São tantas coisas miúdas neste largo e ínfimo lago, onde tentamos nadar nosso íntimo prazer, sendo que o pior que nós seguimos tentando construir barragens, mesmo sabendo que se não estivermos seguras, vai sempre abrir buracos com a lama de toda adversidade em “cídios” de forma cada vez mais profundas!

São tantas coisas graúdas neste tempo em que as amoras, tentam subestimar a lógica da flora, do encontro, do pasmar mediático e do contar para seu pai que você namora!

São tantas coisas no ar, que a poluição de nosso som em cantata furiosa argumenta fatos nas pesquisas, em que as mídias propagam sem ao menos encarar as nossas dores profundas, que na urbanidade de nossos sentimentos, vaga em lumes ao roçar os nossos servis pensamentos!!

MULHERES URBANAS!


Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

O despertador toca! De novo parece tanto pouco tempo de sono. Cheguei do trabalho pra lá das onze, tomei um banho, as vitaminas, pulei pra cama, não consegui dormir.

Coloquei a nova série no Netflix e lá pelo terceiro episódio cheguei à conclusão que era melhor desligar a TV.

Novamente o despertador toca, passados cinco minutos da primeira vez. Sento na cama, desligo o aparelho. Esfrego os olhos, me espreguiço e bora viver mais um dia. Saio da cama exausta, mas acima de tudo feliz.

Minha rotina é não ter rotina no trabalho, mas trabalhar muito. Como tantas outras “Belas Urbanas”, mulheres modernas, multitarefas, que não abrem mão de viver intensamente, buscar o prazer da vida, mas que sempre têm um senso aguçado de responsabilidade. Bom, no meu caso, aguçado demais quando o assunto é trabalho.

Há mais de 10 anos achei o “nicho” de mercado que amo. Passei por maus bocados longe dele, não por questões profissionais, mas desejos pessoais. Então, trabalhar por horas a fio, correr, me descabelar e às vezes chorar de frustração (quando as coisas teimam em não sair do meu jeito, o que não significa estarem necessariamente erradas), ou seja, tudo o que faz parte de um dia-a-dia feliz e realizado.

Me arrumo, entro no meu carro, pego um trânsito de leve, chego ao trabalho. Cumpro uma agenda bagunçada, pois organização nunca foi muito meu forte. Às vezes, me esqueço de ir ao banheiro, de tomar água e até de comer. Há pouco tempo entendi que pelo menos uma refeição deve ser feita direito. Isso não significa que consiga sentar com calma, desligar do celular e comer. Isso significa apenas não comer lanche de fast food toda terça-feira ou me e entupir de pastel porque “sou magra e posso”. Me tornei adepta de comidas mais leves, estou tentando não matar aula de pilates e yoga toda semana, ando me esquecendo da meditação com frequência. Novamente, coisa de mulher moderna.

Reclamo do pouco tempo para os amigos, pois meus horários são malucos, mas não me esqueço dos verdadeiros nem por um dia. Sigo na rotina maluca que escolhi (sim é uma questão de escolha consciente). Parei de fumar, de tomar Coca Cola, diminui o café. Ainda não aprendi a desligar o celular ou a não responder mensagens imediatamente.

Dia desses sofri um acidente grave, assustei. Sabe aquela cena de filme que o carro desliza na estrada desgovernado e a vida da personagem principal passa em flashes? Pois é, vivi isso. Fiquei sensível, chorei e cheguei à conclusão de que era hora de parar e repensar a vida. Pois tudo aqui nesse plano é muito rápido e passageiro. O fiz. Sozinha, na terapia e com as confidentes. E a conclusão a qual cheguei é simples: corro feito louca, às vezes me esqueço de mim mesma, me privo de algumas coisas, mas, sou sim extremamente feliz. Escolhi a vida que escolhi baseada em uma única coisa: o amor. Amor pelas pessoas e pela profissão.

