E cabeças pensantes demais e afiliados à hipocrisia, fazem com estupidez as cabeças rolarem, entre o curso da reta, do rumo, da seta e da poesia.

E quando cabeças se envergam diante de letras melodiosas, e as fazem sucumbir nas malhas odiosas, saiam da frente que a pipoca estoura e cada um imerge eletricamente tirando seu abadá durante o frenesi da intolerante discórdia.

E nem é preciso pular em delirante carnaval, que as avenidas diplomáti…camente perfeitas e corretas abolem o abalo da sintonia fatídica e começam a construir, os reencontros vorazes de poetas que nos fazem relembrar, questionar e tratar em súmulas com um “VAR” desenfreado nas pautas bem ritmadas e assimétricas, de acordo em acordes do pleito cênico inquisitivo.

E seguindo a narrativa carnavalesca, vejo-me inquirida sobre a proposta que me implele a responder.

Não, eu nunca fiquei pensando e raciocinando sobre o que cantava durante a alegria do carnaval. E não me machucavam os encontros silábicos da poesia, que hoje se descabelam ao rimar para não cair na rompante demagogia. Ontem, naqueles momentos os olhos febris em sonetos descomplicados, regiam a banda na mesma praça com as negas malucas trazendo no colo o filho bastardo.

E mulatas cadenciavam nos quadris, o rebolado de bundas com carnes reais e Sargentelli é que o diga.

E assim, passei em fases diversas, até chegar no século XX e ter que mudar a trajetória de um gato de dona Chi ca ca, e de um briga de casal debaixo de uma sacada os famigerados cravo e a rosa, e claro que muitas outras poesias, de muitos outros poetas que nos cercam e nos embalaram em palcos, telas, e por aí vamos.

Seguindo essa viagem quando alguns mestres seguem provocando as mentes, e se construindo nas pendências e alegorias pessoais.

Vivemos em estado de trio elétrico…

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Uma faz viver a outra tira a vida.

Linha tênue

Choro e emoção!

Luto e comemoração. 

Uma faz o ser humano aparecer a outra, desaparecer.  

Vivemos  o tempo todo entre elas….

Lidando com elas. Nos surpreendendo…

Não temos controle sobre nenhuma. 

As duas fazem parte do destino. 

Da vontade de Deus. 

Do VIVER

A morte é sofrida.

A vida comemorada. 

Mas as duas, cada uma a a seu modo, celebradas. 

Ritos de chegada

Ritos de partida 

Entre elas vivemos: 

Sem esperar,

Sem dominar,

Sem planejar.

O tempo de cada uma chega sem avisar.

E quando chega; chega como deveria ser. 

Nascimento. 

Falecimento.

O nascimento nos emociona e transborda de alegria!

O falecimento nos emociona e transborda de dor e saudade.

Vivemos e morremos. 

Ambíguos e antagônicos. 

Viver é ao mesmo tempo morrer.

Cada dia de vida, um dia a menos pra viver. 

Neste mesmo instante do relógio, há morte é há vida.  

Há o último e o primeiro suspiro. 

E assim vamos…um dia após o outro nesse ciclo sem fim

Entre a vida e a morte!

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

Páscoa é uma palavra hebraica que significa “libertação”. No judaísmo , a palavra Pessach  significa “passagem”. Para os judeus, a Páscoa é a celebração que relembra a libertação do povo hebreu, após quatrocentos anos, de escravidão no Egito. O vocábulo busca traduzir o ápice das pragas do Egito que atingiram as terras e os interesses do faraó do êxodo, no período de Moisés. A Páscoa Cristã representa a ressurreição de Jesus Cristo, filho de Deus.

A Páscoa em meio a pandemia nos faz refletir ainda mais sobre a vida e a morte. Não acredito que seja acaso, que seja mera coincidência. Vivemos hoje o grande despertar sobre o real significado do estar vivo. São tempos difíceis para todos, do mais rico ao mais pobre, estamos sim no mesmo barco, anda circulando um texto pelas redes sociais, que o barco de uns vai afundar e de outros, mais privilegiados não. Eis o grande aprendizado desse momento: estamos sim todos no mesmo barco chamado Universo, não fazemos nada sozinhos, perceba que estamos todos interligados. O aprendizado do isolamento nos obrigou a pensar no coletivo na marra. De nada adianta ser feliz sozinho, rico sozinho, ter sua fome saciada, ter conforto e saúde para si e para seus familiares, enquanto milhares vivem sem nada. Já havia um bom tempo que o mundo andava doente, dava sinais que agoniava, as desigualdades aflorando, a natureza gritando, pessoas emocionalmente estressadas, ansiosas e deprimidas. Foi preciso parar à força, rever sua vida, seus conceitos, seus valores. Sim, o Universo sempre busca caminhos para conduzir melhor a Humanidade, mesmo que nos pareça estranho, doloroso, traumático. Tem sido assim historicamente .

É tempo de transformação e toda transformação global se inicia internamente, individualmente. É preciso Amar o próximo sem preconceito de raça, cor, sexo,  religião ou classe social, enquanto isso não acontecer, não se entendeu o que é Ser Humano.

Quando Jesus morreu por nós na cruz e ressuscitou, quis nos mostrar há milhares de anos atrás, que não somos somente um corpo, temos Alma e é a Alma que faz a vida se tornar bela e rara.  O que é a Alma? A alma é o sentir, o ser. A palavra Alma deriva do Latim animu (ou anima), que significa o que anima. É a parte moral do ser humano. O fôlego de vida, o ser humano em si. O nosso corpo tem como substância a matéria e a nossa alma tem como substância, o espírito. O Homem é formado de corpo e alma. Alma é espírito. A morte acontece quando há a separação entre  o corpo e a Alma, mas é a Alma é que faz comunhão com Deus. 

É tempo de cuidar da Alma… A Páscoa da Pandemia…


Daniela Martini Naufel
– Bela Urbanas, advogada, mãe de 3, Davi, Vinicius e Raul, funcionária pública por profissão, fotógrafa por paixão, praticante de yoga e meditação. Ama ler, escrever, pintar e descobrir formas mais saudáveis e espiritualizadas de estar no mundo. @dani.naufel.fotografia