Para alguns sou só de câncer
para outros fui noutra vida
para alguns sou só designer
para outros casca de ferida

Para alguns sou poeta
para outras só musicista
para alguns talvez atleta
para outros, porco comunista

Ninguém se arrisca ir além
da timeline determinista?
Ver quem realmente sou
onde realmente estou
Além do post, da foto,
Há alguém. Sim há.  

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Há duas coisas que me intrigam muito: o tempo e as relações pais/filhos.

O tempo me intriga porque é uma grandeza que eu custo a compreender; Pai é uma grandeza que custei tomar para mim.

Cresci com uma imagem distorcida de meu Pai; distorcida pela minha incompreensão infantil, pelas condições e circunstâncias do “tempo vivido” e sabe-se lá por que mais.

Por anos eu neguei a importância dele na minha vida, fiz questão de ignorar sua história, seus ensinamentos, suas dores.

Isso teve um efeito devastador nas minhas relações: tornaram-se superficiais e desprovidas de afeto.

Mal sabia eu que aquela negação da figura de meu Pai era a causa do vazio que existia em mim.

Mas com o tempo – ah, o tempo, o Sr. da razão – e muita terapia, compreendi que ele está “aqui”, colado nas minhas células, pujante no meu DNA.

Eu sou Ele, misturadinho com minha mãe.

Não é possível negar o que se é.

Reconhecer sua importância e relevância me fez enxergar como Ele é incrível; pude ver que sua trajetória de vida merece aplausos de pé; sua nota na escola da vida é A Com Louvor.

E me ensinou tanto!

Sim, demorei para chegar a essa conclusão, mas antes tarde do que nunca.

Ouso pensar que “tarde”, “nunca”, “ontem”, “hoje”, “amanhã”, é tudo a mesma coisa: se acontece, está valendo.

O tempo é gerúndio. E Pai é!

Maria Claudionora Amâncio Vieira –  Belas Urbana, formada em Direito pela Universidade Estadual Paulista – UNESP e é especialista em Direito do Trabalho e Processual do Trabalho pela Universidade de Franca. Amante incondicional da Natureza Selvagem, grande apreciadora dos prazeres da vida, leitora contumaz e cinéfila por excelência.

Quando vem o sol…

Vem o dia.

Vem uma nova chance de fazer algo de bom. 

Ele chega e clareia tudo ao seu redor… até mesmo os pensamentos. 

Ajuda nas decisões.

Repõe as energias e mostra saídas. 

O sol é o REI.

Sou grata a ele. 

Aquece, cuida, salva vidas. 

O sol vira energia e é a sobrevivência humana.

Ele cura.

Fonte de vida.

Mas ele também é o símbolo da oportunidade.

Da nova chance. Do novo dia pra viver. 

Ah sol….Você é REI mas anjo também. 

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

Encarei o calendário. Ele me olhou de volta. 12 de março. É só mais um dia, nada mudou de ontem para hoje, mas não me sinto feliz. E algo me diz que a culpa é dele. Não, hoje não é uma data feliz. Vou te contar que aniversário comemoramos hoje.

Doze meses atrás, eu fui mandada embora para casa. Posso me lembrar como se fosse ontem. A incerteza. A ansiedade. Na minha memória, uma névoa paira no ar, como em um sonho ruim em que não se deseja ver os detalhes, ou até em uma lembrança modificada, em que se colocou a névoa para que os piores detalhes não possam ser recordados. Me vejo olhando para a tela do meu celular, como provavelmente já havia feito centenas de vezes naquele dia, talvez milhares. Era uma sexta-feira e eu queria que o tempo passasse. Como eu me arrependo disso! Como podia querer que aquela magia se apressasse! Aquela magia da vida! De ver e tocar os amigos. Principalmente, de não sentir medo. De não usar essa droga de máscara. De chegar perto, de rir na cara um do outro. De andar por aquele campus maravilhoso. Comer o almoço na rua.

