Não posso dizer nada diferente do que se resume meu pai: AMOR, com tudo que de verdade isso significa, na sua amplitude, além de lhe atribuir todos os adjetivos incríveis que um ser humano pode carregar.

Quanto a nós…

Nossos momentos são únicos, nosso amor é só nosso, e até o nosso silêncio se completa. E assim seguimos, juntos, do nosso jeito, tomando nosso café da tarde, assistindo um filme, lendo um bom livro, trocando informações, conhecimentos, aprendizagens. Eu o levo ao médico, depois é a vez dele me levar; na cozinha, que ele comanda como ninguém, fico só admirando sua sagacidade ao elaborar alguma nova receita; nas obras aqui em casa, sempre juntos nos aventurando; em Assis e Alfenas, e outros tantos lugares, quantos momentos especiais!

O cuidado que sempre teve comigo é ímpar, e espero estar retribuindo da melhor maneira, mas acredito que temos essa troca, e quero seguir assim, de mãos dadas, com essa energia e força.

E ainda dizem que somos parecidos… Ah, que honra!

E quando imaginei ter desfrutado totalmente desse amor, especial em sua essência, eis que ele transbordou, e meu pai se tornou o melhor avô, provando ser capaz de ir além em sua entrega. Como é lindo vê-lo exercer esse papel!

O tempo passa e a gratidão é o que habita em mim numa crescente, por tê-lo junto comigo, com a nossa família, e ser esse exemplo de dignidade, honestidade, altruísmo, amor…

Que orgulho poder chamá-lo de MEU PAI!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

As famosas frases “Gravidez não é doença”  e “Ser mãe é a melhor coisa do mundo” são ditas há muito tempo. Nós mulheres crescemos – principalmente quem foi criada sob conceitos de um machismo estrutural – acreditando que para ser mulher é preciso ser mãe. Isso não é verdade, e fica aqui o meu respeito a todas as mulheres que não tiveram filhos, ou por opção ou por contingências da vida.

O ponto a ser tocado é sobre a desmistificação de que tudo que envolve esse processo – desde a intenção de ser mãe até a concepção, a gravidez, o parto, uma nova vida chegando – é maravilhoso. Pode ser para algumas, mas não vale generalização, pois de verdade, cada experiência é única e cada mulher sente diferente.

Eu sempre quis ser mãe!

Quando decidimos (eu e meu marido) que era chegada a hora de termos um(a) filho(a), não imaginávamos que algo pudesse acontecer. Depois de um tempo sem que eu conseguisse engravidar (foi um susto constatar que precisaríamos de algum tipo de ajuda para realizar nosso sonho), meu médico iniciou um tratamento relativamente simples, mas que exigiu bastante cuidado e dedicação.

Logo fiquei grávida! Certamente um dos momentos mais felizes já vividos.

Minha segunda gravidez aconteceu sem nenhum procedimento médico. E novamente uma alegria inexplicável!

Nas duas gestações não quis saber o sexo dos bebês. A descoberta na hora do parto foi emocionante, uma menina e, depois de dois anos e meio, um menino.

O que gostaria de ressaltar é que em meio à realização de ser mãe, muitos outros sentimentos também afloraram. Foram processos difíceis. Na primeira gestação precisei tirar licença do trabalho e fazer repouso absoluto do sétimo mês até o parto, e na segunda, desde o início até meados do quinto mês, o repouso foi intenso, pois tive sangramento. Encarei tudo da maneira que tinha que ser. Cuidei de mim e dos meus bebês, e as dores (inclusive as contrações, que foram intensas) fizeram parte dessa etapa tão importante e especial.

Após o nascimento, insegurança, angústia, cansaço e  medo também afloraram em mim, “nem tudo são flores”! E reforço a minha intenção de acarinhar as mães que sofrem com depressão pós-parto, que não conseguem “curtir” tanto esse momento e que se culpam por acreditarem que são menos mães que as outras.

Cada uma de nós merece que seu tempo seja respeitado. É importante que quem estiver por perto apoie e dê suporte necessário para que a “mulher-mãe” se recupere e tenha força para seguir cuidando do seu bebê. Lembrando que a responsabilidade do cuidado deve ser de ambos os envolvidos em trazer uma criança ao mundo.

Vale ressaltar que desde a concepção até o nascimento de uma nova vida, um misto de sentimentos transbordam. Os desafios são muitos, mas são inúmeras as alegrias.

O importante é o entendimento de que os ciclos se dão através de experiências, algumas boas, outras nem tanto… Tristezas e incertezas caminham lado a lado com momentos de sorrisos e realizações. E esse é o ritmo da vida!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Eu e meus amigos frequentávamos aquele bar assiduamente.

