Todos nós possivelmente conhecemos ou tivemos contato com uma mulher que já vivenciou violência doméstica ou viveu um relacionamento abusivo.

Esse tema que tem sido cada dia mais evidenciado em nossa sociedade é realidade há muitos anos e felizmente tem despertado uma voz para o combate contra esse tipo de experiência vivido dentro de muitos de nossos lares.

Um relacionamento abusivo é capaz de deixar marcas irreversíveis não só para a vítima, mas também nos filhos e familiares que muitas vezes convivem com este cenário.

Mas e quando a vítima está no nosso ambiente de trabalho?

Quando a vítima é a nossa colega de trabalho que todos os dias se senta ao nosso lado e compartilha as tarefas da empresa?
Quando a vítima é o seu liderado e você precisa que ele produza e dê resultados?
Qual o papel da empresa diante desse problema?

Ainda ouvimos muito “Que os problemas de casa ficam do lado de fora quando se chega na empresa e os da empresa não se levam para casa”.

Esse famoso jargão utilizado muitas vezes por chefes e profissionais é uma realidade totalmente ilusória quando falamos de pessoas.

É impossível deixar nossos pensamentos e esquecer nossos problemas num simples passo de mágico ao bater o nosso ponto e voltarmos a vida quando encerramos o nosso expediente.

Quando se vive um relacionamento abusivo, nenhuma mulher simplesmente deixará de lembrar da violência que sofreu e passar todo o período de sua carga horária sem pensar no que a espera ao retornar para casa no final do seu expediente.

Uma organização é feita de pessoas, pessoas que possuem seu gênero, classe social, crenças. Pessoas que tem sentimentos, que sofrem, que possuem seus problemas pessoais fora do ambiente de trabalho.

É extremamente importante que as empresas despertem um olhar humanizado para cada um de seus colaboradores e se conscientizem que investir e olhar para seu capital humano (pessoas) é essencial e possibilita inúmeros retornos positivos para a organização.

Ainda são poucas as empresas que olham para o que acontece fora do ambiente de trabalho com seus colaboradores, principalmente quando o assunto se refere-se à violência contra as mulheres.

Uma pesquisa realizada pela Talenses Group, em parceria com a Rota VCM e o Movimento Mulher 360 (MM360), identificou que 68% das companhias acreditam que esse é um problema que deve ser encaminhado internamente, entretanto, a mesma porcentagem não possui políticas e ações para apoiar funcionárias vítimas de violência doméstica.

Tanto o RH, quanto os gestores precisam estar preparados e saber como agir nessas situações e o apoio é fundamental na ajuda ao colaborador.

É preciso iniciar um processo de mudança de cultura na empresa.

O primeiro passo é conscientizar gestores e líderes a se preocupar e olhar para cada colaborador com cuidado e verificar a possibilidade de sinais de abuso que suas colaboradoras possam estar sofrendo.
Nem sempre a queda na produtividade estará relacionada a desmotivação profissional e é possível que esse comportamento indique que o colaborador possa estar passando por problemas pessoais que tem interferido na sua vida profissional.

As empresas precisam iniciar um processo de sensibilização e treinamento das lideranças e equipe sobre o tema para que as vítimas se sintam seguras e possam buscar apoio e auxílio na própria empresa sem críticas ou julgamentos.

Não apenas o RH, mas as lideranças precisam estar preparadas e dispostas a olhar para o seu colaborador como um ser humano e transmitir a eles que podem encontrar na empresa e na sua liderança apoio e compreensão em relação as questões que não ocorrem apenas no ambiente de trabalho.

O colaborador precisa encontrar na liderança não só apenas um orientador em relação as atividades desempenhadas e saber que além da espera de resultados ele também pode encontrar na empresa um ambiente de apoio e compreensão nas suas questões humanas.

No caso do assédio além dos conflitos internos que a colaboradora enfrenta como o medo do agressor, existe a vergonha que muitas vezes a impede de falar sobre o assunto.
Em muitos casos pode até ocorrer que a vítima deixe o trabalho por medo do julgamento ou vergonha o que pode piorar ainda mais a sua situação.

É preciso muito cuidado ao tratar desse tema e a empresa tem que estar preparada para dar apoio psicológico para sua colaboradora, além de orientações ao que ela pode e deve fazer orientando sobre leis e criando políticas internas para acompanhamento dessa colaboradora.

É extremamente importante que a colaboradora se sinta segura e amparada pela empresa de forma a entender que embora a situação que ela vive não esteja ligada ao profissional e sim sua vida pessoal a empresa se preocupa e ela pode contar com o seu apoio.

Precisamos desmitificar a ideia de que “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, principalmente quando falamos de violência e abuso contra a mulher.

Em uma sociedade que cada dia mais busca sua igualdade e direitos, onde falamos de empatia e olhar para o próximo é impossível não se ter uma visão cada vez mais humanizada dentro do ambiente corporativo.

