundamentais como a sociologia, a economia, a cultura. Temos um preconceito (que nos é ensinado, lembre) que nos mantém presos a dicotomias, a oposições que competem, mas que não existem mais. Porque, então, não deixar a ciência humana tão livre como a ciência espacial para voar? Que banco (ou dono do mundo) que lucra com a covardia conservadora, apenas para não perder seu capital, num novo sistema humano de colaboração e partilha?

Acredite, pessoas estão pensando nisso agora e sendo caladas.

Não proponho a partilha do capital ou dos meios de produção (uma ideia de quase 200 anos atrás). Mas algo mais moderno: uma partilha da nossa vivência com a natureza, com os outros seres humanos, com o conhecimento que habita em nós em partículas, e que quando partilhado se torna a sabedoria divina. O conhecimento ancestral e fundante que é tão moderno quanto eficáz e que surge apenas nos seres desprovidos de competição e de lucro. Não há monstro gigante nem vírus microscópico que resista ao poder da união dos humildes. 

Comece você, partilhando nas redes o que tem de melhor. Faça uma live para sua rede e sorria para seus amigos. É simples ensinar o que você sabe e debater o que pensa. Comece e partilhe alguma cura. Nosso inimigo é nosso ego, que nos cega para o óbvio: Não temos, somos. E somos apenas juntos.

Pense nisso.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Quer namorar comigo?

Pergunta a fêmea beija flor para o tímido macho beija flor?

Eu quero um beijo! Vem

 E o macho beija flor responde: Agora não posso, acabei de comer

e ainda não fiz a minha higiene!! Para espanto da fêmea beija flor!

 Então, estou indo…

Grata pela sua atenção, comigo é assim: Eu pedi e você não deu…

Então perdeu esta oportunidade, pois eu queria somente um beijo

que poderia ser técnico, eu na verdade somente queria um gesto de afeto

entre o meu “eu” e o teu “eu”, que observei estar sem teto!!

Não se esqueça beija flor a oportunidade só tem penas na frente…

atrás ela é carequinha!

Seres Humanos, pensem bem, muitas vezes alguém pede aquilo que a gente não tem, e temos vergonha de…

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

 

Às vezes me pego pensando até que ponto foi bom ter nascido nos anos 70, penso como deve estar a cabeça de quem nasceu nos anos 60, deve estar enlouquecendo….

É tão bom pensar nos tempos de infância, na inocência, nas brincadeiras de rua, de correr na chuva, de viajar pra casa da tia que cozinhava melhor que nossa mãe no fim de semana. É tão bom lembrar do cheiro de mato molhado, de roubar manga nos terrenos baldios e cercados por muros enormes, do primeiro beijo da adolescência, das revistas SOMTRÊS que demoravam a chegar na banca só pra ver as últimas notícias de bandas como Titãs, Iron Maiden, Kid Abelha…

Tudo era tão difícil no entanto tudo era tão mais fácil, não ter internet, celular, carros tecnológicos era tão bom, nessa época a gente olhava as pessoas nos olhos, olhava o que estava ao nosso redor, não ficávamos sentados diante de uma tela apenas nos esvaziando, tínhamos amigos que podíamos tocar, e ir nadar escondido nos rios mais perigosos da região e falar pra nossa mãe que estávamos na piscina do amigo. Shopping? Conheci já marmanjo com 19 anos e tive certeza que não era melhor que os pomares e canaviais dos arredores de meu pequeno bairro.

O primeiro trabalho vinha cedo como o maior orgulho e incentivo dos pais, o primeiro beijo vinha tarde e recheado de vergonha e zombaria dos amigos que estavam crescendo juntos, ai depois era só comprar com o próprio dinheiro fruto do trabalho a radiola sonata e ouvir Beatles pra chorar pela menininha que lhe trocara por o menino novo do bairro.

Assistir a pantera cor de rosa, Pica Pau, corrida maluca, Os trapalhões, tudo nos dias de hoje tão considerados politicamente incorreto, não fez da gente pessoas com desvios de personalidades. Ah, tudo isso foi tão necessário! Isso forma gente do bem! Isso faz a gente sorrir ainda hoje.

Acabou… tudo isso acabou….

Hoje está tudo tão difícil, conheço tanta gente que está sem destino, tanta gente que não consegue mais se relacionar, tanta gente com tantos problemas com os filhos, tanta gente perdendo tudo que demorou e lutou tanto pra ter apenas dignidade e conforto, tá tudo tão sujo na sociedade, tudo tão errado…

Tem gente que tem 1.000 amigos no face mas no fim de semana não tem um que queira ir tomar uma cerveja.

Onde perdemos o rumo? Onde está o erro? Porque os jovens perderam valores e ética? Porque nem se comemora mais natal ou a família? Às vezes da vontade de viver apenas de passado, de ir para o meio do mato criar galinhas e ter uma horta bem bonita, e voltar no tempo, se sentir abraçado pela natureza e viver pra dentro de si mesmo, ir na cidade apenas abastecer o carro uma vez por mês …

Alguém sabe me dizer onde erramos? Alguém sabe o caminho de volta para o nosso coração? Alguém sabe como fazer pra olhar o mundo com os olhos da bondade?

