O relógio quebrou

e lá ficou

parado

na parede da cozinha

quebrado

eu olho pra ele

ele olha para mim

ponteiros parados

nada mexe

morto

morto como quem me deu

O que faço eu?

Me desfaço?

isso me entristece

mas deixá-lo ali também

O vidro quebrou

ficou sem os números

Parou às oito e trinta e cinco

Da manhã?

Da noite?

De que dia?

Não sei

Definitivamente não sei

Só sei que hoje ele sai da parede e vai para o lixo.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza. Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

EU QUERO QUE SE FODA! Era o que eu já tive vontade de dizer. QUERO QUE TUDO SE EXPLODA! Era o que eu acreditava ser o melhor. EU QUERO MORRER! E hoje em dia, milhares dizem o mesmo sem nem saber o porquê. Sabe, as vezes eu me sinto profundamente triste. Mas não triste com o mundo, minha vida, ou meus amigos e família. Triste com tudo. Se tudo pode ser definido como algo possível, eu me sinto triste por isso. As vezes tudo o que desejamos é não estar, não ser quem somos e como somos. Não sermos aquele estudante do ensino médio, a dona de casa que cuida sozinha de seus filhos, o mendigo que mora na rua, o ricaço que vive no alto da colina. Isso não é bom o bastante. Não importa como ou a razão disso, mas ficamos insatisfeitos. Já a criança na rua, a senhorinha da igreja, o cachorro que late sem parar… Eles estão satisfeitos e felizes. Mas existe felicidade? Será possível um simples sorriso ou abraço nos darem aquilo que tanto queremos? Ser satisfeito, completo, iluminado, rico, casado, amado… Será que apenas isso dará o que queremos? Ou a vida é apenas seguir em frente, procurando novos problemas e soluções? Acho que nunca saberei. Mas no fundo, acho que ninguém sabe.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).