Era um dia feliz, tão lindo, parecia que toda a natureza sabia que seria o último, estava se despedindo de nós. Só a gente não sabia. Quem será que esqueceu de nos contar? Por que não nos mandaram aproveitar mais? O que custava nos dizer: “Não se preocupem, só por hoje. Sejam crianças e brinquem na rua. Matem aula! Ou vão para a sala, e aproveitem até o último segundo. Perguntem tudo o que puderem ao professor de vocês! Esgotem-no! Não será o mesmo por muito tempo. Abracem os amigos! Toquem em tudo o que puderem, sem medo. Tirem fotos em suas mentes de cada canto que puderem salvar. Guardem, nessas imagens, as pessoas também. Demorará tanto para esses corredores serem alegres de novo! Dividam os lanches! Beijem na boca! Vocês são tão jovens, pelo amor de Deus! Vocês não merecem nada menos do que isso, todos os dias! Respirem o ar, profundamente. Mesmo com o suor, a aglomeração. Principalmente com suor e aglomeração. Aproveitem o barulho. Não sofram. A vida já vai doer demais daqui para a frente. Deixem isso de lado, só por hoje. Finjam que nada importa. Como se o futuro não fosse ser”. Porque, até aquele momento, ele realmente ainda não havia sido.

Ainda ecoa a voz do meu professor perguntando se todos haviam visto suas caixas de correio eletrônico, dizendo que seria o último dia de aulas. Pensávamos que seria por 2 semanas, no máximo! Na realidade, tínhamos certeza disso. Olha aí você de novo, calendário! Por que nos enganou tão descaradamente?! Nem estávamos tão tristes quanto deveríamos. Talvez tenha sido até para melhor. De qualquer maneira, com certeza nunca me esquecerei do que esse professor disse a seguir: “Bem, vou dispensar vocês. Não há por que ter mais 2 horas de aula para não voltar mais pelas 2 próximas semanas”. Que erro fatal! Que tristeza pensar nisso agora! Se eu pudesse ter aproveitado mais 2 horas de liberdade… 2 segundos até… o que eu não daria! O que não daria para olhar para esse maldito calendário e constatar que tempo algum se passou! Eu faria qualquer coisa, nesse ponto, para viver mais um pouco antes de tudo que veio. Antes de me arrepender de tudo que poderia ter aproveitado mais.

Fomos todos embora, fazer o que. Pelo menos, ainda fomos juntos. Rostos livres. Levemente sorridentes com empolgação por parecer que fazíamos parte de um filme ou um livro que apenas se lê e imagina, já que nunca se pensa que se poderia viver algo remotamente parecido. Felizes como adolescentes que tiveram luz verde para matar aula. Por que eu queria estar longe daquele lugar, hoje não posso explicar.

Ele estava correto, é claro. Não fazia sentido esperar mais, aglomerados ainda. Nem se tinha álcool gel para passar incessantemente nas mãos, como se faz hoje em dia. Não é como se o vírus fosse nos dar um tempo para ir para casa em segurança mais tarde. Ou como se fosse acordar apenas no sábado, permitindo que aproveitássemos a sexta. Não sabia e nem acreditaria se me contassem, naquele dia, que não veria aquelas pessoas ou aquele lugar de novo nem 365 dias depois. Mesmo que eu vá lá, não é o mesmo lugar. Um lugar só é tão bom quanto as pessoas que o frequentam. E agora, vendo aquela faculdade fantasma, cheia de vazio, apenas preenchida por ecos do passado, meu coração dói. Não é o mesmo lugar. E não será por muito tempo.

E a culpa é toda sua. Por que diabos nos foi dada a opção de escolher onde nos encontramos, mas não quando? Todos os lugares hoje são ruins, mas esse lugar um ano atrás era feliz. Era bom. É tudo o que posso pedir agora. Se eu não pudesse voltar para aquele dia, eu iria para o dia 12 de março de 2022. Quem sabe ele não é melhor? Ou pelo menos quem sabe não seja parecido com aquele dia de 2020, mas ainda mais mágico, porque dessa vez eu vou saber. Vou saber olhar. Vou saber guardar. Eu aprendi a minha lição, eu juro. Calendário, por favor. Por favor, pule para frente e me deixe aproveitar cada segundo, como deveria ter feito naquele dia.

Giulia Giacomello Pompilio – Bela Urbana, estudante de engenharia mecânica da UNICAMP, participa de grupos ativistas e feministas da faculdade, como o Engenheiras que Resistem. Fluente em 4 idiomas. Gosta de escrever poemas, contos e textos curtos, jogar tênis, aprender novos instrumentos e dançar sapateado. Foi premiada em olimpíadas e concursos nacionais e internacionais de matemática, programação, astronomia e física, além de ter um prêmio em uma simulação oficial da ONU

Anteciparam! É, anteciparam!! E eu esperei muito esse dia, sabe? Porque fazem meses que a minha vida e a de muitos brasileiros está em suspenso, sem muita expectativa e, a vacina contra a Covid19 é um sopro de esperança para que menos mortes ocorram e a vida de quem sobrevive possa tomar algum rumo.