Precisamos entender que cada colaborador é um bem extremamente valioso que deve ser cuidado e valorizado e que todo investimento pessoal é fundamental para o sucesso de toda organização.

Aline Pestana – Bela Urbana. Gerente Administrativa, com atuação na área financeira e Recursos Humanos. Mãe, esposa, cristã, de um coração enorme e sempre aberta a ouvir e ajudar o próximo. Tem como paixão decorar festas e organizar eventos. Não desperdiça uma oportunidade de viajar com a família e acredita que exemplo, momentos e lembranças é o que de mais valioso podemos deixar aos nossos filhos.

A violência contra a mulher é um tema recorrente, infelizmente.

Dados apontam que a cada 4 minutos uma mulher é agredida.

As estatísticas tornam-se ainda mais cruéis quando o feminicídio vem a somar vítimas numa conta que só faz aumentar.

Quando pensamos que os abusos se dão logo na infância, com uma porcentagem crescente de casos, tudo se agrava ainda mais.

Cada vítima é um ser humano, que está sofrendo danos físicos e psicológicos cruéis, com cicatrizes para o resto da vida. Isso tem que parar!

A sociedade como um todo tem que avançar para que medidas  eficazes sejam tomadas, de modo a sanar os danos já existentes e evitar novos casos de abusos em seus diversos aspectos.

Muita coisa tem sido feita, mas ainda há o que fazer para que os índices passem de crescentes a descrescentes, e os direitos e deveres de cada um se façam válidos.

Vários fatores devem ser levados em conta.

A disparidade entre genêros, consequentemente acarretando uma desigualdade social, muitas vezes  torna a mulher vulnerável ao seu parceiro, onde a dependência financeira aprisiona e a impede de sair da relação abusiva.

Outro fator é o machismo estrutural, que reforça que o homem é quem manda e a mulher deve ser submissa às suas vontades.

Através da educação essa ideia deve ser mudada.

Políticas públicas devem lançar campanhas que reforcem a denúncia, assim como a fiscalização para que as leis sejam cumpridas.

Medidas de apoio devem estar à disposição das vítimas, abrigos para acolhê-las (e aos seus filhos), tratamento pscicológico para amparo emocional, médicos no caso de abuso físico, a justiça para que o abusador cumpra sua pena, enfim, uma equipe multidisciplinar prestando todo atendimento necessário.

As ações devem começar desde cedo, fazendo com que meninos e meninas entendam que as relações devem ser permeadas de respeito. Saber identificar um comportamento abusivo também é um passo importante, capaz de salvar vidas.

O olhar para a vítima de abuso deve ser empático e altruísta. Não condene, não julgue.

A luta deve ser de todos!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Entusiasta da Comunicação Não Violenta – CNV, fui convidada pela Adriana Chebabi, para trazer este tema para a pauta de agosto do blog que trata sobre relacionamentos abusivos.

O autor do livro Comunicação Não Violenta, Marshall Rosenberg, psicólogo que desenvolveu uma forma de comunicação pautada na educação para paz e potencialmente eficaz na resolução de conflitos, defendia que a raiz da forma violenta de nos comunicarmos está baseada na separação entre o certo ou errado que traz para nossos relacionamentos a necessidade de julgar e criticar o que for considerado errado.

Um relacionamento abusivo é caracterizado pelo sofrimento causado em uma pessoa e apresenta pelo menos um tipo de violência. A violência pode ser verbal, psicológica, emocional, física, sexual, financeira e até mesmo tecnológica, isso mesmo, há várias vítimas adultas deste tipo de violência caracterizada, por exemplo, por controle das conversas e amizades online.

Como podemos ajudar as vítimas de relacionamentos abusivos ou não nos tornarmos a própria vítima, com base na CNV – Comunicação Não Violenta?

Bem, honesta e eticamente sugiro que se alguma vítima de relacionamento abusivo te procurar para conversar, acolha de coração esta pessoa, ouça-a sem julgamentos, sem críticas, pois ela já está, muito provavelmente, culpando a si mesma por estar neste tipo de relacionamento e até mesmo com vergonha de pedir ajuda. Se possível, recomende então que ela continue essa conversa com terapeutas ou psicólogos que são certamente profissionais adequados para orientá-la. Praticando a CNV observamos que os seguintes comentários não ajudam: “Isso não é nada, já vai passar”; “você é muito tolo/tola, acho que puxou seu pai/sua mãe”; “ah, isso já aconteceu comigo”; “não fique triste”.

