Sou uma pessoa boa. Claro, eu sou. Afinal foi só isso que me disseram a minha vida inteira. Por isso eu luto pelo povo a cada dia. Mas não qualquer povo, mas o meu povo. O povo daqueles iguais a mim. O povo daqueles iguais a nós. Afinal sou uma pessoa boa e tudo o que eu faço não é bom por causa disso? Não me importa o que aqueles contra mim digam. Eu luto contra os homens maus! Luto contra esse bando de vagabundos que tomam a vida de gente do bem (como eu).

Sou uma pessoa boa. Eu luto pelo povo. Contra os fracos e oprimidos pelo sistema. Ajudo os pobres e já dei a muitos deles. Eu sou uma boa pessoa. Ajudo os meus. Hoje em dia, eles conseguem ser tão ou mais ricos do que eu. E dai se o dinheiro nosso não é “legítimo”? Sou um homem do povo!

Somos pessoas boas. Nós lutamos pelos nossos e protegemos os nossos! E danem-se aqueles que não são dos nossos! Danem-se os diferentes de nós! Vivem em nossa terra, comem da nossa comida, pegam nosso dinheiro! Nós somos as pessoas boas e não eles que nem de nossa companhia deveriam usufruir. Nós é que somos as pessoas boas.

Sou um homem bom. Sou uma boa mulher. Sou uma boa pessoa.

Eu sou aquele em quem colocaram em um local de confiança. Sou aquele no qual você acreditou. Sou o bem acima do mal, sou a esperança. Sou o não corrupto e o homem de bem. Sou o que salvou os pobres e junto deles a mim também. Sou o adversário e o diabo, jamais esquecei.

Sou o homofobico, preconceituoso, racista, machista e o outro ista que você odeia. Sou o ladrão condenado, o que tirou por anos que não era meu para mim e meus amigos. Somos o anjo e a luz no final do seu túnel.

Mas é engraçado. E não deixarei ninguém saber. Que sozinho, não consegui e nem conseguirei ir ao poder. Sou a salvação e a destruição de sonhos de uma nação. Não sou perfeito, embora muitos achem que serei, ou sou. Somos o mal tanto quanto aquele que fui, quanto aquele posso ser. Sou o seu destino e somos seu passado. Se você deixar, poderemos ser o seu futuro também.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

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