E minha primeira dose aconteceu no mesmo dia da segunda dose da minha mãe. Por coincidência, tomamos no mesmo posto de saúde em que sempre tomei minhas vacinas quando criança, levado por ela. E percebi um fenômeno interessante nesse dia.

Como estamos sendo vacinados pela escala da idade, somado ao fato de estar no posto em que ia quando era criança, pude encontra pessoas que, com a mesma idade que eu, talvez tenham sido vacinados nas mesmas campanhas de outrora, porém, com um espírito bem distinto. Naquele tempo, fugíamos da agulha. Hoje, abraçamos a tão temida injeção.

E o mais engraçado é poder sentir o clima no posto. Com certo esforço de distanciamento, buscando evitar que o viés de confirmação tomasse de assalto minha percepção, pude perceber que as pessoas ali estavam num clima de certa esperança. Como se, após esse dia, a vida passasse a ter mais domínio, tranquilidade e rumo. Esse clima foi uma vacina a mais, uma vacina verdadeira para seguir a vida de forma plena, dando rumo a tudo que está errado ao nosso redor.

Rumo é o que precisamos. Pense, você liga o noticiário e, ou há um clima entorpecido de que tudo está sob controle de quem governa, ou um clima lúgubre de que nada está sob controle. Não há uma visão ponderada que ultrapasse um palmo de nossa própria mão, o que é pouco num mundo tão complexo e conectado.

Passei meses com um sentimento de incerteza paralisante. Por mais que nada de mal tenha acontecido nesse meio tempo, o sentimento é que, a qualquer momento, alguma coisa ruim poderia acontecer. De repente, um simples gesto de cuidado, dado por um agente de saúde do SUS me trouxe uma inversão de polo. Alias, a notícia do dia exato em que essa vacina chegaria a mim pode me dar a expectativa de um tempo de esperança.

Infelizmente, não posso descuidar do resto. Ainda tenho a máscara no rosto, ainda tenho trabalho remoto, ainda tenho a empresa sugando meu lar, meus recursos e espaço pessoal e os parâmetros do que é trabalho e do que é descanso. São outras lutas, como a de querer um estado justo, bem governado e um povo unido. E lutar por tudo isso com a expectativa de que tenho chances de viver com mais saúde, é muito mais fortalecedor.

Certa vez, ouvi uma história de que um rabino americano havia pedido U$ 10.000 para fazer uma palestra. Os organizadores estranharam a exigência, mas conseguiram a verba. Ao final de sua fala, o rabino devolveu o dinheiro dizendo algo como: “Um homem com dez mil dólares no bolso faz qualquer trabalho com muito mais segurança, peguem de volta, pois o dinheiro já me serviu para o que ele se presta”.

Alguém sem recursos sente medo e não desempenha. Pense em um povo sofrendo sem dinheiro e sem saber se vai sobreviver a uma doença invisível e com pouca informação clara de como evitar? Agora pense nesse medo instrumentalizado pela política e pelos políticos eleitos? Pense como seria bom nos libertarmos dessa realidade? Essa é uma outra luta.

Meu salário diminuiu. Meus bens foram vendidos para pagar contas e minha saúde ficou à mercê das fake News. Nunca senti tanta insegurança na vida quanto nesses tempos pandêmicos. Mas de fato, essa vacina foi como ter U$ 10.000 no bolso para dar uma palestra gratuita. Me deu segurança para agir.

A luta agora é que todos tenham seus “U$ 10.000” metafóricos de saúde, de segurança alimentar, de educação, de esperança e de união. E essa luta deve ser encampada por todos que, com sabedoria, fogem das lógicas dos algoritmos e se conectam a sua realidade verdadeira, à realidade dos que estão ao redor e que abandona o entretenimento baseado no ódio ao outro, para adotar o amor ao próximo como ferramenta de transformação nos pequenos atos do dia.

