A cada capítulo dessa Série Documental, quando a Inteligência Mental de um João prof’EUtizado de DEUS, corrompe a sua Inteligência Espiritual afim de sequelar sua história, e inflamar a Inteligência Emocional de suas seguidoras, usando o toque sexual em viés Santificado na Inteligência Física por vez em cada uma delas, e se servindo ao canto da Oração da Vida, a chamada “AVE MARIA”, durante a farra do boi mental que se fazia, dentro de um labirinto feudal!

A cada capítulo dessa Série, quando o fio da meada no tom vocal de cada seguidora, nos leva de forma pura para uma região perdida entre as mãos e a braguilha aberta de um enganador, dentro de suas calças sempre de linho branco, quando as faz se sentirem à Serviço do “deus” que não existe.

A cada capítulo dessa Série, quando a fala de cada uma dessas mulheres se junta, em asco e medo, em revolta e culpa, em sofrimento e depressão, em repúdio e alívio, em atuação e comprometimento, para que possam voltar a crer que aquele homem chamado de DEUS que reza em tons demoníacos dentro de sua sala pessoal, está hoje entre as grades, provocada por um “EU’inimigo” cruel e obcecado por mulheres ao seu serviço em nome de Maria Imaculada, chamado em seu batismo de João!

A dor é concreta ao assistirmos este Documentário, o olhar de cada uma delas nos consente gritar pela exclusão do planeta, desses homens que continuam de braguilha aberta e descaradamente de plantão.

180 – SOS

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.






Eu queria ser capaz de entender tudo

Aquilo que cabe nesse momento

Quanto mais tempo estudando o espaço, melhor

O fato é que sabia do percurso entre nós

Que São Paulo é bem mais perto que a tua ilha

Noções de espaço eu tenho

E o fuso, todavia, menos concreto que o tempo de vida

É só pular da janela para encurtar todo esse tempo, entre nós

Para diminuir a estrada, tentei te ligar

Não consegui

O interurbano não é caro.

A crise ta feia…

Além de não poder falar. Nem sentir. Nem tocar.

Fernando Farah – Belo Urbano, graduado em Direito e Antropologia. Advogado apaixonado por todas as artes!

De repente…

Tudo parou..

Parou o barulho das crianças e seus burburinhos.

Os beijos e os abraços…

As chegadas e as partidas. 

Tudo parou. 

Guardaram-se os planos e os sonhos. 

A Vida da escola congelou. 

Pararam as festas, a música alegre, a decoração. 

O colorido descoloriu.

A tinta secou.

A brincadeira foi embora com as crianças. 

Também foi embora a alegria.

Não há conte outra vez, nem o silencio do sono e o tilintar dos talheres na hora da refeição.

Tudo paralisou. 

De repente.

Tudo fechou. 

Fecharam as portas, os portões e os armários.

Materiais guardados, livros empoeirados e  parque desmontado. 

A balança parou. 

De repente…  

A balança não balança mais…

O telefone não toca.

A campainha ficou muda…

O movimento é só o das folhas e das árvores que insistem em se mostrar…

A escola parou…. 

Mas o *Coração* não parou. 

Continuou pulsando em cada peito.

Em cada criança e em cada educador.

Ele esta vivo em cada canto da escola.

Afinal ela é o CORAÇÃO. 

E por isso…

Continua a vida.

A espera do que virá. 

A espera de tudo, de volta outra vez…..

NO CORAÇÃO DE MARIA. 

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social,
” Coração de Maria“



Ela é quem da à luz ao ser humano.
A energia feminina ganha espaço para que o novo ocupe seu lugar.
Privilégio do nosso corpo.
Privilégio que também vem com responsabilidade… Contribuir para os que chegam através de nós, evoluam, aconteçam no âmbito da terra e registrem essa transformação.
Me descobri mãe, gestora de uma Vida, ganhando outras perspectivas.
Então, me soltei com todos meus erros e acertos, convencida em fazer o meu melhor.
Agora vejo-me degustando da mentoria dos pequenos passos e me orgulho.
Contudo ver o desabrochar dos filhos trilhando seus caminhos tão particulares, por vezes, nos incomoda a ponto de tornar quase que insuportável dor a existência da separação ou distância.
Pois bem! Eles crescem.
No entanto precisamos compreender e incentivá-los, na força, na luz, na Vida.
Diante disso, vejo eles dando início a tudo que vivenciamos juntos intensamente.
Agora em silêncio reflito aos dias de hoje, enxergando o mundo através dos olhos deles, que, todo nosso tempo, envolvimento emocional e energia empregada na vida prática, elucida nosso projeto… (Ser Mãe)!

