Esse dia voltará, sentirei as ondas, o mar, a areia no pé, a brisa do mar, a criança correndo, o cachorro latindo, a pedra na mão, o assovio do pássaro, a música do nada, a pipoca doce com a maresia do mar, o pé-de-moleque na festa, a fofolete na sala, os eucaliptos indo e voltando sobre o vento, a neblina na estrada, as curvas do caminho, as montanhas te chamando, a cachoeira com pedras e cipós.

Eu ainda sentirei tudo de novo bem na face, soprando no meu ouvido, a fé de viver…

Macarena Lobos –  Bela Urbana, formada em comunicação social, fotógrafa há mais  de 20 anos, já clicou muitos globais, assim como grandes eventos, trabalhos publicitários e muitas coberturas jornalísticas. De natureza apaixonada e vibrante, se arrisca e segue em frete. Uma grande paixão é sua filha. 

Passa pela mente, em um breve instante, que tudo que se viveu, de repente, possa não ter sido o melhor. Passa pela mente, neste mesmo instante, que daqui pra frente se tiver outra chance, seria assim, também melhor. Fracasso num instante, ganho no seguinte e assim, sigo adiante. Porém uma pausa de segundos. Um momento de fraqueza, da saúde, da alma, do corpo, do todo e se percebe que a vida é por um fio. Que o relógio conspira sempre contra, em sua ditadura temporal. E o arrependimento. De não ter sido melhor, maior, mais forte, dócil ou amigo. Se tiver assim, uma nova chance, tentarei ser melhor… Pois é inigualável a beleza da vida nos seus detalhes sutis. Imperceptíveis. E quantos detalhes já deixei passar por entre os olhos? Muitos. No pouco que me resta, mesmo no auge da juventude, prometo a mim mesmo não perdê-los por nada. Prometo não usar relógios, viver à toa. E não fazer promessas.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico.

Poderia eu escrever sobre hoje, ontem ou há quase 60 anos, daria na mesma.

Continuo sendo aquela criança que gosta de brincar, correr, rir, xingar, amar, brigar, descobrir, desenhar, pintar, criar…

A mesma que adora refrigerantes e chocolate, claro, hoje com um pouco de álcool.

Não mudei muito, apenas continuo um adolescente, mas experiente em algumas poucas coisas, lógico, porque as que não sabemos e nunca fizemos são as melhores a se fazer.

Enfim, nesse tempo que não existe, continuo procurando aquilo que não conheço, arriscando nelas, as novidades, pelo menos para essa criança, porque tempo e espaço não existem mesmo, são apenas ilusão de um ser humano que infelizmente foi predestinado a acreditar em começo, meio e fim….que bobagem isso.

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Outro dia assisti a uma aula, na qual o professor descrevia a felicidade sob a ótica da prática filosófica. Dizia ele que “felicidade é o estado de potência máxima do ser” – nós só somos felizes de fato naqueles momentos que não queremos que acabem. E isso fez muito sentido para mim, pois, ao olhar para trás, notei que os momentos que não quis que acabassem foram também os momentos mais intensos que experimentei.

Quando digo intenso, me refiro a prazer, relaxamento e até dor. Sim, dor! A vida não existiria sem dor. A dor é aquele professor ranzinza que nos ensina e nos força a fazer o que quer que seja necessário para chegarmos a um lugar melhor, fazermos algo melhor e sermos alguém melhor, mais flexível e com mais recursos. Só o desconforto nos move e sem ele, morreríamos de inanição – muita gente morre assim!

A mente jovem não racionaliza; não abre mão do desejo para sentir segurança; não se afunda na rotina porque ‘a aventura dá trabalho’; e pouco importa o caminho mais seguro, porque o foco está na emoção.

Uma mente jovem não escolhe seus relacionamentos pela lista de virtudes e defeitos do pretendente. Jovens querem se provar, se testar, e, para tanto, encaram qualquer desafio, se atiram no que querem, fazem o que precisa ser feito e até mais! Às vezes caem, mas se levantam, sentem dor, mas se curam, erram, mas aprendem… A mente jovem pode até se dar mal, mas jamais admitirá isso por um simples fato: ela está exatamente onde queria estar e, se está lá, está no lugar certo!

A mente jovem está sempre certa, o mundo é que tem que mudar! Tentar mudar o mundo é a grande graça da vida e arrisco até dizer ‘O SENTIDO DA VIDA’.

Só uma mente jovem tem a capacidade de ser feliz de verdade!

Cássio C. Nogueira – Belo Urbano, psicanalista, coaching, marqueteiro, curioso, apaixonado pela vida e na potência máxima, sempre!

Estamos velhos, amigo.
Aquele nosso amor antigo
Dorme o sono bom do passado,
Perdeu a memória
E não se lembra mais de nós.
Aquele amor dos tempos idos
Não mais nos reconhece
E nem nós o reconhecemos mais.
Ainda assim lhe convido:
Caminha um pouco comigo, amigo.
Vamos dar as mãos e rir um pouco,
Desempoeirar algumas boas lembranças
E levar a saudade mansa
Pra tomar um pouquinho de sol…

Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?