Se Deus preferiu estar no meio de nós ao invés de estar acima de todos, é porque somos muito mais interessantes do que dois polos políticos podem narrar. Então ame, pois foi a única coisa que Ele pediu de fato. Amemos, no axé e no namastê que cremos e pudermos executar de forma compartilhada, indiscriminada, para que possamos alcançar o bem coletivo. Essa cura é a verdadeira do país.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Mãe, feita de carne, mas com a força de uma rocha. Seu filho, será sempre a maior preciosidade que há no mundo.

Mãe se transforma. Mãe não descansa. Mãe não desiste. Não perde suas forças, por nada. Mãe é quem realmente conduz a verdadeira família.

Ser Mãe é algo que muda completamente a vida de uma mulher. Ser Mãe é a maior aventura que já vivi. Ser Mãe me fez rejuvenescer.

Tive o privilégio de Ser Mãe aos 46 anos de uma menina muito especial. Foi o maior presente que eu poderia receber nessa vida. Me senti completa. Por ela ser evoluída, aos 6 anos, me incentiva, me acalma, me dá força para seguir todos os dias. Ela se chama Giovanna, que significa Presente de Deus.

Agradeço, compartilho e estimulo outras mulheres a vivenciarem essa experiência maravilhosa.

Marianne Kachan – Bela Urbana. Formada em artes, apaixonada pela sua filha, sua família, paisagismo, animais, novas culturas, poesias e gastronomia.

Vivemos no tempo ou o tempo e que vive em nós?

Qual é o tempo certo?

Será que o tempo existe mesmo?

E que tempo é esse?

Pra mim, pra você, para o outro, para o mundo.

Dizem que o tempo passa, passou ou passará.

Como já disse um poeta “o tempo não pára”.

E se ele não pára, será que nós podemos parar?

Será que podemos estar parados, mesmo nos movimentando, e vice-versa?

Pode ser um paradoxo, uma incoerência ou até loucura.

Às vezes, quando o tempo para prá mim, é quando eu me sinto mais VIVO.

Flávio Oliveira – Belo Urbano, pai da Júlia, Terapeuta Integrativo, Facilitador de Grupos de Homens e um apaixonado por Filosofia, Poesia e Astronomia.

Confesso, sem problemas. Assisto sim ao Big Brother 21.

Melhor assistir ao BBB do que os noticiários que mostram cenas dantescas de mortes e números alarmantes da Pandemia.

Estamos exaustos.

Não sou NEGACIONISTA, muito pelo contrário, sigo à risca todas as orientações e protocolos de prevenção da Covid.

Mas, assistido ao programa, percebo que nós também estamos vivendo em um “Big Brother”. Vejamos:

  • Há um confinamento mundial, físico e emocional;
  • Uma grande parte vive na “xepa”, ou seja, não consegue colocar comida na mesa por causa da crise econômica;
  • Há brigas e mais brigas entre os governantes, farpas para todos os lados;
  • Muita gente dançando em baladas, mesmo que clandestinas;
  • Muitos saindo do jogo. Mas no caso do Big Brother daqui de fora, são pessoas saindo involuntariamente do jogo da VIDA;
  • Alguns parecem que jogam mais, outros menos. No BBB aqui de fora, uns assumem suas responsabilidades individuais no combate ao vírus, já outros parecem levar a vida normalmente.

Mas a GRANDE DIFERENÇA do Big Brother da TV com o Big Brother que está rolando aqui fora é que…

…o da TV tem dia e horário para acabar.

Angela Carolina Pace – Bela Urbana, publicitária, mãe, apaixonada por Direito. Tem como hobby e necessidade estudar as Leis. Sonha que um dia as Leis realmente sejam iguais para todos.

Há pouco menos de 500 anos o calendário era outro, o ano se iniciava no final de março com a chegada da primavera no hemisfério norte e outono para nós, abaixo da linha do equador.

A partir de 2020, aqui no Brasil começamos uma nova contagem de tempo que acaba de completar um ano, um ciclo.

Certa vez, um amigo me disse que sempre após um evento marcante em nossas vidas deveríamos esperar um ano para avaliar com clareza e realidade como estamos, pois, como ele disse, após um ano teríamos experimentado viver a “primeira vez” de várias situações.

Agora que acabamos de retornar ao mesmo ponto da órbita solar que estávamos quando fomos colocados à prova em nossa imensa capacidade de adaptação, aceitação, superação e esperança, vejo que estamos tendo a chance de fazer pela primeira vez em uma segunda vez.