Simone Oliveira – Bela Urbana
Formada em marketing, mãe da Bia e do Junior, esposa e apaixonada por livros, Harley Davidson e Moda !

O Covid me trouxe vários convites para um mundo que eu precisava realmente conhecer… ou resgatar. 

Minha alma pedia recolhimento, quietude, pausa, mas eu não sabia. Meu nível de inconsciência com ela não permitia compreender que eu não precisava abraçar o mundo, que o externo não me preenche e que a paz habita aqui dentro de mim. 

Eu precisava deste tempo: #fiqueemcasa. Carecia deste isolamento comigo mesma para entender que a Carolina aspira por voos muito mais profundos. 

No começo um desespero, porque mudar os padrões mentais e aceitar que temos pouco controle sobre a vida não é um processo fácil. Para quem é mulher sabe que somos um importante ponto de equilíbrio na família e quando estamos em desarmonia parece que fica todo mundo fora do eixo. 

Bom, deixa eu contextualizar: sou filha única e as pessoas que me criaram foram essencialmente minha mãe e avó, mulheres marcantes. Meu tio e tia maternos tiveram uma participação incrível. Meu pai foi ausente. Com a ida de minha avó e tio, a família ficou basicamente composta por mãe e tia, aparentemente pequena, mas enorme em termos de força feminina. Duas mulheres poderosas que me deram a base para ser o que sou e me fundamentam até hoje. Ambas idosas e, portanto, mais vulneráveis ao Covid. Desafio number one lançado.

Sou mãe de três filhos e mais três enteados, esposa, ex esposa, bancária, professora de yoga e uma pessoa ativa, cheia de sonhos e projetos. Nesta atual conjuntura, sem a minha santa ajudante, o Covid me fez encarar alguns convites: conciliar uma casa grande para limpar e organizar,  comida para um batalhão (já viram prato de adolescente?), roupas sem fim para lavar (parece que brotam!),  tempo para cuidar dos meus queridos (prezo por isso!) , alta produtividade no home office do banco, práticas e aulas de yoga (meu porto seguro) e suporte aos meus filhos que estão se adaptando à novidade das aulas online.

Isso não é pouco, mas sinceramente o que me desestabilizou foi não saber lidar com o inesperado que o Covid convida. Em um cenário em que estava tudo “bem”, de repente vem um vírus que tira a vida de milhares de pessoas e todo mundo fica perdido, sem saber o que fazer, se vai morrer e o que vai ser… O fato de faltar ar já é para mim um sintoma apavorante. Sou sagitariana, gosto de liberdade e vento no rosto. Tudo isso é muito suspense para mim, que sempre fui chegada em uma boa comédia. Bateu um medo chato, daqueles que embrulham o estômago. 

Separada do primeiro casamento, como ficariam as crianças neste vai para lá, vai para cá da guarda compartilhada? E meus enteados que também vivenciam este vai e vem, ficariam em uma casa só? Tem casal que optou por fazer isso, mas conhecendo bem meu ex e meu marido (pais super presentes), não acho que aceitariam ficar sem a convivência dos filhos e, sendo empática, eu também não aceitaria, a não ser em uma condição muito extrema. O afeto aumenta a imunidade. E foi batata! O dinâmico vai e vem permaneceu aqui em casa… alguns dias estamos em 8 pessoas, outros em 4 ou 5 ou 3, depende da quantidade de crianças. Posso dizer que este foi o primeiro convite do Covid que aceitei. Tem uma voz interna que me diz: ENTREGA E CONFIA e nela me agarro todos os dias. 