E para não nos tornarmos vítimas de relacionamentos abusivos a CNV certamente pode nos ajudar pois com ela aprendemos a valorizar conexões pautadas em amor, respeito, compreensão, gratidão e compaixão. Aprendemos a expressar nossas necessidades e também ajudar os outros a esclarecer as deles. Sim, temos muitas necessidades, e elas são diferentes em vários momentos de um mesmo dia, diferentes também para as várias fases da vida de cada um nós. Conhecer nossas necessidades é fundamental para praticar a comunicação compassiva, como também é conhecida a CNV em algumas comunidades, isso porque de acordo com o Dr. Marshall, toda mensagem é uma expressão de alguma necessidade, e praticar CNV nos ensina a ouvir empaticamente nossas necessidades mais profundas bem como as necessidades das pessoas com quem nos relacionamos, para juntos criarmos soluções satisfatórias para cada um.

E aí? Que tal parar um pouquinho em algum momento do dia e se perguntar: “Como estou me sentindo?”; “Que necessidades atendidas ou não estão me trazendo este sentimento?”; “Como posso pedir ajuda para atender esta necessidade?”.

Nossas necessidades vão desde as mais básicas à outras mais específicas, vejamos algumas: alimento, abrigo, aceitação, liberdade, espaço, reconhecimento, aprendizado, orientação, aventura, equilíbrio, inspiração, propósito e muitas outras.

O não julgamento, o aprendizado sobre nossas necessidades, e sabermos nomear corretamente nossas emoções, nos possibilita ter clareza, autoconhecimento, bem como compreender que está tudo bem se precisarmos de orientação e apoio.

Não é tarefa fácil e não é com uma única conversa que surgirá a melhor estratégia para colocar um ponto final em comportamentos típicos de relacionamentos abusivos, pois geralmente esses comportamentos não são observados em um único episódio. Por isso a necessidade de orientação profissional para essas situações.

Espero ter despertado em você o desejo de estar em relacionamentos com qualidade de conexão, com reciprocidade de valorização e respeito de necessidades e sentimentos.

Cristiane Pires Benevides Ribeiro – Bela Urbana. Administradora com especialização em Qualidade e Produtividade. Esposa, mãe, entusiasta da CNV e sócia da CrisB Consultoria e Treinamento. Adora praticar ioga e curte um treino bem puxado, Ama aprender, seja com livros, com pessoas, com a natureza e valoriza a qualidade de vida na conquista de produtividade!
@crisbconsultoria

Novamente aqui me encontro para relatar uma situação que muitos indivíduos vivem, principalmente mulheres, e não sabem sequer o que fazer para se proteger e viver em paz!

Hoje escrevo como advogada, não especialista no assunto e na área, mas apaixonada por ler, estudar e sinceramente espero que este texto elucide e ajude aqueles que passam por alguma situação de violência doméstica.

Vamos lá;

Muito importante primeiro definir quais são os tipos de violência doméstica, ora, muitos acreditam que violência doméstica só ocorre quando existe alguma situação de agressão física, um tapa, um chute, um murro, ou até mesmo a agressão oriunda de um objeto: uma faca, uma arma, entre outras tantas coisas. Mas não, existe uma outra forma de agressão que muitas vezes pode ser pior e mais devastadora na vida de qualquer indivíduo e mais ainda na vida de uma mulher: a agressão verbal, os insultos verbais, os xingamentos, os maus tratos verbais muitas vezes podem causar transtornos incalculáveis na vida de um ser humano.

Vejamos, ao se deparar com qualquer destas situações muito importante termos ciência de que precisamos relatar as ocorrências e quanto mais cedo isso for feito sempre melhor! Ou seja, reagir imediatamente frente a qualquer caso de violência doméstica existente.

Para aquelas mulheres que tiverem condições de buscar a orientação de um advogado, uma advogada está é sempre a melhor opção para que proceda ao relato de suas ocorrências.

Para as que não tiverem condições de buscar orientação profissional existem muitos locais de apoio e orientação a elas.

Primeiro acredito ser muito importante nesta luta a questão da educação. Só através dela teremos uma possível solução, investir na educação dos jovens, meninos e meninas, será de fato a melhor maneira de combater este problema social ainda tão comum na sociedade que vivemos.

Depois, impossível falarmos deste assunto sem mencionar a Lei Maria da Penha, número 11.340/06, um marco na Luta pela igualdade e proteção dos direitos que visa coibir violência doméstica e familiar, independente da orientação sexual.

Imprescindível ainda buscarmos a origem e entender o contexto que a Lei Maria da Penha foi criada.

Criada aos 7 de agosto de 2006 a fim de combater com mais veemência a violência contra a mulher, foi inspirada em Maria da Penha Maia Fernandes, que se tornou paraplégica em razão de um tiro nas costas, levado durante o sono. O autor do disparo foi o marido, depois de já ter praticado por anos violência doméstica contra a mulher.[1]

A referida Lei se destina a proteger e respaldar mulheres de agressões e violências que acontecem no seio de seu lar. Neste ponto, cumpre observar que não necessariamente a violência contra a mulher precisa acontecer dentro de casa, o que mais importa para a lei criada em 2006 é a proximidade de vínculo afetivo com o agressor.

Hoje, a pena para agressores que se enquadram na Lei Maria da Penha é de três meses a três anos e aumentou a criação de delegacias especiais para mulheres.