 

Olá consulentes.

Outro dia uma consulente me perguntou o que devia fazer com seu cabelo. Ela queria cortar, mudar, dizia que não aguentava mais, mas no dia que decidiu cortar, se olhou e achou seu cabelo lindo e por dias seguidos o cabelo reviveu, estava bonito, mas a vontade ainda batia no seu coração e ela não sabia o que fazer, porque gostava do que estava vendo.

Cara consulente isso parece simples, mas não é, e vou explicar o porquê. Tudo que está prestes a “deixar de ser” percebe e como um último suspiro junta todas suas forças e se revigora, o cabelo e qualquer coisa que tenha vida. Existe relatos de pessoas que estão terminais e dão uma melhora incrível como se estivessem curadas, mas em pouco tempo se vão, vamos dizer que é o último suspiro. Essa melhora é inconsciente para nossa consciência atual, mas ela existe, é uma conexão entre nossas mentes e na verdade entre tudo que está vivo. Esse vivo pode ser nós mesmos divididos em partes, como no caso aqui, o cabelo.

Deu para entender?

Esquece a ansiedade, esquece as modas, esquece os outros, esquece o tempo. Pensa se gosta do que vê no espelho. Perceba o que sente nesse dia. Então, se o cabelo acordar bonito, segue com ele, senão passa a tesoura, ou melhor, deixe alguém passar  e alguém que passe bem, afinal, a mudança sempre deve ser para melhor, esse é o foco.

Ah, se não ficar bom? Muda de novo.

Então o conselho de hoje  é UM DIA DE CADA VEZ, mas sempre com suspiros.

Até a próxima. Logo, logo tem mais.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube: Madame Zoraide dicas e conselhos www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉

Será que a mentira é parecida com a verdade que, por sua vez pode ser subjetiva?

Acredito que não.

A mentira

Mesmo contada com poesia

Mesmo sendo dita com um “claro que sim”

Mesmo respondida com uma desculpa ou com uma repentina presença

Será uma mentira

A mentira pode vir acompanhada de entrega

Pode vir travestida de desejo

Mas será sempre o resultado das sobras de um banquete, ou seja, migalhas

Migalhas de sobrevida que criam as utópicas miragens das idealizações que se desfazem nos sapatos no tempo

A mentira será sempre a ausência de qualquer verdade

 

Jorge Luis de Souza – Belo Urbano, artista plástico, pedagogo e empresário. Como todo bom leonino é muito dedicado a tudo que faz. Não resiste a um chocolate. Ama escrever e ama sua família.

Ouvi o celular

o som era do meu

só ouvi

nitidamente ouvi

agora parou

ouvi docemente por alguns segundos

musicalmente se encaixa melhor

toca, não toca

é só imaginação

o som dos carros ao fundo

o resto é quase silêncio

mas minha imaginação

teima em trabalhar

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Eu respeito

Rezo

Peço paciência

Peço calma

Peço resiliência

Calma com a carteira perdida

Calma, vou achar

Se não achar vou resolver, cancelar os documentos, cartões, talões de cheques

Fazer novos, é o que posso fazer.

Calma para resolver

Paciência com quem não entende nada do que eu digo

Inspira, respira, devagar, mais uma vez

Paciência e tenta de novo

Como se estivesse falando com uma criança

É preciso entender, é preciso entrar em um acordo.

Tenta de novo, sem paciência não vai resolver.

E resiliência para voltar ao normal depois de ficar deformada,

depois de ter que esticar como um elástico para dar conta de não deixar nada para fora.

Resiliência para voltar a forma normal ou ao mais próximo disso possível.

E que haja quantas vezes forem necessários essa resiliência, paciência e calma.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Saudade passa?

Não, não passa, engana-se que crê que já a viu passar, algum dia, em algum lugar.

Saudade é para sempre, conforme-se.

Pelo menos as saudades das grandes. Estas são definitivas.

Acomodam-se, é verdade, ou melhor, arrancham-se, sem a menor cerimônia, e ficam ali, sem data de partida, despachadas, mas com um olhar insistente,  que a tudo observa.

Sentinelas atentas ao menor  movimento do coração.

Há dias em que parecem mais luminosas, mais leves, como manhãs de verão, e até as achamos belas.

Há dias em que são mais macias, como travesseiros de plumas, e nelas nos recostamos, em busca de algum aconchego, de algum descanso, mansidão.

Há dias, porém, que são como tempestade, vento forte, violenta inundação.

É fato: saudades são como seres mutantes, imprevisíveis.

Ora amigas serenas, ora impiedosas, brutalmente insensíveis,

ansioso turbilhão.

Convém, sim, acalmá-las.

O tempo, normalmente, é bom nisso.

Uma vez sossegadas, as saudades nos devolvem os momentos,

abraçam-nos com lembranças, enxugam-nos os olhos e nos sorriem.

Sim, saudades às vezes sorriem.

Um sorriso silencioso, complacente,

desses que só a Alma enxerga,

só a Alma compreende.

 

 

Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?