Às vezes, sim, é difícil arrumar um tempo para sonhar nessa rotina acelerada. Mas meus sonhos estão todos comigo: o trabalho, as pessoas, as paixões que me movem, o feriado na praia, os domingos com os sobrinhos, os alongamentos e força para do pilates. Meu maior erro – até o tal acidente de carro e as tais reflexões – era achar que o futuro e os sonhos tinham que ser grandiosos, regrados, estudados e roteirizados. Os meus sonhos e o meu futuro estão todos aqui, nas pequenas coisas que realmente me completam, impulsionados, vividos ao extremo nessa rotina estafante e acelerada, que me faz brigar com o despertador toda manhã.

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

 

Abraço envolve

Amasso bagunça

Abraço é sempre bom

Amasso depende

 

Abraço ganho

Amasso atordoa

Abraço dou

Amasso e passo (a roupa)

 

Abraço meu amor

Amasso com amor

Abraço com braços

Amasso com o corpo todo

 

Abraço é apertado

Amasso é aguardado

Abraço sempre acolhe

Amasso desarruma

 

Abraço conforta

Amasso confunde

Abraço responde

Amasso estremesse

Abraço ou amasso?

 

Abraço e amasso VOCÊ.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos www.3bis.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

mulher shutterstock_106550762

Ela bela fera

Ela eterna terna

Ela bruxa bruaca boazuda

Bunduda bacana benzinho

Ela um tesão furação vulcão

Ela pequena grande

Ela passa fica complica

Ela azeda doce pele salgada

Dança dirige canta cozinha

Lava passa

Passa com ferro

Passa aspirador

Passa de carro

Passa atrasada apressada

De salto, de rasteirinha

Ela perfumada Cinderela moderna

Alice no país que não é de maravilhas

Pollyana que não joga só o jogo do contente

Amélia sim, assim, a mulher de verdade.

Vida real, ela real.

Ela, elas.

12308453_10205306926782378_7964104893761853478_n foto Dri para perfil

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa 🙂

Carros shutterstock_192105440

Na correria, sempre…

Estamos em dezembro e a correria, claro, só aumenta.

Mas enfim, era uma sexta-feira, 11:45, a curadoria da exposição era minha e a vernissage aquela noite às 20. Tudo estava certo, dentro do cronograma, artistas felizes, expo montada e uma tarde inteira para me ocupar com preparativos de Natal, após almoçar com tranquilidade e descansar assistindo o jornal.

Saio da galeria, pego o carro, ligo uma música gostosa, dirijo até a via de acesso para minha casa, aquele trânsito em horário de rush, mas enfim, vai devagar mas vai… Ou iria…

Entre o anda, breca, anda, breca, o motor morre… Sim, ali, no meio da pista! Simplesmente para!

Pane elétrica!!! Ligo o pisca-alerta, pego o cartão do seguro e desço do carro. O trânsito parado. Não, estava andando lentamente, a pista da direita desviando para a esquerda e passando lentamente por mim, a espectadora do caos, na calçada.

Interessante a reação das pessoas nesse momento, uns fazem cara de bravo, irritados com mais esse atraso, mãos em gestos que não usariam com conhecidos. Alguns fazem cara de curiosos, outros se solidarizam, mas não param para ajudar por conta da pressa.

Vejo um ônibus chegando lentamente, dando pisca para entrar na pista da direita, passa por mim e, da janela, em pé, um palhaço pergunta: o que foi, moça?

Entenda que era um palhaço mesmo, ou melhor, um moço com a fantasia de um palhaço, já que, assim como o Papai Noel, palhaço não existe.

Levanto as mãos em gesto de impotência  e digo “não sei…” E comecei a rir. Aquilo me desarmou, a tensão toda se dissipou, era surreal demais.

Logo em seguida um carro com dois estudantes para e eles me ajudam a tirar o carro da via, onde espero o guincho chegar, apreciando o congestionamento se dissipando e o trânsito fluindo no seu ritmo.

Sim, foi um contratempo, atrasou meu dia, algumas pessoas ficaram irritadas, mas a imagem que guardo é do palhaço querido, do riso gostoso e da solidariedade de quem perdeu um tempinho para me ajudar e ajudar o trânsito de uma cidade caótica.

Naquele momento fui uma mulher de parar o trânsito.

IMG_0514 foto nova Synnove

Synnöve Dahlström Hilkner É artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.