Neste aspecto, a função da Delegacia da Mulher é a de prestar o melhor atendimento às vítimas de agressão moral ou física, aqui incluída a sexual, assegurando proteção à população vítima de violência doméstica.

A lei trouxe ainda diversas medidas protetivas para as vítimas que podem ser aplicadas antes mesmo do julgamento, ou seja, quanto antes toda esta situação for relatada e enfrentada melhor.

Importante destacar que as Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher faz atendimento para qualquer pessoa e aceite ser encaminhada para os devidos procedimentos legais.

O que é e como funciona a medida protetiva:

1) Ao sofrer algum tipo de agressão do companheiro(a), a vítima deve registrar boletim de ocorrência e acionar a Lei Maria da Penha;

2) Atualmente por conta da pandemia, foi liberado o BO eletrônico também para casos de violência doméstica e isso facilita muito para as vítimas: o boletim eletrônico poder ser realizado através do https://www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp-de-cidadao/home;

3) Em 24 horas a juíza (juiz) emite decisão sobre a medida protetiva de urgência.

4) Entre as medidas constam: afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; proibição de determinadas condutas, entre as quais: aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor; contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; delimitação de perímetro a fim de preservar a integridade física e psicológica da vítima.

5) Em alguns casos o juiz (juíza) pode solicitar também o uso de tornozeleira eletrônica para o acusado e botão do pânico para a vítima.

A proteção pode ser solicitada em qualquer delegacia mais próxima, mas o ideal é que ela seja feita diretamente na Delegacia da Mulher.

A Central de Atendimento à Mulher – tel 180 – presta uma escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência.

O serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgão competentes, bem como reclamações, sugestões ou elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento. O serviço também fornece informações sobre os direitos da mulher, como os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso: Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas, Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres, entre outros.

A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. São atendidas todas as pessoas que ligam relatando eventos de violência contra a mulher.

O Ligue 180 atende todo o território nacional e também pode ser acessado em outros 16 países.

Infelizmente, durante esta pandemia, no ano de 2020 situações relacionadas à violência doméstica aumentaram e toda e qualquer publicação e textos informativos são sempre importantes para que todos possam se orientar na tentativa de vencermos e não permitirmos tamanhos absurdos!

Ninguém merece sofrer violência doméstica, seja ela qual for!

Espero sinceramente ter ajudado, até qualquer outro texto!

[1]BRASIL. Lei nº 11.340, de 07 de agosto de 2006. Lei Maria da Penha. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 07 de ago. 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm>;

Ana Carolina Roge Ferreira Grieco – Bela Urbana, advogada formada pela Pucc Campinas em 2000, atualmente atua no corpo de advogados do escritório Izique Chebabi Advogados Associados, site: chebabi.com.
e-mail: atendimento@chebabi.com . Empresária. Virginiana que ama jogar tênis e ficar com a família!

Um dos grandes desafios da vida é conseguir identificar se o que estamos vivendo nos faz bem, ou se estamos simplesmente acostumados com o que estamos vivendo.

Relacionar-se é uma manifestação constante de sentimentos, sonhos, admiração e respeito.

Por sua vez, quando começamos a pensar:

  • Que a relação irá melhorar;
  • Que a promessa um dia irá acontecer;
  • Que a esperança é um sentimento que sustenta “o nada”; e
  • Que nos apaixonamos por uma expectativa.

Temos que nos conscientizar se isso é saudável ou se é somente uma expectação (relacionamento abusivo).

A seguir, irei enumerar alguns sintomas sobre relacionamento abusivo e gostaria de que seja feita uma simples reflexão:

  • A pessoa costuma a humilhar e desvalorizar?;
  • Costuma deixar confusa(o) em relação ao ocorrido, justamente para não chegar a nenhuma conclusão e com o intuito de manipular a percepção da vítima?;
  • A crítica passa ser usual e quando a vítima propõe alguma conversa, a pessoa se recusa a falar do relacionamento?;
  • O controle passa a ser uma condição para continuar o relacionamento (comportamento de dominância)?;
  • O afeto não existe e o único sentimento que a vítima vivencia é a culpa?;
  • A pessoa, intencionalmente, isola a vítima de seus familiares?;
  • O dinheiro é um fator de controle?;
  • Sempre são ditas frases do tipo: “Eu te amo, mas…”?;
  • Há mal humor extremo?;
  • A pessoa faz piadas constantes sobre as suas características?;
  • Enfrenta relações extraconjugais?;
  • Controla vestimentas, postagens nas redes sociais?;
  • Exige senhas de e-mails, redes sociais e celular alegando amor?;
  • Há um sentimento de impotência, sem esperança?;
  • Sofre ameaças para fazer algo que não queira fazer?;
  • A pessoa convence a vítima de que ela nunca encontraria nenhum relacionamento bom como esse?;
  • A vítima tem o outro como alguém superior a ela?;
  • Investe muito tempo pensando e se dedicando à vida do outro?

