Segue abaixo trecho extraído do Livro “Pombagira, A deusa – Mulher Igual a Você”. do autor Alexandre Cumino.

Em uma sociedade Machista, não basta não ser machista, é preciso ser AntiMachista”
(Frase adapitada da frase de Angela Davis, segue frase original
‘Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, é preciso ser antirracista’).

Hoje não damos conta do que é o machismo, pelo fato de que já estamos muito acostumados com a visão distorcida sobre a Mulher. A mulher não é frágil, a sociedade a torna assim para ela não ter força diante do homem, cozinha e lavanderia são lugares de homens e mulheres; cuidar dos filhos é responsabilidade do pai e da mãe, se uma mulher é livre afetivamente, ela tem o mesmo valor de outra que escolhe a castidade; virgindade não é sinônimo de caráter, muito menos de dignidade ou qualquer outro valor. O rito do casamento é um ritual de posse em que, no modelo tradicional católico, o pai, proprietario, da filha, a entrega para o noivo, seu novo proprietario, e a partir daí a sociedade considera que ambos têm obrigações um para com o outro, de casal.

Na memória da sociedade, a mulher continua tendo a carga maior de obrigações, e pesa sobre ela o olhar do falso moralismo e hipocresia social. Se essa mulher escolhe uma vida de solteira, é dito “ficou para titia”.

Todos já ouviram as frases e expressões: loira burra, mulher é falsa, mulher não tem amiga, tem mulher que dá motivo para apanhar, se acabou depois dos filhos, já sabe cozinhar já pode casar, trocou uma de 40 por duas de 20, mulher que bebe não presta, só engravida quem quer. E também adjetivos do mundo animal: ESSA MULHER É UMA VACA, GALINHA, POTRANCA, CAVALA, CADELA ETC.

Precisa dizer mais? Feminismo é a consciência de todos esses machismos, de origem patriarcal, chamados de sexismo. Quando não temos a percepção somos machistas, mesmo passivos.

Agredir fisicamente é um extremo, há sutilezas perversas na sociedade, que passam despercebidas principalmente para quem não é mulher, gay, lesbica, trans, negro, indio ou nordestino na região Sul do Pais.


Meus comentários: Entender o universo feminino é entender a si mesmo, indiferente o Gênero, não observar as pequenas sutilezas de maldade já inseridas no contexto social é também fazer parte desta maldade.
Precisamos mudar os pequenos hábitos para ter grandes resultados, nenhum tipo de segregação, seja por qual motivo for pode ser considerada positiva, nossa obrigação social é educar nosso filho e reaprender veementemente os membros de nossa sociedade que praticam tais atos.

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração. 46 anos de idade, com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo.

Há pouco menos de 500 anos o calendário era outro, o ano se iniciava no final de março com a chegada da primavera no hemisfério norte e outono para nós, abaixo da linha do equador.

A partir de 2020, aqui no Brasil começamos uma nova contagem de tempo que acaba de completar um ano, um ciclo.

Certa vez, um amigo me disse que sempre após um evento marcante em nossas vidas deveríamos esperar um ano para avaliar com clareza e realidade como estamos, pois, como ele disse, após um ano teríamos experimentado viver a “primeira vez” de várias situações.

Agora que acabamos de retornar ao mesmo ponto da órbita solar que estávamos quando fomos colocados à prova em nossa imensa capacidade de adaptação, aceitação, superação e esperança, vejo que estamos tendo a chance de fazer pela primeira vez em uma segunda vez.

Eu ainda não, pois nasci em dezembro, mas alguns de vocês ou seus filhos já comemoraram o segundo aniversário nesta nova dinâmica, outros estão experimentando novos formatos e modelos de convivência e relacionamento.

O convite aqui é para refletirmos e percebermos como somos capazes de aprender e ensinar mesmo nas situações mais adversas da vida. Não quero romantizar, nem dramatizar o que estamos vivendo, longe disso. Proponho apenas que cada um olhe para o seu “mundo” e perceba a oportunidade que estamos tendo de rever tantas variáveis e fatores em tão pouco tempo. Quantos processos individuais e coletivos foram catalizados nessas quatro estações.

O que será que foi pior, aquilo que aconteceu e queríamos ter evitado ou aquilo que não desejávamos e simplesmente aconteceu. É aí que entra a diferença entre conformismo e aceitação, quando acessamos um lugar de paz e leveza em nosso coração, onde a dor, o medo e a insegurança não existem.

Será que quando algo acontece em nossa vida é realmente a primeira vez?

Embora digam que um raio nunca cai no mesmo lugar, algumas teorias dizem que “tudo acontece duas vezes”. Primeiro na nossa mente e depois na realidade. O jogador de basquete Michel Jordan dizia que antes das partidas mais importantes da sua vida, ele “imaginava” algumas jogadas e “magicamente” no dia do jogo elas aconteciam exatamente como ele havia imaginado.

Pensando assim, podemos contribuir com a realidade imaginando soluções, caminhos e pontes para nos conectar com a sociedade e o mundo que queremos, para que quando ele existir tenhamos a sensação de estamos vivendo a primeira vez pela segunda vez.

Flávio Oliveira – Belo Urbano, pai da Júlia, Terapeuta Integrativo, Facilitador de Grupos de Homens e um apaixonado por Filosofia, Poesia e Astronomia.

As mulheres podem e devem fazer parte desse mundo exclusivo Empresarial… Quando a maioria são os homens estruturalmente seletivos, e com $alários $uperiores aos delas. Que na verdade, estudam e se qualificam tanto ou mais que eles, para que sejam respeitadas. Sem que elas precisem mendigar, extrapolar seu universo feminino, deixar de ser clara e objetiva, e também sem que tenham que usar a sua defesa sobre as incontidas guerras, sobre quem é melhor!

O melhor basicamente não existe, o que existe é a força de cada um como ser humano atuante dentro e fora da sociedade como um todo. Mulheres que se afinam e contraem a diplomacia de vencer como solo familiar, e ainda se preservar de ações e atos contrários ao seu bem viver. Como não querer ser mãe ou mesmo se casar, ou ainda se aventurar pelo mundo afora sem constrangimentos de estar só, sem companhia.  

Por prevalecer situações estruturais fomentadas por centros governamentais, elas precisam se segregar em sindicatos sociais e ou solos, para vencer essa radicalidade atemporal com força de sua inteligência mental agregada à sua inteligência emocional, a fim de superar os imbróglios concomitantes. 

NÓS PODEMOS ABRILHANTAR A SUA VIDA!

Bom dia e seguindo a estrada da boa vontade. Só desejamos ficar ao lado e com isso ganharmos mais substâncias para reconhecermos “VIA PRÓPRIA”…

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Em pleno século 21, enfrentando o tão “tenebroso 40”.

Ele chegou meio à quarentena, sem  grandes comemorações e cheio de dúvidas.

E eu, que quando criança acreditava que ser 40 era ser velha, casada, estável, com filhos e em uma rotina praticamente da mulher da propaganda de margarina, vi meus conceitos desabarem.

Ah, como a vida muda!

Como as nossas certezas não são tão certas!

Como nossas crenças e a vida para que nos preparamos quando crianças podem ser tão equivocadas…

Mulher de 40…assim em pleno século 21…

Com tudo o que a sociedade nos cobra: trabalho, vida pessoal, saúde em dia, um ciclo de amigos fiéis, uma vida social tão intensa quanto a do trabalho.

Só um detalhe ou outro que fogem à regra! Não, eu não me casei. O Príncipe Encantado que me prometeram quando eu era criança no conto de fadas não existiu até o  momento…

E sabe o que eu tive a certeza nesses meus 40 anos? É que esse príncipe não existe e está tudo bem. Afinal de contas, eu também não sou uma princesa!

Sou nada mais nada menos que uma mulher em construção.

Rodeada de cobranças, foi difícil chegar até aqui, até o momento que eu olho para trás ou me vejo diante do espelho entendendo que está tudo bem não ter preenchido todos os requisitos da lista que me foi dada enquanto cresci.

Sou solteira sim, não tive filhos. E isso pouco a pouco deixa de ser um peso imposto pela sociedade e passa a ser apenas mais uma face minha, de tantas outras.

A cada dia fica mais fácil olhar para mim e me ver mais completa no que eu sou e não no que os outros esperam de mim.

Sem o sexismo, que nos foi imposto por gerações e gerações pela religião ou até mesmo sem nos vermos, mesmo que em um ato falho e imperceptível, como um molde, todas iguais, nascidas e criadas para gerar, como se qualquer coisa diferente disso fosse uma derrota.

Hoje entendo e aprecio a luta de cada mulher para ser o que é…para acordar todo dia sacudir a poeira e dar a volta por cima. Coisa que só os tão temidos 40 anos puderam me proporcionar.

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

Mudar é um coringa. O da carta, não o do cinema.

Mudar é, ao mesmo tempo, assustador e empolgante, um peso e um alívio, uma dor e um prazer… Mudar pode ser ruim quando as coisas estão boas, mas é a melhor saída quando as coisas estão ruins.

Nossa sociedade está sempre em movimento e sempre em busca de algo melhor, ainda que se torne temporariamente pior nesse processo. E nossa sociedade começou a mudar, algum tempo atrás. Uma leve melhora que provocou os egos mais conservadores que, na ânsia de proteger sua “zona de conforto”, lutaram contra essa melhora, o que fez de todos nós um pouco piores.

Mas isso é bom! Porque só quando nos sentimos desconfortáveis ou ameaçados é que resolvemos nos mexer. E nós crescemos somente quando existe um obstáculo à nossa frente. A piora é só o efeito colateral dos primeiros passos para a melhora.

Eu gosto de mudanças. De todas as mudanças! As que trazem dor e as que trazem prazer. Sim, ambas! A mudança, para mim, remete a desconforto, como para todos, mas desse desconforto surgem a excitação das novas informações e, com elas, novas possibilidades. Nossa sociedade, nossa cultura, principalmente nossos valores estão muito doentes e a cura só vem com a mudança.

Nestas eleições, eu busquei muitas mudanças e torci para que elas fossem as mais radicais possíveis. Agi até onde pude, mas fui limitado a dois míseros votos. Queria ver a maior diversidade possível nas casas executivas e legislativas deste imenso País, mas, com coerência e conhecimento, só consegui apoiar duas mulheres: uma para a Prefeitura e outra para a Câmara dos Vereadores.

Ao final, minha cidade querida terá 3 mulheres e 2 transgêneros* no seu conselho legislativo. Satisfação! No executivo, contudo, as opções sobreviventes são mais do enferrujado e hipócrita mesmo. Frustração.

Eu entendo que o momento é das mulheres e precisamos delas. Elas estão melhor preparadas para o cenário atual, pois elas não têm os vícios do poder patriarcal, têm a sensibilidade de quem é orientada para a congruência, para a união, e elas têm a virtude de dar voz a todos, coisa que anda em falta na cultura tupiniquim dos últimos tempos. O momento é também de quem não se vê lá, nem cá, ou, estando lá, sabe que seu lugar é aqui e vice-versa. Ser LGBTQI+ é ser disruptivo em essência. E a ruptura com o sistema é a mudança que nós mais precisamos!

Estamos longe ainda da diversidade que eu considero ideal, mas os resultados desta eleição, ao menos em São Paulo, trazem um avanço sem a menor sombra de dúvidas!

Parabéns a quem chegou lá e a quem contribuiu para esse princípio de mudança! Aos que tentam conter essa mesma mudança, sugiro que olhem para os dois lados, antes de atravessar a rua.

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* Fico, aqui, imaginando como cada um leu o número “2”.

REFERÊNCIAS:

RODRIGUES, Artur. Trans na política são resposta ao bolsonarismo, diz Erika Hilton, 6ª vereadora mais votada em SP. São Paulo: Folha de São Paulo, 16 nov. 2020. Disponível em: . Acesso em: 17 nov. 2020.

UOL Eleições 2020 – Apurações. São Paulo: UOL, 16 nov. 2020. Disponível em: . Acesso em: 17 nov. 2020.

Cássio C. Nogueira – Belo Urbano, psicanalista, coaching, marqueteiro, curioso, maluco com CRP, apaixonado pela vida e na potência máxima, sempre!

Tendo como base a visão judaico-cristã, Maria, a mãe de Jesus, é uma mulher perfeita. É uma virgem que dá à luz e sofre em silêncio ao pé do calvário.

Mas, como são as “Marias” de hoje? São mulheres que lutam, choram, encantam com largos sorrisos, questionam, se rebelam, erram, acertam, amam, odeiam, podem ser perfeitas dentro de suas realidades e imperfeições.

Há sempre grandes expectativas sociais e pressões exercidas sobre as “Marias”.