O segundo convite foi um pouco mais doloroso: lidar com o fato de ter duas idosas que amo vulneráveis a uma pandemia implacável. Não posso conceber nada de ruim a elas… amarga a boca e minha glândula timo aperta de tristeza (se não sabe sobre a timo, busque conhecer este simpático e importante órgão). Pela segunda vez aceitei o chamado do Covid: dedicar mais tempo a quem eu amo, ainda que à distância, mas com o CORAÇÃO CONECTADO como nunca.  Fortaleci minha fé e sigo proseando com Deus. Este convite foi incrivelmente providencial, Namastê! 

Voltando à questão de conciliar os inúmeros afazeres, estou tendo a oportunidade de presenciar momentos maravilhosos neste isolamento. O Covid nos ofertou aqui em casa ao COLABORATIVISMO.  Todos ajudando, conscientes de seu papel, de uma forma como nunca ocorreu, apesar das minhas inúmeras tentativas. Um dia um cozinha, o outro lava a louça, outro estende a roupa, todos arrumam seus quartos, desde o caçula que tem 7 anos até o mais velho com 14. Este convite espero que perdure após a pandemia, pois, como nunca, percebemos e cuidamos do outro, trazendo um significado mais AMOROSO à vida.

O vírus chinês sacudiu a humanidade. Nos tirou do comodismo fácil. Não sei como está a convivência na sua casa, ou se tem ficado só, mas lidar com as manias, hábitos e personalidades de cada um certamente é uma habilidade que tenho exercitado. Esta convivência intensa é a chamada intimidade. Algo que invade, atropela e não é à toa que aumentaram o número de divórcios. Não estamos acostumados, mas é uma grande oportunidade de sermos mais flexíveis nos relacionamentos. Uma amiga de adolescência dizia a seguinte frase: Intimidade dá nojo! Eu ria e hoje entendo com certa beleza estas palavras. O Covid me convidou à TRANSIGÊNCIA.  

Outra boa parte desta história, foi o tempo para poder conviver com meus filhos e marido. Estou conhecendo cada um muito melhor. Do silêncio da alma, saem grandes reflexões. Concebi que cada um tem a sua essência e que todas podem ser maravilhosas se houver aceitação e respeito. A tendência controladora de uma mãe ou pai de família pode provocar estragos de personalidade. A orientação dos pais pode ser firme e doce ao mesmo tempo, resguardando o âmago de cada um. Isso tem a ver com RESPEITO, no seu sentido mais íntegro, e me fez bem despertar para este convite.

O Covid me permitiu aprofundar nas práticas de Yoga, nos estudos de Patanjali e Iyengar. Faço asanas (posturas) o tempo todo, até enquanto trabalho. Aprendi a harmonizar cada chakra. Estou me deliciando com o mundo vegano (me tornar vegana tem sido uma mudança profunda dentro de minhas raízes libaneses, mas muito coerente com os meus valores). Tomo Sol todos os dias, medito logo cedo, organizo as ideias, SILENCIO a mente. O silencio é o som da alma. Fui convidada por este vírus atrevido a curtir o presente e mergulhar para dentro. Percebo minhas imperfeições, reconheço minha humanidade, cultivo minhas virtudes. É uma longa jornada o autoconhecimento, talvez a maior de todas, mas é uma trilha encantadora. Esta busca só é possível com o silêncio e a quietude, com o retiro da mente. O estado introspectivo permite contemplação e plenitude. Sensação de paz e libertação. O isolamento era necessário para a nossa evolução. Convite aceito Covid! Om Shanti Om.

Carolina Salek Fiad Martinati – Bela Urbana, Mulher, mãe (muito mãe), yoguin, aromaterapeuta, reikiana, professora, entusiasta da vida. Acredita que o corpo é instrumento de cura e evolução. Lema de sempre: Leve a vida leve.