Se a reflexão é afirmativa para alguns desses pontos, cuidado, pois são alguns sintomas clássicos de quem está em um relacionamento abusivo.

Há 6 (seis) tipos de violência, de acordo com a Cartilha “Mulher, valorize-se: conscientize-se de seus direitos”, publicada pelo Núcleo de Gênero Pró-Mulher da Coordenação dos Núcleos de Direitos Humanos (2012, Ministério Público do Distrito Federal e Territórios – MPDFT, 6ª edição, Dezembro/2015), a saber:

  • Psicológica: Qualquer ação ou omissão destinada a controlar ações, comportamentos, crenças e decisões de uma pessoa por meio de intimidação, manipulação, ameaça, humilhação, isolamento ou qualquer outra conduta que implique em prejuízo à saúde psicológica. Vale lembrar da vítima que é proibida de trabalhar, estudar, sair de casa ou viajar, falar com amigos e familiares;
  • Física: Qualquer ação ou omissão que ofenda a integridade física, por exemplo, quando o corpo é agredido, beliscões, tapas, socos ou qualquer outro golpe dado com um objeto;
  • Patrimonial: Qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;
  • Moral: Qualquer ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação da mulher;
  • Sexual: Qualquer ação que obrigue uma pessoa a manter contato sexual físico ou verbal com uso da força, intimidação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro meio que anule ou limite a vontade pessoal. Pode ser praticada por conhecido ou desconhecido; e
  • Simbólica: Que se expressa por meio da força da ordem masculina já instalada na cultura e convenções sociais.

A vítima exposta à situação aversiva, por um período considerado longo, apresenta um senso de realidade afetado e com isso se mantém nessa relação, pensando que todos os comportamentos ruins da relação são causados pela má compreensão da vítima para com o(a) agressor(a), sendo que o sentimento de culpa se instala de forma constante, recorrente e que se engrandece mais e mais.

Neste ciclo de violência instalado somente com a conscientização é que se poderá haver a discriminação dos aspectos do comportamento do(a) agressor(a).

Ainda, de acordo com a Cartilha “Mulher, valorize-se: conscientize-se de seus direitos”, citada anteriormente, 3 (três) fases do comportamento do podem ser identificadas:

  • Fase 1: Tensão – Nessa fase acontecem incidentes menores, como agressões verbais, ameaças e destruição de objetos. A vítima geralmente acredita que pode contornar o problema e que a situação está sob controle;
  • Fase 2: Explosão – A tensão acumulada na fase anterior evolui para agressões físicas de variadas intensidades. A constatação da violência pela vítima pode levá-la(o) a denunciar o(a) agressor(a) e a procurar ajuda;
  • Fase 3: Lua de Mel – Nessa fase ocorre a manifestação de arrependimento do(a) agressor(a), que geralmente se dispõe a mudar e justificar as agressões em diversos fatos, tais como: ciúme, desequilíbrio emocional, estresse, alcoolismo, dentre outros;

Infelizmente, a vítima acredita que o episódio foi um incidente e acaba se reconciliando com o(a) agressor(a), o que reforça ainda mais o relacionamento abusivo.

As consequências da violência doméstica/relacionamento abusivo são delicadas e podem permanecer durante muito tempo. Além das marcas físicas, ainda poderá haver influência na vida sexual da vítima, baixo autoestima e dificuldade em criar laços com outras pessoas.

Alguns sintomas como insônia, falta de concentração e memória, irritabilidade, falta ou aumento do apetite, aparecimento de depressão, ansiedade, síndrome do pânico, estresse pós-traumático, comportamentos autodestrutivos, como o uso de álcool e drogas, ou mesmo tentativas de suicídio tendem a aparecer, com frequência.

Por certo, para que possa ser obtida a conscientização sobre o problema da violência doméstica, bem como para o empoderamento da vítima, torna-se primordial o auxílio especializado, psicoterapia, a qual é um pilar fundamental do processo de desvinculação do relacionamento abusivo, sendo que a ausência de referida ajuda acaba por atrasar, sobremaneira, a libertação da vítima.

Com a psicoterapia, a vítima passa a encontrar um objetivo de vida e começa a traçar metas para alcançá-las, dedicando o seu tempo a isso; passa a frequentar outros lugares sem o(a) agressor(a), com o intuito de aumentar o seu círculo social e não ter apenas uma pessoa como pilar de “alegrias”.

Ainda, no âmbito da psicoterapia, é trabalhada a “rigidez” da vítima, a autoestima e o autoconhecimento, sendo que a vítima é levada a refletir sobre os pensamentos, aprendendo a avaliar os seus sentimentos, a motivação de suas escolhas, o resgate de seus desejos e vontades, os quais ficaram escondidos por conta do relacionamento abusivo.

