Eu tinha por volta de 16 anos quando um vendedor me abordou na rua.

Ele me ofereceu uma caixa de livros por uma quantia que eu podia pagar, com um dinheiro
que tinha de alguns bicos que eu fazia. Eu nem sabia que tipo de livros tinha na caixa, mas
eram livros, me senti comprando um tesouro.

Eu era compulsiva por escrever, tinha inúmeros caderninhos com meus escritos e ninguém
sabia. Eram poemas, contos, diários…E a partir daquele momento, aquela caixa mágica.

Quando cheguei no meu quarto, meu esconderijo, e abri a caixa, o primeiro que eu vi: “Morro
dos ventos uivantes”, de Emily Brontë. Um romance proibido entre Heathcliff e Catherine.
Rústico, selvagem, sedutor, rebelde, do início ao fim. Um livro que recebeu várias críticas na
época.

Todo final de tarde eu me recolhia para viajar no livro, e era num lugar secreto, o morro
vermelho da cidade. Era um morro da cidade de Jaú, uma cidade montanhosa e ele era o ápice
do local. A leitura tinha que ser lá, longe de tudo e de todos, era o meu momento particular.

Um local meio proibido por se tratar de ser longe, mas eu ia com a minha bike e ninguém
sabia, nem notavam minha falta. Eu fugia daquela loucura e ia…

Chegava suada da pedalada intensa, sentava no chão e abria o livro. Que capa, meu Deus!

Uma história de amor gótico, cheia de fantasmas reais e imaginários, um romance inusitado,
indescritível…enigmático. Era o meu momento secreto com aquelas páginas…com os
personagens, cada um deles. Um cenário fantástico que a minha mente formava e sentia.

Que viagem! Aquele livro me salvava…

Lembro até hoje quando li o último capítulo e comecei a chorar, pedindo aos prantos para a
autora: “por favor, continua…continua…”

Naquele dia eu vi o mais lindo entardecer da minha vida…O sol se despediu com uma
mensagem…e nos meus anseios era para mim. “Sonhe”.

Passei a imaginar a vida mais cheia de cores…Esse é o poder de um livro.

Leia…Leia…Leia…

Siomara Carlson – Bela urbana. Arte Educadora e Assistente Social. Pós-graduada em Arteterapia e Políticas Públicas. Ama cachorros, poesia e chocolate. @poesia.de.si

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