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Ela acabara de estabelecer uma nova filosofia de vida!

Já tinha integrado o Deboismo, tentando estar de boa com o que ouvia e via, mas nem sempre funcionava, pois sua alma zen às vezes se agitava demais e ela acabava mostrando seu lado sarcástico, que obviamente, não ornava.

Depois partiu para o Foda-se. Esse durou um bom tempo e podia ser usado na maioria das situações, mas nem todas… Se alguém lhe pedia opinião ou conselho, foda-se era ligeiramente agressivo em demasia.

Então, no dia seguinte à premiação de entrega do Oscar, ela encontrou a solução, nas sábias palavras de uma atriz que ela admirava. Na verdade, a decisão foi tomada quando ela ouviu a polêmica e as piadas no dia seguinte… Os motivos que levaram a atriz a não dar opinião eram, para ela, claros. Mesmo tendo assistido os filmes, ela não queria falar por falar, fingir-se de expert erudita, preferia não opinar.

Por que não? Resolveu experimentar. O sucesso foi imediato, a incapacidade de opinar era algo impressionante e inquestionável. Não era “prefiro não opinar”, era algo ligado a poder e não a querer. Ninguém discute quando você diz “não sou capaz de…”

Na verdade, ela ouvira por vezes demais que, por ser mulher, ela não era capaz de muita coisa. Causava espanto quando ela provava o contrário, que a limitação feminina não fazia dela uma profissional, motorista e tantas outras atividades, menos capaz. E, apesar de ter que sobreviver aos próprios hormônios, ela tinha capacidades incalculáveis.

É claro que ela ainda opinava, pois era necessário em vários assuntos. Mas ela levava sua nova filosofia muito a sério quando julgava que o tópico fugia de seu entendimento, ou era preferível ficar quieta.

Por fim, lançou o desafio: Pediu para as pessoas ao seu redor que pensassem, a cada vez que opinavam, quantas opiniões eram desnecessárias, até mesmo prejudiciais ao tópico. O desafio na verdade era:

“Sou capaz de não opinar?”

Se o desafio funcionou? Não sou capaz de opinar…

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Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

 

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