De repente a escola estava vazia. Silenciosa e triste. Sem o coral de vozes habitual, sem o tilintar dos talheres na tão esperada hora do almoço, sem as bolas pulando, sem as cordas batendo, sem os “abraços surpresa” no meio do pátio ou do corredor… Sem as crianças.

Eu tenho certeza que todas as pessoas nesse mundo estão, nesse momento, sofrendo de alguma forma, e uma pessoa muito especial me disse um dia que todas as dores são importantes e por isso, incomparáveis. Mas hoje eu queria muito saber como as crianças estão. Elas e suas famílias. Todas.

Mais do que saber como ficarão os conteúdos, de que forma as aulas serão repostas, qual a logística que as escolas adotarão… como ficará o tão falado ano letivo. Não. Queria saber como as crianças e as suas famílias estão. Quero poder falar com eles. Dizer também da minha angústia e preocupação. Saber se estão comendo. Se estão nervosos, preocupados… Como estão digerindo tudo isso?

Eu estudei, eu li, eu sei a importância da escola, desse espaço, da construção do conhecimento, mas eu sei também que são seres humanos que vivenciam esse processo. Muito se fala sobre a educação, sobre a escola, sobre a formação dos profissionais que lá estão.

Mas não falamos muito sobre dois pontos fundamentais. Primeiro, sobre a vida que é vivida na escola. Sobre a troca que acontece desde que os nossos olhares se cruzam no portão até a hora do ‘Até amanhã tia’. É dessa vida que estou sentindo falta, da troca humana e de tantos aprendizados meus e deles que muitas vezes não constam em currículo. E segundo, do fato de que embora lecionemos “com” as crianças, cada criança representa uma família, e essa família é tão importante no processo educativo quanto as crianças. São importantes pra mim. São importantes pra nós professores. O que é dito, pensado, planejado, sempre levou em consideração esse conjunto de pessoas tão importante, e agora não seria diferente, não se trata de conteúdo, mas de vidas que são queridas.

Nós professoras e gestão temos nos reunido virtualmente, temos estudado, planejado, organizado, sonhado, dentro do possível. Foram criados espaços de aprendizagem virtuais para que o contato com as crianças e famílias aconteça. Um processo, que leva tempo até “todos” se organizarem pra isso.

A escola precisa se reinventar? Sim, há muito o que melhorar. Porém isso não se resume a tecnologia ou algo do tipo. Eu não vou entrar na discussão sobre educação remota ou educação à distância, primeiro por que preciso lembrar que a escola é só uma parte (muito importante) de um sistema que precisa funcionar melhor e talvez se reinventar em vários aspectos. E segundo, porque isso me lembra uma frase do Paulo Freire que alimenta muitos dos meus dias na escola (e tem alimentado agora fora dela também) “Se você não fizer hoje o que hoje pode ser feito, e tentar fazer hoje o que hoje não pode ser feito, dificilmente fará amanhã o que hoje deixou de fazer, porque as condições se alteram”.

Então, nesse momento, eu posso dizer que estamos fazendo o nosso melhor, hoje. Tenho visto colegas se superarem em tanta coisa para conseguir chegar mais perto das famílias de alguma forma, gravando vídeos, arrecadando mantimentos, produtos de limpeza, fazendo cestas básicas chegarem até a comunidade, tenho visto uma rede de apoio florescer nesse campo de incerteza.

Uma das últimas atividades que fizemos foi discutir a “saudade”. Nós lemos um livro que se chama Menina Amarrotada e eles me disseram que saudade é quando a gente sente falta, quando uma pessoa fica longe da outra, quando sente falta da pessoa e dói o coração, querer ficar perto da pessoa e não poder e eles estão cobertos de razão! Eu estou assim, sentindo tudo isso, “olhando na janela, esperando voltar…” E você?

Michelle Felippe – Bela Urbana, professora por convicção e teimosa. Apaixonada por doces, cinema, poesia urbana e astrologia. Acredita que ainda vai aprender a levar a vida com a mesma leveza e impetuosidade das crianças.