Nesses aspectos de revisita a si mesma, de reflexão sobre o ocorrido e aprendizagem na busca da variação/mudança do comportamento, imprescindível que a vítima de violência, fruto do relacionamento abusivo, seja auxiliada por um(a) profissional da psicologia, que é quem possui diversas “ferramentas”, técnicas científicas e métodos corretos para auxiliar na desvinculação do relacionamento abusivo, inclusive podendo a psicoterapia ser complementada por outros tipos de ajuda especializada.

Clarissa Saito Lopes – Bela urbana. Psicóloga Comportamental, Terapeuta clínica há 17 anos. Especialista em Terapia Comportamental pela USP. Formada pela PUC-Campinas. Casda,mãe do Heitor. Gosta de estar com sua família, viajar e ama o mar e o sol.
Contato: e-mail: clarissafyds@gmail.com
Celular: 19 991120055

Muito difícil começar a escrever a minha história… há um ano e cinco meses ela teve seu ponto final, mas, infelizmente, diariamente ainda lido com os efeitos de um ano e dois meses de um relacionamento extremamente abusivo.

Muitas pessoas ainda têm a errônea ideia de que relações de violência acontecem quando alguém viola seu corpo ou te bate, mas existem outros tipos de violência, na minha opinião, ainda mais destrutivas em alguns casos.

Bom, me apresentando, sou Malu, uma moça hoje com 22 anos, mas no tempo dos fatos tinha 20 anos. Sou cristã, de uma família religiosa de seguimento protestante, sou extrovertida, amo conversar com pessoas, trabalho desde os 14 anos de idade (sim, este é um fato importante para este
relato). Conheço meu abusador há aproximadamente 9 anos. Nesse período nutrimos uma amizade saudável, mas quando nos aproximamos e cogitamos o namoro, o primeiro alerta estava nítido. Sim, os sinais estão gritando a todo momento, mas a paixão não nos deixa enxergar. Este primeiro sinal se deu quando ele reclamou da distância que teria que percorrer para me encontrar (vinte minutos de estrada). Eu ignorei esse sinal, quis dar “N ” razões para a solução do problema, e me desculpei pelo transtorno do deslocamento.

No começo do relacionamento “eles” não mostram sua verdadeira face, mas aos poucos começam as manipulações. No meu caso, ele foi se utilizando de cada área onde eu era forte e as áreas que foi me afetando foram: relação familiar, minha carreira, visão que tinha sobre meu próprio corpo, meus
relacionamentos interpessoais, forma que eu utilizava meu dinheiro, tudo isso regado a muita manipulação, cinismo, comentários passivos-agressivos.
A grande porcaria de um relacionamento manipulador é que ele não vem como uma faixa na testa falando “sou um covarde abusador”. Geralmente são pessoas calmas e “centradas”, na visão de todos, mas que são verdadeiramente monstros.

Vou discorrer seu mecanismo e forma de agir em cada área. Espero ajudar pessoas que estejam passando por cada situação de abuso.
Relação familiar: Pessoas abusivas vão se utilizar de artimanhas para te colocar contra sua família, falando que sua família é a errada sempre, e que você nunca deve se parecer com as características da sua família. No meu caso, ele fez isso, pois não suportava o fato da minha família ser unida.
Quando tínhamos algum problema familiar, o que é normal, ele me colocava sempre contra meus pais e me fazia sentir inadequada o tempo todo, como se o único modelo de vivência era a forma como a mãe dele levava a vida. Diversas vezes ele me pressionava a agir como ela, falava que
odiaria me ver como a sua tia, alguém que era comunicativa e extrovertida. Isso foi me desgastando, mas eu acreditava nele e, por vezes, me afastava, ficava mais na minha. Comecei a não falar mais das situações que passava com ele. Minha mãe não gostava dele, mas sempre o respeitou.
O abusador vai querer te isolar da sua base, afinal, um alvo isolado é muito mais fácil de atingir e derrubar, e ele não tem escrúpulos para isso.

Carreira: Eu sou uma menina que veio de uma família de classe média-baixa, que passou por muitas privações quando era criança e sempre aprendeu o valor do dinheiro; por conta disso, desde muito nova sempre ajudei meus pais, sempre trabalhei, com o que fosse, sempre quis ter meu
dinheiro. Ele era uma pessoa que, próximo aos 30 anos, não tinha quase trabalhado com carteira assinada, e quem pagou a faculdade integral dele foram os pais, assim como cada gasto. Então, ele se afetava muito por eu já trabalhar dando aulas particulares, fazendo faxinas, ensaios fotográficos
para conseguir pagar meu curso. Constantemente ele queria que eu desistisse do curso, disse que eu não conseguiria me formar na faculdade, sempre tinha comentários passivos-agressivos que faziam eu me sentir incapaz e duvidar do meu potencial em tudo que eu domino.

