Foi em um carnaval que o conheci, passei os quatro dias no sofá com ele. No sofá da sala, sofá cama por sinal. Não é o que deve estar pensando caro leitor. Eu explico. Na véspera, em uma festinha de carvanal na casa de amigos da escola do meu filho Pedro, ele com seus três aninhos, torci meu pé na hora de ir embora em cima do salto alto. A casa era longe da minha e ainda tinha que buscar os outros dois filhos, cada um em um local. Fui firme segurando o choro de tanta dor. Minha noite foi um horror e no dia seguinte, o médico me imobilizou, além de ter que tomar todos anti-inflamátorios necessários.

Bom, meus filhos tiveram um carnaval com o pai e eu fiquei bem acompanhada com O CAÇADOR DE PIPAS.

Que livro é esse? Senti tantas emoções! Conheci Cabul dos anos 70, os dois meninos Amir e Hassan, a força do amor desses amigos, que também eram meio-irmãos… mas isso só soube no decorrer da história. Das diferenças das classes sociais, da decadência do Afeganistão e todas as violências… e das competições de pipas, que me levaram também para a minha infância…. eu nunca consegui empinar uma pipa, nunca soube colocá-la no alto, já meu irmão era ótimo nisso.

Senti tantas emoções com aquele livro, com aquela história tão redonda, tão bem escrita, tão profunda. Chorei profundamente em alguns momentos, me encantei com belezas em outros. Devorei o livro nos quatro dias que fiquei naquele sofá com o pé imobilizado.

Quando terminei, minha sensação era de plenitude. Sentia uma tristeza por me despedir, a história estava tão impressa em mim que foi difícil me desligar, mas ao mesmo tempo, tinha a consciência que tinha chegado ao fim como deveria ser, sem ter que tirar e nem colocar nada a mais. Que história!

Tenho vários livros que gostei muito, alguns me marcaram profundamente, mas O Caçador de Pipas me despertou algo além da história. Primeiro pelo impacto que senti. Segundo, porque quis saber mais sobre o autor, Khaled Hosseini, tive e ainda tenho vontade de conversar com ele sobre seu processo criativo. Terceiro, me despertou o desejo de escrever uma história e publicar um livro, mas naquele momento não me vi capaz, porém uma semente foi plantada em mim.

De lá para cá, voltei a escrever mais, me atrevi nos contos, quem sabe uma hora venha a escrever uma bela história que vire um livro. Quem sabe alguma de um carnaval no sofá? E quem sabe ainda, alguém, um dia, se inspire pela minha história…

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, fundadora do Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

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