2020 chegou em sua reta final e o sentimento que paira no ar dessa última semana é um misto de alívio e esperança. Alívio por terminar um ano tão intenso e esperança de que 2021 seja melhor (ou menos pior).

Mas por que esperamos tanto por 2021?

Bom, 2020 realmente foi um ano atípico. A nova década que começou com o possível estopim da Terceira Guerra Mundial termina com a conjunção de Júpiter e Saturno e a aproximação da Era de Aquário. Ninguém entende ao certo o que isso significa, mas não deixa de ser uma boa recompensa. É como ser criança e ganhar um brinquedo de presente de Natal do Papai Noel por ter se comportado bem durante o ano. Você não sabe exatamente o quê fez pra ganhar aquilo, mas sabe que merece.

A verdade é que tá todo mundo exausto. Exausto não, exaurido. 2020 definitivamente não foi um ano comum. Quem poderia imaginar que passaríamos 2/3 do ano em quarentena? Parece que finalmente conseguimos emendar o Carnaval com o Natal, mas não da forma como gostaríamos.

Esses 366 dias foram meio arrastados mesmo e parece uma grande ironia justo esse ano ter sido bissexto. Pelo menos o dia a mais foi em fevereiro, que teve Carnaval.

Mas é como diz o ditado: não há mal que sempre dure e nem bem que nunca acabe. 2020 já está acabando. Só falta aquele último fôlego que tomamos para dar algumas braçadas até chegar do outro lado do rio.

E do outro lado do rio está 2021, desconhecido e misterioso. São mais 365 dias de esperança. Há quem diga que são mais 365 oportunidades de fazer tudo diferente e mudar o rumo da sua vida, mas isso no fundo não importa.

O que importa é que o sentimento é de renovação. Parece que quando o relógio vira de 23h59 para 00h00 uma magia acontece e todos os problemas ficam para trás, dando espaço para novos sentimentos. Jogamos fora um caderno velho todo rabiscado e pegamos uma nova folha em branco.

Mas a verdade é que sempre levamos os escritos do antigo caderno com a gente, mesmo sem querer. Afinal, tudo nessa vida é cumulativo.

Chegou a hora de (re)começar e dessa vez temos muitos aprendizados para pôr em prática. O tal do “novo normal” pode ser tudo, menos normal. É por isso que esse termo incomoda tanto. Assim como tudo na vida, leva muito tempo para naturalizar novos hábitos, ainda mais quando não temos opção de escolha.

Mas se tem uma característica que devemos valorizar da espécie humana é a nossa capacidade de adaptação. Isso ninguém tira de nós. Arrisco dizer que se nos adaptamos é porque temos fé de que as coisas vão melhorar.

E talvez esse seja meu principal e singelo pedido para 2021: que tenhamos fé para nos adaptar a toda e qualquer adversidade.

Amanda Souza – Belas Urbana. Formada em Letras pela Unicamp, amante da sétima arte e apaixonada por música. Feminista convicta, não dispensa uma boa conversa (de preferência com uma boa cerveja) e viajar. Já deu aula, fez estágio em bibliotecas, trabalhou com vendas e atualmente atua como analista de atendimento ao cliente.

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