Visão do meu corpo: Ele me conheceu quando eu tinha um corpo extremamente magro. Tinha 16 anos quando o conheci e ele na casa dos 24 anos. Com o passar dos anos, meu corpo mudou.
Mesmo sendo atletas, nós mulheres temos nossas particularidades. Sua forma de me magoar era com comentários como: “Você até que está bem, mas precisa emagrecer uns quilos para ficar melhor” (eu estava sete quilos abaixo do ideal para o meu IMC). Sou alta, e mesmo que tivesse um corpo fora do padrão, ninguém tem direito de falar que você é deformada. Mas ele sempre tinha um comentário malvado, com uma calma na fala. Eu fui me vendo no espelho e me odiando, com a autoestima cada dia mais afetada. Nessa altura ele já estava com domínio de três áreas da minha vida. Sem minha base familiar e perspectiva de valor, caí nessa cilada emocional.

Relacionamentos interpessoais: Esses abusos ainda foram mais intensos. Ele ficava com ciúmes que eu fosse amiga dos meus amigos de anos e também não gostava das minhas amizades da faculdade, dizia “por que eu tinha que me relacionar e ter amigos sempre homens?”. Eu não queria conflito, então deixei meus amigos e me esforcei para ter mais amizades femininas, mas nunca tive muita afinidade. Ele falava que era meu jeito que me afastava das mulheres, dizia que elas eram recatadas e menos expansivas, por isso eram amigas entre si, e que por isso, eu não conseguia me enturmar. Ele que nunca estava satisfeito com nada, falava que eu tinha que ter uma vida além dele.
Os abusadores não querem que você tenha amigos, querem te humilhar, querem ter você na palma da mão para que eles brinquem com seu emocional para satisfazer seu sadismo cruel.
Nesse processo, comecei a ter episódios de síndrome do pânico, ele causava os gatilhos e sumia por dias; depois manipulava toda a situação e eu sempre pedia desculpa, mesmo quando não tinha como eu ser culpada pelos seus desvios de caráter.
É uma prisão que é muito difícil ver as algemas, mas se você precisa abrir mão de quem você ama por outra pessoa, isso não é amor, é posse.

Vida financeira: Sempre tive menos poder aquisitivo que ele, os pais dele têm uma vida estável e segura financeiramente, e eu, como era a única responsável pelas minhas finanças, tinha que fazer aquele malabarismo para pagar todas as contas. Sendo autônoma, não tendo carteira assinada, ele sempre questionava cada gasto que eu fazia, sempre queria uma justificativa, falava como eu tinha que gastar meu dinheiro, motivo de inúmeras brigas que me desgastavam internamente. Sentia-me culpada por cada centavo que eu gastava, pois sempre era questionada em como utilizava meus recursos. Ele se sentia menosprezado, e um dia até disse: “Ainda bem que fui chamado no concurso antes de você ter carteira assinada”. Que tipo de pessoa fala algo assim? Alguém que se odeia e quer te fazer se odiar e viver culpada e frustrada. Como na vez que fomos ao shopping para jantar, eu pedi de sobremesa um sorvete do Mc Donald’s de R$ 10,00 e ele me respondeu: “Você merece uma casquinha”. Não era em tom de brincadeira não, ele tinha um vale de R$ 900,00. Você deve estar pensando, mas casquinha é legal, seria sim, se fosse o que ele pudesse me oferecer, eu aliás, tomaria com enorme felicidade, como em todas as vezes que paguei minha parte nas contas no namoro em todas as nossas saídas, mas essa situação foi única e exclusivamente para me humilhar e constranger.

Defraudação emocional: Como mulher cristã, meu maior sonho era casar e ter uma família. Não existe nada de errado com meu sonho, ele é legítimo, mas foi usado diversas vezes para me manipular quando eu não atendia às expectativas dele e ouvia a seguinte frase: “Você está quase pronta para eu te amar incondicionalmente e te pedir em casamento, mas isso eu não gosto”. E eu, como já estava com a minha vida nas mãos desse monstro, tentava me adequar a todas as exigências que eram inalcançáveis, pois ele nunca iria casar comigo, era sempre para me ver subjugada a ele.
Chegou a vir na minha casa falar sobre os planos de como queria a cerimônia, fez uma lista de casamento junto com meus pais, até com um cerimonial tínhamos marcado, ou seja, eu não estava criando expectativas do nada. O amor a esse sonho me fez aceitar o inaceitável, pois estava
empolgada com o casamento. Todo abusador faz um ciclo à ofensa, te faz pedir desculpa a ele. Não é podre o tempo todo, afinal, precisa te dar algumas migalhas para poder continuar com os jogos emocionais e fazer tudo novamente, então, ele sempre vai falar que você que é louca para casar, que você que o está pressionando, sendo que ele nunca quer se comprometer de verdade. Não tem capacidade de amar e de cuidar de alguém. Irá brincar com seus sonhos mais puros e te fazer se sentir culpada por sonhar. Um relacionamento abusivo é sempre recheado de culpa, infelizmente.