Era um lugar descontraído, onde podíamos nos divertir de diversas maneiras, desde uma boa música ao vivo, uma pista de dança, comidinhas deliciosas, até um vinho de primeira!

Não posso me esquecer da mesa de sinuca, meu lugar favorito, pois ali conhecia muita gente diferente e a interação era uma constante.

E foi dali que rumei ao balcão do bar, pois queria mais uma taça, quando de repente a vi sentada, conversando com um rapaz. Deu para ouvir que falavam algo sobre o Japão, e logo pensei se seria possível ela ter viajado em algum momento para lá. Na verdade, pouco me importava.

Fazia anos que não a via, desde a nossa triste e definitiva discussão. Ela foi uma figura importante, mas saiu da minha vida de um jeito ruim, não deixando boas recordações. Preferi esquecer aquela amizade, pois tinha motivos sérios para isso.

Peguei minha bebida e passei por ela, fingindo não vê-la; não sei se ela me viu, sigo com a dúvida.

Nenhuma palavra foi dita, nem tampouco algum gesto foi feito.

Retomei minha sinuca e fiz uma tacada contínua, deixando a equipe adversária embasbacada.

Confiante de que eu era mesmo uma exímia jogadora – claro que isso não passava nem perto da verdade –,  senti uma vontade imensa de dançar. A música sempre teve um poder transformador em mim.

Na pista de dança com meus amigos me senti feliz! As mágoas do passado não tinham vez… Pelo menos não ali, não naquele momento mágico, onde a melodia me envolvia e fazia com que meu corpo e minha alma estivessem livres.

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Fiquei pensando sobre a vacina, tão esperada, e o que isso representa.

Sim, com certeza é um avanço incrível, uma grande conquista, e que vai mais além…

Esse movimento mundial representa muito mais do que uma corrida por algo capaz de sanar um mal; na verdade, diz respeito a como ainda existem pessoas que apostam na humanidade, que se importam com a dor e o sofrimento do outro (além do seu) e que se preocupam com o todo.

Por outro lado, assustadoramente pudemos perceber como tem gente na contramão desse movimento coletivo. O negacionismo, a luta vazia com uma inconstância de opiniões também refletiu o lado sombrio de alguns pares. É claro que isso assusta, faz pensar, mas não pode jamais nos atingir a ponto de esmoecermos.

Toda essa tragédia mundial é dilacerante, mas é preciso perceber como trouxe à tona muita solidariedade, empatia, busca, realizações, afetos, encontros, movimentos de diversos âmbitos, com a certeza de que a distância física não é capaz de minar relações verdadeiras, onde o amor e o carinho foram construídos ao longo do tempo. ISSO IMPORTA, E MUITO!

Choramos pelas inúmeras mortes, e desejamos força e coragem às famílias que perderam pessoas queridas. É uma tragédia, uma dor imensurável, não tem volta!

Neste momento, o que fará a diferença frente a tantas vidas que poderão ser salvas é podermos oficiar a chegada da vacina. Ainda não será para todos agora, é um longo caminho a ser percorrido, mas a expectativa da cura não está mais no vazio, vem se concretizando a cada dia.

É a sensação de que o “bem pode vencer o mal”, numa torrente de energia capaz de transformar, de permitir que vidas tenham o seu real valor. E, de novo, ISSO IMPORTA, E MUITO!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos

Ao olhar pela janela vejo pássaros em seus voos livres e soltos, cantando para anunciar o início de um novo dia.

O céu azul, as folhas balançando nas frondosas árvores, flores colorindo o jardim… o anúncio da primavera.

Uma brisa leve, capaz de trazer um frescor agradável.

Saboreio meu café da manhã enquanto checo as notícias e também as mensagens que chegam sem parar.

No momento seguinte, sigo rumo ao trabalho… o interessante é que me dou conta de que o trabalho é aqui mesmo. Não vou a lugar algum!

Por segundos isso ainda me soa estranho, mas logo entendo que “Hoje é assim!”

Pela mesma janela posso enxergar diferentes cenários… de dentro pra fora, de fora pra dentro, mas percebo que o olhar é outro, o prisma muda.

Só que em tudo há significado, singularidade, valor.

Bebo mais um gole do meu café, que exala um aroma delicioso.

Retomo a atenção ao que preciso cumprir no meu dia.

E vou, um dia de cada vez.

A rua pode esperar… há beleza aqui!

Por enquanto, “Hoje é assim!”

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

A violência contra a mulher é um tema recorrente, infelizmente.

Dados apontam que a cada 4 minutos uma mulher é agredida.

As estatísticas tornam-se ainda mais cruéis quando o feminicídio vem a somar vítimas numa conta que só faz aumentar.

Quando pensamos que os abusos se dão logo na infância, com uma porcentagem crescente de casos, tudo se agrava ainda mais.

Cada vítima é um ser humano, que está sofrendo danos físicos e psicológicos cruéis, com cicatrizes para o resto da vida. Isso tem que parar!

A sociedade como um todo tem que avançar para que medidas  eficazes sejam tomadas, de modo a sanar os danos já existentes e evitar novos casos de abusos em seus diversos aspectos.

Muita coisa tem sido feita, mas ainda há o que fazer para que os índices passem de crescentes a descrescentes, e os direitos e deveres de cada um se façam válidos.

Vários fatores devem ser levados em conta.

A disparidade entre genêros, consequentemente acarretando uma desigualdade social, muitas vezes  torna a mulher vulnerável ao seu parceiro, onde a dependência financeira aprisiona e a impede de sair da relação abusiva.

Outro fator é o machismo estrutural, que reforça que o homem é quem manda e a mulher deve ser submissa às suas vontades.

Através da educação essa ideia deve ser mudada.

Políticas públicas devem lançar campanhas que reforcem a denúncia, assim como a fiscalização para que as leis sejam cumpridas.

Medidas de apoio devem estar à disposição das vítimas, abrigos para acolhê-las (e aos seus filhos), tratamento pscicológico para amparo emocional, médicos no caso de abuso físico, a justiça para que o abusador cumpra sua pena, enfim, uma equipe multidisciplinar prestando todo atendimento necessário.

As ações devem começar desde cedo, fazendo com que meninos e meninas entendam que as relações devem ser permeadas de respeito. Saber identificar um comportamento abusivo também é um passo importante, capaz de salvar vidas.

O olhar para a vítima de abuso deve ser empático e altruísta. Não condene, não julgue.

A luta deve ser de todos!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Como você é linda!
Foi assim que o relacionamento começou.
Já se passaram meses, e como ele é carinhoso!
Mig estava nas nuvens. Que homem incrível havia encontrado. Fiel, trabalhador, um eterno
romântico, sempre a elogiando, presenteando com chocolates e buquês de rosas vermelhas.
“A verdade é que ele a amava. Era intenso.”
Não demorou para as promessas de casamento começarem a lhe cobrir de esperanças, afinal,
Mig realizaria o sonho de constituir uma linda família, pois filhos também já tinham sido
cogitados.
Combinaram de sair, e Mig comprou um belo vestido, arrumando-se toda para agradar seu
amado. Pena ele não ter gostado tanto assim da sua produção, pedindo-lhe com todo carinho
que colocasse algo mais apropriado. “Que mal faria ela trocar sua roupa?” Jamais iria
contrariar seu agora quase noivo com uma bobagem dessa.
O tempo passou, e como ele se recusava a usar métodos contraceptivos (Mig entendia as
razões dele), não custou para que o primeiro filho chegasse.
“O casamento podia esperar”, disse ele.
Foram morar juntos.
Uma pena ele ser tão ocupado! Chegava todos os dias tarde, cansado sempre, não cuidava do
bebê, nem tampouco da casa.
Mig se desdobrava entre os afazares, o trabalho e a faculdade à noite, quando contava com a
ajuda de sua mãe e algumas amigas.
Mas essa situação ficou insustentável e, segundo ele, a faculdade podia esperar. Mig viu que
ele tinha razão. Trancou sua matrícula.
Outro ponto foi manter sua mãe e as amigas mais distantes, pois “viviam dando palpites e eles
acabavam sempre discutindo por isso”. Mig ficou triste, mas entendia as razões dele.
Estranho que ele andava nervoso, mas Mig sabia que era por conta do cansaço.
Passados alguns dias, todo carinhoso, sugeriu então que Mig largasse o emprego, pois assim
teria mais tempo e condições de cuidar dele e do bebê. Ela entendeu que ele estava fazendo
isso para o bem da família. E assim, pediu demissão.
Mas parecia que nada o agradava.
Até que um dia, sem mais nem menos, deu-lhe um tapa na cara, alegando que a comida não
estava quente. Ela chorou muito, mas não quis brigar.
Na manhã seguinte, ele pediu desculpas, chorou, implorou para que ela esquecesse aquele
triste momento. “Ele a amava e não faria de novo”. Claro que ela o perdoou.
Os episódios passaram a ser constantes… Descaso, humilhação, cobranças absurdas e muita
agressão física.