O julgamento moral que pesa sobre elas é um tanto quanto cruel pois quando avaliadas sob os ollhos de terceiros e da sociedade, “Marias” tendem a ter como destaque as imperfeições e não a humanidade.

“Marias” podem SIM ser perfeitamente imperfeitas. E não por isso menos valiosas perante o mundo.

Angela Carolina Pace – Bela Urbana, publicitária, mãe, tem como hobby estudar Leis. Possui preferência por filmes de tribunais de todas as áreas jurídicas.

Tenho minhas crenças e uma delas é que estamos aqui neste mundo para amadurecer e nos transformarmos em pessoas melhores.

Pra mim, isso é fato!

O mais magnífico é que precisamos do outro pra que isso aconteça.

Desde a nossa concepção até a  nossa morte há ” um outro” em nossa história.

Dependemos dos nossos pais  (para nascer) depois do mundo, cheio de ” outros.” para viver.

Isso é ciência!

Um bebê precisa de estímulos para se desenvolver. Precisa do toque, da voz, do seio.  Precisa do ” outro”. Precisa da Mãe.

Isso é mágico!

É  nessa relação que vamos Desenvolvendo,  amadurecendo/crescendo e envelhecendo.

O Eu e o outro. O outro e eu:  Nós.

Isso é Fantástico!!

Precisamos desse movimento que a vida nos oferece pra experienciar tristezas, alegrias, decepções. Para refletir, para mudar, para sofrer, para sorrir.

Aprender sobre a “vida ” só acontece vivendo e vivendo com o outro!

A simples atitude de alguém nos ensina: Um erro, um acerto. uma discussão, uma decepção , ler o livro do outro,  o poema do poeta…. a filosofia do pensador, a opinião que não é a nossa, a crítica… e uma  palavra.

O outro está a todo tempo mexendo com o nosso “eu”!

Isso é maravilhoso!

Acordar todos os dias nos faz vivos e aprendizes. Aprender amplia nossa mente e nos une mais ainda ao outro. 

É seguimos precisando uns dos outros.

E nem estou falando de amor. O tema Amor fica para um outro “eu e o outro”.

(E não sou mais a mesma …. Amadureci lendo textos do Belas Urbanas).

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, 53 anos, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “.

Cristina é uma cinquentona, bonita, fina, cheirosa, que anda com um carrão novo importando e tão perfumado quanto ela.

Mãe de um jovem adulto, rapaz bonito também, moreno, como ela. Ela torcia para que filho casasse com uma loira, vivia dizendo “brincando”: – precisa clarear a família. Falava em tom de brincadeira e nem se dava conta o quanto preconceito tinha em sua fala, no fundo queria mesmo ter netos loiros, de morenos já bastava sua família e a do marido.

Marido esse muito bem sucedido, alto executivo, viajado, andava com seu carrão do ano importado, sempre com o ar condicionado ligado e com vidros blindados. Nesse país não tem como ser de outra forma, pensava. Sorte que seu dinheiro permitia esses gastos.

Ela tinha se aposentado há um ano, fez carreira pública, se aposentou muito bem, preferiu ter seu dinheiro para suas despesas pessoais e para alguns segredos. Segredos tão escondidos que é difícil imaginar aquela mulher que adora fazer caridade na igreja com seus segredos.

A guerra pelas eleições fervia na internet, mas ela preferia não dar palpite. Falava sua opinião para grupos pequenos de amigos, todos que pensavam como ela. Se alguém pensasse diferente, já olhava por cima, com desdém, pedia licença, afinal, era educada e saia de perto. Para que discutir política?

A vida dela é chata, assim como ela, bem chata. Era desejada por outros chatos e infelizes, afinal o poder do dinheiro e ainda da beleza, mesmo que morena, ainda causavam impacto e fetiche nesses outros iguais.

O marido e ela, tinham aquela união estável e chata onde a paixão foi embora há muito tempo, se é que existiu em algum dia. Cada um no seu mundo solitário, perfumado e protegido. A casa andava mais quieta do que antes, sempre foi uma casa de pouco barulho, mas depois que o filho foi estudar fora, o silêncio é quase mortal.

Aquele candidato é verdadeiro, homem que fala o que pensa, se encantou. Chegou a sonhar com ele. Um sonho que jamais poderia ser compartilhado. Um sonho onde aquele homem a amarrava na cama e berrava com ela, Ela frágil, ele forte, e não é que ele tinha algo do seu pai quando dava bronca nela e em suas irmãs.