O fim do meu relacionamento veio após sucessões de humilhações, uma delas da minha ex-sogra, que tinha comportamentos extremamente inadequados, como oferecer resto de comida do próprio prato para que eu não realizasse um pedido em restaurante (mesmo eu tendo dinheiro para isso), com medo dela ter que pagar a conta. Aquilo foi muito humilhante. Muitas vezes ela ficava medindo a quantidade de comida que eu colocava no meu prato, fazia pouco-caso das comidas que minha família fazia em datas comemorativas, situações de extremo desagrado. Mas o estopim foi
ela reclamar e falar que iria me cortar de uma foto de família, pois segundo ela, eu não estava adequada (um shorts que “não era vulgar” era na metade da coxa), na opinião dela. Como ele me queria como uma mãe dele parte 2 , brigou comigo por eu ter ficado chateada, e fez eu me sentir como uma garota de programa por um shorts.
A partir daquele momento me enchi e perdi o medo, comecei a falar do que não gostava e não deixei ele me tratar mais daquela forma. Dois meses depois tivemos um desentendimento por ele não ter consideração por mim, ele sabia que estava errado e sumiu por uma semana, sabia que isso me gerava pânico.

Neste relacionamento foram três internações por crise de asma devido ao stress que ele me causava, tamanha era a pressão que fazia sobre mim.
Ele me encontrou pessoalmente e disse que queria terminar, conversei com ele por algumas horas, porque mesmo ele sendo um monstro, eu não sabia viver sem ele, era como um parasita me sugando energias e eu não sabia mais a minha identidade. Eu tinha aberto mão de tudo por conta do meu
sonho de ser esposa e mãe, não entrava na minha cabeça que mesmo abrindo mão de tudo, eu era descartável.

Um dia ele comprou bombom e disse que iríamos nos acertar, me levou em casa. No dia seguinte, ele disse que estava terminando comigo, que a culpa de tudo que ele me fez era minha e me bloqueou em todas as mídias digitais, ele e todos os membros da casa dele, que sempre passaram pano para tudo que ele fez. Meses depois, ele viu que tinha sido exposto e que as moças não se aproximavam dele. Eu descobri que eu não era sua única vítima. Fez isso com outra, abandonando da mesma forma covarde, só que o e-mail foi para a mãe da moça, que graças a Deus superou o que ele fez e hoje tem uma vida estável emocionalmente.

Ele me pediu perdão e disse que tudo que fez foi porque se sentia insatisfeito com quem era e como estava a sua vida, por isso agia assim comigo.
Um conselho: se passar por algo assim, perdoe, mas não mantenha contato, pois esse tipo de pessoa infelizmente não muda. Caráter ou você tem ou não tem.

Este é o meu relato!
Tiveram vezes que preferia ter apanhado a ter o dano emocional que ele me causou. Foi um longo caminho e ainda tenho uma enorme caminhada para me curar, mas cada dia é um passo para me perdoar. Acho que essa é uma das partes mais difíceis, se perdoar pelo que você passou e não se
culpar. Jamais a culpa é da vítima.
Quero voltar a me amar e saber o meu valor.
Espero que tenha ajudado alguém.

Malu Zaparoli – Bela urbana, 22 anos, cristã, formada em fotografia, professora de informática, líder de um projeto social que atende pessoas em situação de vulnerabilidade social

Aos 10 eu achava a Sandy um mulherão. Meiga, delicada e independente.

Aos 15 meu ícone era Jennifer Lopes. Corpão, bundão, silhueta enxuta e independente.

Aos 20 eu queria ser Madonna. Atrevida, sem papas na língua e desprendida de tudo e de todos.

Aos 25 meu padrão era Beyoncé. Linda, poderosa, corpo pra botar qualquer fitness no chinelo, sonho dos homens e admiração das mulheres. Era a própria Miss Independent.

Aos 30 eu descobri que o mulherão que eu sempre quis ser era eu mesma. Levando porrada da vida e levantando de novo.

Pegando no tranco, sem dar moral pra otário.

Batendo de frente e enfrentando os leões com uma vida nos braços.

Aos 30 eu decidi que o Mulherão que a gente sempre idealiza mora lá no fundo da alma, muitas vezes gritando pra sair e se calando por medo de outros.

Aos 30 eu não conquistei nem metade do que eu sonhei, mas já estou realizada em todos os âmbitos porque eu sei que isso só depende de mim.

Independência é o nome da liberdade que quis pra mim. Eu sei que sou o tipo de mulher que 98% das pessoas não gostam ou não sabem gostar. Bato de frente e não tenho medo de me machucar.

Se cair levanto, se ferir saro.

Não tenho medo, não me calo.

Não tenho vocação pra ser vítima, porque eu aprendi que meu lugar é no pódio.

Eu sou o mulherão que eu idealizei e não preciso que me digam.

Eu sei e isso basta.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor.