Sou um ser “questionante” e um dia desses me veio à mente a seguinte questão: E esse tal AMOR, existe mesmo? Ou seria invenção de romancistas, filósofos e religiosos?

Teriam os seres vivos a capacidade de amar genuinamente?

Eu amo? Eles amam? Vocês amam?

A maioria responde “sim”. Ama-se os pais, filhos, amigos, cônjuges, bichos de estimação, plantas…

Bichos? Plantas?

Pois não é?

Observando comportamentos humanos e dos outros animais, percebi que o amor é, de fato, uma capacidade nossa e deles.

Não só somos capazes de amar, como somos vocacionados a tal.

Gostamos de amar (e ser amados, claro), precisamos amar, independente do ser amado.

Direcionamos essa nossa energia aos mais próximos (familiares e amigos) e, na ausência destes, escolhemos outros objetos de amor. É como se essa força não coubesse dentro da gente e precisássemos lançá-la mundo afora.

Tenho visto a geração da minha filha muito ligada em “seres de estimação”: gatos, cães, peixes, plantinhas, outros têm animaizinhos exóticos.

Muitos deles não querem ter filhotes próprios e adotam os bichinhos, tratando-os como filhos: “Vem cá, filho, vem comer”, diz Vitória para seu gato Miguel; diz, ainda: “Paulo dá beijinhos no aquário, não é filho?”, referindo-se ao seu peixinho; minha enteada diz para sua cã Zara: “Filha, deixa a mamãe entrar”.

Pensei: como já são adultos, a relação amorosa com os pais já está estabilizada; o dar e receber já está estabelecido em uma linha constante. 

É preciso, então, encontrar novos veios, porque essa vontade de amar (e ser amado, diga-se) brota sabe-se lá de onde. Talvez da fonte primordial da vida.

Por isso os filhos, sejam eles humanos ou não.

Quer melhor exemplo de relação de amor do que a existente entre pais e filhos?

A vida inteira dos envolvidos pauta-se nesta variável (ou seria uma constante?): se a experiência foi boa e equilibrada, a pessoa terá relações saudáveis e se foi tumultuada, pode haver “disfunções amorosas”.

Concluí, assim, que o AMOR, este ente abstrato e tão proclamado, de fato existe, não de per si, isolado, mas em cada ser vivo, que se alimenta dele para continuar existindo e criando ainda mais amor. 

Maria Claudionora Amâncio Vieira –  Belas Urbana, formada em Direito pela Universidade Estadual Paulista – UNESP e é especialista em Direito do Trabalho e Processual do Trabalho pela Universidade de Franca. Amante incondicional da Natureza Selvagem, grande apreciadora dos prazeres da vida, leitora contumaz e cinéfila por excelência

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