Em segredo ficou esse sonho, assim como os outros que ninguém jamais poderia imaginar naquela figura tão perfeitinha da sociedade do alto escalão. Esses segredos eram quase uma felicidade.

Vivia de quases e tanto fazia o resto.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

E por falar em eleições, NÃO PENSE NA COR BRANCA!

Qual foi a primeira cor que lhe veio à mente, assim que terminou de ler a frase acima?

Pois é, nossa mente processa informações sensoriais com uma lógica diferente do nosso raciocínio. Nós generalizamos, distorcemos e eliminamos fragmentos das nossas experiências, de maneira a tornar nossa interação com o mundo mais dinâmica, eficiente e simples. Na maioria das vezes, essas aparentes falhas na percepção nos são úteis, pois nos permitem dirigir carros diferentes, sem precisarmos aprender tudo de novo, nos ajudam a encontrar soluções, inventando alternativas, e nos ajudam a lidar com o excesso de informações,
focando no que é essencial. Mas há situações peculiares, nas quais essas falhas podem ser fatais.

Suponha que você diga a uma criança: “—Não mexa no telefone!” O que ela registrará na mente é: “MEXA” e “TELEFONE” (as palavras “não” e “no” são eliminadas por não caracterizarem uma ação, nem um sujeito ou objeto, e perdem relevância na mente). Às vezes, ela nem havia notado o telefone próximo, mas a sua ordem dispara a sua atenção exatamente para aquilo que você NÃO quer que ela faça, tal qual quando você leu o título deste texto! O problema é que, a partir da percepção, a criança passa a se focar exatamente no
“telefone” e, se houver qualquer coisa interessante nele, ela irá mexer. E não adianta você chamar o telefone de “caixinha”, porque a criança associará a “caixinha” ao “telefone” do mesmo jeito.

A solução?

Simples! Estimule o foco naquilo que você realmente deseja que aconteça, uma ação alternativa. Por exemplo, se a criança gosta muito de brincar com jogos, basta dizer: “—Vá brincar com seus jogos!” Pronto! As palavras assimiladas pela criança serão “BRINCAR” e “JOGOS” —ela talvez nem note que o telefone está por perto. Mas o que isso tem a ver com as eleições?

Observe o movimento contra o candidato líder nas pesquisas de intenção de voto. A atenção dos eleitores naturalmente se voltará para “ELE”, enquanto que o “não” perde sua relevância cognitiva —o candidato pode ser o “telefone” que não havia sido notado pela “criança”, o eleitor, a qual pode agora achar o “telefone” interessante. Além disso, tentar influenciar pessoas pela crítica ácida só faz aumentar sua resistência e ainda pode levar os indecisos a questionar a credibilidade e a superficialidade dos argumentos dos manifestantes, pois os indícios de má conduta e caráter são facilmente verificáveis nos principais adversários também (ainda que em menor evidência). Lembre-se que somos uma sociedade patriarcal e sensível, tendendo a ser solidária a aparentes vítimas (mesmo que sejam vítimas só na aparência).

O fato é que as pessoas não se movem para “entrar em situações certas”, mas sim para “sair de situações desconfortáveis”. Compramos uma casa para sair do desconforto do aluguel, compramos um carro novo, porque o velho já não nos conforta, votamos em um novo candidato para sair do desconforto da situação atual ou votamos no velho para evitar um possível desconforto futuro. Ao agredir alguém, você gera desconforto para essa pessoa e para quem com ela se identifique e o maior desejo dela será sair dessa situação. Fazer o que você “não QUER QUE ELA FAÇA” pode ser a melhor forma dela se livrar do desconforto que você lhe causou.

Você quer mais inimigos ou mais pessoas trabalhando para um bem comum?

Cássio C. Nogueira – Belo Urbano, psicanalista, coaching, marqueteiro, curioso, maluco com CRM, apaixonado pela vida e na potência máxima, sempre!

Fui com o R namorado no shopping, na casa da C e depois na sorveteria, onde soubemos que é proibido dar um beijo na boca, onde o garçom veio até nós e se nos proíbe dizendo que não pode “gestos amorosos” no local.

Eu odeio essa conduta moralista que na verdade é só cínica.

Um beijo, o que tem demais?

19 de dezembro – Gisa Luiza – 19 anos

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :). A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.