A realidade me fode, talvez por isso eu tenho evitado tanto sonhar. É difícil ter que acordar. Eu tenho me sentido inútil, desnecessário, como se o mundo me quisesse fora, antes ele só não se importava comigo, mas agora ele me nota e me deseja a morte. Mas como matar o que morto já está?

Dramático, né? Eu sei, mas é que tudo que não penso, sinto e eu sinto muito, sinto pra caralho, como um intelectual frustrado, como um escritor com o ego machucado, como profissionais da saúde constantemente ignorados!

Eu minto que tá tudo bem, pinto o quadro do sujeito isolado, mas eu queria alguém do meu lado para chorar, desabafar no ombro amigo, devidamente esterilizados, ambos mascarados, mas com isso eu já estou acostumado, como falei, eu minto, por que eu me sinto um otário quando ainda vejo bares lotados de retardados, alheios ao sofrimento alheio, bicho, eu to cansado…

De tudo e de nada, essa vida, esse dias mal dormidos, esse apocalipse que não chega, tudo é tão ínfimo e vazio, mas ainda assim me enche de medos, anseios, álcool com remédios, insônia e depressão, tesão reprimido, amores omitidos, tudo que eu não disse, tudo o que eu não fiz, tudo o que eu suportei, todos os sapos radioativos que engoli, todos os outros vírus que eu já matei, todas as vezes que eu morri!

Eu queria usar o humor como válvula de escape, mas até isso me escapou e foi pra puta que pariu! Volta aqui, me leva, qualquer coisa é melhor que morrer por conta da incompetência abissal do nosso líder nacional!

Quando tudo desmoronou que a gente não viu? Ou viu e preferiu não ver? É de foder, mas nem é de sexo que eu estou falando, é da agonia, da melancolia, da pandemia, da porra do presidente, da sua corja nazista, racista, machista, eu poderia continuar com muito mais “istas”, mas vamos falar de coisa boa? Vamos falar das lives no insta?

Eu sou hipócrita demais, quando você não entende a minha ironia, o burro é você ou sou eu? Talvez nós dois, de mãos dadas, dois burros alados, caminhando rumo ao precipício ou ao fundo do poço, mas relaxa, não seja pessimista, talvez a gente dê sorte, talvez a gente pule e já esteja transbordado com o gado afogado, eles servirão de ponte para atravessarmos até o outro lado…

Amigo, eu não quero ser um fardo, se eu começar a rir e delirar, me deixe aqui e siga sem olhar pra trás, siga até o próximo paradoxo, porque esse texto já tá muito extenso, eu lhe peço, por caridade, enxergue uma nova realidade, veja o nosso futuro utópico, num Brasil distópico, onde a loucura é a verdade, onde ciência é piada, onde homens grisalhos e de ternos amadeirados sugerem a morte aos menos afortunados, onde celebraremos e reviveremos todas as merdas do passado.

Não, não, não. Espera! Caralho, não era essa estrada, acho que a gente foi pro lado errado!

A verdade irmão, é que ninguém se importa, todos preocupados com o próprio rabo, mas é necessário, temos que sobreviver ao caos e se alguém me disser: “Vai ficar tudo bem”. Eu digo “você está bem? Ah que bom, eu também! :)”

Lucas Alberti Amaral – Belo urbanonascido em 08/11/87. Publicitário, tem uma página onde espalha pensamentos materializados em textos curtos e tentativas de poesias  www.facebook.com/quaseinedito  (curte lá!). Não acredita em horóscopo, mas é de Escorpião, lua em Gêmeos com ascendente em Peixes e Netuno na casa 10. Por fim odeia falar de si mesmo na terceira pessoa.

Muitos chamam de pandemia, eu chamo de limpeza. O planeta vomitando, eliminando tudo de ruim da face da Terra.

Um vírus desgraçado, mal caráter, inimigo, ignorante, sem escrúpulos, imundo, nojento, estúpido, sem noção, ruim mesmo, que estraga, polui, arrebenta, infesta, destrói tudo que vê pela frente.

Chegou a hora da limpeza!
Sobrarão poucos, 1/3, 1/4, 1/5 talvez?

Apenas as boas pessoas ficarão nessa nova Terra, contemplando o novo mar, os novos rios, sentindo a leveza do novo ar, tudo limpo de novo…

O planeta se curando do seu maior mal, o “Vírus Humano”! Simples assim…

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

Páscoa é uma palavra hebraica que significa “libertação”. No judaísmo , a palavra Pessach  significa “passagem”. Para os judeus, a Páscoa é a celebração que relembra a libertação do povo hebreu, após quatrocentos anos, de escravidão no Egito. O vocábulo busca traduzir o ápice das pragas do Egito que atingiram as terras e os interesses do faraó do êxodo, no período de Moisés. A Páscoa Cristã representa a ressurreição de Jesus Cristo, filho de Deus.

A Páscoa em meio a pandemia nos faz refletir ainda mais sobre a vida e a morte. Não acredito que seja acaso, que seja mera coincidência. Vivemos hoje o grande despertar sobre o real significado do estar vivo. São tempos difíceis para todos, do mais rico ao mais pobre, estamos sim no mesmo barco, anda circulando um texto pelas redes sociais, que o barco de uns vai afundar e de outros, mais privilegiados não. Eis o grande aprendizado desse momento: estamos sim todos no mesmo barco chamado Universo, não fazemos nada sozinhos, perceba que estamos todos interligados. O aprendizado do isolamento nos obrigou a pensar no coletivo na marra. De nada adianta ser feliz sozinho, rico sozinho, ter sua fome saciada, ter conforto e saúde para si e para seus familiares, enquanto milhares vivem sem nada. Já havia um bom tempo que o mundo andava doente, dava sinais que agoniava, as desigualdades aflorando, a natureza gritando, pessoas emocionalmente estressadas, ansiosas e deprimidas. Foi preciso parar à força, rever sua vida, seus conceitos, seus valores. Sim, o Universo sempre busca caminhos para conduzir melhor a Humanidade, mesmo que nos pareça estranho, doloroso, traumático. Tem sido assim historicamente .

É tempo de transformação e toda transformação global se inicia internamente, individualmente. É preciso Amar o próximo sem preconceito de raça, cor, sexo,  religião ou classe social, enquanto isso não acontecer, não se entendeu o que é Ser Humano.

Quando Jesus morreu por nós na cruz e ressuscitou, quis nos mostrar há milhares de anos atrás, que não somos somente um corpo, temos Alma e é a Alma que faz a vida se tornar bela e rara.  O que é a Alma? A alma é o sentir, o ser. A palavra Alma deriva do Latim animu (ou anima), que significa o que anima. É a parte moral do ser humano. O fôlego de vida, o ser humano em si. O nosso corpo tem como substância a matéria e a nossa alma tem como substância, o espírito. O Homem é formado de corpo e alma. Alma é espírito. A morte acontece quando há a separação entre  o corpo e a Alma, mas é a Alma é que faz comunhão com Deus. 

É tempo de cuidar da Alma… A Páscoa da Pandemia…


Daniela Martini Naufel
– Bela Urbanas, advogada, mãe de 3, Davi, Vinicius e Raul, funcionária pública por profissão, fotógrafa por paixão, praticante de yoga e meditação. Ama ler, escrever, pintar e descobrir formas mais saudáveis e espiritualizadas de estar no mundo. @dani.naufel.fotografia


Pensei em escrever sobre a quarentena, sobre o medo, sobre o amor, sobre a solidariedade, sobre um papa idoso que caminha sozinho, por uma grande praça, levando consigo a fé de milhões, sobre os números do coronavírus, que sobem e descem nos noticiários, sobre a morte…. mas, no fundo, tudo se resume à vida. Tudo o que fazemos é para mantê-la, preservá-la, esticá-la. Como não sabemos muito sobre o além morte, penso no que sabemos sobre a vida, no agora. O imenso privilégio de tê-la, seja do jeito que for:

A vida, solteira, que está presa em quarentena num apartamento na cidade grande, escuta ressabiada o silêncio das ruas e, em contrapartida, encanta-se ao ouvir as aves (elas sempre estiveram lá, mas ninguém francamente prestava atenção); como quase não há conversa, a não ser as virtuais, a vida presta mais atenção nos sons internos (do corpo e da mente) e cria uma rotina dentro do casulo em que está vivendo. Ela compartilha com seus vizinhos idosos a compra do supermercado e se espanta com todas as lojas fechadas – como se ela estivesse em um filme de ficção científica, ao vivo e a cores. Ela pisa no acelerador e volta para casa, onde se senta no sofá e vê séries variadas.