Alguém pode me ajudar, a ajudar aquele que: Está vivo só porque ainda não morreu?

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Hugo Vidal – Belo Urbano, é Jornalista Ator e diretor há 29 anos, gosta muito de descobrir novas paisagens rodando com sua moto, aliás uma de suas paixões é o motociclimo. 

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Tem épocas que podiam ser mais fáceis. Podia ser mais fácil se não sentisse angustia, podia ser mais fácil se não ficasse ansiosa, podia ser mais fácil se não ficasse preocupada, podia ser mais fácil se o dinheiro sobrasse sempre, se a saúde não desse sinais de alerta, se as crianças entendessem tudo que você explica, se não nos deparássemos com pessoas irritadas por pouca coisa, se não existisse dúvidas, se não existisse solidão.

Podia ser mais fácil sim, mas não é assim. Tem gente que acredita em sina. Tem gente que acredita em reencarnação. Tem gente que acredita em carma. Tem gente que acredita em Deus. Tem gente que acredita que nada é por acaso.

Por que tanta fartura de um lado? Por que tanta miséria de outro?

Sim, poderia ser tudo mais fácil se tudo fosse igual, porque sem diferenças tudo seria mais linear, não existiria conflitos e todos teoricamente seriam felizes.

Afinal, é essa tal de felicidade que todos querem. Felicidade que alguns acham que conseguem comprar, mas felicidade mesmo não se compra, não se conquista, não é luta. Felicidade é a falta do vazio que habita nos seres humanos. As vezes esse vazio é tão grande que não encontra felicidade em nada e quem sente isso dessa forma fica doente, muitas vezes doente uma vida toda. Na busca, doente. Sem buscá-la, doente.

Erros de entendimento, deve ser isso a resposta quando temos tantos padrões pré estabelecidos sobre essa tal felicidade.

Podia tudo ser mais fácil para sermos mais felizes? Não acredito nisso. Cada um é cada um e o mistério é justamente esse. Talvez seja sorte ser feliz. Talvez sejam só as endorfinas. Talvez sejam os nossos recursos internos. Talvez seja o olhar para a vida. O olhar para si mesmo.

São tantas suposições, tantos senões, que na verdade não importa. O que de fato importa é descobrir qual é sua motivação nessa vida. Quem é você? O faz seus olhos brilharem?

Não importa mesmo se podia ser mais fácil, importa é como você lida com o que não é fácil. Lidar com essa teia de sentimentos e situações que a vida nos coloca. E antes de tudo e de mais nada, ser coerente com você mesmo.

Fácil ou não, a escolha é sua de querer olhar as flores pelo caminho. Esse é o segredo dessa tal felicidade, que habita dentro de todos nós. Então, se posso dar um conselho, quando tudo ficar muito difícil, respira fundo, faça uma prece e aprecie a vida. Especialmente a sua.

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br , 3bis Promoções e Eventos www.3bis.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

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No final de semana antes do carnaval, resolvi ir à praia com a família.

Desta vez, nada de hotel pé na areia, piscina, sorvete à toda hora e nem a cadeirinha com guarda sol montada, já me esperando no lugar de sempre.

Desta vez uma casa com antigos amigos.

Uma casa onde fazíamos de tudo; limpávamos, cozinhávamos, cuidávamos dos filhos, jogávamos buraco e até um antigo jogo da minha infância… stop (se bem que os carros que eu falava, ninguém mais conhecia). As crianças pulavam nos colchões espalhados pela sala, davam travesseiradas uns nos outros, comiam quando queria e misturavam brigadeiro com churrasco, brigadeiro de novo e os pais? Nem ligavam. Liberdade total!

Logo cedinho acordávamos e íamos a pé (cinco quadras) para a praia carregando algumas coisas (muitas coisas) até nos instalarmos de frente “daquele marzão de Deus” como dizia meu pai.

Já sentada na cadeira, olho para o lado e vejo uma senhora tirando a saída de praia e achei que era a coordenadora de matemática da escola dos meus filhos. Uma senhora elegante, sempre bem vestida, muito inteligente que dá ate gosto de ver. Ela não para nunca, fez mestrado, Doc, pós Doc…mas naquele momento era uma pessoa comum, com corpo comum, de biquíni curtindo a família…bom, olhei direito e não era ela…ufa! Que bom, senão ela iria me ver com a mesa cheia de salgadinhos e cervejas já trazidos de casa, porção de salaminho….uma verdadeira farofa!

Foi aí que olhando várias pessoas ao meu redor, percebi que ali na praia, todos eram seres humanos normais, todos com os pés sujos de areia, passando protetor solar, rindo e curtindo tudo o que recebemos de graça…sol, mar e natureza. Relaxei.

