Fiquei alguns dias pensando em qual livro sugerir e resgatar minhas mais profundas lembranças. Depois entendi que, o que quero compartilhar, não é apenas um livro marcante, mas um livro de cabeceira. Foi um presente de uma amiga muito amada, que tem um olhar muito amplo e afetuoso para a vida e amigos. Muitos anos se passaram desde que o li pela primeira vez. Depois foram mais quatro vezes.

Antes de apagar o abajur, se minha mente está tentando apressar meus planos, sempre o resgato, abro em qualquer página, folheio e dali meu coração inquieto se acalma.

Para vivenciar e ampliar a experiência pessoal e as dificuldades em outros âmbitos da vida, a autora usa da Gestalt-terapia, do estilo de vida Zen e índios americanos. Explana com maestria a questão do tempo, do quão somos escravos de nossas mentes apressadas e quantas coisas colocamos à frente de nossos maiores prazeres.

No mundo atual, o mais difícil é ganharmos do tempo que achamos que não temos. Do tempo que fazemos e do que perdemos ao não sabê-lo administrar. Por muitas vezes, colocamos nossos desejos à frente e, ao querer fazer valer somente a nossa vontade e não entender ou compartilhar a do outro, acabamos criando conflitos. Porque acabamos vivendo aquilo que nos ensinaram. É como levar velhos costumes e padrões de nossos pais aos filhos e netos e por aí vai. Parece que virou um costume generalizado os conflitos gerados pelo ego. O ego determina as vivencias diárias do ser humano. Ou seja, te toma O tempo. O ego levanta muros e distâncias.  Não tem como equilibra-lo sem praticar a humildade onde reconhecemos que o outro não tem o mesmo tempo que o seu. E vice-versa. Temos que praticar a nobreza de espírito para o respeito adentrar e o amor também. Mas o que é o amor? Daí fica para outro assunto. Quero isso, aquilo. Tem que ser assim, senão não rola.

A vida real é assim. Mas será que basta conceitos e coisas que nos falaram como a vida deve ser? Claro que não! Não rola mesmo! Somos feitos de saberes, aprendizados e de muitas vivências. Mas não podemos achar que o que temos pra nós são as certezas para o outro de um caminho melhor. Daí a expectativa morre na praia. Ou melhor, no rio!

Reside aqui, nessa pluralidade de vozes, as problematizações conceituais que envolvem presente, passado e futuro. E aí, volto à questão do tempo.

Somos engolidos por ele. Você tem pouco tempo ou a sua vida escorre pelas águas de um rio sem menos aproveitar a paisagem? Em épocas de águas turbulentas, o tempo corre. Porém, se apenas soubermos remar no compasso certo, encontraremos a calmaria em águas cristalinas.

O texto abaixo é um pequeno trecho dessa obra. Tire uns minutos para refletir. É preciso conhecer sua vida. Mas dialogar com ela é essencial. Boa leitura.

Não apresse o Rio, ele corre sozinho, por Barry Stevens.

O rio corre sozinho, vai seguindo seu caminho. 
Não necessita ser empurrado. 
Para um pouquinho no remanso. 
Apressa-se nas cachoeiras.
Desliza de mansinho nas baixadas. 
Precipita-se nas cascatas.
Mas, no meio de tudo isso vai seguindo seu caminho. 
Sabe que há um ponto de chegada. 
Sabe que seu destino é para a frente.
O rio não sabe recuar. 
Seu caminho é seguir em frente.
É vitorioso, abraçando outros rios, vai chegando no mar.
O mar é sua realização.
É chegar ao ponto final.
É ter feito a caminhada.
É ter realizado totalmente seu destino.
A vida da gente deve ser levada do jeito do rio.
Deixar que corra como deve correr.
Sem apressar e sem represar.
Sem ter medo da calmaria e sem evitar as cachoeiras.
Correr do jeito do rio, na liberdade do leito da vida, sabendo que há um ponto de
chegada. 
A vida é como o rio. 
Por que apressar? 
Por que correr se não há necessidade? 
Por que empurrar a vida? 
Por que chegar antes de se partir? 
Toda natureza não tem pressa.
Vai seguindo seu caminho. 
Assim também é a árvore, assim são os animais.
Tudo o que é apressado perde o gosto e o sentido.
A fruta forçada a amadurecer antes do tempo perde o gosto. 
Tudo tem seu ritmo. 
Tudo tem seu tempo. 
E então, por que apressar a vida da gente? 
Desejo ser um rio. 
Livre dos empurrões dos outros e dos meus próprios. 
Livre da poluição alheias e das minhas. 
Rio original, limpo e livre. 
Rio que escolheu seu próprio caminho.
Rio que sabe que tem um ponto de chegada.
Sabe que o tempo não interessa. 
Não interessa ter nascido a mil ou a um quilômetro do mar.
Importante é chegar ao mar.
Importante é dizer “cheguei”.
E porque cheguei, estou realizado. 
A gente deveria dizer: não apresse o rio, ele anda sozinho.
Assim deve-se dizer a si mesmo e aos outros: não apresse a vida, ela anda sozinha
Deixe-a seguir seu caminho normal.
Interessa saber que há um ponto de chegada e saber que se vai chegar lá. 

Barry Stevens

Dani Fantini – Bela Urbana, Relações Públicas de formação. Se jogando na escrita de coração!
Mãe da Marina, filha super companheira! Cuida da casa, trabalha com gente, ama animais, plantas, é cercada de bons amigos e leva a vida com humor! Pode-se dizer que é completa, mesmo faltando algumas peças nesse enorme quebra-cabeças que é viver!


Foto Dani: @solange.portes

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