A vida, casada, faz cabaninha na sala com os filhos e vez ou outra olha para o marido com cara feia, pois é a vez dele fazer o jantar e parece que já se esqueceu disso também: assim como das toalhas molhadas em cima da cama, de lavar a louça do almoço… A vida ama sua família, mas seu dia a dia é tão corrido, que ela não presta tanta atenção assim nem em si mesma.
Agora tem opiniões formadas e duradouras sobre o homeschooling (quem inventou essa barbaridade??) e está, aos poucos e na prática, ensinando o marido quarentão que não é um favor o homem lavar a louça e dar banho nos filhos. Agora ela senta na cama e conta histórias para os filhos dormirem.

No meio do mato, na pequena casinha caiada, não há espelhos, então a vida presta atenção nos rostos das pessoas que estão ali com ela. Todos os dias, a vida persegue uma bela borboleta amarela que insiste em botar seus ovos no pequeno pé de maracujá: a vida respira e separa as lagartas das folhas, sem violência, mas desejando que busquem outro lugar para se alimentar e não aquele pezinho combalido que só tenta crescer e deitar suas flores para o céu. Todos os dias, a vida persegue uma galinha meio branca e preta – como um sorvete de flocos – porque ela insiste em atacar os canteiros recém lavrados. A galinha sempre volta, no entanto: acho que se diverte com os gritos histéricos que a vida às vezes dá. Todas as tardes, ela recebe a visita de três cães das redondezas, os quais insistem em fazer xixi nos canteiros. E a vida segue gritando com eles também, porém os danados sempre voltam, talvez em busca de mais gritinhos histéricos. A vida monta uma rede embaixo de uma velha e grande árvore e se deita, nos dias quentes, matizada pelos raios de sol que escapam por entre as folhas.

Até onde a vista alcança é verde. Verde que se refaz em certos lugares pelo mundo. O céu é azul como deveria ser em todas as cidades (e alguns cidadãos têm redescoberto suas próprias cores porque a poluição diminuiu de maneira considerável). Agora chove lá fora, uma chuva mansa, dessas que lavam e levam o ruim embora. A vida reconhece o privilégio de estar
protegida no mato ou protegida dentro de um apartamento, neste momento, e sabe que há outras vidas perdidas, sem rumo, vivendo num fio que balança. Mesmo assim, essas vidas passaram a ser olhadas para além de pastorais e de ONG´s: pessoas comuns e extraordinárias saem para as ruas e simplesmente veem a vida no meio fio e dialogam com ela: se não há
abraços, há sorrisos; o calor do corpo é substituído pelo calor da comida que chega quente, afeto que vêm de outra forma. A vida se parece com a música Adágio for Strings: seiva poderosa em raízes velhas, o vento que nunca se cansa, o momento em que achamos que não dá mais e depois nos surpreendemos porque enquanto há vida, estaremos lá, seja do jeito que
for, à disposição dela. Ela pode ser feita de vento, sol, tempestade, areia… ela existirá enquanto houver esse pulsar dentro dos corpos, essa pulsão pelo conhecimento, essa luta por quem precisa, essa preocupação com o outro, esse desejo de sair e de ver o mundo… É a vida que se reconhece através de um outro olhar e que recomeça, hoje e sempre!

Natalia kuhl – Bela Urbana. professora, leitora entusiasta de diversos tipos de escrita, amante de músicas – nem sempre clássicas. Falante e com memória seletiva. Raivosa diante da injustiça e amiga de coração aberto. Escrevo muito para mim mesma e canto no chuveiro.

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