E o Cortella? Bom, fiquei olhando todos os barbudos da praia, vai que de repente o Cortella esteja lá, bem à vontade  bebendo uma caipirinha e de sunga? Ah…mas ele estaria com uma sunga todinha salpicadas de letrinhas do alfabeto na cor cinza, descalço, com chapeuzinho, aquele bege meio clássico e lendo um livro, claro!

Enfim, descobri que na praia, não importam os títulos das pessoas, somos todos iguais. As mulheres de biquíni se achando fora de forma e os homens fazendo de tudo para disfarçar enquanto passa uma gostosona caminhando pela praia.

E o David Luiz? Ah, este eu coloquei no título só para chamar a atenção dos homens para o texto.

E você, quem gostaria de encontrar na praia? Como ele estaria vestido?

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Roberta Corsi – Bela Urbana, coordenadora do Movimento Gentileza Sim que tem como objetivo “unir pessoas que acreditam na gentileza” e incansavelmente positiva, para conhecer o movimento acesse https://www.facebook.com/movimentogentilezasim 

 

Em tempos de intolerância como os vividos e vistos nos dias de hoje, especialmente nas redes sociais, minha dica de leitura é o “Diário de Anne Frank”.

O livro é uma história verídica escrito pela jovem judia Anne Frank no período de 12/06/1942 até 01/08/1944 de dentro do esconderijo, um sótão de uma casa/escritório em Amsterdã. Anne Frank ficou escondida nesse “anexo secreto” como chamavam o esconderijo juntamente com sua família (irmã, Mãe e Pai), a família Van Pels (o casal Auguste e Hermann e o filho Peter) e também o dentista Fritz Pfeffer. Contaram com a ajuda externa de algumas pessoas entre elas Miep Gies e Bep Vos Kuijl, duas secretárias da empresa que estava instalada no prédio,  sem as ajudas de pessoas externas teria sido impossível sobreviver por esse período escondidos.

Anne começou a escrever o diário com 13 anos, passou anos preciosos das novas descobertas da adolescência presa no esconderijo, com medo. O livro relata o seu dia a dia neste local, a visão de Anne em relação a guerra, as dificuldades que cresciam com o passar do tempo dentro do esconderijo, a forma que cada um lidava com essa situação limite e as comemorações com as notícias positivas vindas de fora. Ela também descreve seus conflitos internos, a dificuldade de conversar com mãe, a admiração pelo pai e o encantamento e amizade por Peter, o jovem que também estava escondido e que era da sua idade.

Li o livro duas vezes, na primeira eu tinha a idade de Anne e me colocava muitas vezes no seu lugar,  isso me causava uma grande tristeza ao imaginar a situação de estar presa  em anos tão maravilhosos da juventude, mas me consolova um pouco com seu “romance com Peter”. Me perguntava: Por que essa guerra?

Quanto li pela segunda vez, foi a há dois anos atrás, já adulta, madura, mãe, inclusive de um filho adolescente. Nesse momento o foco do meu olhar foi maior, desde a percepção de como Anne Frank escrevia bem, tinha clareza de ideias e me parecia uma menina muito mais madura do que as meninas de hoje com essa idade. Chorei em alguns momentos, especialmente quando ela relatava sobre seus sonhos de um futuro que não aconteceu, por saber que nunca aconteceu, me doeu profundamente. Outra questão que me chamou  a atenção, foi o comportamento das pessoas de dentro do esconderijo com posturas mesquinhas, escondendo comida dos demais, sem querer dividir e com a postura inversa, a generosidade das pessoas que os ajudaram de fora do esconderijo, colocando literalmente suas vidas em risco.

A edição definitiva possui fotos e textos inédidos, foi a segunda versão que li e é essa que indico por ser mais completa, contém 30% a mais de material que a primeira versão.

Enfim, uma questão ainda permanece sem resposta para mim. Por que as guerras? Por que tanta intolerância? A humanidade ainda precisa evoluir muito para conseguir resolver seus conflitos sem tanto sofrimento. O “Diario de Anne Frank” na minha opinião é uma leitura fundamental para qualquer pessoa em qualquer idade, pois nos da um “chacoalhão” sobre essa questão, nos faz refletir sobre a tolerância e a intolerância e suas consequencias individuais e na sociedade. Passaram-se mais de setenta anos do início da segunda Guerra Mundial, mas sinto que as sociedades estão muito aquém de serem HUMANAS.

Vale a reflexão e vale trazer essa questão para nosso comportamento diário. Afinal, intolerância, leva a radicalismos, que leva a guerras, que leva vidas…

Título: original: The diary of a young girl

Autora: Anne Frank

Tradução: Ivanir Alves Calado

Páginas: 349

35 edição – integral e revista. Única edição autorizada por Otto H. Frank e Mirjam Pressler

Editora Record Ltda.

Adriana Chebabi

Adriana Chebabi  – Bela urbana, idealizadora desse projeto, publicitária, poeta e contadora de histórias. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing www. modo.com.br, suas poesias, histórias e as diversas funções que toda mãe tem com seus filhos.