Eu ainda não, pois nasci em dezembro, mas alguns de vocês ou seus filhos já comemoraram o segundo aniversário nesta nova dinâmica, outros estão experimentando novos formatos e modelos de convivência e relacionamento.

O convite aqui é para refletirmos e percebermos como somos capazes de aprender e ensinar mesmo nas situações mais adversas da vida. Não quero romantizar, nem dramatizar o que estamos vivendo, longe disso. Proponho apenas que cada um olhe para o seu “mundo” e perceba a oportunidade que estamos tendo de rever tantas variáveis e fatores em tão pouco tempo. Quantos processos individuais e coletivos foram catalizados nessas quatro estações.

O que será que foi pior, aquilo que aconteceu e queríamos ter evitado ou aquilo que não desejávamos e simplesmente aconteceu. É aí que entra a diferença entre conformismo e aceitação, quando acessamos um lugar de paz e leveza em nosso coração, onde a dor, o medo e a insegurança não existem.

Será que quando algo acontece em nossa vida é realmente a primeira vez?

Embora digam que um raio nunca cai no mesmo lugar, algumas teorias dizem que “tudo acontece duas vezes”. Primeiro na nossa mente e depois na realidade. O jogador de basquete Michel Jordan dizia que antes das partidas mais importantes da sua vida, ele “imaginava” algumas jogadas e “magicamente” no dia do jogo elas aconteciam exatamente como ele havia imaginado.

Pensando assim, podemos contribuir com a realidade imaginando soluções, caminhos e pontes para nos conectar com a sociedade e o mundo que queremos, para que quando ele existir tenhamos a sensação de estamos vivendo a primeira vez pela segunda vez.

Flávio Oliveira – Belo Urbano, pai da Júlia, Terapeuta Integrativo, Facilitador de Grupos de Homens e um apaixonado por Filosofia, Poesia e Astronomia.

Há um ano atrás eu estava lá.  Na casa da Dora. Os cachorros brincavam, nós conversávamos muito, falávamos do jardim, tão lindo. Somos amigas há 42 anos. Lá eu cozinho, sento na varanda, sou acolhida de uma forma deliciosa.

A CNN entrou no ar,  logo trazendo a notícia de um vírus com alta taxa de letalidade  chegando abruptamente no Brasil, medidas de contenção sendo discutidas, lockdown na Itália…… isso assustou,  provocou silêncio na mente, no coração e no olhar.

Ficamos perdidos.

Será que minha cachorrinha e eu conseguiríamos voltar para casa sem problemas?

A Dora e eu gostamos de costura.  Então fizemos nossas primeiras máscaras. O marido dela  – Edison – acompanhando as notícias todos os dias.

Voltei. Assustada, passei quarenta dias isolada, quieta, um misto de medo e incredubilidade.

Nesse meio tempo minha cachorrinha morreu. Toda dor ficou acentuada como se fosse um espinho no peito,  um espasmo sem fim na garganta. Meus vizinhos Simone e Rodrigo trouxeram um jantar para mim.

Ir à horta a cada dez, dias virou o melhor programa do mundo!

A TV pifou. E fui acudida pelo Rafael, que me trouxe uma extra. Que delícia falar com alguém, ver alguém querido!

É assim foram seguindo os dias,  o sentimento de orfandade sendo acentuado.

No dia das mães fui adotada. Cinco mulheres incríveis me incluíram no café da manhã surpresa para a mãe delas (minha prima querida).  Fui surpreendida com flores, doce com velinha e um inesquecível coro de vozes no meu “parabéns a você, nesta data querida…”.

Esse ano não está sendo fácil para ninguém.  São tantas idas e vindas politicas,  tantas mortes,  tantas pessoas irresponsáveis,  mas…. EU FUI ADOTADA.  E ADOTEI. Um cachorrinho que estava quase morto e, pesando 300g, e hoje está incrivelmente sadio.

Penso que a pandemia ficará para sempre em mim como o melhor e um dos mais difíceis períodos da minha vida.

Periodo de muitas reflexões,  adaptações. 

Desejo profundamente uma adoção para todos.

Porque quero voltar para a casa da Dora.

Ruth Leekning – Bela Urbana, enfermeira alegremente aposentada, apaixonada por sons e sensações que dão paz e que ama cozinhar.  Acredita que amor e física quântica combinados são a resposta para a vida plena.