O pedido de perdão, com lágrimas e lamentos, tornou-se recorrente.
Mig não estava mais dando conta. Mas não tinha coragem nem força para tomar uma atitude,
inclusive porque não sabia o que fazer.
Mas o tempo a fez perceber que precisava terminar com ele, pois temia por seu filho também.
Foi aí que a tragédia aconteceu.
Por conta de não aceitar o fim do relacionamento, ele planejou o pior.
Esperou Mig dormir, jogou álcool sobre ela e ateou fogo.
Ela acordou em chamas. Com seus gritos de dor, uma vizinha conseguiu arrombar a porta e
socorrê-la.
Ele havia fugido para sempre.
Mig teve 80% do corpo queimado, seu rosto desfigurado e marcas psicológicas para sempre.
Precisou lutar pela vida.
Sobreviveu com garra! Hoje luta pela causa, para ajudar outras mulheres a não passarem pelo
que passou.


*Dados do DeltaFolha afirmam que “o Brasil registra 1 caso de agressão à mulher a cada 4
minutos.”
*Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), “7 em cada 10 mulheres no planeta foram
ou serão violentadas em algum momento da vida”.
*Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, “a quantidade de
denúncias de violência contra as mulheres recebidas no canal 180 cresceu quase 40%
comparando o mês de abril de 2020 e 2019”. (saude.abril.com.br)

Disque 180. Denuncie. Vá até a Delegacia da Mulher (ou delegacia mais próxima) e preste
queixa.
Disque 190 – Polícia Militar para atuação emergencial.


Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Hoje chorei!
Sei que minha dor nunca será tão intensa quanto a de quem passa pelo problema diariamente. Mas quero deixar aqui o meu profundo sentimento de tristeza.
É inimaginável que em pleno 2020 vidas sejam sucumbidas pelo racismo estrutural.
É inaceitável que o respeito não seja a palavra de ordem.
Até quando?
Chega!
É preciso dar um basta nessa covardia, na arrogância dos que se sentem superiores, na impunidade de quem fere e mata, em quem oprime, diminui, ridiculariza, humilha e destrói vidas.
Chega!
Já passou da hora.

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

De repente parei pra pensar e me deparei com algo inusitado… A força e o poder do medo!

Foram algumas notícias incertas, alguns dias de algo mais concreto, e pronto! O caos se instaurou, o pânico tomou conta e a tragédia aconteceu.

Fico me perguntando o porquê de alguns seres humanos terem tanto medo de adoecer e morrer, mas não se importam com o sofrimento e morte alheios.

Ao mesmo tempo, tantos outros são dedicados, disponíveis, capazes de uma doação íntegra, com atos ininterruptos de dedicação. E aí fica a questão… O que determina esse comportamento? O que é realmente transformador e faz com que atitudes estúpidas de uns sejam inversamente proporcionais à grandeza da empatia e entrega de outros?

Neste caso agora, o tal “invisível a olho nu”, que tanto estrago tem causado, imagino que mudou comportamentos porque vem apavorando a sensação de finitude gerada.

A vulnerabilidade escondida atrás dos muros da soberba, da ambição, do poder, de repente vem à tona e transforma todos igualmente em seres frágeis.

A capacidade de afetar um mundo gerou um sentimento igualitário… o pânico! E através desse medo incontrolável, a busca por sobrevivência se tornou o denominador comum.

Mas as evidências ainda mostram as diferenças. O sistema deixa de amparar uma classe, isso é injusto! E mortes continuam a acontecer… Os motivos são diversos, tão graves quanto esse. E o que efetivamente está sendo feito?

Também passada a pandemia, algo irá mudar?

Os olhares serão mais generosos? A mão poderá ser estendida para tirar alguém do chão? O abraço será um gesto que salva vidas? Poderemos nos aproximar e nos sentirmos seguros, amparados?

Será utopia?

Mais que isso, é o desejo genuíno de que ocorram mudanças. Mudanças de almas…

Passou da hora de ressignificarmos os olhares, os apertos de mãos, os abraços, os beijos, os valores, as prioridades… enfim, a vida!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

O que me encanta em alguém…

Encanta-me o simples, os pequenos gestos, o olhar sem preconceitos, sem “dedos apontados”, sem críticas infundadas…

Encanta-me o jeito diferente de ser, o que agrega, o que ensina, mas também o que aprende, apreende e transforma.

Encanta-me o olhar que acalma, a mão que acaricia e ergue do chão.

Encanta-me a perseverança, a intuição, a convicção flexível, a possibilidade de diálogo, a busca.

Encanta-me a fé, que não precisa ter nome, religião ou dogma, mas sim a força que impulsiona e faz seguir.

Encanta-me a empatia, o se colocar no lugar do outro, o altruísmo, a gratidão, a afetividade, o bem-querer e, acima de tudo, o respeito!